— Floresta Encantada –

Sam abriu os olhos com dificuldade. Ele estava deitado no chão, de barriga para cima, e encarava um céu azul. Ergueu o corpo e olhou em volta. Estava em uma clareira cercada de árvores. Ele logo reparou em Belle, caída de barriga para baixo no chão, e correu até ela.

— Belle! – ele tocou o ombro dela – Belle, você está bem? Acorde!

Belle gemeu e se sentou lentamente.

— Onde... Onde estamos?

Sam olhou em volta novamente.

— Na Floresta Encantada... Eu acho...

Belle esfregou os olhos e olhou em volta, reconhecendo sua terra natal.

— Estamos aqui mesmo. E a Rowena?

— Eu não sei, ela não estava aqui quando acordei.

— Ai como eu pude ser tão estúpida? – ela cobriu o rosto com as mãos – Eu realmente achei que ele tivesse mudado dessa vez!

Sam desviou os olhos, sem saber o que dizer. Ele sabia como era ter sua confiança quebrada, mas também havia quebrado a de Dean várias vezes.

— Belle, precisamos encontrar a Rowena. Não sabemos o que ela está tramando.

Bella tirou as mãos do rosto e puxou os cabelos para trás.

— Você tem razão. – ela olhou para ele, e então percebeu o quanto os dois estavam destoando da paisagem ao seu redor – Mas primeiro precisamos de roupas novas.

— Storybrooke -

— Tira essa merda do meu carro! – exclamou Dean quando se aproximaram do Impala. Regina imediatamente tirou a barreira do carro, o que fez Henry abrir a porta e sair. Depois de bater a porta, Dean sentou-se no banco do motorista e apoiou a testa no volante.

— O que aconteceu? – perguntou Henry, olhando para Regina (que estava de braços cruzados) e depois para David (que arrastava Merida com uma algema nas mãos).

— Não conseguimos. – respondeu Regina – A Rowena conseguiu abrir o portal, e ainda levou a varinha do Aprendiz com ela.

— E onde está a Belle? E o Sam?

Regina suspirou.

— Eles acabaram passando pelo portal também.

Henry olhou para Dean dentro do carro.

— Então precisamos trazer ele de volta, certo?

— Não temos como, Henry.

— Mas... Nós nunca desistimos assim. Podemos dar um jeito. Podemos tentar alguma coisa. Não é? — ele deu a volta no carro para falar com Dean pela janela do motorista – Podemos falar com a minha mãe, ela é a Salvadora, ela com certeza vai nos ajudar.

Dean se afastou do volante e apoiou o braço na janela do carro.

— Tô confuso, garoto, a sua mãe não é essa daí?

Henry balançou a cabeça.

— Essa é a Regina, minha mãe adotiva. A minha mãe biológia é a Emma.

— Certo, e o que exatamente ela salvou?

— A cidade toda. Várias vezes, na verdade.

Dean olhou para Regina, desconfiado.

— É verdade. – disse ela — E temos um outro problema. O Rumplestinskin está com o livro, e com certeza virá atrás do códex. Se tem alguém que pode nos ajudar contra ele, é a Emma.

Dean suspirou.

— Tudo bem. Entrem no carro. Vamos conversar com essa “Salvadora”.

— Eu vou levar essa aqui pra delegacia. – anunciou David.

— Delegacia? – exclamou Merida – Eu não fiz nada errado! Vocês não podem me prender!

— Nós é que decidiremos isso. – disse David, e começou a se afastar com ela.

Henry e Regina entraram no Impala, e Dean deu partida.

Rumplestinskin reapareceu dentro de sua loja. Ele suava frio e não conseguia respirar direito. Mesmo tendo recuperado a adaga, seus poderes não eram mais os mesmos.

Rowena havia levado Belle com ela pelo portal. O que estaria fazendo agora? Será que a estaria torturando? Será que já a teria matado, por não ter nenhuma utilidade a ela? Ele precisava descobrir. Belle havia ido parar lá por sua culpa, então ele precisava dar um jeito de trazê-la de volta.

Não. Não fora por sua culpa. Belle nem deveria estar presente naquele momento. Ele iria ajudar Rowena e voltar para a loja para almoçar com sua esposa. Mas aquela família com tendência a heroísmo tinha se metido, e levado Belle com eles. Eles com certeza a haviam convencido a participar daquela missão suicida. Era tudo culpa deles.

Ele tinha que trazer Belle de volta sozinho, e depois se vingaria daqueles insolentes.

Rumple remexeu os bolsos, procurando os feitiços já traduzidos por Rowena. Espalhou as páginas sobre a mesa e começou a procurar o feitiço que a bruxa havia usado para abrir o portal. Assim que encontrou-o, ergueu-o no ar, animado. E, então, a página se transformou em pó, e deslizou pela mão dele.

O restante dos papéis em cima da mesa havia virado pó também. Ele socou a madeira, irritado. É claro que Rowena não lhe daria os feitiços de verdade, ele deveria ter desconfiado.

