Once Upon a Time - Frozen -
3 Capítulo 3 - O Diário no Sótão -
Notas iniciais
Cinco anos após o naufrágio do rei e da rainha e com o último evento da coroação de Elsa, as duas irmãs estavam enfim paradas na frente de duas rochas enormes cinzas. Aquelas rochas eram o marco do rei e da rainha. A brisa leve soprava as flores de margaridas ali nas campinas, o cenário montanhoso logo atrás seria uma vista e tanto — se as duas garotas prestassem atenção -. O céu estava com um azul vivo e sem nuvens, típico do verão, era aquele azul que o céu mostrava, um azul claro e limpo no tempo de veraneio que a princesa Anna adorava. Ela adorava aquele clima, aquela atmosfera clara e calorosa, o verão era uma época quente e amistosa, aquecia qualquer coração.
A saudade dos pais eram imensas para as três irmãs, cada uma sentia falta a sua maneira. Anna e Elsa colocaram um ramo de tulipas amarelas nos túmulos de seus pais ao lado de dois ramos de lírios brancos, ambas estavam abraçadas observando aquelas rochas com dedicatórias cravadas em dourado e com o símbolo do reino de Arendelle talhado.
– Eles ficariam orgulhos de você.
– De nós três Elsa. Falando nisso... Onde está Elliot? Achei que estaria aqui conosco. — Anna olhou para a irmã que não respondeu sua pergunta além de contar que havia uma surpresa esperando pela mais nova. Uma surpresa referente ao seu casamento com o jovem Kristoff, o garoto do gelo como costumava pensar Elliot.
Caminharam de volta ao castelo seguindo em direção aquele velho sótão que antes foi o cenário mais obscuro para família real. Elsa subia as escadas enquanto sua irmã caçula a enchia de interrogações apressadas e divertidas a respeito do que poderia ser aquela surpresa, "Uma carruagem?" talvez não, cavalos não sobem escadas pensou. Ao chegarem no entorno ela observou que a irmã mais velha estava ali parada de costas fitando alguma coisa através de um tecido branco — quase transparente -. Elliot estava diferente de dois anos atrás, resolverá cortar o imenso cabelo branco, deixando curto e repicado da altura da nuca. O que era desconhecido pela nova Rainha de Arendelle era que aquele corte fora para incentivar o "garoto do gelo" a cortar a "jubinha" loura a qual tinha tamanho apego. Assim, não abandonou aquele velho uniforme semelhante a de seu pai, porém, agora com uma cor distinta, preto e com brasões e medalhas, era a única mulher do reino que ousava vestir calças e botas. Precisava manter aquelas vestes, afinal, fora o acordo para aceitarem seu casamento com Elsa. O sabre banhado a ouro e prata estava preso e bem seguro em sua cintura, pronta para qualquer ataque, sempre alerta era seu lema. Ao ouvir as irmãs chegando virou-se abruptamente com aquele largo sorriso perfeitamente brilhoso com seus dentes pontiagudos, naquele rosto anguloso.
– Enfim chegaram, achei que teria que esperar a eternidade aqui. — Brincou a vampira em seu tom debochado.
– A eternidade até que lhe cai bem. — Retrucou a rainha.
– Bom, então essa era a minha surpresa? Elliot e um sótão? — Anna disse um tanto incrédula. — E porque estamos aqui?
– Não é óbvio? — fez uma breve pausa olhando para sua esposa. — Estamos aqui para te dar o seu presente de casamento. Achei que Elsa havia lhe contado o motivo.
– Contou, mas... — os olhos da jovem seguiram em direção ao guarda-roupa aberto contendo em seu interior um belo vestido branco de casamento. — Minha nossa! — levou as mãos em direção a boca, estava surpresa.
– Era essa a reação que eu esperava. — Sussurrou Elliot no ouvido de Elsa que deu um breve sorriso com o comentário da irmã/esposa.
– É da mamãe... Vocês o encontraram. — Anna dizia incrédula e ainda surpresa, admirando a beleza daquela peça. Não só a beleza mais o imenso sentimento que ele representava.
– Vai lá provar. — Disse Elsa.
– Depois de incessantes buscas e quase chegarmos ao ponto de ordenarmos os guardas a revirarem minuciosamente cada local desse castelo, Elsa o encontrou. — Elliot encostou em uma velha cômoda de mogno fitando as irmãs. — A rainha não desiste quando procura por algo. — Ambas riram com as brincadeiras da vampira. — Mas, eu encontrei isso aqui — retirou do bolso um lindo colar prateado como um floco de neve com seis pontas e um azul brilhoso intenso no centro. Parecia mágico, foi isso que Anna pensou, "era lindo e mágico todo aquele momento com as irmãs."
