On the Way
9 Algumas Descobertas
Klaus continuou a encarar Lena. É claro que ele ainda sentia algo quando a via. Sentia raiva, esperança e desespero. Como alguém podia provocar tantas coisas em poucos segundos? Como Lena podia ter se transformado nessa garota sarcástica e fria com ele? Como ela conseguiu fingir durante tanto tempo?
E Lena não se intimidou. Pelo seu tempo de vida, Klaus sabia que quando alguém agia assim, era porque tinha alguma carta na manga ou já tinha perdido as esperanças pela vida. Se tratando de Lena, era difícil imaginar algo assim. Era difícil imaginar que a garota que ele conheceu pudesse ter se transformado em algo como ele. Justo ela que o fazia rever as coisas em um ponto de vista muito diferente.
– Não me olha desse jeito – Lena pediu. – Como se fosse me matar. Já tentou uma vez e não conseguiu. O que te faz pensar que conseguiria agora? – ela provocou. – O poderoso e solitário Klaus Mikaelson com medo de matar alguém. – O olhar de Lena foi para além de Klaus. – E se aliando ao inimigo. Stefan, já pensou na opção de que tudo isso é um teatro e que ele só quer a família de volta?
– Sim – Stefan confessou – mas ele não achará nada.
Klaus olhou rapidamente para Stefan e depois voltou para Lena. O olhar dela ainda estava em Stefan.
– E você já pensou na opção de libertar todos eles? – Lena opinou, deixando Klaus tão furioso que ele preferiu se afastar. – Klaus teria uma grande guerra pela frente. – Voltou o seu olhar para Klaus. – Uma guerra contra a família. O que Elijah pensaria disso?
Damon estreitou os olhos.
– Você conhece o Elijah?
Lena deu um sorriso de escárnio.
– Claro – respondeu ela. – Em 1921. Ele estava tão triste e decepcionado. Estava tão bêbado que me contou toda a história da família.
– Dormiu com ele também? – Klaus perguntou.
– Não é como se eu fosse uma nova Katherine, ou Tatia ou muito menos a Elena – ela indagou. – Sabe, essa coisa de triângulo amoroso entre irmãos é tão ridícula. No final, todo mundo sabe que a garota vai ficar com o mais rebelde, porque ele é o mais selvagem e o que mais mexe com o coração dela. Percebe, Stefan, que a Elena nunca vai realmente estar com você? Acho que deve ser uma maldição de família.
Stefan ficou com a postura rígida.
– Deveria ir embora daqui e arrumar outra garota com o rosto das suas amadas – Lena opinou. – Damon agradeceria por isso.
– E ele também agradeceria se você disse a ele a primeira vez em que se viram – Klaus lembrou e soltou uma risada. – Conte-nos, Lena, como foi em 1915!
Lena franziu o cenho. Estava claro que ela não esperava por isso. Nem os irmãos Salvatore esperavam. Se Damon tivesse ao menos a idéia do que Lena fez com que ele fizesse...
– Foi emocionante – Lena relembrou, agora com um sorriso de sarcasmo no rosto. – Ele matou a minha bruxa! Eu estava com ela há mais ou menos, dez anos. A avó dela conhecia a minha mãe. E a linhagem foi toda responsabilizada pela minha proteção.
– Você tinha uma bruxa? – Damon questionou, espantado. – E eu a matei? Como não me lembro disso?
– Ah – Lena deu de ombros – eu arrumei outra bruxa e te enfeiticei para esquecer tudo o que aconteceu. Eu quase não me lembrava como você era. Quase um século, Damon! E então, eu me lembrei. Tenho uma memória fraca. Nem lembro o que eu fiz dois meses atrás... Oh, não. – Soltou uma risada aguda. – Eu acho que eu me lembro.
– O que está acontecendo com ela? – Stefan sussurrou para Klaus.
– Lena toma verbena desde que eu me lembro – respondeu Klaus. – Tem um efeito diferente nela. É como uma droga. E quando ela está sem sangue, fica pior. Ela vai nos contar toda a verdade.
– Eu estou ouvindo! – Lena berrou. – E não, eu não vou falar tudo. E eu não tomo verbena mais, Klaus. Eu tive que parar, infelizmente. Ou então, eu poderia ter fugido daqui a muito tempo.
– O que eu fiz em 1915 com você? – Damon perguntou, com aquela expressão de exasperação que só ele tem. – O que nós fizemos?
– Vou te contar algumas coisas. Como uma tortura. E não fique desse jeito. Não gosto de incesto e acho muito, muito nojento. Nada disso aconteceu entre nós e eu dou graças por isso! – Ela parou e abaixou a cabeça. Sempre que ela fazia isso, era porque estava planejando a próxima mentira enrolada com a verdade para contar. – Eu te encontrei por acaso em um bar em Boston. Nós bebemos e eu induzi você a fazer uns serviços sujos para mim. E em troca, eu te dei algumas dicas sobre a Katherine. Só que você esqueceu...
– Que tipo de serviços? – o Salvatore mais velho perguntou.
