Once I Dreamed With You, Now You Are My Reality
3 You Are Right, You Are Perfect
Notas iniciais
“Oi, Blaine, como você está se sentindo? Está melhor?” – Kurt perguntou calmo, em uma tentativa de disfarçar sua voz um tanto quanto trêmula.
“Eu estou muito bem. Mas não me lembro de nada ainda. Eu só queria te contar uma novidade.” – Blaine parecia alegre.
“Me diga que você está longe de uma escada, porque da última vez que isso aconteceu você perdeu a memória.” – Por mais que não fosse uma piada, Kurt ouviu o moreno rir do outro lado da linha.
“Eu estou sentado na escada aqui de casa. Ironia, não?” – Kurt murmurou um ‘uhum’ para Blaine. – “Mas eu não estou ligando por isso. Na verdade, eu queria te convidar para uma coisa. Você não quer vir jantar aqui em casa hoje à noite?”
Kurt sentiu-se gelar nesse momento. Então o homem mais lindo que ele já havia conhecido estava o convidando para um jantar em sua casa? O que ele deveria responder? Estava nervoso, quase tremendo.
“Bom, acho que eu posso aceitar.” – Respondeu Kurt depois de um tempo.
“Tudo bem, então. Pode ser lá por umas sete horas?”
“Claro Te vejo à noite. Tchau, Blaine.” – Kurt ainda ouviu Blaine resmungar um ‘tchau’ antes de desligar.
Quando o telefone foi desligado, Kurt tremia de puro nervosismo que estava sentindo. Kurt só aceitou esse convite porque quer – e muito – descobrir tudo que for possível sobre Blaine. Descobrir seus gostos, suas manias, tudo, ainda que o próprio Anderson não lembre de nada.
Seis e meia da noite Kurt já estava pronto. Cedo demais? Provavelmente. Ele estava com uma calça jeans preta e uma camisa branca, com um blazer azul. Passou muito perfume, se sentiu até enjoado com a quantidade exagerada que tinha passado em si. Pegou o carro de seu pai e dirigiu diretamente para casa de Blaine.
Quando chegou lá, tocou a campainha e ficou hipnotizado com o tamanho da casa do moreno. A sua própria não era pequena, mas nem se comparava a essa. Ficou esperando e observando a casa, nem se ligou quando Blaine abriu a porta e ficou o observando.
— A princesa de importa em entrar? – Blaine perguntou em tom de brincadeira.
— Eu estava distraído, como normalmente. – Respondeu um pouco tímido.
— Nem percebi. – Ironizou Blaine, sorrindo. – Vem, entra!
Kurt entrou de maneira tímida. A casa de Blaine era perfeita, em todos os detalhes. Pelo caminho onde Kurt entrou, havia um corredor que ia para uma sala. Também havia uma bela escada de madeira, que brilhava. Não haviam muitos móveis na volta de onde estavam. Kurt nem reparou nisso, porque quando entrou foi que ele finalmente percebeu que Blaine estava sem camisa. Como ele não tinha percebido isso antes?
— Pode ir comigo até meu quarto? Eu preciso terminar de me vestir. Você chegou mais cedo do que eu poderia imaginar. – Ele disse rindo.
— Claro. – Kurt falou e o seguiu.
KURT HUMMEL
Por culpa de Blaine eu acabei adquirindo um trauma com escadas. Tenho medo de ele cair de novo. Se pensar por um lado, se ele batesse a cabeça de novo isso poderia resolver. Quer dizer... isso seria muito “Hollywood” para ser real, mas sonhar não custa nada.
Quando entramos no quarto de Blaine ele apontou para a cama para que eu me sentasse e assim o fiz. Eu fiquei observando seu quarto, porque até então meus olhos estavam presos a ele, mas acho melhor parar.
No quarto, além da grande cama escorada na parede, haviam coisas normais até demais para um quarto, mas o que me chamou atenção mesmo foi que ali havia um piano. Eu sempre quis aprender a tocar piano.
— Você está muito formal, não acha? Agora eu sinto que nenhuma roupa que eu botar vai me deixar mais bonito que você. – Ele disse simples e sorrindo, como sempre.
— Eu não sou bonito. – Falei como se fosse óbvio.
