Once Upon A Prophecy
9 Part I: The Curse
Notas iniciais
Música: While your lips are still red - Nightwish
Quando Snow, com Emma em seus braços, saiu do salão, acompanhada por Rumpelstiltskin e Leopold, Regina esperou alguns minutos antes de segui-los. Não era esse o plano. O Conselho tinha olhos e ouvidos em todos os lugares, especialmente no salão de festas do mundo Sete, mas Regina tinha que arriscar. Ela não era tola e sabia muito bem que não importava quantos homens protegessem a pequena Emma, inconvenientes ainda podiam acontecer e ela não estava disposta a ficar amaldiçoada por anos a troco de nada.
Desculpou-se rapidamente com Maleficent, lançou um olhar furtivo para Morgana, que conversava tranquilamente com Lancelot e se aproximou do seu general, Zefrir. O homem tinha sido acusado anos atrás de assassinato, um azarado moribundo vindo do mundo Dois. Regina sabia que ele tinha sido o culpado do crime, mas o homem não parecia arrependido. Ali parado, machucado, sozinho, encarando um Deus no trono de ferro, rodeado de guardas e a mercê do dragão negro, Zefrir estava completamente calmo. Aquilo impressionara Regina. A voz dele era estável e confiante. Até Claude o olhava com suspeita.
- Algo a falar antes da sua execução? – indagara o cárcere.
Zefrir sorrira. Seus dentes eram amarelados e seus lábios estavam rachados e sangrando. Seus olhos escuros frios encaravam a Rainha.
- Meu pai dizia que só os piores vinham para a Torre Negra, mas é mentira. – declarou. Regina se inclinara no trono. – Eu só vi azarados aqui. Pessoas estúpidas que cometerem erros estúpidos e por azar, foram mandadas aqui para que os nobres provassem para o povo que os “malvados” estavam sendo punidos. – zombou — A verdade é que eles deveriam estar aqui! Eu matei um nobre e faria novamente com prazer! O maldito apareceu na minha loja achando que era algum tipo de Deus, quebrou meus materiais, zombou dos meus empregados, socou o meu velho pai... Tudo por que achava ser um Deus, mas eu mudei esse pensamento dele. Eu provei que ele era só um homem, que sangrava e morria. Que eu vá para o Inferno! Assim, eu posso torturar aquele maldito pela eternidade.
Ah, como executar uma pérola dessa?! Regina mandou que a execução fosse suspensa, mandou que lhe vestissem com um uniforme e que fosse treinar nos Campos Acima. Mais do que uma boa habilidade de combate, Regina apreciava uma mente que funcionava. Zefrir provava ter os dois.
- Estou cansada dessa festa! – exclamou alto. Alguns olhos se concentraram nela. – Zefrir, me acompanhe até os jardins, sim? Preciso de ar puro.
Era conhecido por todos o desgosto da Rainha Regina pelo mundo Sete, então sua declaração não surpreendia a ninguém. Regina, petulante como aprendera a ser, saíra do salão sem olhar para os lados ou oferecer explicação, com Zefrir ao seu lado, coberto pela capa negra.
- Já é hora, minha Rainha?
Regina não respondeu, só assentiu. Não podiam correr nos corredores do Castelo Branco, uma regra de etiqueta duramente aprendida na infância, mas eles tinham tempo. Regina sabia onde Rumpel e Snow estavam e também sabia que a carruagem não sairia antes de Emma receber seu último presente e tal objeto estava bem protegido por Zefrir.
- Majestade. –chamou Zefrir novamente num sussurro. – Sobre o que vai acontecer...-
Regina não parou de andar, Zefrir não esperou o contrário.
- Sim?
- O que acontecerá? Ficaremos separados?
Regina riu.
- Separados? De mim?
Zefrir assentiu, mas Regina não viu. Seus olhos castanhos estão fixos na direção em que andava.
- Meu querido, — sorriu – vocês nunca ficarão separados de mim. Eu possuo muito mais do que lealdade de vocês.
- Nossos corações? – questionou com um sorriso zombador. A Rainha, quando atacada, o que acontecia com bastante frequência, tinha a mania de, depois de imobilizar os atacantes, arrancar seus corações. Às vezes, ela os guardava; às vezes, esmagava-o diante dos olhos apavorados das vítimas.
Regina se permitiu rir.
- Ah, seria bom se eu só possuísse isso, não é, Zefrir?
O homem riu.
- Mas eu possuo algo mais... Duradouro do que isso. Quase eterno.
