Once Upon A Time. - A Maldição do Amuleto.
1 Explosion in the Forest.
Notas iniciais

Henry passeava pela floresta naquela manhã entediante de sábado. Ele só queria pelo menos uma parte da manhã só para ele, sem se preocupar com o mundo lá fora e se concentrar no seu próprio interior. Fazia quase meia hora que tentava se perder na floresta, mas acabava frustrado, pois sempre sabia onde estava. De repente, um estrondo abalou o lugar, fazendo com que ele caísse no chão e prendesse o pé na raiz da árvore mais próxima.
Um clarão surgiu perto dali e ele ficou curioso do que poderia ser. Rapidamente, desprendeu-se e se levantou de uma vez só, evitando sentir tanto o peso da dor. Caminhou mancando até onde uma luz ofuscante brilhava. Aos poucos, ela foi sumindo, dando lugar a uma garota caída. Ela usava um longo vestido roxo. Sua capa era de um roxo mais escuro que o vestido. Ela não parecia estar morta. Para confirmar isso, a garota suspirou. Seus cabelos castanhos estavam jogados, não dando para ver seu rosto. Henry os afastou tendo a visão de um rosto angelical.
A garota despertou tossindo e ele se assustou, afastando-se um pouco dela. Ela o encarou com seus olhos castanhos e se afastou, até bater em uma árvore.
— Espere! — disse ele. — Não quero lhe fazer mal.
— Como posso acreditar nisso? — a voz assustada da garota fez com que ele se sentisse diferente.
— Juro que não irei machucá-la. — Henry assegurou. — Quem é você?
Ela pareceu ponderar a ideia de se revelar, o encarou com um pouco de cautela, mas suspirou vencida.
— Sofia. — disse. — Princesa Sofia.
~*~
Em uma cabana próxima ao castelo...
— Só mais um pouco. — uma mulher de cabelos castanhos e olhos igualmente castanhos, vestida como serva pedia à mulher que estava prestes a dar à luz. — Já dá para ver a cabecinha milady, só mais um pouco.
A mulher empurrou com toda força que ainda tinha, mas não fora o suficiente. Um homem de cabelos negros e olhos azul-acinzentados irrompe o quarto, olhando apreensivo para as mulheres dentro do cômodo.
— O exército de Roland se aproxima, não podemos arriscar a vida do herdeiro. Consegue aguentar mais um pouco Elena? — ele questionou olhando para a mulher loira, que se espremia para pôr o herdeiro do rei para fora.
— Não dá majestade. — a mulher de cabelos castanhos disse. — O herdeiro tem que nascer no solo natal, sabe disso... Se ele nascer em Encântia...
— Não terá direito ao trono. — a loira balbuciou.
O homem assentiu.
— Tudo bem, farei o possível para atrasar as tropas.
— Não! — a mulher grunhiu. — Fique. Eu quero que veja quando nosso filho nascer.
O homem assentiu novamente, sentando-se ao lado da mulher e segurou sua mão, auxiliando-a na dor. A mulher fez um pouco mais de força e com o auxílio da serva, ela foi empurrando o bebê para fora. Demorou um pouco, mas eles logo ouviram um chorinho esganiçado. A serva pegou a criança nos braços, vendo se era saudável. Tudo indicava que sim, mas os astros estavam errados. Não seria um menino, como dissera o mago do rei e sim uma menina. Ela lavou a criança e a enrolou em uma toalha branca.
— Os astros mentiram. — ela murmurou perto da rainha. — É uma menina.
Elena pegou a criança nos braços, olhando-a com ternura. O rei encarava sua filha com o mesmo sentimento. Seus olhos repousaram na serva, que dava um curto sorriso. Saíra-se bem em seu primeiro parto.
— Obrigado Miranda. — disse gentilmente à amiga de longa data.
Eles passaram alguns minutos, até ouvirem um estrondo vindo do palácio.
— Eles estão próximos. — Miranda disse esquadrilhando a área com os olhos atentos à janela que iluminava fracamente o ambiente. — Neste instante, já devem ter descoberto que o senhor não está no castelo majestade.
— Deixe-os. — ele disse amargamente. — Roland não procura por mim, ou por minha família. A única coisa que ele procura, a esta hora ele já o tem.
— Não vamos nos preocupar com isso agora. — Elena disse com a voz fraca. — Já tenho um nome para ela.
Ambos a olharam curiosos.
— Se chamará Sofia, que quer dizer inteligência. Nossa princesa será a mais bonita de todas. Sempre tomará decisões sábias e com o coração. — ela disse sorridente. — Princesa Sofia de Avalor.
Miranda e o rei deram um sorriso brando, vendo a pequena princesinha abrir os olhos. Azuis tão intensos como os do pai. Não perceberam quantos minutos ficaram ali, olhando para a menina, apenas despertaram do transe quando trotes rápidos de cavalo foram ouvidos na propriedade de Miranda. O rei levantou-se de súbito e desembainhou sua espada, apontando para a porta.
A fechadura fora forçada, mas o invasor não conseguiu abrir, então três batidas foram ouvidas, como se fosse um código.
