Once Upon A Time...one Direction And Me
11 Capítulo 11- Nobody Compares
Notas iniciais
Saímos do The Strand Palace, Niall parou abruptamente frente a entrada e obsevou o ambiente. Carros passavam emitindo um ruído continuo de pneus e por vezes o agudo som de buzinas. Ao nosso lado pedestres resmungavam indignados com a quantidade de neve que encobria toda a superfície do solo. Uma moça de nariz arrebitado passou balançando os quadris como se assim fosse manter o bum bum quente, seus cabelos estavam presos no alto de sua cabeça enrolados e armados como uma vassoura loira. Rente ao seu corpo um Poodle branco, não sei se devido à neve ou sua natureza, andava com a mesma presunção da dona.
O céu parecia de mau humor, tingido por uma cor cinza de asfalto horrível, mas com grande esperança notei que alguns raios de sol tentavam atravessar aquela capa de nuvens grossas e pesadas. Seria possível que além de nevar também chovesse? Ah céus se um dia me encontrasse com a deusa fortuna ai de quem me segurasse!
- Venha – chamou Niall – vamos antes que apareça algum paparazzi – ele me puxou pela mão e senti a quentura de seus dedos me tocando, estremeci não de dor e sim prazer. Se um simples toque como esse já me fez sentir isso imagine a sua boca na minha, ou então... – por aqui – ele me tirou de meus pensamentos obsenos, apontava para o final da rua Southampton St. (ao menos era o que indicava a placa).
- Para onde está me levando? – perguntei.
- Ah você vai descobrir quando chegar lá.
- Estamos indo para o cinema? – pensava em algum palpite inteligente — Ah já sei! Vamos assistir diário de uma paixão não é mesmo? Eu amo esse filme! – o empurrei com o meu braço, andar de mãos dadas com Niall Horan é surreal.
Passamos em frente a uma grande construção erguida em tijolos crus, fileiras de pilares serviam como arrimos e sustentavam o telhado, as influencias micênicas eram obvias e a dimensão imensa dava lhe um ar soberbo, templário, me sentia na Grécia não em Londres. Só faltavam as colunas dóricas, jônicas e coríntinias. Cada centímetro parecia ter sido calculado com o mínimo de cuidado e eu me senti inferior frente aquela figura imponente.
-Wow- exclamei maravilhada.
- É o covent garden market – explicou ele – incrível não. Ele é muito antigo, eles tiveram que ampliar a construção para poder aumentar o espaço – depois que Niall me explicou isso percebi o telhado de vidro que se encaixava ao lado do antigo feito de algo que parecia com pedras lapidadas.
- Eu adorei – exclamei entusiasmada.
- Podemos entrar se quiser – torci o nariz pensando no aglomerado de pessoas que se formariam em volta do meu Niall.
- Talvez outro dia – respondi escondendo meu receio – agora quero ver aonde vai me levar.
- Como quiser Madame – ele sorriu brincalhão e continuamos nosso caminho.
Passamos por Long acre, Newport Ct. e Portland Place, gradativamente nos afastávamos do centro de Londres e entravamos em uma parte mais tranquila, por vezes fãs viam Niall, mas não se comportavam como nós brasileiras, elas acenavam para ele tiravam algumas fotos, mas depois se distanciavam e voltavam a atividade que faziam antes de encontra-lo. Se fossem brasileiras com toda a certeza arrancariam pedaços do Niall.
Paramos em frente a um conjunto de casas brancas.
-Tudo bem agora eu preciso que você feche os olhos – ele sussurrou no meu ouvido — não vale espiar!
Guiou-me ainda segurando minha mão, ouvi o ranger de portões metálicos e pássaros piando. Senti a textura do chão abaixo de meus pés mudar para algo mais macio, Niall me puxou gentilmente para a esquerda e percebi que voltara a pisar no duro.
- Pode abrir! – exclamou ele.
E foi o que fiz.
Um caminho de pedras se estendia a minha frente, dos seus dois lados árvores esbeltas de sakura se erguiam. Seus galhos compridos encostavam-se formando uma cúpula de ramos e flores cor de rosa, delicadas, constituídas por pétalas que brilhavam com o orvalho e alguns feixes de sol, no chão algumas delas jaziam sobre o manto de neve que se acumulará.
