Once Upon A Time
1 King's Cross
Notas iniciais

Toda criança do mundo bruxo cresceu ouvindo falar de Harry Potter, o menino que sobreviveu ao feitiço da morte do Lorde das Trevas, não é de se espantar que elas criem fantasias sobre Harry e certa admiração, é como os trouxas e seus super-heróis. Não seria diferente com a pequena Gina Weasley, uma bruxinha ruiva, com sardas e de cabelos lisos, única menina dos 7 irmãos da família Weasley, além de tudo a caçula, dureza não? Ela encara bem tudo isso, apesar de ser superprotegida pelos irmãos, é bem durona, mas não deixa de ser delicada e vaidosa. Tem personalidade forte e um gênio difícil de lidar, principalmente depois de algumas dificuldades em Hogwarts, mas deixemos isso para depois. Vamos começar do começo...
~x~
Como toda manhã n’A Toca, Gina acordou com o barulho dos irmãos subindo e descendo as escadas e como todos os dias, se levantou, se trocou e foi para a batalha. Não, não, não era uma guerra... Bem, quase, era só mais uma manhã tentando usar o banheiro, dividido por 7 pessoas, já que os dois irmãos mais velhos não moravam mais em casa. Você pode imaginar que não era tão simples conseguir um tempinho lá dentro não é? A família Weasley era simples e nunca tinha muito dinheiro, dava para perceber isso pela casa onde moravam. Gina nunca se importou com as vestes de segunda mão e os presentes simples tricotados no Natal ao invés de presentes caros. Claro que como todos, ela adoraria ter umas roupas novas de vez em quando e uma vida mais confortável, mas não reclamava, os pais faziam de tudo possível para criá-los da melhor forma. Um dia ainda iria se formar e dar uma vida melhor para a família.
Da ponta da escada já se podia escutar as reclamações e muxoxos
– Percy, já é a minha vez! Me deixe usar! Abra a porta logo! – reclamava Rony, o mais novo dos meninos.
– Percy, você está aí a mais de 15 minutos! Vai me obrigar a pegar a bomba de bosta no meu quarto? – ameaçava Fred, um dos gêmeos brincalhões
– O que está acontecendo aqui?! Pra que toda essa gritaria de manhã?! E eu ouvi bomba de bosta, Fred? Já disse que não quero essas coisas aqui dentro de casa! Você e George vão desgnomizar o jardim! – essa era a Sra. Weasley, com o rosto vermelho e as mãos na cintura encarando os filhos, furiosa.
– Mas eu não fiz nada! – reclamou George, o outro gêmeo.
– Com certeza sabe o que seu irmão tem no quarto e não me falou! – falou com o famoso olhar fuzilante que só ela sabia dar – Percy, deixe o Rony usar o banheiro agora ou eu mesma te tiro daí e incluo mais algumas tarefas da casa na sua lista!
Instantaneamente a porta se abriu e um Percy de cabelos molhados saiu de dentro do banheiro. Sra. Weasley, satisfeita, virou as costas e desceu as escadas para a cozinha.
– Bom dia, irmãzinha favorita! – disse Fred ao ver a garota.
Ela amava todos os irmãos, mas os gêmeos tinham algo que ela não sabia explicar, não importa o quão triste estivesse, eles conseguiam animá-la, sabiam muito bem como fazer isso com coisas simples.
– Bom dia, Fred. Devo-lhe lembrar de que sou sua única irmã, portanto eu tenho que ser sua favorita – respondeu Gina sorrindo.
– Ótima constatação, irmãzinha. – respondeu Fred
– Agora, se você não fosse a única, talvez não fosse a favorita. Nossa outra irmã imaginária provavelmente se voluntariaria para desgnomizar o jardim no nosso lugar, mas você ainda está em tempo de fazer isso. – disse George
– Só se eu puder contar para mamãe o que vocês andam fazendo no quarto – disse rindo
– Shhh – disseram os gêmeos em uníssono.
Os dois sempre tiveram uma queda por brincadeiras e viviam pregando peças em todos, o que sempre irritava a mãe, que só era um bônus para eles continuarem as brincadeiras. Recentemente, eles andavam fazendo buscas e tentando desvendar os mistérios de bombas de bosta, fogos de artifício e outros artigos para brincadeiras, na maioria das vezes, sem sucesso e com alguns acidentes as vezes engraçados, mas eles continuavam tentando.
Depois de algum tempo esperando ela desceu para tomar café da manhã. O pai estava sentado na ponta da mesa, como sempre, lendo o Profeta Diário e tomando seu café. Sr. Weasley trabalhava no ministério, não era o melhor emprego do mundo, mas ele gostava do que fazia. Pouco antes do pai se levantar para ir ao trabalho, aquela manhã se tornou diferente das outras, as cartas de Hogwarts chegou para os irmãos. Naquele ano ela seria a única a ficar em casa, todos os irmãos iriam para Hogwarts. Ela estava ansiosa para ir e estava odiando ter que ficar mais um ano somente se contentando com as cartas contando como o castelo era lindo, como os banquetes eram ótimos...
Os irmãos ficaram todos animados e saltitantes ao receberem as cartas, naquele ano Percy seria monitor, o que deixava a mãe muito orgulhosa, até agora todos os filhos foram monitores, ela tinha a esperança que essa tradição se seguisse. A garota, embora feliz pelos irmãos, tinha ficado bem chateada aquela manhã. O ano seria uma droga sem nenhum deles por perto.
