Once Upon a Time
1 Princess of China
Notas iniciais
Sugiro que escutem a versão acústica dessa música! Vou deixar o link:
https://www.youtube.com/watch?v=9Hfy_uxvxZc
ATENÇÃO!!! A narração varia entre os personagens!!
James
Era uma vez, alguém fugia
Fugia vendo o quão rápido eu podia
Eu tenho que ir, eu tenho que ir
No começo foi difícil assumir o que sentia. Dizem que se apaixonar é uma das melhores experiências que uma pessoa pode experimentar, infelizmente esqueceram de dizer o quão apavorante ela possa ser.
Eu vivia fugindo. Fugi desse sentimento. Afinal, histórias de outras pessoas estão aqui para provar o quanto podemos nos machucar. Amar é um salto de um avião, você pode até estar de paraquedas, mas não se sabe se na hora que precisar ele vai se abrir. Eu preferia a segurança, estar em terra firme. Nada de dúvidas na hora da queda, muito menos os hematomas que tudo isso pode deixar. Isso quando não há sequelas. Mas nem sempre consegue-se evitar a queda.
Fazia muito calor naquela tarde, a primeira vez que a vi. Os vizinhos novos haviam chegado a uma semana. Como uma cena típica americana, minha mãe e eu fomos dar as boas-vindas aos novos moradores levando uma torta de morangos. Três batidas e a porta de mogno foi aberta. Uma mulher que aparentava ter a mesma idade de minha mãe recebeu-nos com um sorriso no rosto.
- Olá, somos seus vizinhos e queríamos dar-lhe as boas-vindas! Meu nome é Beatrice Oswell.
- Olá Beatrice! Fico muito grata por sua atenção! Meu nome é Carmen Rivers.
E então minha mãe resolveu me apresentar a senhora Rivers. Sua família se assemelhava a minha. Era somente ela, seu marido e uma filha única. Só que no meu caso era filho único. E ali ficaram falando sobre o bairro, que qualquer ajuda ou o que precisasse era só nós chamar. Minha mãe sempre fora muito prestativa. Sra. Rivers agradeceu pela torta e entrou para dentro. Saí com minha mãe para nossa casa novamente, ela entrou para dentro e dirige-me para o quintal. Era meu lugar preferido da casa, depois do meu quarto. Fiquei por um tempo observando o local. Tinha uma mesa branca com quatro cadeiras, várias plantas e flores espalhadas ao redor, e mais afastado, próximo ao muro da casa dos novos vizinhos, se encontrava o gazebo branco, com entalhes feito à mão, suas colunas haviam sido recobertas até a metade por flores, seu teto era de vidro. No centro havia um piano. Meu pai havia me ensinado a tocar.
Reguei as flores e as plantas que sofriam como calor horrível. Resolvi tocar um pouco. Isso me acalmava de uma maneira surpreendente. Meus dedos deslizavam por entre as teclas sem perceber que estava sendo observado por lindos olhos castanhos, logo acima do muro.
Foi nesse dia que meu mundo começou a cair. No dia que vi os olhos dela.
Era uma vez, nós nos apaixonamos
Você segurando em sua mão as duas metades do meu coração
- Qual é? Está mesmo falando sério? – perguntei incrédulo.
- Mas é claro que sim, James! Amo a maneira como toca seu piano! Você toca com o coração. Isso é lindo!
Não consegui não sorrir com aquela resposta. Emeline Rivers era a dona dos olhos mais convincentes do mundo. E quando ele disse aquilo, eu realmente acreditei que ela amava a maneira de como tocava. Durante um mês, todas as terças e quintas eu tocava pra ela, pois nesses dias nós saíamos mais cedo do colégio. Depois de um mês eu a convidei para entrar, então ela ficava do outro lado do piano de cauda me observando. Não falávamos nada, a música falava por nós.
Pela primeira vez, em três meses, Emeline não veio me ver tocar. Fiquei preocupado. O que havia acontecido? Ela nunca faltava! O vazio que senti em mim quando não a vi entrando pelo portão, ou pulando o muro como fazia, rindo e me olhando em tom de desafio, foi insuportável. Senti falta do cheiro dela misturado ao cheiro das rosas. Senti falta do som da sua voz, mesmo quando ela nada falava. Senti falta da melodia que saía de sua boca toda vez que dava risada. Senti falta do calor do corpo dela, quando finalmente resolveu sentar-se ao meu lado. E dos seus olhos, aqueles olhos que viam o fundo da minha alma. Criei uma dependência dela. E não queria admitir antes, mas agora a falta que senti foi muito maior. Precisava dela.