- Isso é lindo – murmurei encantada, Niall virou se para mim me examinando.
- É lindo mesmo – eu sorri pelo canto da boca corando levemente.
- Onde estamos? – pergunto curiosa.
- Um parque chamado Soho – começamos a caminhar lentamente, sinto o calor se propagando em meu corpo. Nossa como o clima de Londres é estranho. Pouco tempo atrás estava nevando e agora já está calor.
- Por que me trouxe aqui? – Niall pega uma flor caída sob a neve e responde:
- Esse aqui é o lugar que eu venho para pensar – ele pega as minhas mãos e as abre gentilmente colocando a flor nelas – Sakura significa amor, Safire, e estou começando a pensar que é isso que sinto por você – ele abre um sorriso lindo, eu fecho os olhos e me vejo aproximando para beija-lo. Só que então o celular dele toca e nos afastamos.
Droga. Essa foi quase!
- Alô? – ele pergunta, seus olhos se arregalam e eu sei que não pode ser boa coisa – Oi Anna – só podia ser. – Sim eu sei, não não – ele nega com a cabeça – tudo bem estou indo.
Nós não falamos qualquer coisa por um tempo, Niall não olhava em meus olhos, hesitante ele fala em um volume quase inaudível:
- Eu tenho que ir.
O que eu senti? Raiva, muita dela, na real quase explodi. Como ele ousava me trazer nesse lugar, dizer que sentia algo por mim, quase me beijar e agora ir embora para ver aquela megera?! Talvez eu estivesse exagerando, mas ele que pediu. Não é legal brincar com as emoções de uma garota.
- É você tem razão – esbravejei – eu tenho que ir – praticamente jogo a flor nele e me viro andando rapidamente.
-Hey – Niall me chama – Safire!
Mas eu não queria ouvir uma palavra se quer, estava embriagada com a raiva que me possuía. Como ele pode iludir-me de novo? Eu comecei a entrar em qualquer rua, sem me importar com o destino, adentrava em um ambiente desconhecido. Depois de trinta minutos andando em círculos me deparei com a possibilidade de estar perdida, andei desesperada para o caminho de volta, mas continuava a me enroscar por todo o trajeto e me deparava cada vez mais longe do Strand Palace.
Foi então que deixei de procrastinar e admiti “Não faço ideia de onde estou”. Ponderei minhas opções: Encontrar alguém e pedir informações ou morrer de frio no meio da rua. É eu fico com a primeira opção. Vi ao longe uma sombra e quando esta se virou o reconheci.
- Jack – chamei acenando.
Ele pareceu surpreso, mas feliz em me ver. Caminhou na minha direção, segurava uma câmera profissional em uma mão e na outra um óculos de lentes grossas.
- Oi Safire! – ele exclamou exultante de alegria – que surpresa agradável.
- É nem me diga – sussurrei.
- Eu estava indo tirar algumas fotos para o Collin, sabe a nova linha dele – aceno a cabeça -. Você pode vir comigo se quiser.
Então um estratagema vem a minha mente. Bem, vou fazer o Niall sentir um gostinho do que é ciúmes. Inclino a cabeça ligeiramente e fito seus olhos, sabia que o ato que estava prestes a fazer era ardil e arriscado ao mesmo tempo.
- Eu adoraria – respondi.
- Ótimo! – ele pegou uma mala de equipamento dentro de um carro preto estacionado ao lado – é no estúdio ali na frente – apontou com a cabeça para uma casa vitoriana, que mais se parecia com uma mansão do que qualquer outra coisa.
- Ahm, quer ajuda? – indaguei ao perceber a dificuldade com a qual Jack atravessava a rua.
- Não se preocupe Safire, não é a primeira vez que faço isso – ele piscou para mim e me guiou até o local. Chegando frente à porta nem bateu, passou por ela como se a casa fosse sua. O salão de entrada, ou melhor, dizendo hall estava uma bagunça com a correria de pessoas segurando cabides de roupas e sapatos.
De repente uma voz se sobrepôs a todas a outras que ecoavam pelo grande salão.
-Não não não – esbravejou Collin – como assim ela não vem? Eu não quero saber! Quero minha modelo com ou sem amígdalas!
Passos ruidosos andam pelo chão e Collin aparece a nossa frente.