— Deve ser Charles. — Miranda sussurrou.
Como se tivesse sido ensaiado, os três ouviram a voz tênue do garoto do estábulo real.
— Majestades! — o rei abriu a porta do quarto em que eles estavam. — Majestades, rápido.
O homem saiu do quarto e foi até a porta dos fundos, onde abriu para o garoto, que estava ofegante.
— O que aconteceu, Charles? — perguntou preocupado.
— Majestade, eles acharam o medalhão. — ele respondeu.
— O medalhão não importa Charles. — o rei disse paternalmente.
— O senhor não está me entendendo. — ele disse. — Eles encontraram o amuleto da Bruxa.
O rei arregalou os olhos, incrédulo.
— Impossível. — murmurou.
— Eu vi, senhor. Com esses olhos que a terra há de comer. — ele assegurou. — Mas ele não funcionou, como na profecia dizia.
— Ele só funcionará quando estiver no pescoço de um verdadeiro herdeiro do trono de Avalor.
— Por isso mesmo, senhor. O rei Roland I sabe disso e irá vir atrás de seu herdeiro, milorde. Ele está vindo atrás do seu herdeiro, meu rei.
O rei arregalou os olhos, tombando para trás. Não! Não podia perder Sofia, não quando sua pequena havia acabado de nascer, não quando ela acabara de se tornar um pedaço de seu mundo.
— Não! — o rei murmurou.
— Precisa proteger o seu herdeiro, milorde.
— Irei, obrigado Charles.
O rapaz assentiu e correu para selar seu cavalo. O rei voltou um pouco atônito para o quarto.
— O que aconteceu Victor? — Elena perguntou assustada, uma vez que já vestira Sofia com as roupas de lã que fizera há alguns dias atrás.
— Eles acharam o amuleto da Bruxa.
As mulheres ali presentes arregalaram os olhos.
— Como assim? — Elena perguntou. — Eles não podem deter o mal que o cerca!
— Não eles não podem milady e a senhora não deve se estressar. — Miranda disse.
— Não aja como se não soubesse a verdade, Miranda. — Victor disse frustrado. — Roland virá atrás de Sofia. Ele virá agora. Temos que protegê-la.
— Como? — Miranda perguntou segurando Sofia nos braços. — Elena não pode sair correndo por aí, ela deu à luz há poucos minutos. Não, não podemos sair agora. E também, eles nunca irão nos encontrar em meio à floresta.
— Eles seguirão o rastro de Charles. — Victor disse.
Elena suspirou, deixando as lágrimas inundarem seu belo rosto.
— Leve-a. — disse com a voz embargada, atraindo o olhar dos dois, que discutiam silenciosamente. — Leve-a Miranda, leve-a consigo para longe.
— Elena...
— Não Victor. Já sabemos que Sofia não estará segura aqui e já que não posso ir, ela irá. — a loira direcionou seus olhos castanhos para sua amiga, que segurava sua filha nos braços. — Miranda, pelo poder a mim investido em minha coroação, eu lhe nomeio Protetora da Herdeira. Ajoelhe-se. — a rainha levantou-se com dificuldade da cama e pegou a espada do marido, que se encontrava imóvel. Pegou a criança apenas com um braço e a acalentou em seu peito. — Miranda do Revendeu, eu, rainha Elena Christina de Avalor, lhe declaro Protetora da Herdeira do trono e da única criança no mundo que pode destruir o Amuleto da Bruxa.
A cada palavra declarada pela rainha, ela dava uma leve batida em cada ombro de Miranda com a ponta da espada.
— Promete ser fiel à seu título? — questionou a rainha.
— Com minha vida, milady. — a mulher murmurou honrada.
— Levante-se. — Elena disse, dando o bebê para o marido, então abraçou a amiga com toda a força que podia, ignorando a dor. — Prometa-me que vai cuidar bem dela.
— Eu prometo. — Miranda disse.
— Tome. — a rainha mexeu em seus cabelos e retirou uma pequena presilha com o formato de uma borboleta na cor roxa. O símbolo da rainha. — Dê a ela esta presilha quando ela já for bastante madura. — Miranda assentiu. — Eu sei que é muito cedo para coroá-la como rainha, mas daqui a alguns anos poderemos nem estar mais aqui...
— Nem pense nisso, — Miranda disse limpando algumas lágrimas no rosto da amiga. — Estará viva para poder ver sua filha ser coroada. Com certeza estará.
A mulher sorriu e se aproximou do marido, que estava alheio à tudo, brincando com as mãozinhas delicadas de sua princesa. Elena embainhou a espada e deu um beijo na testa da filha, tirou a garotinha com carinho dos braços de seu pai e a enrolou dentro de uma manta quentinha, para depois colocá-la dentro da cesta em que trouxera as roupinhas de seu bebê.
— Tome-a. — ela disse beijando com carinho a testa de sua filha. — Vá logo, eles não tardarão a chegar.
Miranda assentiu, tomando a cesta nos braços.
