On a Highway To Hell

1 Capítulo 1 - Drácula Conspiratório


A luz era fraca, o que dava um ar mais sinistro ao que estava acontecendo. Em minha frente via a expressão de terror no rosto do rapaz que se exprimia num canto. Sua expressão dizia que estava morrendo de medo. Morrendo de medo de mim. Me agachei sobre o rapaz que havia caído no chão enquanto ele de contorcia em aparente desespero. Arranquei o cachecol do pescoço dele, que ainda se contorcia. Isso durou alguns minutos que pareciam horas. Me levantei e limpei a listra de sangue que descia de minha boca. Enquanto isso, olhava para as duas marcas distintas no pescoço do jovem que continuava caído no chão. Senti um vulto se aproximar. Prendi minha respiração e virei, o encarando. Ele logo começou com a ladainha de sempre.

- Você não quer ajuda pra se livrar desse?

- Eu já quis alguma vez? — Não entendo essa sua mania. Por que faz questão de se livrar de todas as suas vítimas sozinho?

- Você ouviu bem o que disse? Minhas vítimas! — Olhei de forma raivosa e coloquei nas costas o rapaz que estava no chão. Andei lentamente de forma natural e me enfiei num canto escuro. Logo me senti caindo. Logo estava fora de toda essa loucura.Sentei o rapaz que pesava em meu ombro e olhei para alçapão pelo qual eu caí.

Bati no ombro dele.

- Pode parar de prender a respiração, meu amigo. Cara, você é pesado. Pelo amor de Deus, pega leve com o sorvete.

- Argh, já tava ficando roxinho — disse o rapaz em minha frente, rindo, se sentando e tirando a maquiagem do pescoço, revelando, o que pra mim não era novidade, que os dois furos eram falsos. — Quantas vezes você vai me matar, cara?

- Você já sabe como se livrar desses vampiros?

- Sinceramente?

- É.

- Não, não faço nem ideia... Somos só cinco, fica complicado.

- Somos cinco entre montes e montes.

- Mas como mostrar pra eles toda essa loucura?

- Eu não sei, nem faço ideia.

- Então continuamos na merda...

- Ô otimismo bom, hein, Márcio?

- Ei, você me matou, lembra? Não te devo respeito.

- E vou te matar de novo, você lembra? O que me lembra nada de sorvetes pra você, grandão.

- Ei, você tem o meu peso, Pedro.

- Exatamente, eu tenho que levantar meu próprio peso e andar calmamente até cair num alçapão com você por cima de mim. Acha pouco, colega? — Comecei a tirar a minha maquiagem e comecei a andar agachado ao lado do meu amigo.

Ok, perdão. Eu comecei a contar do meio da história, como se todos devessem entender tudo o que eu disse mesmo isso sendo sem sentido.

Meu nome, como já perceberam, é Pedro. Estamos no ano de 2022. E... por favor, não tente me levar para um hospício. Estamos sendo liderados por vampiros. Bom, "liderados" não é o termo certo.. "manipulados" seria mais correto. Eu já disse que estamos em 2022, mas essa história começa bem antes disso. Por muitos anos os vampiros construíram suas reputações de pessoas doces e amáveis se camuflando pela sociedade. Isso já ocorria desde que o mundo é mundo. Porém chegou o dia no qual eles se cansaram de ter que obedecer leis impostas por meros mortais que eram idiotas o bastante para destruir o próprio planeta lentamente. Então foram manipulando tudo a sua volta, não chegando a presidência de países, mas sim a representantes da ONU.

Devemos lembrar que a ONU foi criada após a Segunda Guerra Mundial, pois havia um medo gigantesco de que a coisa toda saísse dos eixos e o mundo fosse destruído por nossa idiotice. Digo, por bombas nucleares. Então na realidade a ONU era vista como mais que uma organização, era vista como um porto seguro em situações extremas.

Então eles foram se apossando dos cargos, muitas vezes matando os verdadeiros representantes e tomando seu lugar por meio de cirurgias plásticas, outras chegando neles por pura boa representação. Então, em 2012, eles conseguiram o que queriam. Toda a ONU estava sendo controlada por esses ratos chupadores de sangue. E infelizmente começou a parte final do plano deles.Grupos organizados soltaram bombas de pequeno alcance em todos os países do mundo simultaneamente. Logo o desespero bateu na porta de todos humanos. Logo os representantes se desesperaram e começaram a berrar por suas mães, ou melhor, pela ONU.

A ONU, que agora não passava de um bando de vampiros asquerosos, incentivou o desarme de todos os países, e os países que não queriam colaborar tinham seus representantes trocados por vampiros. Logo todas as nações estavam se sentindo perdidas pelo grande número de assassinatos que os vampiros cometiam sem atrair suspeitas, e , logicamente, estavam desarmadas devido ao pedido da ONU. Logo a ONU decide que todos os habitantes deveriam vir as ruas num dia específico, então, nesse dia todos foram atacados, e os mais velhos foram isolados dos recém-nascidos. As crianças pequenas e recém-nascidos eram separados numa espécie de aldeia. E os mais velhos serviam de... não me sinto confortável dizendo isso, mas de estoque de comida. Os mais novos são hoje, a população de onde eu moro, somos nós que somos iludidos por vampiros que se passam por governantes dignos e honrados. E eu também seria se eu e meus amigos não tivéssemos escutado toda essa história da boca de um dos representantes.

Nós nos escondemos na grande mansão onde eles faziam as supostas leis que nos mantinham a salvo, estava chovendo e tentávamos nos proteger da chuva. Mas o que descobrimos foi para nós muito mais assustador que qualquer tempestade. Afinal, a partir daquele dia éramos nós cinco contra o Sistema. Contra os assassinos da noite. Éramos nós cinco por nossa conta. E agora dependia de nós descobrir como quebrar o sistema deles, e isso sem sermos mortos no meio do caminho. Na tese esse era o plano, se na prática iríamos conseguir... bom, essa é outra história. Com certeza não seria fácil, mas não desistiremos, afinal, todos os outros estão cegos e somente nós podemos abrir os olhos deles. Gostaria de me sentir honrado, mas não me sinto.

Eu tenho medo, sinto que posso falhar constantemente. Porém, nós já nos decidimos, se for pra cair, vamos cair sem dar a eles o prazer de ouvir os nossos berros, e o mais importante, se for pra afundar, levaremos eles conosco. A gente afunda mas eles também. E que vença o melhor.