Once Upon a Time

8 Inconsciente


Eu estava no meio da cidade, em cima de um prédio pra ser mais especifica. Lá em baixo um homem de terno caminhava por um beco escuro, coloquei o pé em cima do para peito do prédio e me lancei para baixo, cai de pé e sem fazer nenhum ruído. O homem continuava por seu caminho, me movimentei rapidamente e peguei ele por trás, tapei sua boca e o segurei.

- Não grite, isso não vai doer... muito. – sussurrei em seu ouvido e depois meus dentes cravaram em sua garganta com força. O sangue escorreu para dentro de minha boca, descendo pela minha garganta e causando uma explosão de sensações inacreditáveis. Em pouco tempo o sangue já havia sido todo drenado e o corpo caiu inerte em meus pés.

Vozes vindas da rua me fizeram pensar rápido, passei um pouco do sangue dele em mim e em meu pescoço e deitei ao seu lado. Duas garotas entraram no beco, elas pareciam estar bêbadas. As duas vinham em minha direção rindo alto, paparam a meio metro de nós e nos fitaram, permaneci parada. As duas desviaram e continuaram caminhando, levantei e quebrei o pescoço de uma delas. Pulei em cima da outra antes que fugisse.

O sangue delas acabou rápido também, era amargo por causa do álcool e drogas. Subi de volta para cima do prédio, escalando ele rápido. Sentei em um canto e escorei minha cabeça na parede, agora era esperar o sangue descer e liberar a energia.

Minha cabeça ainda doía quando acordei, credo que sonho estranho! O sol estava batendo forte em meus olhos, abri os olhos e quase fiquei cega por conta do brilho. Coloquei minha mão na frente dele para tapar, foi então que vi o vermelho em meus dedos. Olhei para meu corpo e havia mais manchas vermelhas. Então olhei em volta, eu estava em cima de um prédio. Olhei para baixo do prédio e vi três corpos jogados no chão. Um grito agudo rasgou minha garganta.

Meu Deus, o que eu sou? Não era um sonho, eu estava fazendo aquilo tudo, inconsciente, mas estava. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, eu era um monstro assim como Justin havia falado que eu me transformaria. Minhas mãos tremiam muito, eu tinha que sair dali antes que alguém chamasse a policia e me encontrassem assim.

Abri a porta e desci vários lances de escadas correndo, caminhei rápido por entre as ruas torcendo para que ninguém me visse. Era domingo, poucas pessoas estariam acordadas a essa hora, sequei as lágrimas que já estavam deixando minha visão embaçada demais. Continuei caminhando o mais rápido, mas para onde?

Harry já deveria ter acordado e não teria como explicar todo esse sangue em mim. Fechei meus olhos e deixei que meu corpo me levasse para onde ele queria estar, caminhei por um tempo até chegar em frente a uma casa branca de dois andares. Respirei fundo vendo onde eu estava.

Caminhei até a porta e toquei a campainha, depois de alguns segundos Justin apareceu na porta. Ele me olhou assustado por um tempo, então algo explodiu dentro de mim.

- Que merda, você tinha razão! – falei me rendendo. – Matei três pessoas.

- E o que você quer que eu faça? – ele perguntou sem demonstrar nenhuma importância com o que eu disse.

- Que droga Justin! Você disse para mim controlar isso! Não quero ser um monstro! – falei.

- E você disse para mim sumir, é isso que eu vou fazer. – ele começou a fechar a porta.

- Por favor, me desculpa. – segurei a porta. – Eu ouvi você por pensamento ontem, tenho certeza que não quer fechar essa porta.

- Então estamos realmente conectados? – ele abriu a porta.

- Acho que sim. – dei de ombros. – Já ouvi você em minha mente algumas vezes.

- Entra, temos muito o que conversar. – ele finalmente me deu passagem. Entrei e parei ao lado da porta.

- Não tem... hmmm... algumas roupas para mim me trocar? – perguntei olhando para as roupas cheias de sangue.

- Só tem roupas minhas, se quiser pode pegar. – ele falou. – Vou mostrar onde fica o banheiro.

Subimos as escadas, peguei uma toalha e fui tomar banho. Era bom poder me sentir limpa finalmente, peguei uma camiseta de Justin e coloquei o meu calção mesmo. Desci as escadas e ele estava fazendo uma salada de frutas.

- Frutas ajudam com a digestão do sangue. – ele falou antes de olhar para mim. – Está bonita.

- Ficou grande, mas é melhor do que sangue. – falei dando de ombros e sentando em uma cadeira ao lado da mesa.

- Pode comer. – ele colocou a tigela em minha frente. Comi feito um animal, as frutas eram muito boas. – Quer começar a falar agora ou...?

- Já podemos começar. – falei enquanto comia.

- Você já sabe o que é e sabe o que é capaz de fazer... ou quase isso. – ele fez uma pausa. – temos que trazer os seus poderes para fora e depois trabalhar eles para que você possa controla-los.

- E isso vai ser muito complicado? – perguntei.

- Não, você vai se sentir um pouco estranha no começo, mas depois vai ser normal. – ele falou.

- E quando começamos?

- Calma, não vamos fazer tudo tão rápido. – ele falou. – Primeiro você tem que entender o que tem aí dentro, depois o que vamos fazer.

- Tudo bem, tenho o dia inteiro livre. – me escorei na cadeira.