— Irão ficar bem? — perguntou olhando para o rei e a rainha, que estavam abraçados.
— Sim, iremos. — Victor disse. — Cuide de nosso tesouro, Miranda.
A castanha assentiu, saindo do quarto. Ela olhou para trás, vendo que a expressão da rainha era de quem segurava o choro. Acenou com a cabeça e partiu para fora da casa, correndo o mais rápido que pôde pela floresta que tanto conhecia. Não tinha ideia para onde ia. E tinha, mas, naquele momento, ela lhe parecia um tanto quanto suicida. Ira para o ninho de cobras.
~
Reino de Encântia, quatorze anos depois.
O coelho orelhudo entrou pulando no quarto que estava com as cortinas fechadas. Seus olhos âmbares foi aos poucos se acostumando com a escuridão, então ele fora pulando com mais rapidez para o peitoril da janela, puxando com as patas curtas a cortinha cor de berinjela, clareando o ambiente. Pulou direto na cama, onde uma princesa dormia calmamente.
A garota de pele clara e cabelos castanhos percebeu a demasiada claridade em seu quarto e se virou, pondo o travesseiro em cima de sua cabeça. O coelho revirou os olhos.
— Nada disso, princesa. — disse, tentando retirar o travesseiro da cabeça da ama. — Precisa se acordar já!
— Só mais cinco minutos, Clover! — a princesa grunhiu.
Clover observou Sofia com um sorriso travesso e usou de toda a sua força para derrubá-la da cama. A garota caiu com um baque surdo no chão, levando consigo o travesseiro e uma parte da colcha.
— Clover! — ela bradou irritada, jogando o travesseiro em cima da cama. — Você é o pior dos coelhos!
— Desculpe Sofia, mas você precisava acordar de qualquer forma. — ele disse rindo dela.
A castanha se levantou e sentou irritadiça na cama.
— Do jeito que fala, parece até que o castelo está pegando fogo. — ela disse brincalhona.
— Não, mas daqui a pouco pegará. — ela arregalou os olhos com uma expressão interrogativa no rosto. — Sua irmã está em polvorosa por causa do baile de hoje à noite. — ele disse respondendo a sua pergunta silenciosa.
Era isso, pensou. Amber estava assim desde que seu noivado fora anunciado para a família e hoje seria a grande festa que seu pai — o rei Roland II — preparara para comemorar o evento mais esperado do ano. É claro que ela estaria uma pilha de nervos no dia da comemoração de seu noivado e quem seria aquela que salvaria o dia? Sofia, é claro.
— E eu tenho que acalma-la, não é? — a princesa perguntou olhando para Clover, que assentiu.
— Só você tem esse poder.
A princesa suspirou e deu um sorriso. Desceu da cama e foi ajudada por seu melhor amigo a vestir seu tradicional vestido lilás com detalhes brancos. A garota seguiu até sua penteadeira e passou a escova nos cabelos, desembaraçando-os até que tomassem uma forma ondulada, que caía até sua cintura. Ela colocou sua tiara e acompanhou Clover para a cozinha. Nem teve tempo de pelo menos comer uma maçã, pois ouviu os gritos tão conhecidos, vindos de sua irmã postiça.
— Ela está ficando louca milady. — Bridget, sua criada disse.
Sofia soltou um risinho.
— Não diga isso Bridget, ainda precisaremos de nossa princesa lúcida. — ambas riram, mas não por muito tempo, logo Amber gritou por seu nome. — Preciso ir.
Ela mordeu a maçã e se encaminhou para o jardim, onde estava uma tremenda confusão. Criados corriam para lá e para cá e no meio deles, uma loira extremamente possessa gritava ordens aos sete ventos.
— Onde está Sofia? Ela sabe onde estão as flores, que já deviam estar aqui. — Amber gritou estressada. Seu rosto já adquira uma cor escarlate.
— Estou bem aqui. — disse branda.
— Sofia! — a princesa se virou rapidamente para encarar a irmã postiça com um sorriso caloroso nos lábios, nem parecia mais a garota que queria atear fogo no palácio por causa de uma simples colheita de lírios selvagens. — Finalmente alguém para me ajudar no meio desses incompetentes! — gesticulou.
— Também não é para tanto Amber! — Sofia disse, calma como sempre fora.
— É claro que é. — deu de ombros. A irmã nunca mudara. — Por favor, me diga, onde está à colheita de lírios selvagens que você mesma recebeu ontem à tarde?
A princesa de cabelos castanhos sorriu.
— Acalme-se Amber, desse jeito vai ter um ataque do coração. — disse. — Respire. — a loira fez o que ela mandou. — Já procurou na estufa? — a loira negou. — Pois bem, é lá que elas estão, não precisa se estressar à toa.
A loira soltou um suspiro aliviado e arrumou sua bela coroa. Olhando para a castanha, começou a andar em direção à estufa. Sofia a seguiu, sabendo que a irmã iria precisar dela.
— Ainda bem que eu tenho você Sofia. — declarou olhando nos olhos da mais baixa. — Se não fosse a sua companhia, acho que já teria perdido a cabeça há muito.