~x~
Mais uma manhã n’A Toca, mas aquela era uma manhã animadora para quase todos e muito triste pra Gina. Era o dia que os irmãos embarcariam para Hogwarts. O Sr. Weasley somente ira levá-los a estação King’s Cross, a mãe voltaria com ela depois, sem nenhum dos irmãos.
A estação estava sempre lotada, pessoas indo e vindo de todos os lados. Como dizia a mãe, cheio de trouxas, que os olhavam com cara estranha. As vestes dos meninos e a coruja de Percy chamavam muita atenção de quem passava. Afinal, no mundo trouxa as pessoas não levavam uma coruja em qualquer viagem de trem, mas aquela não era uma família comum indo para um trem qualquer e os trouxas captavam essa energia. Ao chegar à parede entre as plataformas 9 e 10 a Sra. Weasley começou a mandar os meninos pela passagem que levava à plataforma 9 ¾. Até que uma voz desconhecida surpreendeu a Sra. Weasley, Rony e a Gina que ainda não tinham atravessado a passagem.
– Com licença — perguntou um menino magricela de lindos olhos verdes, como Gina notou.
– Olá, querido. É a primeira vez que vai à Hogwarts? – perguntou a Sra. Weasley e o garoto assentiu – O Rony é novo também – acrescentou.
– É... a coisa é... a coisa é que eu não sei como... – hesitou o garoto.
– Como chegar à plataforma? – disse a Sra. Weasley e ele assentiu – Não se preocupe. Basta caminhar diretamente para a barreira entre as plataformas 9 e 10. Não pare e não tenha medo de bater nela, isto é muito importante. Melhor fazer isso meio correndo se estiver nervoso. Vá, vá antes de Rony.
E assim o garoto foi correndo. Rony foi logo atrás, seguido da Sra. Weasley e Gina. Quando chegou à plataforma Gina olhava para todos os lados procurando o menino pelo qual ela ficara encantada, mas ele já tinha se misturado a multidão de bruxos.
– Procurando alguém, querida? – disse a mãe
– Não, não, só estava observando – disse e abaixou a cabeça para que a mãe não a visse ficando vermelha como a cor dos seus cabelos.
– Ano que vem será você, passará rápido, não fique triste. Vamos nos despedir dos meninos – disse puxando a menina pelo meio da multidão
Os garotos já estavam embarcando no trem, menos o Rony que ainda estava ouvindo a mãe. Sra. Weasley chamou os gêmeos para se despedirem.
– Rony, você está com uma sujeira no nariz – disse segurando-o e pegando um lenço para limpá-lo, mas ele acabou se esquivando e ficando fora do alcance da mãe.
Percy não estava junto com os gêmeos e se aproximou um pouco depois, ele sempre foi mais isolado da família, principalmente agora conforme chegava perto de se formar. Ele se despediu rapidamente e disse que teria que ir para o vagão dos monitores. Como no verão todo quando ele comentava que era monitor, os gêmeos tiraram sarro do fato. Nunca perdiam uma oportunidade, principalmente com os irmãos.
– Ei, mãe, adivinha? Adivinha quem acabamos de encontrar no trem? – disse um dos gêmeos – Sabe aquele menino de cabelos pretos que estava perto da gente na estação? Sabe quem ele é?
– Quem? – perguntou a mãe
– Harry Potter.
Gina não acreditou, aquele garoto com olhos lindos era o Harry? O menino de que ela sempre ouvira falar e admirava pelo grande feito dele mesmo bebê.
– Ah, mamãe, posso subir no trem para ver ele, ah, mamãe, por favor? – ela pedia quase implorando, precisava vê-lo de novo, quem sabe falar com ele, dizer que o admirava muito, que ele seria um grande bruxo...
– Você já o viu, Gina, e o coitado não é um bicho de zoológico para você ficar olhando.
A menina não tinha a intenção de fazer ele ficar se sentindo como um bicho de zoológico. Ela por um lado sentia pena, ele estava sozinho. Apesar de as vezes ter uma família grande ser sufocante deve ser muito triste não ter um irmão ou pais pra compartilhar um momento como esse de ir a Hogwarts. Se bem que ele deveria ter parentes trouxas, fora criado pelos tios, deve ter companhia, talvez eles só estivessem ocupados naquele dia e não puderam levá-lo.
Depois de alguns recados da mãe para os meninos, os gêmeos voltaram a atenção para ela e, como sempre, eles perceberam o olhar triste da garota e tentaram animá-la dizendo que mandariam várias corujas e a tampa do vaso de Hogwarts para ela. Como se ela fosse querer, eca, mesmo sendo um pedacinho de Hogwarts era nojento, mas sorriu com a piada dos irmãos. Rony prometeu mandar cartas para ela contando das aulas e de tudo todos os dias. Nos dois anos anteriores quando os dois ficaram em casa com os pais enquanto os irmãos estudavam, eles se tornaram muito mais próximos, eram como melhores amigos, embora não tivessem muito a comparar. No máximo tinham a vizinha Luna Lovegood como amiga, mas ela era um tanto esquisita, embora Gina adorasse ficar com ela e muitas vezes ria de suas maluquisses.
O trem começou a andar e a garota e a mãe foram ficando para trás. A garota não resistiu e foi correndo atrás do trem até o fim da plataforma. Sentiria muita falta dos irmãos fazendo barulho de manhã, das discussões que sempre acabavam com a mãe furiosa e distribuindo tarefas extras para todo mundo. Só lhe restava esperar as cartas, mas naquele ano o que também não saia da cabeça da garota além da falta que os irmãos fariam e do quanto ela queria ir para Hogwarts era um certo par de olhos verdes.
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