— Tem razão. – Ele falou me observando. – Você é perfeito.
— Então, você mora sozinho? – Eu disse mudando de assunto, eu sempre fico nervoso quando alguém me elogia. É raro isso acontecer, mas quando acontece eu me assusto.
— Você tem que parar de achar que eu não percebo que você está mudando de assunto só porque não quer me responder. Até porque eu estou apenas falando a verdade. – Ele disse tirando a bermuda que estava usando e eu comecei a tremer e olhar para outros lados. – Mas, respondendo a sua pergunta, sim, eu moro sozinho. Minha mãe mora no fim da outra rua e ela está toda hora aqui, mas eu pedi para ela não vir até aqui hoje.
— Bom, você já descobriu algo sobre você? – Eu falei observando seus quadros. – Espera ai, você era aluno da Dalton? – Eu o interrompi antes mesmo que ele pudesse me responder.
— Descobri algumas coisas e estou louco para te contar e isso está entre essas coisas. Kurt, que roupa eu boto? – Ele estava quase nu em minha frente e eu tentava ao máximo não o olhar, mas era quase impossível.
— Calça, camisa, e só, na rua está frio mas aqui dentro não, então não precisa se encher de roupas. – Falei sorrindo e o olhando nos olhos.
Ele parou de frente para seu guarda roupa e pegou uma calça jeans normal e uma blusa vermelha com azul, na hora me lembrei do meu uniforme escolar. Ele vestiu e me observou como se estivesse perguntando se estava bom.
— Ficou bom! – Falei simples.
— Eu esperava mais do que isso. Mas vou me conformar com isso. Vem, vamos descer para que eu possa te contar mais sobre o que descobri sobre mim.
Quando estávamos descendo a escada Blaine fingiu tropeçar e cair me fazendo cair por cima dele.
— Blaine, isso não tem graça, eu tenho trauma de escada por causa sua e você faz isso. – Eu falei irritado enquanto ele gargalhava comigo ainda em cima dele.
— Você tem que parar de gritar comigo por qualquer coisa. Desculpa, foi uma brincadeira sem graça, mas, não se estressa por causa disso. Tá? – Ele fez o olhar fofinho de novo. Odeio quando ele faz isso.
— Desculpa me irritar o tempo todo, mas é que eu me apego fácil as pessoas e acabo ficando preocupado demais com elas, eu não quero que você se machuque, da última vez foi a memória, mas você poderia ter morrido e cair comigo por cima de você não é a melhor coisa. – Eu disse sem o olhar nos olhos. Eu estava mais preocupado em admirar sua boca.
— Você é leve, não sei qual o problema. – Ele disse e eu ia me levantar, mas ele me puxou de volta e eu percebi que estávamos próximos demais, então eu me soltei e levantei e logo ele também levantou.
— Então, quero saber sobre você. E não vem me dizer que estou mudando de assunto, porque na verdade eu estou criando um assunto.
— Tudo bem, vamos para a sala, lá conversamos. Ou você prefere jantar primeiro, ou fazer outra coisa? – Ele falou com um olhar diferente.
— Vamos conversar. – Falei e nos sentamos no sofá.
— O que quer saber sobre mim? – Ele perguntou fofo.
— Tudo que você tenha descoberto. – Me entusiasmei.
— Ok! Meu nome é Blaine Anderson, eu tenho vinte e quatro anos, sou formado em música. Estudei na Dalton Academy por dois dias, pois tive um problema com um colega e eu quebrei o pé caindo na escada. – Eu o interrompi.
— Você precisa de um médico, pois tem um sério problema com escadas. – Fiz uma careta que até eu mesmo ri.
— Concordo. – Ele disse rindo. – Após isso eu fui para outra escola, onde fiz parte do Vocal Adrenaline. Eu comecei a namorar Rachel quando eu tinha 18 anos. E eu ainda não entendi o motivo. Eu acho que é isso.
— Nossa, você é oito anos mais velho que eu. – Surpreendi-me.
— Quase nove. Daqui uns meses é meu aniversário. – Ele disse feliz. – E eu tenho mais uma novidade.
— Estou curioso. – Eu disse alegre.
— Adivinha quem começa amanhã a coordenar um certo grupo de meninos com muito talento, em uma tal de Dalton ‘escada assassina’ Academy? – Ele disse e eu ri pelo “escada assassina”.