-Oh Safire! – ele me abraça apertado – graças a Deus. Como você veio aqui? Ah não me importo! Preciso de sua ajuda, minha modelo principal está internada! Teve que retirar as amígdalas e não pode vir. Eu preciso que você a substitua. – olhei para ele pasma.
- Collin eu não sou modelo – vociferei.
- Olha, por favor, isso é muito importante para mim. Quero dizer, agora que fiquei famoso não posso decepcionar ninguém. Além do mais você me deve essa – trinquei os dentes e respondi sibilando.
- O.K. – mal falei isso que fui empurrada para a frente. Collin agarrou o meu pulso e me levou ao provador me sentando em uma cadeira. Duas louras surgiram ao meu lado e começaram a me pinicar e puxar o meu cabelo.
Passei tanto tempo sendo arrumada que senti minha bunda dolorida após, finalmente, afirmarem que eu estava pronta. Levantei apoiando-me pé ante pé.
- Ali está a roupa que você vai usar — apontou uma das loiras para mim.
Era um vestido azul cobalto, assim que o vesti senti minha cintura ser comprimida e todas as formas de meu corpo atenuadas. Com o mais simples gesto, a bainha do vestido esvoaçado, se movia debatendo-se contra meu corpo e lambendo as minhas pernas como se eu estivesse envolta em ondas do mar. Quando eu girava as ondas se tornavam mais ferozes e o forro do vestido transparecia dando a impressão de que a minha volta se formava espuma do mar.
Suspirei realmente um vestido único. Olhei-me preocupada no espelho iluminado por lâmpadas florescentes, eu conseguiria dar conta disso? Quero dizer, não sou modelo, nunca nem fui do tipo de tirar fotos com câmera profissional na frente do espelho.
- Safire — Collin me chama — vamos querida.
Droga.
- Calma você vai se sair bem — diz uma voz atrás de mim, me viro e vejo uma mulher um pouco mais velha que eu com dois grandes brincos de argolas pendurados nas orelhas — além do mais vai ser difícil alguém dizer que você está feia nesse vestido — ela dá uma piscadela e lhe respondo com um sorriso fraco.
- Obrigada.
- Venha — ela segura o meu braço — vamos logo antes que Collin tenha um ataque de nervos.
Chegamos à parte de fora da mansão, lá havia um pomar com varias macieira. No centro deste uma fonte se destacava, era feita de mármore lapidado. A deusa Vênus segurava com cuidado um vaso incrustado por onde a água jorrava. Sentia seu olhar queimando sob mim, parecia me observar como se quisesse desvendar algum tipo de enigma na minha cara.
Eu hein, virei o rosto irritada. "Ta olhando o que?" sussurrei baixinho para ela.
- Então Safire — Collin chama a minha atenção — você vai fica perto da ponte, sentada, de pé, plantando bananeira whatever, mas posando O.K. — aceno a cabeça — deixe me dar uma boa olhada em você — ele me afasta e coloca a mão no queixo pensativo — você está incrível, esse vestido foi feito para você.
- Oi Safire — Jack me comprimento — você está uau — ele exclama boquiaberto.
- Ah, obrigado — agradeço encabulada — então aonde quer que eu fique?
Ele pensa um pouco e depois fala:
- Está vendo aquela grande macieira ao lado direita da fonte e defronte para o sol — ele aponta para lá e então me imagino como Audrey Hepburn em funny face. Não deve ser tão difícil, não é mesmo?
Dou o melhor de mim tentando encarnar Kate Moss ou qualquer outra modelo. No inicio eu estava tensa, mas depois fui relaxando e soltando-me. Collin pareceu contente com meu desempenho, assim como Jack que não parava de tirar fotos. Depois de quarenta minutos me apoiando na beira da fonte, decido ousar. Tiro os sapatos e banho meus pés na água que jorra, a loira de argola ri maravilhada e Collin apenas sorri e me fita com seu olhar incisivo.
Então me levanto e caminho aproveitando esse jubileu de rebeldia que me tomava. Fico assim brincando com a fonte até que Collin fala.
- Perfeito — ele me ajuda a sair gentilmente — você foi genial — ele me abraça apertado — ah que bom que Abigail teve de retirar as amígdalas e pensar que você achou que não conseguiria. Mary! Sarah! Vamos arruma-la para o próximo look! — o que mais um? Ao menos tenho como passar o meu dia.