Zefrir franziu as sobrancelhas, confuso.
- E isso seria?
- Almas. – sorriu. – De todos do mundo Seis. As almas de cada um de vocês me pertencem.
Zefrir riu.
- E onde guarda tantas almas?
- Dentro de mim, claro.
- E por quê?
- Por que sou a Rainha Má do mundo Seis. O Deus do Trono de ferro. – olhou rapidamente para Zefrir – Sou a personificação do desejo e da necessidade de cada um de vocês. Ou você acha que eu conseguiria sobreviver a Torre Negra somente com a minha alma? Ninguém é tão forte assim, Zefrir.
- Usando da alma de cada um de nós...
- É assim que cria um Juiz de Ferro, meu querido.
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- Só mais um momento, por favor.
Rumpel suspirou.
- Eles têm que partir, minha querida.
Snow abraçou Emma mais uma vez. O bebê dormia, ignorante do que estava acontecendo, ignorante da dor que a mãe passava e do destino que a aguardava.
O velho na carruagem a olhava com pesar.
- Minha Rainha, temos que partir. – pediu. – Meu garoto vai tomar conta da princesa.
Snow olhou para Gepetto depois para a criança, que apavorada, olhava para Rumpel e para o pai.
- Pinocchio? – indagou. Os olhos azuis do rapaz foram para Snow. – Cuide de Emma, por mim, pode fazer isso?
O rapaz assentiu rapidamente.
- Ela é como... Minha irmãzinha, certo? – perguntou com receio e lambeu os lábios secos.
Snow sorriu.
- Isso, sua irmãzinha.
O rapaz retribuiu o sorriso.
- Ah, que lindo! – exclamou Rumpel irritado – O tempo passa. Entregue Emma para o rapaz e se apresse. – olhou para Gepetto. – O navio deve zarpar antes de a maldição ser lançada.
Snow olhou para o rosto adormecido de Emma mais uma vez e depois para Gepetto.
- Cuide dela.
Emma começou a chorar antes mesmo de abrir os olhos. Ao mesmo tempo, Zefrir chegou correndo, pedindo para esperarem. Emma ainda chorava quando Regina apareceu, segundos depois do guarda.
- Ora, ora, — começou Rumpel sorrindo. – Achei que não viria.
- Vim o mais rápido que pude.
- O que houve? – indagou Snow. Emma ainda resmungava.
Regina a olhou, discutia internamente entre ignorar a existência de Snow e responder a pergunta, mas considerando que Emma estava nos braços da mãe, não havia muito o que pensar.
- Não planejo confiar somente na palavra dos destinos. O tear muda o tempo inteiro e não estou disposta a apostar. Não vou ficar amaldiçoada por sabe-se lá quanto tempo sem alguma certeza de que a criança vá sobreviver.
- O que está insinuando? – indagou Snow, confusa. Nunca imaginou que Emma pudesse não sobreviver.
Regina suspirou e se virou para o general.
- Por favor.
O homem tirou uma pequena sacola de couro da cintura, que estivera encoberta pela longa capa negra, e a entregou para Regina.
- Um outro presente. – disse a Rainha se aproximando de Snow.
Rumpel soltou um riso animado.
- Ah, então é isso que você planejava dar a nossa princesa! – exclamou. – Você realmente está investida na proteção dela!
- Como eu disse, não quero apostar na sorte para proteger a criança.
- Claro, claro. – respondeu malicioso.
Não queria, mas teve que se aproximar de Snow.
- O que você pretende dar a Emma? – indagou. Estava assustada e temerosa.
- A melhor chance de sobreviver contra qualquer coisa. – abriu a sacola. – É um objeto antigo e poderoso. E antes que me pergunte, é uma criação das fadas. – estendeu para Snow. – Pegue.
- Por que eu? – perguntou, desconfiava.
Regina suspirou, irritada.
- Por que ela não pode tocar nesse objeto. – disse Rumpel divertido. – Nem eu posso. É feito de magia branca, a mais pura magia branca. Pegue.
Não vendo outra alternativa, Snow fez como foi pedido e retirou o objeto da sacola.
- Meu último presente. – disse novamente Regina se afastando.
Emma olhava o objeto na mão de Snow e estendia as pequenas mãozinhas.
O presente era um bracelete dourado, feito de puro ouro. Era aparentemente normal. Vindo de Regina, Snow esperava algo mais... Bonito e luxuoso. A Rainha do mundo Seis era conhecida por seu bom gosto em joias.
- É isso? – indagou Snow.