— Sério que você já começa amanhã? – Me levantei e pulei nele o dando um abraço apertado. Ele estava muito cheiroso.
— Sim, mas eu preciso de ajuda. Eu não sei como causar uma boa impressão nos meninos. – Ele disse.
— Só com a sua aparência você já causa uma boa impressão. – Eu parei e percebi que eu tinha falado isso alto. Droga. – Quero dizer, é... – Fui interrompido.
— Você gosta de mim. – Ele disse sorrindo.
— Você tem uma mania pior que a minha, você está tirando conclusões precipitadas. Não é nada do que você está pensando. – Eu disse nervoso.
— Ficou nervoso, acho que estou certo. Vem, vamos jantar.
O jantar foi silencioso. Nenhum de nós disse nem sequer uma palavra, o que era estranho. Quando olhei no relógio já se passava da meia noite, eu estava ferrado, marquei com meu pai de chegar às dez em casa. Droga. Amanhã eu preciso estar cedo na escola.
— Eu preciso ir embora, está tarde. – Eu falei me enrolando todo com a pressa, e me levantei correndo.
— Hey, calma! – Blaine correu até mim e segurou meu braço. – Dorme aqui, amanhã eu te levo. Também tenho que ir para a escola, esqueceu?
— Algo me diz que não é uma boa ideia andar de carro com alguém que perdeu a memória. – Eu disse nervoso.
— Algo me diz que seu medo não é bem esse. Eu já dirigi para saber se eu consigo, e aparentemente é a mesma coisa que andar, você não esquece. Então, se acalma. Eu te levo, depois voltamos aqui para casa e você pega seu carro e vai embora. Não precisa sair todo nervosinho. Eu não mordo. – Ele disse e piscou. E eu podia jurar que ele estava tentando me provocar.
Mas que diabo de pensamento é esse meu? Ele gosta de mulher. MULHER. Não de homens, ainda mais um adolescente patético como eu.
— Tudo bem. Eu vou avisar meu pai. – Eu disse e ele assentiu com a cabeça.
“Kurt, como sempre você está atrasado.”
“Eu sei pai, a conversa simplesmente fluiu. E está tarde para eu voltar agora. Então, eu vou dormir aqui.” – Eu falei muito rápido, assim meu pai não daria muito bola, ou daria.
“Como assim você vai dormir na casa de um cara que você conhece há uma semana?”
“Pai, ele é inofensivo, não se preocupe.” – Eu disse calmo.
“É claro que eu me preocupo, ele é um completo estranho para mim. Quantos anos esse garoto tem?” – Ele falou um pouco alto, o que me assustou um pouco.
“Vinte e quatro. Mas está tudo bem, pai. Ele é uma boa pessoa, prometo que não vou dormir perto dele. Mas é mais prudente eu ficar aqui do que ir dirigindo a essa hora para casa.” – Eu disse sério.
“VOCÊ FICOU MALUCO, KURT? E SE ELE FOR UM PSICOPATA? VOLTA PARA CASA JÁ.” – Ele gritou para mim.
“Não vou, pai. Desculpa! Eu te amo!” – Falei e desliguei.
O que eu, um garoto de dezesseis anos, estou pensando ao desligar na cara do meu pai quando ele está certo, tenho na cabeça? Provavelmente nada. Mas, algo em Blaine me chama a atenção e eu ainda não consigo dizer o que é, são tantas as possibilidades. Pode ser pelo seu jeito de sorrir, que é maravilhosamente lindo. Pode ser por sua mania de tirar conclusões precipitadas, e o pior, sempre estar certo. Pode ser por saber que ele se lembra de mim. Pode ter sido amor à primeira vista. Eu realmente não sei.
Pensando nisso acabo caindo no chão e me abraço aos joelhos chorando de um jeito que nunca chorei antes. Eu nunca me apaixonei na vida, porque eu tenho que me apaixonar justamente por ele? Ele é hétero. Até poucos dias atrás tinha uma namorada. Não se lembra da própria vida. E vai ser meu professor. Ele logo veio sentou ao meu lado e me abraçou.
Por que precisava ser tão difícil ser um adolescente de dezesseis anos?
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