On the Edge of Paradise
8 Capítulo 7
Notas iniciais
No sábado, acordei as 03h00min da tarde. Com uma puta raiva, pois havia sonhado com o Guilherme. No sonho estávamos novamente na praia somente nós dois. Porém, era de dia e bem quente. Ambos vestíamos trajes de banho, correndo atrás do outro. Eu realmente sentia falta do verão, de usar minhas roupas curtas sem sentir frio, e acordar com mais vontade de sair da cama. Porém, porque ele tinha que estar junto? Levantei-me e fui tomar um banho, para acordar com mais disposição. Depois saí do quarto em direção à cozinha. Minha mãe estava sentada no sofá com várias papeladas ao seu redor. Contudo, a ignorei e continuei o meu trajeto.
— Bom dia filha – Ela disse alto.
— E aí. – Respondi sem ânimo algum. Ainda estava um pouco irritada pelas coisas que ela falou no último domingo, quando minhas amigas estavam aqui.
— Tem comida para você dentro do microondas. Pedi daquele restaurante chinês que você adora.
— Hum, vou ver se acho outra coisa.
— Sum... – Clarice Dummel murmurou. Voltei para a porta da cozinha e a encarei. Minha mãe era bem diferente de mim. Tinha cabelos loiros platinados em um corte Chanel, olhos azuis acinzentados, traços e formas mais finos. Possuía belos peitos assim como eu, mas em tudo eu era mais voluptuosa. Ela era mais elegante e refinada, fazia as coisas por debaixo do pano. Eu era super sincera e chamativa.
— O que foi?
— Eu sei que você esta chateada comigo. Mas já está exagerando. – Disse-me tirando seus óculos. Ela parecia uma atriz pornô quando os usava.
— Exagerando eu? – Perguntei cínica.
— Já nos vimos pouco, você não precisa agir assim nos nossos curtos encontros.
— E?
— E se for te fazer melhor, não irei te proibir de sair.
— Sei que não vai. – Dei uma piscadinha. Eu sempre arrumava alguma forma de fugir de castigos, de fazer o que queria.
— Para de agir na defensiva sempre Summer!
— Ta.
— E além do mais... Você não precisa descontar nisso no seu macarrão chinês.
— É, nisso tens razão. – Falei escutando minha própria barriga roncar. Virei às costas e fui comer.
— Summer essa noite eu vou jantar com um cliente.
— Ah que legal! Ele quer te convencer que é inocente no caso?
— Summer!
— O que foi? Não quer te subornar?
— Você está sendo completamente ignorante minha filha!
— Ah claro! Vai dizer que nunca saiu com ninguém que trabalhou?
— Isso não está em questão! E para você saber, o caso dele está quase concluído.
— Com certeza está. Você é a advogada perfeitinha, que sempre consegue ganhar as causas de seus clientes. – Falei cínica. Mas era verdade. Minha mãe era a melhor advogada da cidade.
— Summer. Eu só queria te avisar. Pois acho que devemos começar a fazer isso. O acontecido do último sábado me fez pensar. Podemos estar correndo riscos e a outra nem saber se quer onde estamos.
— Agora você vai começar a se importar com isso? Me poupe!
— Sum... Não é algo tão difícil assim avisar.
— Pois eu acho desnecessário.
— Acha desnecessário? Nem tuas amigas sabiam onde você estava Summer!
— Verdade! Se nem minhas “amigas presentes” sabiam, porque “minha mãe ausente” precisa saber? – Falei a olhando friamente. Uma espécie de mágoa apareceu em seu rosto. Mas eu nem ligava. Era a verdade.
— Summer. – Suspirou. – Exatamente para deixar de ser ausente que quero isso. Você precisa me avisar aonde vai. Ponto final. Vou ter avisar também. – Ela disse virando as costas e saindo da cozinha. Revirei os olhos. Terminei de comer, joguei os recipientes de papel no lixo.
