Once Upon a... Nightmare?
1 Capítulo único
Notas iniciais
Estava escuro. Eu tateava cuidadosamente à minha volta, na tentativa de identificar o local onde me encontrava. Não conseguia evitar o medo. Medo do que a escuridão poderia estar ocultando. Medo de estar sozinha no vazio.
O ambiente era tão silencioso que cheguei a pensar que eu perdera o sentido da audição. A inexistência de qualquer coisa próxima a mim além do chão me amedrontava e tranqüilizava ao mesmo tempo.
Estaria eu morta?
Apesar da inabilidade de ver e ouvir, eu respirava. Sentia o ar preencher e deixar meus pulmões. Respirei profundamente e senti um enorme alívio tomar conta de mim quando ouvi o som sutil de minha respiração.
Apoiando as mãos no chão, esforcei-me para me levantar. Após me desequilibrar algumas vezes, consegui manter-me de pé. Arrisquei um pequeno passo para a frente, os braços esticados na frente do corpo, na tentativa de identificar qualquer obstáculo.
Paralisei no lugar ao sentir uma mão fria tocar meu braço por trás. Tão de repente quanto surgira, o toque frio desapareceu. Sentira algo, algo molhado, e que agora escorria por meu braço. Toquei essa substância misteriosa e trouxe a mão ao rosto. Cheiro de sangue.
Com os batimentos cardíacos acelerados, limpei o sangue em meu braço utilizando minha própria roupa. Um medo desesperador tomava conta de mim. De repente, ouvi um som agudo e ensurdecedor, depois de tanto silêncio. Levei alguns segundos para reconhecer o som como um grito, o que fez meu coração disparar ainda mais. O grito continuava ecoando em meus ouvidos, e eu não sabia se alguém ainda gritava realmente ou se eu estava enlouquecendo.
Caí de joelhos no chão, me encolhendo e tampando os ouvidos. Tudo que eu queria era parar de ouvir aquele grito. Queria que tudo aquilo acabasse. Cerrei os olhos o mais forte que pude.
Abri os olhos novamente, e o grito não mais ecoava em meus ouvidos. Eu conseguia enxergar novamente. Estava deitada em minha cama, os cobertores espalhados pelo chão. Senti-me tão aliviada que tive vontade de chorar. Ainda assim, tinha medo de voltar a dormir. Não queria ouvir o grito novamente.
Sentei-me na cama, abraçando os joelhos. Respirei fundo, tentando acalmar a mim mesma.
Então senti algo úmido quando toquei meu pijama. Meu coração disparou quando percebi os resquícios de sangue em minha roupa e meu braço.
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