Once Upon A Dream
4 Tris

Já haviam se passado uns 7 dias desde aquela festa. Tris podia dizer com todas as letras que havia, literalmente, ficado doidona. Tudo isso porque seu namoro havia ido por água abaixo. E, sem contar que ela estava completamente envergonhada do estado que havia ficado naquela festa.
Algumas amigas suas da faculdade ligavam para saberem onde ela tinha ido parar e porque tinha ido passar as férias tão longe.
– Eu só preciso desligar minha mente daí.
Ela sempre respondia isso.
Londres era um lugar bastante agradável. Tris estava pensando seriamente em se mudar para lá. Talvez fosse a melhor oportunidade para apertar o reiniciar e viver uma nova vida.
Ela estava agasalhada indo para a cafeteria do shopping, andando tranquilamente, quando um filho da mãe foi estacionar o carro perto da calçada e jogou água nela.
Deu graças á Deus por não ter uma faca ou algo afiado no bolso.
– Seu idiota! – ela esbravejou.
Tris falou mentalmente quando notou quem estava dirigindo o carro. O tal do Erik, da festa.
Pelo visto, Londres era sim bastante pequena para criar esses encontros desastrosos.
Tris procurou um lugar para correr e se esconder, mas pelo visto, ele a havia reconhecido também, porque ele desceu do carro e vinha em direção á ela sem conter a risada.
– Nossa, foi mau ai – ele falou. – Te vi lá do começo da rua, mas juro que não foi essa minha intenção.
Tudo bem que o cara era um gato, mas isso não o dava direito de jogar água nela e achar que poderia bater um papo normal, como se nada houvesse acontecido.
– Ta, ta bom. Falou, tchau – ela falou rispidamente e foi se afastando.
Mas ele não a deixou ir.
Ô carinha insistente.
– Peraí, Tris. É Tris, né? – e ele falou.
– Pra você, é Beatrice.
– Ta bem. Pelo visto você ta meio chateada.
Ela lhe encarou.
– Cara, eu nem te conheço, daí você vem e joga água em mim e ainda diz que não foi proposital.
Ele deu de ombros.
– Me conhece sim.
– Só te vi uma vez na vida – ela rebateu. – O que quê você quer, hein?
Erik levantou as mãos até os ombros num movimento de rendimento.
– Ok, eu só acho que isso aqui é seu e eu o achei prendendo um número que, eu também acho, é do seu celular. – Erik tirou um colar do bolso e a mostrou.
Ela encarou o colar em formato redondo com uma chama dentro.
Audácia.
Uma das poucas lembranças ruins que ela tinha. Tris pegou o colar.
Eram lembranças ruins, poucas boas, mas ela precisava se lembrar do passado, porque ele constituía seu futuro. E faria parte dela pelo resto de sua vida.
– Obrigado – ela falou sem graça. – Foi mal ai, é que eu não costumo gostar quando os carros passam e jogam água em mim.
Ele riu.
Mas Deus, que sorriso.
– Tudo bem – ele disse parecendo não se importar. – Você quer uma carona?
Não, cara. Eu não quero. Sabe por quê? Eu nem te conheço e você é um gato, então é melhor não, sabe?
– Não, não quero te atrapalhar...
– Não está atrapalhando. Você mora por aqui, não é? Eu ia levar seu colar em sua casa. O Whit me passou seu endereço.
Porra, Whit.
– Ah, o Whit? – ele confirmou com a cabeça. Tris deu de ombros. – É, ta bom. Belo carro, você costuma, freqüentemente, jogar água nas pessoas?
– Sabe que nem tanto – ele respondeu sarcasticamente.
Tris revirou os olhos disfarçadamente e seguiu com Erik para dentro do carro.
– Acho que a Mione adoraria te ver. Você tem que ver ela e o Whit, eu adoro os dois juntos.
Tris balançou a cabeça risonha.
– Eu vou para a cafeteria do shopping, se você quiser saber – ela mencionou.
– Ah, por quê? Por acaso você ta achando que eu vou te seqüestrar? Moçinha, sua mãe não lhe ensinou á não aceitar convite de estranhos? Já parou pra pensar que eu posso ser um serial killer?
Ela riu.
– Ta beleza. Já parou para pensar que eu também posso ser uma assassina em série? – ela retrucou.
– Então estamos no mesmo ramo – ele baixou o óculo de sol e piscou para ela que deu uma risada esfarrapada.
Ela e o Erik conversaram bastante sobre assuntos nada haver e aleatórios. Até quando chegaram ao shopping, ficaram ainda no carro conversando. A conversa estava interessante e idiota demais para se achar um ponto final.
– Ai, sabe o que a gente poderia fazer? Sair nós quatro, você, eu, a Hermione e Whit num restaurante japonês. Aposto 50 pratas que o Whit aceitaria na hora.
– Aposto 100 – Erik falou orgulhoso.
Ela riu. Então, de repente, o assunto morreu e eles ficaram quietos.
– Bem, pelo visto a gente já está no shopping – ela falou. – Então... me passa o número da Hermione depois, queria falar com ela. Acho que ela pegou uma impressão bem estranha de mim naquela festa.
Erik concordou e riu.
– Acho que até eu peguei uma impressão errada sua.
– Pô, valeu pela parte que me toca – ela brincou. – Mas, valeu mesmo e tal. Eu já vou indo, até mais.
Então ela saiu do carro e Erik acenou.
Dentro do shopping, ela tirou o colar no bolso e havia um papel enroscado nas chamas da Audácia.
O número do Erik.
“Acho que é uma forma justa de devolver algo.”
Ela riu sozinha e guardou o colar de volta no bolso. Bela piadinha.
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