A castanha sorriu.
— Obrigada.
— Vocês, nos acompanhem até a estufa para pegarem as flores que enfeitaram o castelo esta noite e sejam rápidos. Quero que tudo saia perfeito.
Sofia observou a irmã dando mais ordens exageradas para os criados e sorriu olhando para cima. Seria uma longa manhã.
~*~
— E de onde você vem Sofia? — Henry perguntou tentando se sustentar com o pé torcido.
— Eu venho de En... Oh! Minha nossa! O que aconteceu com seu pé? — ela perguntou assustada ao ver sua expressão de dor.
Naquele instante, não existia a possibilidade de que o garoto poderia lhe causar algo, ela apenas se aproximou dele e encarou o pé que ele apoiava metade no chão.
— Não foi nada. — ele disse fazendo uma pequena expressão de dor.
— É claro que não foi. — ela disse irônica. — Sente-se. — ele a encarou com dúvida. — Ora, vamos! Sente-se! — assim ele o fez. — Agora, por favor, retire o sapato.
Ele a encarou, fazendo com extremo cuidado o que ela disse. A princesa se agachou um pouco e o ajudou a tirar a meia. Seus olhos se encontraram durante o processo e ele ficou confuso. A conhecia há dez minutos e pareciam amigos de longa data.
— Fale a verdade. — ela disse olhando o hematoma horrível em seu pé. — O que lhe causou isso?
— Hm — ele fez uma careta estranha e a encarou. — Eu estava passeando pela floresta, quando o poço explodiu... Não literalmente, como podemos ver — ele completou olhando para o local onde o poço de Storybrooke se encontrava. — Com o impacto, eu prendi o pé na árvore, o que causou isso. — finalizou apontando para o pé.
— Acho que isso foi meio que culpa minha. — ela corou. — Desculpe.
Ele a encarou. A princesa parecia adorável. Seu cabelo castanho estava preso com um uma presilha lilás em formato de borboleta e alguns fios caíam por seu rosto, mas isso não o impedia de vê-lo. A garota era realmente bonita.
— Tudo bem.
Ela segurou o pé dele e o sustentou delicadamente em seu joelho. Sofia retirou uma pequena flanela de seu bolso e fez um suporte com o pano, pelo menos ficaria melhor para ele andar.
— Bem, agora está melhor. Não está curado, mas está melhor. — ela disse. — Agora, já que lhe ajudei com algo que eu mesma cometi, poderia me dizer em que reino eu estou?
— Você está em Storybrooke. — Henry respondeu. — Não é nenhum reino... — disse tentando se levantar. — Na verdade, é uma cidade. Uma cidade no mundo real.
— No mundo real? — Sofia perguntou confusa. Por que seu amuleto lhe traria para uma cidade no mundo real? O que aquela cidade parecia ter de especial?
— Sim. — o garoto respondeu. — Storybrooke, Maine.
A castanha olhou ao seu redor com a boca semiaberta. Viu a floresta quase escura e deserta, então olhou para o poço de onde saíra. Só podia ser brincadeira, pensou. A Bruxa lhe pregara uma peça, mandando-a para uma cidade no mundo real, onde — provavelmente — não haveria magia, onde ela nunca poderia encontrar o que procurava. Por fim, fixou seu olhar em Henry. O garoto de cabelos escuros e olhos quase escuros — sendo clareado pelo esmeralda mesclado ao castanho — ainda estava sentado no chão, apoiado em suas mãos. Ele olhava para o seu pé, que estava inchado. Uma pergunta martelava em sua cabeça.
— Por que não fugiu? — ela só se deu conta do que disse quando proferiu a frase.
Ele a olhou.
— Como? — não estava confuso, apenas divertido.
— Eu vim de um poço, fiz metade da floresta explodir com o impacto, torceu seu pé por minha culpa e você não fugiu de mim. Por quê? — ela insistiu, se levantando e batendo a poeira impregnada em seu vestido de camponesa.
— Isso acontece muito por aqui, acredite. — ele respondeu por fim.
Ela o olhou descrente.
— Explique. — disse em seu tom mais mandão, arrependendo-se da expressão que o jovem fez. Não era nem brava e nem perplexa. Uma expressão que não deu para ela entender. — Desculpe. — corou em seguida.
Ele fez impulso para se levantar e também bateu a sujeira da roupa.
— Bem — começou. —, não sei se explicarei com as palavras certas, mas... Esta cidade não é como as outras que existem neste país. Ela foi criada por uma maldição, lançada pela Rainha Má, que mandou todos os personagens de contos de fadas para cá. Er... Pelo menos todos que estavam em um lugar chamado Floresta Encantada.
O entendimento passou pelos olhos da princesa, que se lembrou de quando a Bruxa da Divisa lhe contou sobre o tempo em que passou paralisada no tempo. Fora obra da maldição que levara parte de sua história consigo. Então não a velha não mentira.
— Então quer dizer que nessa cidade existe magia? — perguntou.
— Sim. — o garoto respondeu.
