Notas iniciais
Hey Dearies!!Emocionado, depois de tanto escrever e reescrever saiu! Espero que gostem! Comentem e critiquem! Bjos com sabor de maçã!♥

A cada passo que eu insistia em dar, ela parecia doer mais.

_Maldita perna. _ Resmunguei insatisfeito.

A cidade estava toda eufórica com comemoração que estava por vir. Amaldiçoei-me mil vezes por ter inventado aquilo. Não podia ter feito em pior momento, muito menos pelo o que estava prestes a acontecer. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, estava começando a crer, que o preço da minha magia estava vindo com juros.

Caminhei lentamente apoiando com certa força em minha bengala. Distraído, lembrei-me da conversa que tinha tido com Belle, há alguns minutos:

...

_Belle, você não sai de casa, até eu voltar! Não quero você passeando de noite, por aí!

Ela desceu as escadas me encarando indignada. Colocou o vaso de rosas vermelhas, que estava em sua mão em uma mesinha no hall. Deu um sorriso meigo e sentou-se na escada para calçar um sapato de salto azul. Encarou-me com seus faiscantes olhos azuis e começou:

_ Eu já te disse Rumple. Está tudo bem, não vai acontecer nada! Aquilo foi um incidente, Emma já está investigando. E aliás, eu preciso arrumar algumas prateleiras. Amanhã a biblioteca abre cedo para a “grande comemoração”. _ Dizia jogando charme, com seu sotaque inconfundível.

Franzi o cenho tentando explicar, ela interrompeu-me ficando na ponta dos pés e beijando minha testa. “Droga” pensei “Ela sabe como me calar”. Ela foi até a cozinha e voltou com uma maçã nas mãos, enrolou cuidadosamente em um guardanapo e guardou em sua bolsa. Como eu poderia resistir a tanta doçura?

_Então está certo_ Disse enquanto ela ajeitava minha gravata_ Você pode ir até a biblioteca, mas prometa que vai ficar por lá até que eu vá-te buscar!

Ela sorriu, apertando o nó e alisando meu casaco. Tocou meu rosto e beijou meus lábios com ternura. Respondeu feliz, como uma criança:

_Está certo, me busque dez horas, para jantarmos na Granny.

No fim das contas ela sempre dizia o que eu devia fazer.

...

Quando notei, já estava em frente ao restaurante da Granny. Ele estava todo enfeitado. Na verdade, terrivelmente enfeitado. Aquela velha, não tinha o mínimo bom gosto. Mas finalmente, havia deixado de ser muquirana, e enfim tinha mandado cortarem a grama que crescia na fachada. Instalara algumas mesinhas, ali fora mesmo, e alguns jovens terminavam de colocar uma estrutura de lona, para cobri-las. Afinal, Storybrooke tinha um tempo, digamos... Temperamental

_ Será que não podem acelerar um pouco? Oh! Não encostem tanto as mesas, os fregueses vão precisar passar! Ei garoto, cuidado com essa luminária! Onde está Ruby? RUBY? Venha-me ajudar aqui com as mesas!

Realmente, aquela velha era insuportável.

Meu destino estava a apenas alguns metros: Prefeitura da Storybrooke. Eu sei que quem eu queria ver, estaria lá. Por hora, minha perna continuava a doer. Era uma dor forte e insistente. Uma dor clara e objetiva. Uma dor que confirma a todo momento, o que aqueles olhos haviam me dito mais cedo: Tudo que você conhece está prestes a desaparecer.

...

A dor começara nessa mesma manhã, juntamente com um presságio assombroso. Belle estava na cozinha preparando um chá, eu já conseguia sentir o cheiro agradável que invadia a penumbra de nosso quarto. Foi quando algo realmente peculiar aconteceu: Apesar de acordado, meus olhos não abriram!

Por mais que eu fizesse força, pareciam selados! Tentei diversas vezes. Levei minha mão aos olhos, mas fora em vão. Por mais que tentasse “abri-los”, minhas pupilas, continuavam privando a minha visão, e pior, privando-me de entender a situação.