Regina revirou os olhos. Rumpel tinha se afastado. Gepetto estava assustado e o pequeno Pinocchio olhava tudo com curiosidade.
- Que legal! – exclamou o menino. Snow franziu as sobrancelhas e olhou novamente para o bracelete.
- Só coloque no pulso dela. – disse Regina. – Não sei o que você está vendo e não ligo.
- O Selene’s light aparece de formas diferentes para diferentes pessoas. – comentou Rumpel. Snow, cética, colocou o bracelete ao redor dos bracinhos de Emma e surpresa viu o acessório, antes largo, se encolher até envolver os braços de Emma perfeitamente. – Não sei o que você vê, meu bem, mas é completamente diferente do que eu vejo e de como Regina o vê. As duas crianças devem vê-lo de formas completamente diferente também.
Emma riu, maravilhada com tudo.
- Não podemos esperar mais. – disse Rumpel. – Dê a criança para o velho e temos que voltar para o salão imediatamente. O antigo Rei já está em posição.
Snow engoliu seco e depositou o bebê nos braços do pequeno Pinocchio.
- Eu vou cuidar dela bem, eu prometo. – disse o rapaz num sussurro.
Snow tentou sorrir, mas as lágrimas não pararam de descer.
- Eu sei, eu sei. – deu um beijo na pequena testa de Emma e fez o mesmo em Pinocchio. – Me desculpe.
O menino sorriu. Snow se afastou da carruagem e Gepetto não desperdiçou mais tempo, apressando os cavalos. Eles tinham pouco tempo para chegar ao navio.
- Vamos desfrutar da festa. – disse Rumpel para Regina. Snow estava parada com lágrimas silenciosas descendo por seu rosto. – Quando Gepetto der o sinal, você sabe o que deve fazer, Rainha Snow.
Malicioso como aprendera a ser, Rumpel começou a andar de volta para o castelo, completamente confiante no plano. Regina olhou para Snow por alguns segundos e depois para a carruagem que sumia por entre as árvores.
- Devemos voltar também? – indagou Zefrir olhando Rumpel.
Regina assentiu e virou-se, seguindo o governante do mundo Dois. O guarda olhou rapidamente para a Rainha que ainda chorava e seguiu Regina.
- Será rápido. Nem iremos notar. – prometeu.
Zefrir suspirou. Ele era um guerreiro, já enfrentara tritões, bandidos, espectros e já estivera na presença de Baba Yaga, e mesmo assim seu coração apertava de medo. Com todos seus oponentes, Zefrir sabia o que esperar, mas agora, com aquela maldição, ele enfrentava o desconhecido.
- Eu confio em Claude, em Killian e em Celeste. – começou Regina – Eles vão manter a criança a salvo.
Zefrir assentiu.
Em silêncio, os dois seguiram Rumpelstiltskin de volta ao salão de festas.
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A música estava alta e as pessoas riam, ignorantes dos acontecimentos. Regina trocava novidades com a princesa Abigail. Rumpelstiltskin ria com o filho Bae enquanto conversavam com Morgana e Thomas. Lancelot sussurrava algo para David, que parecia miserável. Maleficent ria de algo que outra nobre, vestida de vermelho, dizia.
Era uma festa ordinária no mundo Sete e estava tudo bem.
Quando Red entrou correndo no salão, parecendo assustada e sem saber o que fazer, os cinco governantes perceberam que estava na hora. Rumpelstiltskin olhou para Regina, que assentiu.
David respirou fundo e pediu a palavra. Todo o salão voltou-se para o Rei do mundo Sete.
- Primeiramente, o mundo Sete agradece a presença de todos na festa de comemoração ao nascimento da minha filha, Emma. Infelizmente, como todos sabem, a minha herdeira está terrivelmente doente e minha esposa, a Rainha Snow, a levou para a enfermaria. Elas não estão aqui, mas, assim como eu, elas são gratas por todos vocês. – ele sorriu e seus olhos lacrimejaram. – Como evento principal da noite, eu peço a Rainha do mundo Seis, a nossa Juíza da Torre Negra, para cantar. – feito isso, ele gesticulou para a Rainha, que subira no altar, onde os dois tronos ficavam.
Regina sabia que assim que começasse a cantar, a maldição se ativaria. Leopold já deveria estar quase morto, tendo dado sua vida voluntariamente para a ativação da maldição. Tudo que ele tinha que fazer era colocar as mãos num velho e grande orbe que sugaria toda sua força vital, então Snow pegaria o orbe e colocaria dentro da poção, preparada por Rumpel, Regina, Maleficent e Morgana.