Como se estivesse fazendo eco às palavras do garoto, seu amuleto começou a brilhar. Uma luz lilás os cercou e brilhou forte, ambos olharam maravilhados para o amuleto, que até a presente data, nunca tinha feito tal coisa. O brilho se dissipou e a floresta caiu em um silêncio incômodo.
— O que foi isso? — ele perguntou assustado.
— É só o meu amuleto. — Sofia respondeu olhando para o medalhão que tinha no pescoço. — Ele brilha quando faço algo bom.
O garoto sorriu e foi em busca de seu sapato. Assim que pisou com o outro pé no chão — o que estava torcido —, ficou impressionado com a cura repentina.
— O que fez com o meu pé? — questionou mais para si mesmo que para a princesa.
A garota deu um sorriso tímido, lembrando-se das palavras que Cedric — o feiticeiro real — lhe disse quando era criança. Com cada façanha feita, seja do mal ou do bem, para um poder será eleito uma benção ou maldição também. Parecia-lhe bobo responder ao garoto tais palavras.
— Geralmente quando faço algo bom ele brilha, como eu disse. — ela respondeu olhando para o pé dele. — E eu recebo algum dom em especial. A primeira vez que isso aconteceu eu era muito pequena e recebi o dom de falar com os animais, depois de ajudar uma princesa a sair de uma armadilha. Desde então, sempre que pratico o bem, ele me “presenteia” com uma benção, não sei o porquê de ter curado o seu pé.
— Hm, tudo bem, obrigado. — ele deu um sorriso de canto e depois coçou a nuca. — Henry. — disse em seguida.
— Como? — ela perguntou assustada, já que observava cada movimento do estranho.
— Me toquei que não me apresentei. — ele disse com as bochechas levemente rosadas. — Me chamo Henry, Henry Mills.
Ela deu um sorriso e acenou com a cabeça. Outro silêncio desconfortável caiu sob a floresta escura e úmida de Storybrooke. Não sabia o porquê, mas Sofia — de alguma forma — queria quebrar aquele silêncio constrangedor, mas não encontrava nenhum assunto que fosse considerado conversável.
— Er... — Henry pigarreou. — De onde você vem, Sofia?
Ela tinha se esquecido que ele fizera essa pergunta antes.
— De Encântia. — respondeu sem jeito. Há algum tempo falar sobre seu “reino natal” lhe soava estranho. — Eu acho... — completou em um quase murmúrio. Esperava que Henry não tivesse ouvido, mas sua expressão de dúvida lhe denunciou.
— Como pode não saber de onde veio? — ele perguntou confuso.
— Há algum tempo eu descobri que sou princesa de um reino que deixou de existir a muito tempo. — ela respondeu o olhando nos olhos. — Bem antes de a Rainha Má lançar a Maldição que levou todos que viviam no Porto das Névoas para Storybrooke. É por causa disso que estou aqui. — não era de todo mentira. — Eu vim parar nesta cidade à procura de minha história. — soltou um suspiro que pareceu-lhe um leve bufar — Eu quero saber quem eu sou.
~*~
Após arrumar tudo para a festa de noivado de Amber — que aconteceria em três horas —, Sofia subiu para seu quarto, mas não sem antes pedir para que sua criada providenciasse uma tina para que ela tomasse seu banho, para ficar limpa antes da festa. Com o tempo, se acostumara com todo o luxo do castelo. Acostumara-se, de fato. Mas nunca esquecera quem era. A garota da aldeia que teve sorte por sua mãe ter se apaixonado pelo rei e o rei por ela. Nunca se esqueceria de suas amigas Ruby e Jade, as melhores amigas que uma princesa pode ter. Compreensivas e atenciosas. Era uma pena que não estivessem ali hoje. A festa era meramente para aqueles que têm sangue azul, segundo Amber. Não questionou. Há muito tempo não questionava, apenas assentia. Era melhor não arrumar confusão com a loira de furiosos olhos âmbar.
Tomou banho com o auxílio quase cego de Clover, seu coelho de estimação. Após terminar, vestiu o vestido que Bridget trouxe da costureira mais cedo. Ele era roxo imperial com detalhes prateados. Demorou um pouco para que o espartilho estivesse devidamente amarrado, então ela sentou-se à penteadeira e se encarou no espelho, sem saber o que fazer. Penteou os cabelos e olhou a sua imagem, suspirando frustrada. A porta foi aberta e demorou um pouco para que sua mãe aparecesse no reflexo de seu espelho.
— Está linda. — a mulher exclamou.
— Ainda não estou pronta. — disse se virando para trás e encarando a mãe, com seus olhos bondosos.
A mulher vestia um vestido cor-de-rosa com um belo caimento em seu corpo esbelto. Sua pele oliva estava ressaltada e sua coroa dourada com brilhantes dava-lhe um ar de imponência. Nem de longe Sofia expressaria a mesma imponência da mãe. Era demasiada baixa — mesmo usando sapatos de salto — e não se achava apropriada para a realeza. Sua mãe tinha mais da realeza que ela própria, que estudara três anos numa escola preparatória. E mais dois com um dos tutores mais famosos do reino.