– É lindo! — exclamou a caçula. — Isso tudo é lindo, eu amo vocês. — Anna falou ao abraçar ambas.
– Também amamos você, agora vamos, queremos ver como você fica com o vestido. — Elsa dizia ao sorrir e ir de encontro a Elliot que parecia uma criança bisbilhoteira tirando o pó de alguns papeis.
– Você não consegue ficar quieta não é mesmo? — disse sorrindo.
– Começo a cogitar a teoria de que irmãos mais novos também são responsáveis pela transferência de genes através do convívio. Creio que herdei da Anna tamanha hiperatividade.
– Eu estou ouvindo isso Elliot. — Anna manifestou-se enquanto vestia seu "novo" presente atrás daquelas cortinas brancas. A vampira sorriu de lado com o comentário da caçula.
Elliot continuou a observar aquele lugar que lhe traziam lembranças dolorosas, mas que tentou repeli-las. As duas irmãs conversavam a respeito do casamento. Elsa questionava Anna se o Sven entraria na igreja, afinal o papel de levar a noiva ao altar fora dado as duas irmãs mais velha, Elliot e Elsa. E ambas dialogavam que a pobre rena estaria bem vestida e tinha sido convidada oficialmente. A vampira estava perdida em divagações e ouvia ao longe os murmúrios das irmãs. Por fim, a conversa chegou no noivo e Anna revelou que Kristoffer havia cortado o cabelo por influencia de Elliot. Ao mencionar o nome da irmã, ambas observaram que aquela vampira estava muito quieta sem manifestar suas opiniões ou brincadeiras, Anna não ouvira mais a voz da irmã, e Elsa percebeu que ela lia algo atentamente e de forma preocupada.
– O que foi? — indagou a Rainha. Anna saiu trajando o vestido e percebeu as duas irmãs lendo aquele livro empoeirado.
– O que está acontecendo? — aproximou-se a caçula. — O que é isso? Um diário?
– É da mamãe. — Disse Elliot ao olhar para Anna.
Elsa terminou por contar que havia informações sobre a morte dos pais das garotas e entendeu que era culpa dela. Saiu de forma abrupta descendo rápido a escada, Anna a chamou e Elliot nada fez além de ficar parada como uma estatua, suas feições estavam severas.
– Elliot precisamos falar com ela e dizer que não é culpa dela, é claro que não é!
– Eu posso tê-los condenado também Anna. — Disse a irmã com os olhos vermelhos desfalecidos, estava em choque.
– Claro que não! Não há fundamentos para isso! Vamos procurar a Elsa.
Ambas partiram em direção a um bosque afastado do castelo, afastado da civilização. Elsa gostaria de pensar em tudo o que leu, no que continha naquele caderno. Precisava refletir para entender aquelas palavras escritas pela mãe. Porque Elliot e ela foram citadas daquele jeito? Por quê? Por quê? respostas que não poderiam ser respondidas. A mãe não estava ali para esclarecer suas duvidas. Exterminar de vez os " Por quês" de sua mente.
Anna avistou ao longe a irmã sentada rodeada por flocos de neves que flutuavam sobre sua cabeça, de fato aquilo havia mexido muito com ela. Diferente de Elliot, às vezes, era fácil para Anna saber quando a Rainha estava apreensiva ou aborrecida. Tinha que ler as duas irmãs de formas diferentes e ela aprendeu com o tempo o modo de cada uma. Elsa continha o diário repousando em suas pernas colocando suas mãos sobre a capa dura marrom com detalhes azuis desenhados.
As garotas correram até Elsa e se ajoelharam ao seu lado.
– Você não pode guardar isso tudo só para você. — Elliot falava.
– Eu quero ficar sozinha. — Retrucou Elsa.
– Você tem duas irmãs, acha mesmo que vai conseguir ficar sozinha? — disse Anna.
– Ela tem razão, não deixaríamos você sozinha. Até agora que você está querendo. — Elliot dizia de forma seria, diferente das velhas brincadeiras que soltava ao lado de ambas. Ela só aderia aquela postura com estranhos ou com o próprio Kristoffer para perturba-lo. Mas NUNCA com as irmãs.
Ela se sentia incomodada.
Aflita, uma angustia que se avolumava mais e mais em seu interior.
Precisava de respostas, assim como Elsa também precisava.
– Vocês sabem que podem me contar qualquer coisa. — Anna dizia, sendo a única que não leu o diário da mãe. Elsa a advertiu que os pais não saíram em uma missão diplomática como todos, inclusive elas pensavam.
– Mostre a ela. — Elliot postou-se de pé rapidamente. — Deixe que ela veja.
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