— Minha programação de hoje infelizmente ainda não está definida. Mas, amanhã vou ao aniversário da minha tia. Você vai também? – Perguntei na sala.
— Sim. – Ela respondeu suspirando.
— Poderia me dar uma carona?
— É claro! – Me olhou meio irritada.
— Obrigadinha. – Respondi e virei às costas. Mal cheguei ao meu quarto e atendi meu celular que tocava. Era Bianca.
— Desde quando você me liga? – Falei direto sem dizer oi.
— Desde quando meu pai resolve aparecer aqui com a minha atual madrasta e o filho gato dela que eu peguei na última vez que fui lá!
— E qual é o problema nisso amiga?
— Como qual é? Meu pai nunca aparece, daí quando vêm resolve trazer a atual noiva com filho dela que eu beijei. Eu o beijei na primeira e única vez que nos vimos, e depois ignorei todas as suas mensagens e pedidos desde então, pois pensei que não ia mais precisar me encontrar com ele. Pensei que como sempre esse relacionamento do meu pai ia durar pouquinho, mas agora ele noivou com ela! E está vindo me ver para eu a conhecer melhor MEU NOVO IRMÃO!
— Ele disse isso?
— Sim! Quer que fiquemos próximos.
— Mais próximos? Já estiveram com os corpos colados, o que pode ser mais próximo do que isso? – Falei rindo.
— Summer! Af, me ajuda! Me salva! Vem aqui agora!
— Agora?
— Sim! Tens que vir antes deles.
— Ta bom, ta bom. Estou indo.
— VEM! – Bianca gritou e desligou. Não pude deixar de rir do desespero dela. Coloquei uma calça preta de couro, uma blusa branca, e um suéter bordo comprido por cima. Calcei botas pretas e passei rapidinho um batom também bordo.
— Mãe. Vou pegar o carro e ir à casa da Bianca. – Falei pegando as chaves do carro esporte dela.
— Vou usar esse carro hoje Summer.
— Usa o do trabalho, não é uma reunião de negócios? – Perguntei a provocando.
— Summer...
— Summer nada! Não vem com essa agora. Eu não tenho nenhum carro e você tem dois, pelo amor! Não seja egoísta! – Respondi tudo rapidamente e comecei a andar em direção a porta.
— Tudo bem. Esteja com ele vivo amanhã. – A escutei dizendo enquanto eu fechava a porta de casa e saía.
Tentei dirigir rapidamente para alegrar Bianca. Estacionei o carro em frente ao apartamento dela. Pelo menos não havia mais nenhum outro ali, sinal que não tinham chegado ainda. Não pude deixar de rir de novo lembrando-me de minha amiga. Um desespero tão desnecessário e nada a ver com ela. Bi sempre era tão foda-se para tudo. Apertei o interfone.
— Oi? – Escutei a voz do tio de Bianca.
— Hey John! É a Summer!
— Oi Summer! Pode subir!
Ele liberou a porta e subi pelo elevador. Nem precisei bater na porta, Bianca a abriu depressa.
— Até que enfim! – Falou me abraçando.
— Ah eu vim bem rápido! – Respondi rindo.
— Olá Summer! – A tia de Bianca elegante como sempre veio me cumprimentar. Ela mesmo sendo mais velha, era idêntica à mãe de Bianca. Cabelo loiro escuro, olhos verdes azulados, alta e magra.
— Oi Penellope! Oi de novo John! – Disse me virando para seu marido. Este era ruivo, olhos cor de mel, barba feita e encorpado. Também era bem bonito, porém por respeito à tia de Bi na qual eu adorava, nunca tinha dado em cima dele.
— Ótimo! Enquanto eles não chegam, vem cá! – Bianca falou me puxando pela mão.
— Porque você está “loquiando” amiga? – Perguntei á ele quando entramos em seu quarto.