— Quer ajuda? — a rainha Miranda perguntou sorrindo meigamente.
— Adoraria.
A mulher lhe sorriu e se aproximou da filha, depositando um beijo em seus cabelos. A rainha depositou uma caixa em cima da penteadeira e pegou a escova que Sofia usara há alguns minutos para pentear as madeixas. A mulher penteou os fios novamente, fazendo um rabo de cavalo em seguida.
— Onde guarda suas presilhas, querida?
Sem sair de perto da mãe, a princesa abriu uma das gavetas da penteadeira, pegando uma caixa de ouro com brilhantes relativamente grande, onde guardava suas joias.
— Dê-me uma dessas ligas pretas.
Assim a garota o fez. Pelo espelho, ela viu a mãe amarrar seus longos cabelos castanhos em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Ela lhe sorriu e começou a trabalhar em seu cabelo, fazendo o que a princesa suspeitava ser uma flor. O penteado demorou meia hora para ser feito e estava bem fixo graças aos grampos que ela tinha de sobra em sua caixa. Quando sua mãe finalizou tudo, ela parecia bem mais apresentável.
— Está linda. — a mulher tornou a repetir.
— Estou apresentável, mamãe. — a garota corrigiu.
— Não. — a rainha insistiu. — Você já é linda. Agora está mais linda do que já o é.
A princesa deu de ombros. Nada supera os elogios de uma mãe coruja.
— Sofia... — Miranda começou, olhando para algo que estava além de sua janela. — Daqui a alguns meses irá completar quinze anos e logo se casará com James, que assumirá o trono em breve... — ela não gostava de falar disso. — Eu queria lhe dar um presente. Deveria ser em seu aniversário, para ser mais especial, mas acho que hoje também é uma data especial...
— Aonde que chegar, mamãe? — perguntou curiosa.
A rainha suspirou e entregou-lhe a caixa que havia deixado em cima da penteadeira.
— Abra.
A princesa abriu a caixa de veludo vermelho com o símbolo do reino de Encântia e viu que uma delicada presilha em forma de borboleta repousava sob o tecido macio no interior da caixa. Ela ficou boquiaberta, vendo os cristais cintilarem à luz.
— É linda. — sussurrou. — Obrigada.
— Certa vez eu ganhei essa presilha de alguém que me é muito especial. — sua mãe pareceu fraquejar ao falar “é”. — Ela lhe viu nascer e me deu esta presilha especialmente para você. — a rainha lhe afagou o ombro. — Ela disse para eu lhe dar de presente quando fosse madura o bastante para saber o valor sentimental e real que essa presilha tem. — fez uma pausa, como se medisse as palavras que diria. — Decidi que lhe daria quando se casasse, mas nunca realmente esperava que eu me apaixonasse e me casasse com o rei de Encântia. — soltou um riso nervoso. — Então, desde que me casei, decidi que lhe daria quando completasse quinze anos, a idade da maturidade.
— Por que está me dando agora? — Sofia perguntou a olhando nos olhos através do espelho.
— Por que sei que está preparada para cuidar de algo que lhe pertence desde o nascimento, minha princesa. — a mãe disse sorrindo para ela. — Sei que entenderá o peso sentimental que há por trás dessa delicada presilha. Já vi você fazendo isso com o amuleto que seu pai lhe deu há alguns anos.
— Entendi...
— Prometa-me que nunca irá perdê-la. — sua mãe disse. — E que irá passar de geração a geração.
— Eu prometo. — ela disse.
A rainha assentiu e tirou a presilha da caixa, fixando-a na lateral direita de seu penteado. Após isso, Miranda colocou a tiara prateada em sua cabeça. A mistura das duas joias em sua cabeça só a deixou ainda mais estonteante. A garota lhe sorriu brandamente.
— É linda. — sussurrou. — Obrigada mamãe.
— É linda como você.
A garota sentiu as bochechas pinicarem. Levantou-se da cadeira e abraçou a mãe, que retribuiu.
— Vamos descer. — Miranda disse. — Senão é bem capaz de Amber comer nossos fígados.
Ambas riram.
— Ainda temos alguns minutos antes que ela comece a matança.
Princesa e rainha riram novamente, logo encaminharam-se para a porta, ambas de braços dados. Chegaram ao salão de festas e logo foram anunciadas. Muitos nobres e realezas presentes naquele salão curvaram-se a elas, que sorriram e andaram para seus respectivos tronos. A festa já tinha começado. Sofia sentia falta de Amber ao seu lado, procurou-a com os olhos e logo a encontrou dançando com seu noivo — príncipe Nicholas — no meio do salão. Sentiu algo cutucar-lhe o braço.
Olhou para o lado e viu James — seu futuro noivo — estendo a mão direita para si, em um gesto óbvio de que ele queria dançar com ela. Não queria aceitar. Desde que o seu pai anunciara que ela se casaria com o irmão após o casamento da gêmea dele, a sua amizade com James ficara meio abalada. Mas não podia recusar seu pedido. Uniu sua mão à dele e juntos foram para o meio do salão, onde começaram a dançar uma música lenta.