Mas ele tinha o livro. E, agora, tudo que precisava era do códex.

— Floresta Encantada –

Rowena parou de correr e apoiou as costas numa árvore. Assim que acordara no meio da clareira, ela havia saído correndo para longe antes que Sam e Belle acordassem também.

— Aquele velho idiota. – murmurou, referindo-se a Rumplestinskin – Pegou a droga do meu livro.

Ela precisava pensar no próximo passo. Sem o livro, seu plano não poderia ser colocado em prática, mas ela não tinha como pegá-lo sem um portal. Poderia tentar voltar para Storybrooke, mas mesmo que conseguisse juntar todos os ingredientes do feitiço de novo, não se lembrava o suficiente do texto do encantamento.

Ela suspirou. Estava tão perdida quanto no dia em que havia ido parar naquela floresta pela primeira vez.

— Londres, cerca de trezentos anos atrás –

— Chega, Rowena! — exclamou Olivette. Ela estava em pé ao lado de um palanque, que era parte do círculo formado por uma dúzia de bruxas ao redor de Rowena – Seus métodos são uma desgraças para nosso Coven, você passou dos limites!

— Suprema, por favor, me dê mais uma chance! – implorou Rowena. Ela estava acorrentada ao chão por correntes de ferro – Eu só preciso de um tempo para desenvolver melhor meus feitiços, mas tenho certeza de que quando eu conseguir, nosso Coven todo será beneficiado. É claro que talvez algumas vidas sejam perdidas no caminho, mas...

— Silêncio! – exclamou Olivette, e bateu um martelo no palanque – Você já teve chances demais. Isabelle!

Isabelle, uma bruxa de pele clara como a neve e longos cabelos pretos, afastou-se do círculo e foi até uma das paredes da pequena sala. Ela apertou um desenho de uma árvore em relevo na parede. O desenho se iluminou, e a luz se espalhou até formar um enorme círculo na parede.

— NÃO! – gritou Rowena – Não! Vocês não podem fazer isso! Eu tenho um filho! O que o Fergus vai pensar?

— Um filho que você teve com um humano. Só mais uma desgraça para nosso Coven. Levem-na! – ordenou Olivette.

Duas outras bruxas foram até o meio do círculo e soltaram as correntes de Rowena, mas sem tirar suas algemas. Elas a arrastaram até o círculo brilhante, enquanto Rowena gritava e se debatia, e enfim arremessaram-na rumo ao vazio.

— Floresta Encantada, cerca de trezentos anos atrás –

Rowena abriu os olhos com dificuldade e olhou em volta. Ela estava caída em uma clareira, no meio de uma floresta, e ainda estava algemada.

— Não... – ela murmurou.

— Floresta Encantada, Hoje –

Rowena sacudiu a cabeça. Ela não era mais aquela bruxa perdida e desamparada de trezentos anos antes. Iria resolver essa situação e, para isso, precisava voltar a seu chalé em Dunbroch. E não faria isso andando.

Ela estendeu a mão e murmurou algumas palavras numa língua antiga. Um grande almofariz apareceu eu sua mão. Ela se sentou sobre ele, e disparou na direção de sua cantiga casa.

Belle olhou-se no espelho. Ela usava um vestido rosa claro, e havia prendido a camada superior de seu cabelo. O vestido era longo, mas não o suficiente pra que ela não pudesse correr ou se movimentar facilmente.

Depois de andar por algum tempo, ela e Sam haviam encontrado o castelo da família French, que estava intacto apesar da maldição, com exceção da poeira que ocupava cada canto.

— É assim que se veste isso? – perguntou Sam, entrando no quarto.

Belle havia dado algumas roupas de Gaston para que ele usasse, já que os dois tinham o físico muito parecido. Sam usava um casaco azul marinho com detalhes brilhantes e um cinto de couro, sobre uma calça preta e botas que iam até o joelho. Ele estava claramente desconfortável, mas Belle achou que ele parecia ter nascido na Floresta Encantada.

— Tem uma capa também, mas acho que você não vai querer usar. – ela respondeu.

— Pode apostar que não. – ele caminhou até ela – Não tem nenhum lugar onde eu possa colocar minha arma.

— Tudo bem, ela não vai funcionar aqui. – ela olhou em volta, até que finalmente encontrou uma bainha apoiada na parede. Pegou-a, e entregou-a a Sam – Você sabe como usar isso?

Sam desembainhou a espada, examinando-a.

— Acho que sim. Não deve ser muito diferente de usar uma faca grande.

— Ótimo.

Sam guardou a espada e encaixou a bainha em seu cinto.

— Você tem algum plano?

Belle assentiu.

— Precisamos descobrir tudo que for possível sobre quem a Rowena é nesse mundo. Rumple parecia conhecê-la a muito tempo, então talvez encontremos alguma informação no castelo dele... Mas vai ser perigoso, tem certeza de que quer ir?