– Matar alguns vampiros – Klaus respondeu apressado. – Ela precisava fazer um ritual. E para isso, precisava da morte de alguns vampiros, lobisomens e bruxas.
– E eu nunca consegui completar o ritual, porque não encontrei os lobisomens – Lena falou com desdém e tristeza. – E aqui estou eu. Presa por três homens que se odeiam e não se suportam. Fico encantada com o meu poder de companheirismo.
– Qual era o ritual? – Stefan perguntou e a paciência dele já estava se esgotando. – Vamos, Lena! – gritou. – Por que evitar o inevitável? Fale sobre tudo agora! Diga porque nos procurou!
– Porque eu preciso de vocês. E eu não quero morrer.
***
Pelo ponto de vista dele, aquele tinha sido um dos melhores dias de toda a sua existência. Não só pelo sexo, mas pela garota. Lena era diferente e agiu diferente. Não era essa de coisa de paixão, mas de ligação. Ele sabia que tinha algo com ela, mas só queria evitar. Ele tinha que salvá-la e não destruí-la.
James se olhou no espelho. As veias estavam mais visíveis e seu rosto estava vermelho de fúria. Apertou tão forte as próprias mãos que até sangraram. Como aquilo tinha acontecido justo naquela hora sem ele ao menos perceber qualquer movimento estranho?
Todos os seus instintos levavam até ela. Mas James sabia que tinha que ficar longe, o mais longe possível dela e de todos daquela cidade. Ele tinha que ir embora e era o que faria.
Caminhou até o seu quarto. Lembranças fluíram na sua mente. Como a noite que passou com Lena. Em todos os lugares em que ficaram juntos e até quando finalmente desistiram e dormiram juntos, tão próximos quanto um casal de namorados. E depois, que ele acordou, podia ouvir barulhos da cozinha e um cheiro delicioso invadindo seu quarto. Ele poderia comer e beber tudo o quisesse. Diferente dela. Ele sabia o que ela era, mas ela não sabia o que ele era. No fundo, nem ele mesmo sabia o que era.
James se lembrou de sair do seu quarto e flagrar Lena com a sua camisa de botões da noite passada e um café da manhã delicioso na mesa. Era estranho pensar nisso, já que se passava do meio-dia. Mas ele não se importou e nem ela. Eles comeram juntos e depois, continuaram com o que pararam antes de dormirem. A parte mais complicada foi ter que limpar toda a bagunça que fizeram depois disso. Quando Lena havia ido embora, era pouco mais das onze horas da noite e mesmo insistindo para que ela ficasse, ela insistiu que aquilo não deveria ir longe demais. Foi bom em certo ponto, mas era terrível agora.
Balançado a cabeça, como se aquilo o fizesse esquecer as lembranças, James pegou suas malas e jogou todas as suas coisas de dentro. Estava decidido a ir embora de Mystic Falls, talvez, ir embora daquele país. Seria uma ótima idéia, se não fosse tão difícil.
E finalmente, quando ele atravessou a porta da nova casa, que agora se tornaria a velha casa, James sabia que não podia evitar. Ele tinha que ficar.
***
Lena não estava realmente se importando com os três idiotas parando na sua frente. Ela tinha coisas mais importantes para se preocupar, como por exemplo, James Coulton. Ela nem se lembrava daquele nome e fazia dois meses! Esse tempo era horrível para ela, mas era pior acreditar que ele tinha algo a ver com isso.
– O que disse? – Damon repetia a pergunta pela milésima vez. – Lena?
Lena demorou a perceber que estava encarando Damon. Klaus tinha razão. Quando ela ficava sem sangue e com verbena, as coisas ficavam bem malucas. Ela não parava de delirar e de pensar em todas as coisas idiotas que fizera ao longo da sua vida. Só conseguia pensar em Barbara Gray, a bruxa que vivia nos arredores de Mystic Falls e conhecia muito bem as bruxas da família Bennett. Essa era a importância de Bonnie.
E não era só a linhagem Bennett. Havia outra família de bruxas com quem sua mãe tivera uma grande relação. Mas Lena não pensava nessas bruxas há tanto tempo, que achava estranho pensar nisso agora. Talvez fosse porque Damon havia matado a última da linhagem.
– Nada – ela rosnou. – Eu não disse nada.
– Você não quer morrer? – Stefan repetiu as palavras dela. – O que temos com isso?
– Ah – Lena deu de ombros – talvez, eu não queira passar a eternidade sozinha e resolvi vir atrás dos meus irmãozinhos. E tive o azar de cruzar com o Klaus. Satisfeito?
Ela precisava de Alya agora. Mas nenhum deles a chamaria ou muito menos, deixaria que ela saísse dali. A única coisa que ela sabia era que se vingaria de todos. E que não iria parar até que todos pagassem por aquilo.
– Lena quer ficar sozinha – disse Klaus. – Ela tem que pensar um pouco. Depois voltamos, amor.
Damon e Stefan encararam Lena pela última vez. Ela não se importou quando ouviu a porta da cela se fechando em um estrondo e a única coisa que ela podia fazer, era encarar o único feixe de luz que ela podia ver. Não podia se mexer e apenas queria fechar os olhos e começar a delirar com 1865.
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