— Cara, se ficar um climão? Minha tia percebe tudo Sum, você sabe! E meu relacionamento com meu pai ta legal ultimamente, não queria estragar tudo. Essa mulher dele é meio louca, mas mora longe o suficiente para eu não me importar. Só que vai que esse menino resolveu ficar de cara comigo por ter o ignorado esse temo todo, ou pior, resolver dar em cima de mim querendo que a gente fique novamente?
— Cara, relaxa! Você nem sabe como vai ser. Sossega a “ppk”!
— Ta. Vou tentar. – Bianca respirou fundo.
— Bianca. Eles chegaram! – Ouvimos sua tia falar. Fomos pra sala esperar ao lado de seus tios. – Não vais tirar esse boné menina? – Tia Penellope perguntou á ele.
— Não. Eles já me conhecem assim.
— E a namorada... Noiva dele não achou estranho?
— Titia, ela não tem nada de elegante. Você verá. – Deram uma risadinha. Bateram na porta e John abriu.
— Oi John! – O Pai da Bianca cumprimentou. Ele e Bianca eram muito parecidos. Cabelos lisos de um castanho bem escuro, olhos pretos, e pele bem clara. Era bem novo, tinha dezessete anos quando teve a Bianca, enquanto sua mãe tinha 26. – Penellope!
— “Oláaaa”! – A nova madrasta de Bi dizia beijando as faces de todos. Ela era extremamente baixinha, mais baixa que Bianca. Deveria ter uns 1,50 de altura. Cabelos loiros cacheados volumosos, lábios grossos e olhos azuis. Meio bronzeada. Era muito bonita, porém super escandalosa. Vestia uma calça laranja cenoura, um cardigan amarelo abotoado até a metade, fazendo seus seios pular, e um kimono preto florido por cima. Além de saltos altos.
— Boa tarde! – O garoto ia dizendo seguindo os passos dos outros dois. Ele parecia bem tímido. Fisicamente era muito parecido com a mãe. Cabelo loiro cacheado, bronzeado, olhos azuis. E infelizmente bem baixo.
— Oi Summer, não é? – Filipe pai de Bianca me cumprimentou meio envergonhado. Da última vez que estivera aqui me deu carona, e acabamos dando uns amassos em seu carro. Eu contei a Bianca, é claro. Mas ela não se importou. Acabamos descobrindo depois que ele já estava com essa atual noiva. Bem se vergonha.
— Olá Filipe!
Depois de todos os cumprimentos nos sentamos-nos à mesa de jantar. Ficamos conversando e comendo as delícias que Penellope tinha comprado. O clima estava bem estranho. Margaret, a noiva, era totalmente maluca, o que deixava os refinados tios de Bianca sem saber o que responder. Ela tinha uma risada escandalosa e a petulância de soltar umas críticas à mãe de Bianca, na casa da irmã desta. Filipe estava um pouco sem graça por causa da minha presença, tentando sempre evitar o meu olhar. E por fim Liam, o garoto, não parava de olhar bobo pra Bianca, e às vezes pra mim.
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Depois de um bom tempo “os adultos” sugeriram que fossemos conversar em outro lugar. O que deixou a Bianca ainda mais nervosa.
— Nossa seu quarto é a sua cara! – Liam exclamou quando entramos no quarto de Bianca.
— Isso é um elogio ou uma crítica? – Perguntei rindo.
— Um elogio é claro! Lindo como ela! – Respondeu a minha pergunta olhando pra Bianca.
— Ah... Obrigada. – Bi murmurou. Dei uma risadinha. Ele passeava pelo quarto olhando tudo. Parou em frente ao mural de fotos.
— Sua amiga? – Perguntou apontando para umas fotos dela com Luciane.
— Sim. Minha melhor amiga.
— Sua melhor amiga não é a Summer? – Falou olhando surpreso pra mim.
— Não. Sou só a substituta. – Respondi rindo.
— E que substituta! – Ele soltou sem querer. Depois ficou vermelho. Bi dividiu uma risada comigo.
— E esse aqui quem é? É seu namorado? – Perguntou com cara fechada apontando para o Jake.