Sam surpreendeu-se com a pergunta. Nem se lembrava da última vez que uma garota havia lhe perguntado se ele achava algo perigoso demais. Normalmente era o contrário.

— Eu cacei vampiros, lobisomens, fantasmas, demônios e outras centenas de coisas a vida toda. Acho que posso aguentar.

— Ótimo, espero que você consiga cavalgar também, então.

Sam hesitou. Isso sim talvez fosse algo perigoso demais.

— Storybrooke –

Dean estacionou o carro na frente da casa de Emma, e todos desceram imediatamente. Antes mesmo que eles pudessem chegar até a entrada, Mary Margaret já havia aberto a porta.

— Onde está o David? – ela perguntou, preocupada.

— Ele levou a Merida até a delegacia. – respondeu Regina.

— Merida? Delegacia? O que aconteceu?

— É uma longa história, Mary Margaret, terá que ficar para depois. – ela ergueu a mão na direção de Dean – Esse é Dean Winchester. Precisamos falar com a Emma.

— Eu... Não tenho certeza se ela irá querer falar com vocês...

— Bem, eu vou fazê-la falar. – disse Dean, entrando na casa e fazendo com que Mary Margaret desse um passo para trás – Onde ela está?

— No andar de cima...

Sem dizer mais nada, Dean subiu as escadas e abriu a porta do quarto de Emma sem bater.

Emma ainda estava deitada na cama, com as mesmas roupas, mas assustou-se com a invasão. Foi a primeira reação que ela demonstrou em dias. Ela estava completamente acabada, mas Dean percebeu que era muito gata, apesar disso.

— Você é Emma Swan? – perguntou Dean.

— Sim. – ela respondeu sem expressão – E você é?

— Dean. Seu filho me disse que você é uma espécie de Salvadora ou qualquer coisa assim, e preciso que você traga meu irmão de volta.

— Henry? O que...? – ela começou a perguntar, mas Henry apareceu na porta.

— Mãe! – ele exclamou e correu até ela, envolvendo-a num abraço.

— Henry, o que está acontecendo? – perguntou Emma.

— Uma bruxa apareceu na cidade, e o Sr. Gold ajudou ela abrir um portal, e a Merida tentou nos impedir, e aí a bruxa foi pra Floresta Encantada, e a Belle e o Sam foram com ela, e...

— Henry, acalme-se. Que história é essa de bruxa?

— O nome dela é Rowena. – disse Dean – E ela levou meu irmão pra essa tal de Floresta Encantada. O Henry disse que você pode trazer ele de volta.

— Eu... Não sei do que você está falando, Henry. – disse Emma.

— Você é a salvadora, mãe. Eu sei que você pode ajudar!

Emma negou com a cabeça.

— Eu não sou mais a Salvadora. Não depois do que aconteceu. – ela ergueu o olhar para Dean – Sinto muito, Dean, mas você vai ter que se virar sozinho.

— Como assim me virar sozinho? Por causa dessa cidade estúpida, meu irmão está preso numa outra dimensão ou sei lá o que. Por causa de vocês e o seu bibbidi-bobbidi-bu de merda. E você espera que eu resolva isso sozinho? É dever de vocês me ajudar. Eu não estaria nessa porra de situação se não fosse por vocês.

Emma ficou em pé, irritada, e andou até a direção dele.

Eu não tenho nada a ver com isso. Você veio até Sotrybrooke e deixou o seu irmão cair na droga do portal. Assuma a responsabilidade de suas ações. Eu não tenho nada a ver com essa história e não estou nem um pouco a fim de te ajudar. – ela olhou para Henry – E nem você, Henry, então espero que desista dessa ideia antes que se meta em encrenca.

Dean suspirou.

— Bem, se você não vai ajudar por bem, vai ter que ser por mal. – ele sacou a arma e apontou para Emma.

— Dean! – gritou Henry – Não faça isso!

Emma não se assustou, ou demonstrou qualquer reação de medo. Ela continuou olhando para Dean, sem sair da rota da arma.

— Vá em frente. Atire. Eu não ligo. Você estaria me fazendo um favor.

Dean hesitou. Por que aquela mulher não estava com o menor medo de morrer? Ele achou que isso faria com que ela mudasse de ideia sobre ajudá-lo, mas se ela não temia a morte, a arma não teria o menor efeito. Então, ele lembrou-se de que ela era mãe, e que todas as mães tem um instinto em comum, e apontou a arma para Henry.

A expressão de Emma finalmente mudou para uma de desespero, mas antes que Dean pudesse sorrir pela vitória, ela ergueu as duas mãos na direção dele, fazendo-o voar para trás e bater as costas na parede, derrubando a arma no chão.

Dean gemeu e colocou a mão na parte de trás da cabeça, onde provavelmente haveria um galo em breve. Emma aproximou-se dele, com puro ódio no olhar.

— Fique longe do meu filho.