Pulei o muro de sua casa, peguei uma escada que se encontrava no quintal e escalei até a sacada de seu quarto. A janela estava aberta facilitando a minha entrada no local. Era a primeira vez que estava ali. Ele era decorado de maneira simples, mas não me prendi a isso, pois a imagem dela chorando baixinho em sua cama, com as pernas junto ao peito, querendo se proteger de algo, foi demais para meu coração suportar.
Sentei-me em sua frente e toquei levemente em suas mãos. Seus olhos castanhos estavam mais escuros por conta das lágrimas.
- O que está fazendo aqui? – foi tudo que me perguntou.
- Eu... eu... – o que responderia? Ela continuou a me olhar encorajando minha fala. – Eu fiquei preocupado com você, nunca tinha faltado antes. O que aconteceu?
Ela então soluçou. Desespero tomou conta do meu corpo, por instinto a abracei. Já havíamos nos abraçado antes, mas dessa vez foi mais profundo. Nós precisávamos desse abraço.
- James? – ele me chamou após um tempo. Ainda abraçado a seu corpo respondi baixo:
- Sim? Pode falar Emeline, sabe que estou aqui para ouvi-la.
- Lembra-se do que me disse? Sobre evitar se apaixonar?
- Lembro.
- Eu não consegui fazer isso.
Então esse era o motivo de seu choro. Ela havia se apaixonado, e não foi correspondida. Meu coração doeu e senti meu corpo queimar em raiva.
- James? – ela chamou quando não ouviu mais nada de mim. – Eu me apaixonei por você. E não quero te perder caso não sinta o mesmo, mais isso doí tanto! Precisava que soubesse disso.
- Não vou me afastar de você, Emeline. Porque eu também estou apaixonado por você.
Seus olhos brilharam em esperança. Eu já sabia o que sentia a semanas, mas ver que era recíproco foi o melhor dos sentimentos. Então a beijei.
Emeline
Era uma vez, nós queimávamos brilhantemente...
Foram os melhores meses da minha vida desde que o conheci. James era um rapaz que todas as garotas sonham. Educado, gentil e amoroso ele havia se tornada um ótimo amigo, e para minha maior alegria, um namorado perfeito. Não pensei que em três meses me apaixonaria por ele. Mas agora depois de sete meses que o vi a primeira vez havíamos decido tomar um passo maior.
Seu beijo era quente, seu corpo queimava sobre o meu que se tornava difícil respirar. Ele era um homem e tanto. Havia preparado seu quarto para nós, seus pais estariam viajando, a dia havia coincidindo com o mesmo que nós conhecemos. Ele me beijava contra a porta. Minhas mãos se dirigiram ao seu abdômen e toda a extensão de suas costas, não demorei para tirar sua blusa polo, revelando seu corpo forte. Ele fez o mesmo comigo, beijando meu pescoço logo depois. Envolvi minhas pernas em sua cintura no momento que ele me erguia e me carregava até sua cama. Me concentrava em abrir o zíper de sua calça, assim que consegui ele terminou de tirar a calça dele e a minha saia, jogando em qualquer lugar no quarto junto com nossas blusas.
Seu membro se mostrava enrijecido por debaixo da cueca box, senti meu corpo arder. James distribuía carinhos sobre meu corpo inteiro, ora no pescoço, seios, barriga e boca. Até que suas caricias foram direcionadas a minha intimidade, que ansiava por mais contato, ansiava por ele. Meus gemidos se tornavam mais constantes, e os dele não demoraram a vir quando minhas mãos se movimentavam por dentro de sua cueca. Nós beijamos com mais volúpia do que imaginei existir, nossas línguas faziam que tremores percorressem nossos corpos. James se posicionou em cima de mim, mais uma vez encarei seus olhos verdes. Aqueles mesmos olhos que me olharam com curiosidade sobre o muro da minha casa enquanto comia a torta de morangos que sua mãe tinha feito.
- Você tem certeza? – perguntou com todo carinho do mundo. Afinal eu era virgem.
- Eu te amo James. – respondi. Seus olhos sorriam tanto quanto seus lábios.
- Eu te amo Emeline. Diga se eu lhe machucar, por favor!
Fechei os olhos e assenti com a cabeça. Senti um incomodo quando ele se forçou dentro de mim. O gemido de dor foi impossível de segurar, mas logo depois substituído por um sentimento bom. James se movimentava devagar sobre mim, então abri meus olhos e não os fechei um só momento, e ele não olhou para outro lugar. Os gemidos ficaram mais altos, nossos corpos estavam suados e parecíamos estar prestes a explodir de tão quentes. Suas estocadas ficaram mais fortes, assim como minha vontade de que fosse mais fundo, movia meus quadris para que isso acontecesse. Nosso ápice veio quase ao mesmo tempo. Fui tomada por vazio e preenchimento ao mesmo tempo. Depois de mais três rápidas e fortes estocadas, James chegou ao seu clímax também.