Já estava quase pedindo socorro à Belle. Foi quando em meio a escuridão cega de meus olhos, como em uma imagem gravada em minha memória, uma coisa aterrorizadora, era uma visão interna. Não era algo que eu estivesse imaginando, ou melhor, sonhando. Era uma visão às cegas.

Sete olhos amarelados me observando, no meio da escuridão. Sete olhos conhecidos. Sete olhos sinistros. Eu queria acabar com tal agonia, eu queria abrir meus olhos, para que essa visão assombrosa se dissipasse, mas continuavam fechados...Continuavam pesados como pedras, sem que eu pudesse abri-los.

Meu terror aumentava a cada segundo, senti meu corpo preso e incapaz diante daqueles olhares sombrios, foi quando uma voz ecoou sobre meus ouvidos, era como se uma cena se passasse diante de meus selados olhos. A voz era quente, e úmida. Podia sentir a respiração arfante, era uma mistura de ódio com lamúria: Era um mau presságio.

_ Rumpelstiskin... O seu tempo acabou... Não há como fugir. Tudo que você conhece está prestes a desaparecer...

E como se estivesse sonhando, meus olhos se abriram abruptos e arregalados, respirando ofegante. Será que fora tudo um sonho? Será que eu estava deixando-me levar, pelos acontecimentos dos últimos dias? Continuei deitado aguardando que minha respiração voltasse ao normal, não queria que Belle me visse assustado.

Foi inútil, em poucos segundos, ela entrou sorridente, carregando uma bandeja com uma xícara de chá e um bolinho.

_ Como assim? Quer ficar até que horas na cama? _ Indagou risonha.

Tentei disfarçar meu assombro, com um sorriso. Ela pareceu aceitar.

_Ora querida! Eu já estou velho! _ Menti _ Preciso descansar um pouquinho mais...

Ela pareceu surpresa. Sentou-se aos pés da cama e pousou a bandeja ao seu lado. Ajeitou o cabelo atrás da orelha e me fitou por alguns segundos.

_Você está bem? Eu sei quanto você é apegado à loja...Mas sei que tudo vai ficar bem...

Interrompi num sorriso.

_Não Belle, estou bem! Não gaste seu tempo com bobagens, estou ótimo. O desgraçado que fez aquilo vai pagar...

Belle me encarou com as sobrancelhas erguidas.

_Espero, que você deixe isso na mão da Emma...Afinal, ELA é a xerife.

_ Ah claro, claro! _ Disse descobrindo-me_ A justiça desse mundo funciona muito bem!

Senti que ela logo iria retrucar com algum argumento inteligente, mas ao invés disso, ela soltou um pequeno grito.

_Gold, o que é isso?

Foi quando eu notei horrorizado a marca que agora eu carregava. Em minha perna esquerda sete arranhões e a marca de uma mordida, faziam meu sangue escorrer e pingar no carpete bege de meu quarto. Olhei para Belle, que mantinha-se assustada com a visão. Já sabia o que fazer.

_ O que é? _ Repeti num olhar vazio_ Um inimigo cobrando uma dívida, agora..._ Suspirei. Eu havia jurado que não faria mais isso com ela, mas dessa vez seria necessário_ Você não lembrará de nada disso.

O brilho conhecido de um encanto de esquecimento surgiu em nosso quarto, Belle apagou, caída sobre os cobertores macios. E eu? Eu tinha um plano para formular.

...

_ Pode entrar, Mr. Gold, você sabe que a porta sempre está destrancada.

A morena pareceu de bom humor, apesar de sua mesa estar repleta de papéis. Ela indicou uma poltrona com a mão, mas continuou assinando e lendo distraída alguns documentos. Dirigiu-se a mim displicente:

_ E então? Qual o assunto da visita?