Até aquele momento, já havia perdido a conta de quantas músicas dançara. Seus pés já pediam clemência, quando a porta do salão fora aberta em um estrondo, assustando a todos, inclusive ela, que poderia ter ido ao chão, se não fosse por James. Na porta estava um homem que trajava uma roupa elegante na cor azul. Ele usava uma coroa feita de prata e cravejada de diamantes, em sua mão direita, ele empunhava uma espada feita de um metal especial chamado Metal da Lua, aprendera sobre ele nos anos em que estudara na Escola Preparatória. O homem tinha cabelos negros e olhos de um azul bem acinzentado. Ele esboçava um sorriso de desdém e encarava somente uma pessoa naquele lugar. O rei.
— Ora se não é o rei Roland II!
Todos os presentes prenderam a respiração.
~*~
Henry pareceu pensar por alguns instantes.
— Eu posso lhe ajudar... — disse com um tom de voz baixo. — Sabe... Não sou a pessoa mais indicada para tal serviço, mas posso lhe ajudar no que for possível...
— Verdade? — ela perguntou animadamente.
— Tem minha palavra. — ele levantou a mão direita, a fazendo rir. — Eu sempre cumpro com ela.
— Então temos um acordo? — ela franziu o cenho e ele abaixou os olhos, como se lembrasse de algo que queria esquecer. — Desculpe, mas... Eu disse algo de errado.
— Não. — ele disse rápido. — Não... É que... Você me fez lembrar de alguém... — ele olhou para ela e sorriu. — Besteira, sabe...? — a garota assentiu. — Temos um acordo?
Ele estendeu a mão direita para ela, que não pensou duas vezes antes de apertá-la. As mãos deles eram meio que diferentes, mas pareciam se encaixar. Ela prestou atenção em como a sua mão era pequena e meio gorducha e a dele grande e um pouco ossuda. Algo como um formigamento alegre surgiu neste aperto de mãos e Sofia logo tratou de recolher a sua, meio desconcertada.
— Bom, agora que temos um acordo — Henry disse. — Seria bom que eu te levasse para conhecer os outros.
~
Enquanto isso, na casa dos Nolan...
— David, sabe de onde veio esse estrondo? — Branca perguntou um tanto quanto alarmada.
Ela estava atrás do balcão, enquanto preparava uma mamadeira para o pequeno Neal.
— Provavelmente da floresta. — o loiro respondeu.
— Oh não! — ela disse arregalando os olhos.
— O que foi Mary? — David perguntou indo para perto dela.
— Henry me disse que iria dar uma volta pela floresta há menos de uma hora. — ela respondeu.
— E você só vem me dizer isso agora?! — ele pede perplexo.
— Desculpe, achei que não tinha problema, que poderia ser seguro... — ela disse ainda assustada.
— Não se preocupe, vou ver se ele está bem.
O loiro pegou o coldre e o colocou, rumando para a porta.
— Espere! — Mary Margareth disse, fazendo um sinal para que ele parasse. — Eu vou com você.
Ela pegou uma manta, enrolou o bebê e acompanhou o marido até a floresta, em busca do neto.
~
Na floresta...
Henry guiou Sofia por entre as árvores. Eles não conversaram desde que firmaram o acordo. Não que Sofia reclamasse, mas gostou de conversar com Henry, mesmo que por curtos segundos. Eles passaram por entre algumas árvores, até chegarem a um lugar plano e com o chão negro. A castanha olhou ao redor e perto dali encontrou uma placa que dizia: BEM-VINDO À STORYBROOKE. A quase meio metro da placa, havia uma linha vermelha e grossa marcando o chão. Seria algum tipo de divisa?
— Estes são os limites de Storybrooke. — o garoto respondeu à sua pergunta mental.
— Por que demarcaram os limites com tinta vermelha? — ela perguntou, se pondo a andar ao lado do garoto.
— Quando a maldição fora lançada, qualquer morador da cidade que tentasse sair de Storybrooke sofreria um grave acidente, pois não podiam sair da cidade. Quando a maldição fora quebrada, os sete anões marcaram os limites, para estudá-los melhor, foi quando descobriram que quem passasse da linha perderia a memória de quem eles eram antes da maldição. — a garota assentiu, entendendo. — Recentemente, uma rainha que tinha poderes do gelo apareceu na cidade e fechou todas as saídas da cidade, sendo por terra, ou por água. Então outra maldição foi lançada na e após essa maldição também ter sido quebrada, todos os moradores que saírem não poderão voltar nunca mais.
— Entendo... — ela disse.
Eles não falaram mais nada, só continuaram andando, até se aproximarem de algumas casas e estabelecimentos. Sofia ficou assustada com a quantidade de carruagens estranhas que andavam no meio do chão negro. O chão era pintado com tinta branca, amarela e de outras cores, formando algumas linhas. Ela quase fora ao chão quando uma carruagem preta passou por perto deles, sendo amparada por Henry.