Ofegantes, nossas respirações pareciam não querer normalizar tão cedo. Fui tomada pelo sono, assim como ele. Deitei minha cabeça em seu peito, que subia e descia descompassado ainda pelo recente orgasmo. Seus cabelos pretos estavam colados a testa ainda suada. Ele beijou minha testa e me envolveu em seus braços. Eu estava finalmente completa ao lado dele.
Era uma vez, nós queimávamos brilhantemente
Agora tudo que parecemos fazer, é brigar, de novo e de novo
E de novo e de novo
Depois de um ano e meio veio a primeira briga. O motivo? Exército. James havia decido se alistar e não havia me consultado. Estávamos com planos de ir a faculdade, já tínhamos terminado o colégio no ano passado. Estava tudo certo, mas James derrubou esse balde de água gelada sobre mim. Sobre influência e pressão de seu pai, James havia se alistado no exército e haviam convocado ele para uma missão no Oriente Médio.
Dor, tudo que sentia era a dor de ter que me manter afastada o do homem que amava. Não queria estar longe dele, não queria que ele se machucasse. Queria que James estivesse ao meu lado, sempre. Ainda chorava, não sabia como ainda tinha lágrimas para isso, deitada em minha cama. Então ele apareceu novamente pela minha sacada. Ficou lá parado e me chamou.
- Lembra da primeira vez que estive no seu quarto?
Não era uma pergunta retorica, afinal me lembrava muito bem da primeira vez que me declarei para ele.
- Eme, você sabe que eu te amo. Vai ser só por pouco tempo, eu juro.
- Promete? Promete que vai voltar pra mim? Pode prometer isso?
Ele deu um sorriso fraco e me chamou, deixei que meu corpo frio fosse envolvido pelo corpo quente dele, a noite estava gelada. As estrelas e a Lua cheia vaziam um espetáculo naquela triste noite.
- Eu te amo James, amo como nunca pensei amar. Por favor, volte pra mim.
- Eu prometo.
E por que você teve que ir?
Teve que ir e jogar todas as minhas coisas fora
No dia que partiu meu coração partiu junto com ele. Me senti dividida ao meio, uma parte que fora arrancada sem dó nem piedade de mim. Tudo que eu queria era que aquela dor parasse. Mas parecia impossível, ter que me separar de seus braços naquele aeroporto fora a pior coisa que fiz em toda minha vida. Mas eu o amava, e ia esperar por ele até o fim de meus dias.
Narrador
Eu poderia ser a princesa, e você poderia ser o rei
Poderíamos ter tido um castelo, usar um anel, mas não
Você me deixou ir
Durante dois anos Emeline esperou por James. O sustento de ambos eram as lembranças de um ano e meio que ficaram juntos. Cada beijo, carinho, abraço e risada... tudo estava gravado em seus corações. Estava tudo combinado, James voltaria para casa depois de todo aquele tempo. A ansiedade de Emeline era tamanha que havia saído de casa duas horas mais cedo para espera-lo no aeroporto. Ficou mais impaciente ainda, o relógio fazia o favor de não querer passar as horas. Estava quase cochilando em uma cadeira quando viu o primeiro uniforme de soldado sair pelo saguão de desembarque. Deu um pulo ficando em pé tão rápido, arrumou seu vestido, o preto que ele havia dado de presente a ela, e seus cabelos castanhos.
Respirou fundo.
Cada vez mais as pessoas saiam por aquela porta, mas nenhum sinal de James. “Provavelmente seu voo atrasou, ou teve algum imprevisto.” Pensou esperançosa. Seus olhos estavam marejados, ao fundo uma voz anunciava que o desembarque havia chegado ao fim e nada de seu amado James. Quando se virou para ir embora, a voz que tanto amava e conhecia chamou por ela. Seu coração se ascendeu tão rápido como uma casa em chamas durante um incêndio. Correu até ele, que a recebeu de braços abertos. O beijo dos dois foi o mais apaixonado e saudoso que alguém poderia ter presenciado na vida.
Em casa James e Emeline se amaram como se fosse a primeira vez de ambos. E continuaram a se amar por toda a noite. Para Emeline passar todo aquele tempo longe dele foi uma tortura, e agora podia estar nos braços de seu amado era difícil dizer como ela se sentia. James não pensou que aguentaria ficar tanto tempo longe dela.
Mais tempo ainda seria insuportável. Mas fora para isso que retornou. Queria amar aquela mulher de lindos olhos castanhos pela última vez. Ele não tinha voltado, não de verdade teria que retornar ao Oriente, sem previsão de volta. Não tivera coragem de dizer aquilo a sua amada. Não suportaria ver seu rosto banhado novamente pelas lágrimas, muito menos queria brigar novamente.