_Nós, querida. _ Respondi firmemente

Ela levantou os olhos dos papéis e perguntou arqueando as sobrancelhas:

_Nós? Não entendo.

Eu tentei ser mais especifico.

_Nós vamos morrer.

Regina manteve-se calma, mas uma expressão de surpresa encoberta surgiu em sua face. Se não fosse drástica a situação, eu faria uma ótima piada com isso.

_ Gold, o que você fez? _ Disse ela levantando-se.

Por alguns segundos, acreditei que ela voaria em pescoço, mas no fim das contas ela caminhou até a porta e trancou-a. Não posso negar que o vestido vermelho que ela usava, a deixava um tanto...Sensual. Afinal, para uma rainha má, ela era muito bela.

_Você não respondeu a minha pergunta! _ Exclamou nervosa, separando as palavras, como só ela fazia.

A senhora prefeita estava entrando no meu jogo. Como sempre, diga-se de passagem.

_Oh perdoe-me! Eu vou deixar mais claro: A profecia cumpriu-se!

Ela continuou lançando um olhar de dúvida. Que maravilha! Regina odeia suspense, e eu sou mestre em cria-los. Sentou-se diante de mim, e cruzou as pernas. Proferiu calmamente a pergunta:

_ Qual profecia?

_Como assim, querida? Não existem muitas profecias disponíveis.

A morena revirou os olhos.

_ Tudo que um velhote com mais de 200 anos, diz que vai acontecer, é tido como profecia! _ Provocou.

_Tentando me ofender Regina?

Ela abriu um sorriso no canto dos lábios e me encarou divertindo-se.

_ O que posso fazer? Eu tive um bom professor. _ Respirou e prosseguiu. _ Agora, se não se incomodar é claro, você poderia ser mais claro e me explicar de vez, o que está acontecendo?

Finalmente. Era hora do pânico brotar, e eu adoro ver isso. A semente do pânico possui muitas funções, quando plantada com sucesso: Pode-se matar alguém... Ou salvar alguém. O pânico é como uma droga qualquer, a dose certa cura. A dose errada mata.

_Regina, lembra-se quando estudamos a origem da magia e suas leis?

Ela confirmou com a cabeça, intrigada.

_ Que bom, isso me dá um enorme alivio como mestre. Mas eu não vim revisar matéria com você! O meu intuito é um pouco mais...Urgente, digamos assim.

Ela continuava em silêncio, parecendo tentar decifrar em minhas palavras algum sentido ou lógica.

_A magia como sabe, é tão velha quanto o próprio tempo...E tão “alterável” quanto o mesmo. Por isso a união dos espíritos mágicos inventou uma forma de controla-la sobre algumas leis... Leis que são extremamente claras... E rígidas_ Completei

_ Onde você quer chegar Mr. Gold? Está buscando uma forma de quebra-las?

_ Não, eu jamais chegaria a tanto! EU, jamais.

A prefeita pareceu entender o significado que joguei sutil nas entrelinhas. Pescou voraz, a intenção de minha visita. Colocou as mãos juntas a frente do corpo e indagou ríspida:

_ Quem quer quebrar as leis?

Tentei ser honesto.

_Não sei.

Ela, tentou ser mais “evasiva”.

_ Rumpelstiskin! _ Silabou feroz. _ Não faça-se de tolo, você sabe! Se não soubesse não teria deslocado-se até aqui! Não teria tomado meu tempo...Você sabe! _ Exclamou decidida.

_ Está errada, querida! _ Respondi fitando-a_ Eu não sei, quem deseja fazer isso... Mas sei como. Na verdade, um velho amigo já sabia como.

A morena redarguiu:

_ A profecia... A profecia, que você se referiu no início de nossa conversa. _ Sua face ficou sóbria_ De qual profecia estamos falando?

Era a hora perfeita. O Pânico na dose certa...A dose para cura...Minha cura.