— Para onde vamos? — ela perguntou um pouco alto, para o novo amigo poder escutá-la com todo aquele barulho.
— Para a casa dos meus avós. — ele também falou alto. — Sei que fez uma longa viagem, tem que pelo menos descansar e o pessoal irá adorar conhecê-la.
A garota assentiu. Realmente sentia-se fadigada por sua viagem. Viagem essa que fora feita sem aviso prévio, então lembrou-se de algo extremamente importante. Como pudera esquecer tão facilmente disso?
— Henry... — o garoto lhe olhou. — Antes que eu chagasse aqui, você viu algo pequeno... Tipo, um coelho na floresta?
— Bem... — ele coçou a nuca. — Não que eu me lembre. — ela assentiu e baixou a cabeça. — É seu bicho de estimação?
— É meu amigo. Eu o trouxe comigo, mas o perdi, provavelmente durante o impacto. — ela respondeu.
— Não se preocupe. — ele lhe sorriu. — Acharemos ele o mais rápido o possível.
A menina assentiu, sorrindo de canto.
— Obrigada. — ela disse. Ele pareceu confuso. — Por estar me ajudando...
— Não por isso. — ele sorriu novamente.
Não admitiria aquilo nem sob tortura, mas... Gostava de ver Henry Mills sorrindo. Tentaria mais vezes — enquanto estivesse ali — fazê-lo sorrir.
Henry teve que segurar no braço de Sofia para atravessar por um pedaço do chão negro pintado de grossas linhas brancas que ele disse ser faixa de pedestres. Era um nome totalmente estranho e que combinava totalmente com a cidade em que se encontrava. Ela fora guiada até um prédio, que mais parecia com o enorme galpão que ficava armazenado o feno dos cavalos alados em Encântia. Eles subiram uma escada e pararam diante de uma porta na cor branca.
Henry tirou um molho de chaves do bolso da calça que usava e abriu a porta com cuidado. Enfiou a cabeça para dentro e pareceu procurar por algo.
— Vovô? Vovó? Mãe? — não obteve resposta. — É... — ele disse virando-se para encarar Sofia. — Parece que eles saíram. Entre.
Ele abriu a porta para que ela passasse. A garota entrou e observou o cômodo cheio de coisas estranhas. Henry encaminhou-se para um lado do cômodo que tinha um enorme balcão de mármore com alguns bancos na frente, parecido com um balcão de um pub. Ele contornou a estrutura e abriu algo que saia fumaça e tinha uma luz dentro e tirou algo que ela reconheceu ser uma garrafa. Ele pegou um copo e despejou o líquido dentro do recipiente.
— Acho que eles não tardaram a chegar. — ele comentou a olhando. — Fique à vontade. Aceita um copo d’água?
~*~
— Não se lembra de mim, Roland? — o homem de olhos tão frios quanto o gelo questionou arqueando a sobrancelha. — Não se lembra do rei cujo reino fora reduzido às cinzas?
Seu pai levantou-se de seu trono. A expressão dura em seu rosto. Ele andou lentamente, até ficar do lado do filho. Ambos os reis mantiveram o contato visual, pareciam travar uma guerra apenas com o pensamento. Provavelmente matavam um ao outro.
— Não me recordo. — Roland disse com o maxilar travado.
— Oh, que pena. — zombou o outro. — Eu sou Victor Ravenwood, rei de Avalor. E vim ao chiqueiro que chamas de reino com um propósito e um propósito apenas. — ele varreu os olhos pelo salão. — Recuperar o que é meu. O que seu pai me roubou.
Sofia parecia não acreditar no que o homem dizia. Avalor era um reino que fora destruído há anos, como poderia existir um monarca vivo? Ele olhava para todos no salão, até que o olhar do rei Victor recaiu sob si. Ele não a encarava nos olhos, estava mais interessado em olhar para o seu amuleto.
— O meu amuleto, que está no pescoço da noiva de seu filho. — ele disse com uma voz que fez Sofia tremer.
Após proferir aquela frase, muitos homens vestidos com uma farda militar apareceram atrás dele. Seus guardas, provavelmente.
— Não se atreveria a vir aqui e tirar o amuleto do pescoço de minha filha. — Roland disse furioso. — Sofia, passe para trás de James, agora.
Ela demorou alguns segundos para obedecer a ordem dada pelo rei. Virou um pouco sua cabeça em direção ao rei Victor, que a olhava com um brilho estranho nos olhos gélidos.
— Seu nome é Sofia? — ele perguntou.
Não parecia uma pergunta indireta. Fora direcionada para ela. Estritamente para ela. O olhar que ele dera dizia que mataria qualquer um que respondesse em seu lugar. Então, reuniu toda a sua coragem para responder ao que lhe foi perguntado.
— Sim.
O rei olhou de seus cabelos para seu pescoço e pareceu vacilar. Um início de sorriso vacilou nos lábios dele.
— Ataquem todos. — ordenou a seus guardas. — Mas não machuquem nem a rainha e nem Sofia. — suspirou. — A minha Sofia.
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