Você roubou a minha estrela
La la la la la la
Tudo que deixou para trás, enquanto ela dormia, foi uma carta. Uma carta que destroçou Emeline para sempre.
“Querida Emeline,
Não se assuste ao não me ver do seu lado. Não estarei aí por um bom tempo. Tive que voltar, mas minha covardia não permitia falar isso olhando em seus olhos. Não sei quando vou voltar ou se vou voltar.
Precisava tê-la mais uma vez, precisava me despedir de você, meu amor. Não quero que sofra por mim. Sei que deve estar com raiva, mas um dia vai entender que nossas almas sempre pertenceram uma a outra, mas não posso mais ficar com você.
Estou lhe deixando livre Emeline, não precisa mais esperar por mim. Estou deixando você ir, pois não posso roubar anos da sua vida, sua felicidade.
Todo seu, James.”
Assim que leu está carta, as lágrimas pareciam queimar seu rosto. Emeline estava incompleta, estava pela metade, nunca mais seria a mesma.
Porque você realmente me machucou
Não, você realmente me machucou
Porque você realmente me machucou
Não, você realmente me machucou
Amor é o sentimento mais complexo para se entender. Destino é algo que gosta de brincar com esse sentimento. Haviam se passado cinco anos desde que James partiu seu coração ao deixar sua amada nua naquela cama. Ele havia tomado a decisão de não prender mais seu grande e único amor. Ele a deixou livre. Se tem alguma coisa que aprendi em toda minha vida, é que o amor ultrapassa toda e qualquer barreira. Depois da partida dele, vieram os primeiros enjoos, os desmaios e a sonolência. O primeiro, o segundo, o terceiro e quarto exame. Todos com o mesmo resultado, positivo.
James queria se afastar, mas isso era impossível já que um pedaço dele estava crescendo no ventre da mulher que amava. A dor que ela suportou foi enorme. A perde dele, novamente, foi um grande choque, mas a esperança de saber que o amor deles havia dado o mais precioso fruto a ajudou a enfrentar tudo. Até a perda de seus pais em um acidente. Continuou morando na mesma casa, dormia no mesmo quarto de sempre e tinha mobiliado o quarto de seus pais para sua pequena filha.
O parto não fora um dos mais fácies, mas por fim conseguiu segurar seu pequeno anjo nos braços, seu elo eterno com James, a prova do amor eterno entre eles. No começo ficou indecisa se contava a James sobre Hope afinal não sabia onde ele estava, isso se ainda estava; mas a Sra. Oswell, que tinha ficado viúva a pouco, soube no momento em que olhou para Hope que ela era a filha de James; eles têm os mesmos olhos. Emeline tentou seguir sua vida, se formou na faculdade e lecionava Literatura no mesmo colégio que estudou um dia; Beatrice ficava com a sua filha para que pudesse trabalhar.
Assim que apertou a campainha da casa, sua filha veio junto da avó para recebe-la com um abraço e um beijo no rosto. Ela estava bem animada, e a Sra. Oswell estava desnorteada sem saber o que fazer direito, ia perguntar o que houve, mas sua filha falou antes:
- Mamãe! Mamãe! Vem ver, vem ver! – falou toda sorrisos.
- Ver o que meu amor?
- Música! – disse e saiu correndo para o quintal.
Emeline saiu atrás de sua filha indo na mesma direção, até que seu sangue gelou. Aquela música vinha do piano. Ela conhecia muito bem a melodia, era a mesma que ouviu a primeira vez que...
Então correu até a porta dos fundos e a abriu num ímpeto. Segurou sua respiração ao ver ele novamente. O homem que amava, o único que havia amado, o pai de sua filha, estava lá tocando seu piano enquanto a pequena o olhava sonhadora. Uma lágrima rolou por sua face, seu James, seu amado James segurou Hope no colo e veio em sua direção, também chorava. De frente um pro outro, eram tantas as lembranças...
- Mamãe, ele é meu papai? – perguntou seu anjinho pedindo seu colo dessa vez. Ela a segurou, ainda olhando para ele.
- Sim meu amor, ele é seu papai. – disse com a voz embargada.
- Eme, meu amor... Me desculpe, eu... – não terminou de falar e não precisava. Hope foi posta no chão e a sua vó a levou para dentro, com os protestos de que queria ouvir mais música. O abraço que deram foi o mais puro que já presenciei. O beijo que se seguiu também.
- Não me deixe nunca mais! – falou Emeline chorando copiosamente
- Nunca! Nunca! Não sei viver sem você! – respondeu James.
Quando duas almas estão predestinadas a ficaram juntas, não importa as adversidades, elas sempre voltam uma para a outra. Emeline e James eram a prova disso.
Eu poderia ser a princesa, e você poderia ser o rei...
Fale com o autor