Once Upon a Time

1 Completos desconhecidos


Sempre fui de me encaixar bem na escola, mas desde que meus pais morreram eu ando me afastando cada vez mais de todo o mundo, de todas as coisas de tudo que existe e de tudo que não existe também. As únicas pessoas que continuavam relativamente próximas a mim eram meu irmão Harry e os meus melhores amigos Liam e Nathalia.

Desde o dia do acidente eu nunca mais fui totalmente a mesma garota de antes. Sempre usei mini saias, blusas com decotes, me preocupava muito com meus cabelos, a maquiagem então nem se fala. Ser líder de torcida era um motivo muito grande para me gabar por aí, garotos corriam atrás de mim e sempre me preocupei com quem eu andava para não causar más impressões.

Mas agora, calças de jeans surradas tomaram lugar das mini saias, moletons dos degotes das blusas, meus cabelos estão quase todo o tempo presos, nunca mais fiz maquiagem. E as lideres de torcida? Não me importo mais com isso. Nenhum menino corre atrás de mim, e não me preocupo com quem ando, na verdade apenas gosto de andar sozinha.

A música Castle of Glass do Linkin Park estava no volume máximo nos fones de ouvido, mas mesmo assim eu conseguia ouvir o que os outros estavam pensando. Principalmente o que Nathy estava pensando, já que ela sempre adorou brincar disso.

– Rupert Grint. – falei lendo sua mente e percebendo que ela não parava de pensar nele e nas cenas que ele aparecia no último filme de Harry Potter. Seu rosto se virou rapidamente para mim, seus olhos estavam arregalados e sua boca entre aberta. Tirei os fones antes que ela começasse a tagarelar sobre como aquilo era realmente inacreditável.

– Não acredito que fez isso de novo! Eu odeio você! Odeio esse poder! Nunca posso vencer! – ela começou a falar e falar e fala, mas algo prendeu minha atenção. Ele tinha cabelos pretos, altos em um topete, seu rosto era bem desenhado. Minha visão começou a se embaralhar.

Havia um enorme poço em minha frente, ele era escuro e fundo demais para que eu pudesse ver seu fim. Algo se mexeu atrás de mim, tentei virar, mas a coisa já havia sumido deixando um rastro de sangue pelo caminho. Segui a trilha para ver onde dava, era longa e cada vez mais entrava para dentro da floresta. Uma neblina densa começou a aparecer por todos os lados, o ar ficou gelado e difícil de respirar. Tentei correr, mas as coisas só pioravam. Então uma sombra atravessou o meu caminho, minha pele se arrepiou com medo do que estava prestes a vir. Então algo pegou meu pescoço e me ergueu, não conseguia ver seu rosto, era impossível. Ele usava um suéter preto, uma camisa branca por baixo, calças jeans e estava apertando meu pescoço cada vez mais. Meu nome começou a soar alto e alguns estalos.

Quando voltei a ver o mundo ao meu redor o rosto de Nathy estava próximo ao meu enquanto ela estalava os dedos freneticamente tentando chamar minha atenção. Ela falava meu nome várias vezes.

– Desculpa, eu me distraí. – falei piscando os olhos enquanto ela desabava no banco em minha frente. O garoto não estava mais ali, devia ter entrado ou simplesmente nunca existiu. Essas coisas andam acontecendo bastante comigo desde o dia do acidente.

– Acho que não deveria fazer novamente, perdeu a parte mais legal da minha história! Eu demorei muito tempo para ter coragem de te contar sobre isso e você simplesmente começa a vegetar sem me avisar! Assim não vai dar! – ela pegou a mochila dela e se levantou. Fui atrás dela em direção à minha sala, passamos por todos os corredores repletos de adolescentes idiotas querendo um pouco de atenção.

Minha sala já estava entupida de gente, liguei a música mais uma vez no volume máximo. Coloquei o capuz e abaixei a cabeça tentando me desligar daquele pavoroso mundo cruel ao meu redor. Acho que acabei adormecendo, lembro do sinal de incêndio da escola tocando e depois todos apavorados correndo. Levantei o mais rápido que consegui da minha cadeira, mas a fumaça já estava em toda a sala, meus pulmões pareciam que estavam queimando. Então as coisas começaram a girar e eu cai de joelhos no chão, tentei me apoiar usando as mãos. Eu estava tossindo muito e estava muito difícil de respirar. Braços fortes envolveram meu corpo me erguendo e pressionando meu rosto contra um peito forte e macio, o cheiro era doce e caloroso. Fechei os olhos e tentei me concentrar na respiração dele e acalmar a minha.

Abri os olhos devagar, tentando me acostumar com a luz forte do sol. Haviam muitos rostos em cima de mim, de repente todos sumiram dando lugar ao de Harry, ele parecia assustado. Uma mão pegou a minha, então Nathy apareceu, logo a seguir Liam apareceu também.

– Me deem licença crianças. – uma voz veio de longe, então todos sumiram mais uma vez. Uma médica loira apareceu, ela começou a mexer em mim fazendo exames e as vezes algumas perguntas que eu conseguia responder apenas balançando a cabeça. – Acho que você está bem, só descanse o resto dessa semana e volte para a aula na segunda feira. Apenas para termos certeza de que está tudo bem.

Sentei na maca e logo todos estavam de volta ao meu redor. Nathy segurou minha mão mais uma vez enquanto Harry começou com as perguntas.

– Você está bem? Machucou alguma coisa? Sente alguma dor? Consegue respirar? Esta tonta? – era muitas perguntas para uma única pessoa.

– Harry eu estou bem, não precisa se preocupar. – falei respirando fundo. Todos me olharam por um momento. Então Harry suspirou.

– Vou tentar ajudar os outros que se machucaram, a gente se encontra em casa. – ele e Liam saíram em direção a uma parte mais afastada do campus, onde haviam muitas pessoas deitadas.

– Como saiu de lá? – perguntei para Nathy que também havia olhado para onde os meninos estavam indo.

– Logo que o sinal tocou eu comecei a correr para cá, não cheguei a ver a fumaça, mas quando me disseram que você estava lá ainda eu tive um surto! – ela falou respondendo muito além da minha simples pergunta.

– Eu não teria conseguido sair de lá. – falei lembrando dos braços fortes, do cheiro e da estranha sensação de ser carregada por aquela pessoa. – Sabe quem me tirou de lá?

– Foi aquele menino ali. – ela apontou para um garoto moreno, ele estava de costas, mas quando se virou reconheci seu rosto. Era o mesmo menino que eu encarei mais cedo antes da minha visão. Ele estava sozinho caminhando em direção a saída do campus. Me apoiei na maca para levantar. – Onde vai?

– Tenho que agradecer a ele. – falei começando a caminhar em direção a ele. Era estranho caminhar, minhas pernas não pareciam me obedecer como eu queria, mas essa sensação foi passando aos poucos e eu logo caminhava normalmente.

Ele estava se distanciando cada vez mais. Respirei fundo e juntei forças para gritar

–Hey! – falei e ele se virou. Seus olhos faiscaram por um momento. – Hmmm... eu só vim agradecer por ter me tirado de lá, acho que se não fosse por você eu estaria morta agora.

– Que isso, só fiz o que era certo. – ele falou sorrindo. Ele era lindo, ainda mais sorrindo!

– Mas mesmo assim obrigada.– falei. Ele se aproximou mais de mim.

– Qual é seu nome? – ele perguntou, mas as coisas começaram a girar. Tentei falar com ele, mas simplesmente nada saia da minha boca. Então minhas pernas bambearam e eu desabei. A última coisa que eu lembro de ver era os braços dele se aproximando de mim rapidamente.