_ A profecia de Senhor da Luz, nem tão amigo meu_ Sorri desdenhoso_ Ele sabia desde cedo, que a escolha de aprisiona-los nessa dimensão consequentemente causaria problemas no futuro.

Regina transpareceu todo o terror em sua face. O pânico se instalara friamente em seus olhos timidamente arregalados. Sua voz ficou tremula e sua face ainda mais pálida. Venhamos e convenhamos, deixar as pessoas com medo, era meu talento.

_ Gold, você acredita que “eles” estão se libertando? _ Inquiriu calma.

Levantei minha calça até onde pude. E deixei que o sangue, dramaticamente, pingasse sobre o mármore frio. Ela ficara estática analisando a ferida, que por sinal, estava cada vez maior.

_ Você acha que fiz isso, na minha perna?

_Mas por que você não se...

_Curou? _ Completei usando, o mesmo tempo verbal_ É imune a magia. A ferida vai ficar aberta até terminarem...O serviço.

_Terminarem? Eles estão vindo pra cá? _ Silabou raivosa_ Eles estão vindo para Storybrooke?

_ Temo que sim. _ Respondi contemplando o vazio. _ Storybrooke tem o que “eles” precisam. E você já deve ter entendido que depois que eles passarem por aqui, não restará uma alma, para descrever como foi o fatídico dia.

Ela levantou-se rapidamente e colocou um casaco preto sobre o vestido. Pegou suas luvas de couro e colocou-as delicadamente sem tirar os olhos de mim. Foi quando a pergunta, que eu tanto queria, surgiu fugaz:

_ Qual é o plano?

Olhei estupefato para a mulher em minha frente, demonstrei o máximo de insegurança que pude.

_ Eu não tenho plano, Regina.

Ela deu uma pequena gargalhada, nada convincente, diga-se de passagem.

_ Ora, Mr. Gold. Por qual motivo, você andaria até a Prefeitura, me contaria que a morte se aproxima, se você ao menos não tivesse UM plano.

_ Você está certa, porém está errada também_ Rebati_ Você está certa até o ponto de dizer eu não andaria até aqui por nada. Mas continua enganada se pensa que eu tenho um plano! Vamos lá Regina! Não estou falando de nenhuma bruxa ou ogro! Estou falando dos seres mais poderosos de todas as dimensões e reinos. Estamos lidando com seres imortais e altamente destrutíveis! E quem os libertou, está tomado por um sentimento forte e devastador: Vingança. Só a vingança justificaria uma ato de suicídio.

Ela demonstrou-se terrivelmente irritada.

_ A vingança não é um sentimento forte, é um sentimento terrivelmente fraco e sem futuro.

_ Você não pensava assim antes, queridinha. _ Contestei.

Ela continuou irredutível:

_ Não Importa quem eu era. Hoje eu sou uma nova pessoa. E não vou permitir que ninguém destrua as pessoas que amo.

E dizendo isso caminhou até a porta, destrancando-a veloz.

_ E então o que você vai fazer, Regina?

Ela olhou-me aborrecida.

_ Vou provar pra você, qual é o sentimento mais forte do mundo.

Encostou a porta, deixando-me sozinho em seu cinzento escritório. Ao fundo além do barulho do salto de suas botas batendo no piso de mármore, ouvi sua voz abafada, contudo firme:

_ Emma? Sou eu! Não houve nada, acalme-se_ Respirou profundamente_ Reúna todos! Reunião urgente, não tenho tempo para explicações! O MAL SE APROXIMA RÁPIDO! Sim, chame todos! Onde? _ Completou determinada_ No cemitério.

O resto da conversa eu não pude ouvir. Mas algo me dizia que Regina estava caminhando para onde eu queria. Onde minhas pernas não podiam mais chegar.

_ Vocês podem tentar nos vencer_ Gritei para o nada_ Mas se morrermos, morreremos lutando com toda a nossa força, malditos!

Notas finais
E aí? O que acharam? Opiniões? Deixem nos comentários.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.