O que já deveria ter sido feito pelo estado emocional de Red.
Agora, era só cantar.
Sweet little words made for silence, not talk
Young heart for love, not heartache
Dark hair for catching the wind
Not to veil the sight of a cold world
[Doces pequenas palavras feitas para o silêncio, não para serem faladas
Coração jovem para o amor, não para mágoas
Cabelos negros para dançar ao vento,
Não para velar a visão de um mundo frio]
Kiss,
While your lips are still red
While he's still silent
Rest while bosom's still untouched, unveiled
Hold another hand
While the hand's still without a tool
Drown into eyes while they're still blind
Love while the night still hides the withering dawn
[Beije,
Enquanto seus lábios ainda estão vermelhos
Enquanto ele ainda está em silêncio
Descanse enquanto o seio ainda está intocado, desvelado
Segure outra mão,
Enquanto a mão ainda não está armada
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão cegos
Ame enquanto a noite ainda esconde o amanhecer aterrador]
First day of love never comes back
A passionate hour is never a wasted one
The violin, the poet's hand
Every thawing heart plays your theme with care
[O primeiro dia do amor nunca retorna,
Um momento apaixonado nunca é desperdiçado
O violino, a mão do poeta,
Todo coração descongelando toca a sua canção com cuidado]
Kiss,
While your lips are still red
While he's still silent
Rest while bosom's still untouched, unveiled
Hold another hand
While the hand's still without a tool
Drown into eyes while they're still blind
Love while the night still hides the withering dawn
[Beije,
Enquanto seus lábios ainda estão vermelhos
Enquanto ele ainda está em silêncio
Descanse enquanto o seio ainda está intocado, desvelado
Segure outra mão,
Enquanto a mão ainda não está armada
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão cegos
Ame enquanto a noite ainda esconde o amanhecer aterrador]
Kiss,
While your lips are still red
While he's still silent
Rest while bosom's still untouched, unveiled
Hold another hand
While the hand's still without a tool
Drown into eyes while they're still blind
Love while the night still hides the withering dawn
[Beije,
enquanto seus lábios ainda estão vermelhos
Enquanto ele ainda em silêncio
Descanse enquanto o seio ainda está intocado, desvelado
Segure outra mão,
Enquanto a mão ainda não está armada
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão cegos
Ame enquanto a noite ainda esconde o amanhecer aterrador]
Quando a fumaça negra envolveu todo o mundo, Regina jurou que ouviu um bebê chorar e Acnologia gritar.
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O Conselho Superior era composto de 7 Primeiros Sacerdotes, 50 magos habilitados pelo conselho, 800 magos de menores patentes, 2500 aprendizes e em torno de 10.000 soldados pertencentes a força de defesa das terras do Conselho.
Numa guerra normal, os soldados do Conselho e os soldados do Mundo Sete se uniam, mas na maior parte do tempo, eram duas entidades separadas. O Conselho vivia numa grande ilha protegido por um poderoso campo de força. Era um mundo separado do Reino de Snow White.
Os aprendizes estavam inquietos e os Sete Primeiros Sacerdotes se uniam no grande salão da Ilha Prateada. Há meses, eles perceberam que algo estava errado, eles pressentiram que algo muito ruim estava para acontecer e logo, souberam que as previsões dos Destinos do Mundo Zero estavam para se concretizar.
- “O Conselho irá cair” – foi o profetizado.
Os Sete sentavam-se silenciosamente em um círculo. Não havia cadeiras ou mesas, todos estavam no chão, com os olhos fechados, meditando. Nenhum iria atender a cerimônia de apresentação da criança. Nenhum iria dar benção à criança cujo destino era destruir tudo que eles e todos antes deles lutaram bravamente.
Magnus, o mais velho e poderoso dos Sete, foi o único a abrir os olhos. O salão branco era rodeado de janelas e por elas, ele viu a enorme nuvem negra envolvendo tudo. Nem mesmo a barreira da Ilha Prateada resistiria a uma magia tão poderosa e sinceramente, eles não queriam que resistisse.
Auros, o mentor de Magnus, já falecido há décadas, dissera certa vez que a melhor forma de derrotar seus inimigos é fingir não saber que há uma guerra a ser vencida. Se o Conselho fingisse que não ouvia os sussurros de traição, os traidores nem saberiam o que foi que os destruiu.
Antes de a nuvem envolver o salão e tudo ficar negro, Magnus sorriu.
Notas finais
Fim da Part I.
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