Passei o resto da manhã sendo maquiada e penteada, trocando de roupa e cenário, sempre paparicada. Acabei conhecendo Mary e Sarah, duas ajudantes de Collin que me contaram algumas histórias instigantes sobre sua convivência com modelos.
Quando chegou a hora do almoço eu estava morta de fome, não era à toa, ralei como nunca para parecer o mais profissional possível. Quero dizer, ser modelo não era tão fácil quanto eu pensei. Todos fazem o possível para você parecer perfeita: “Safire não curve o semblante” , “Safire você está forçando a sobrancelha” “Safire por que não há intensidade nos seus olhos?!” Safire isso, Safire aquilo. Tente aguentar isso por quatro horas.
- Ah finalmente almoço – suspirei aliviada ainda usando as roupas do ultimo look só que coberto por um robe de seda branco que caia suavemente sob minhas pernas. Ouvi o ranger de passos atrás de mim.
-Oi – Jack aparece ao meu lado – o Collin ta enrolado então pensei se queria ir almoçar comigo – dou-lhe um sorriso terno e respondo:
- Eu adoraria, mas eu não posso sair de robe – resmungo irritada.
- Ah não tem problema eu já comprei a comida – olho intrigada para a sacola que segura de um lado da mão, ele me puxa suavemente pelo braço.
Subimos um turbilhão de degraus até que em fim chegamos a um pequeno sótão, Jack abre uma porta no teto e me ajuda a subir. Quando me coloco de pé percebo que estou em um amplo telhado com uma visão magnífica, de longe pequenas casas inglesas se estendiam de maneira simplória, mas ao mesmo tempo deslumbrantes banhadas por uma luz dourada que incidia gloriosamente por toda a região.
- Wow – murmuro – isso é de tirar o fôlego – Jack se senta ao meu lado e eu sorrio brandamente. Ele me passa uma sacola, dentro embrulhado a um papel está um hambúrguer.
- Eu não sabia o que comprar – dá de ombros enquanto fala.
- Tudo bem – dou uma grande mordida – está ótimo.
- É bom ver que existem modelos que comem – Jack me da uma piscadela e eu reviro meus olhos – então de onde você é? Tenho certeza que não dá Europa por causa do sotaque.
- Nossa eu não sabia que ele era tão ruim.
- N- não eu não quis dizer isso – ele gagueja.
- Relaxa – o tranquilizo – eu só estava brincando. Bom eu sou do Brasil, para se mais especifica São Paulo – rio comigo mesma lembrando de que a maioria dos estrangeiros acha que o Brasil é constituído pelo Rio de Janeiro.
- Eu já estive lá – ele sorri se lembrando – uma cidade movimentada onde as pessoas não olham para trás. Parece com Londres – bufo com essa imagem.
- Tirando que em São Paulo você pode ser roubado até mesmo se tentar ir para o mercado da esquina – Jack ri.
- Não é verdade, com o pouco que vi de São Paulo posso dizer que é uma cidade idílica – eu desato a rir.
- Oh pobrezinho, você realmente não passeou muito por São Paulo. De qualquer forma eu amo a minha cidade, mas você sabe, com toda essa corrupção e violência é difícil não ter alguns sentimentos amargos pelo lugar.
- Eu entendo – ele se vira como eu para contemplar a paisagem enquanto comemos.
- Mas me diga como achou esse lugar?
- Bom você sabe, eu estava cansado da pressão dos estilistas sempre me dizendo como fazer o meu trabalho e reclamando além das modelos, ai um dia tive esse colapso nervoso e comecei a subir desesperadamente como se pudesse achar uma porta ou parede que trancasse todos os meus problemas para fora... – ele faz uma pausa e olha além do céu – então eu achei esse lugar.
- É fascinante – viro e fito seus olhos que com a luz do sol se tornaram verdes.
- É mesmo.
Eu me aproximo delicadamente e meus lábios, famintos devido ao incidente com Niall essa manhã, se apropriam dos de Jack. Antes que eu perceba estou beijando ele e minhas mãos estão segurando os seus cabelos o puxando contra mim. Hum... ele tem um gosto bom.
Talvez fosse errado, mas como resistir? Esse garoto lindo me quer e não me despreza ou quebra meu coração como Niall. Não, ele me quer ...
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