— Não! – Bianca gritou. Olhamos assustados para ela. – Hum, não. – Repetiu sem graça. – É meu... Melhor amigo. – Suspirou.
— Ah. Ta. Que bom! – Ele disse sorrindo. Voltou olhar as coisas. Menino curioso.
— Bi. Será que você poderia ir ao banheiro comigo? – Perguntei á ela.
— Claro! – Respondeu rápido querendo fugir do local.
— Até em casa vão ao banheiro juntas? – O rapaz perguntou rindo.
— Fazer o que. – Falei rindo. Bianca só concordou com a cabeça.
— Vais ficar com ele pra mim não é? – Minha amiga soltou baixo quando chegamos ao corredor.
— Porque eu ficaria com ele?
— Porque se você o beijar, talvez ele pare de ficar assim idiota atrás de mim.
— E porque merda você não pode beijá-lo? Ele é um pouco curioso e daqueles que se apaixonam fácil. Mas é gatinho.
— Porque não to afim.
— E porque não?
— Porque não ué.
— As pessoas sempre tem um motivo para não estarem a fim de fazer algo!
— Nem sempre!
— Ta bom!
— Ok. Então vais beijar ele?
— Não.
— Ai meu Deus! Porque não Summer?!
— Porque não estou afim!
— E qual o motivo disso?
— Nenhum. Só não estou.
— Mas sempre existe um motivo para não estar a fim de fazer algo!
— Ah é? – Perguntei a olhando com os olhos cerrados e sorriso de vencedor.
— Ai! Caí na sua não é? – Disse bufando. Dei uma risada.
— Você não quer ficar com ele por causa do Jake?
— O que ele tem a ver? – Perguntou nervosa.
— Vocês ficaram ontem.
— Não.
— Sim!
— Ta bom. Sim. Como sabe?
— Como eu sei? Eu estava deitada no mesmo sofá-cama, debaixo das mesmas mil cobertas, segurando vela pra outros três casais. São quatro, mas Luci e Carlos sabem se comportar em público, e apreciar um filme. Só eu e Guilherme saímos bv ontem né! – Me engoli com a mentira da última frase. Tive que me controlar pra não se lembrar do nosso beijo. – E aquela hora que vocês foram ao banheiro no mesmo momento...
— É. Nos pegamos lá também. – Dividimos um sorriso malicioso. – Ai Sum! Foi muito bom. E... Ai, sei lá! Só não acho certo eu ficar com outro já hoje, sabe? Mesmo que ele nem se importe.
— Pois é! Ele pode nem ligar Bi! E você também! Sempre fica com vários caras na mesma noite, e nem se importa!
— É que o Jake é diferente...
— Hum? – Incentivei ela continuar.
— Ele é especial. – Confessou olhando para o chão. Eu sabia que ela não se referia somente pelo amor que sentia por ele ser seu melhor amigo, tinha algo a mais ali. Só que eu também tinha meus sentimentos confusos guardados somente para mim, não é? Não ia cobrar mais nada dela.
— Tudo bem. Te entendo.
—Me entende? – Ela riu. – Não vais me zoar e chamar de tola?
— Não. – Dei uma risada. – Dessa vez te entendo.
— Sério?
— É! – Abracei-a. – Agora vamos lá enrolar esse garoto até esses chatos irem embora.
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Já era noite e eu voltava da casa de Bianca. Fiquei um tempo com ela depois que as visitas se foram. E resolvi não pegar mais no pé dela sobre aquele assunto. Talvez nem ela tivesse confessado a si mesma o que estava sentido. Suspirei no volante com aquele pensamento. Acho que ela não era a única que tentava duvidar de seus sentimentos. Mas eu não cederia fácil. Nunca cedi. Não iria ser diferente agora! Desliguei o carro, mas continuei dentro dele olhando pro nada. É, vamos ver por quanto tempo eu vou conseguir me enganar.
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