Notas iniciais
Desculpem a demora, eu não sabia o que escrever D:
Então, queria agradecer a LovaticSecret por me dar algumas idéias... Obrigada *o*
Boa leitura!!

POV SELENA



Demi me surpreendeu ao oferecer-se para me acompanhar nessa viagem. Mas ainda não sei o que pensar. Deveria eu acreditar que tudo o que ela está fazendo é um pedido de desculpas? Ela não ganharia nada me acompanhando. E pelo o que Jenny me fala, Demi não é tão bem intencionada assim. Quando ela propôs viajar comigo, fiquei agradecida pelo seu gesto gentil, não me fazendo questionar seus verdadeiros interesses. Se Demi estiver mesmo me usando como troféu de um jogo infantil e estúpido, não tem problema se eu usá-la um pouco, certo? Meus pais não me deixariam viajar sozinha, muito menos iriam comigo, e esse obviamente não é o meu desejo. Quero um tempo sozinha com minha namorada, viajar com meus pais não tornaria isso possível. Por isso preciso de Demi. Sua companhia não pode ser tão desagradável a ponto de eu não conseguir passar algumas horas com ela em um carro sem sentir vontade de estrangulá-la. E quando chegarmos a New York, bem, eu realmente não me importo como ela vai gastar o seu tempo.



– Selena – a voz da minha mãe soou abafada por trás da porta do meu quarto, abrindo-a logo em seguida.



– Hum? – murmurei rapidamente olhando para onde minha mãe estava, e fechando o zíper da pequena mala já feita em minha cama.



Eu não queria começar uma conversa agora. Mesmo com sua permissão para a minha rápida viagem, ainda havia tensão entre nós. Eu sabia que todo o seu empenho em convencer meu pai a deixar Demi e eu viajar, não foi por mim, muito menos pela minha felicidade, foi pelo simples motivo de tentar agradar a garota de cabelos negros e sua família rica.



– Você já está pronta? – perguntou aproximando-se de mim – Demi está lá embaixo te esperando.



– Já estou indo – falei sem demonstrar nenhuma emoção em minha voz, voltando minha atenção para minha mala tirando-a de minha cama.



– Não vai dar um abraço em sua mãe? – aproximou-se mais de mim sem esperar resposta de minha parte, me abraçando fortemente. – Tome cuidado e me ligue assim que chegar – falou em um tom protetor. Quem não a conhece, jura que ela realmente se importa.



– Eu vou – respondi, soltando-me de seu aperto.



Desci às escadas com pressa. Não via a hora de estar envolta dos braços onde pertenço.



Do lado de fora do meu condomínio, a garota de cabelos negros estava encostada na lateral de seu carro, com as pernas cruzadas e com suas mãos dentro dos bolsos de sua calça. Uma expressão entediada enfeitava o seu rosto bonito.



Eu não conseguia entender toda essa insistência de Demi para viajarmos em seu carro, ela não parece ser o tipo de pessoa que tem medo de avião, assim como alegou.



– Deixa que eu levo isso pra você – falou tirando a mala de minhas mãos e pondo-a em seu porta-malas. Sorri como agradecimento de sua gentileza para comigo.



Vi Demi aproximar-se da porta de seu carro. “Não acredito que ela vai fazer isso”, pensei.



– Senhorita, entre, por favor – falou com um largo sorriso brincando em seu rosto, apontando para a porta já aberta de seu carro, fazendo-me rir levemente.



– Obrigada – sussurrei ainda sorrindo, enquanto passava por Demi e sentava-me no banco do passageiro.



Se tudo isso for fingimento, posso dizer que Demi está fazendo um bom trabalho. Eu cairia em seu jogo facilmente se fosse como todas essas garotas que Demi costuma sair, ou se não fosse tão apaixonada por minha namorada.



Demi sentou-se ao meu lado, ligando o carro logo em seguida.



– Pronta para a melhor viagem da sua vida? – perguntou sorrindo. Incrível como Demi nunca deixava um sorriso sair de seu rosto. Cada um tem um significado diferente, que me impede de desviar o olhar... me faz querer vê-lo pra sempre.



– Claro – sorri de volta



(...)



Demi estava dirigindo por quase 40 minutos, devo dizer que ela não é tão prudente no trânsito. Não me surpreende que ela já tenha se envolvido em acidentes. Ok, isso foi rude, não devo julgá-la por dirigir tão rápido, até porque ela ainda se culpa pela morte trágica da namorada.



Estávamos em um silêncio desconfortável. Eu mexia minhas mãos incontrolavelmente, brincando com os meus dedos, tentando pensar em um início de conversa e acabar com todo esse constrangimento. Demi parecia não querer o mesmo, estava em seu próprio mundo, esquecendo que eu estava ao seu lado todo esse tempo.



Demi desacelerou um pouco o carro ao passarmos por uma curva, o seu desconforto era visível. Uma tensão se formara, endurecendo todo o seu corpo. Ela olhava pela janela do carro, algumas lágrimas faziam força para sair de seus olhos, mas Demi não cedeu. Tentava ser mais forte que essa dor que eu não conseguia entender o motivo que a causara. Suas mãos apertavam o volante com força, de uma forma quase agressiva, preocupando-me ainda mais.



– Hey, você está bem? – perguntei apertando seu joelho levemente, fazendo um carinho com a intenção de confortá-la.



– S-sim – forçou um sorriso. Não precisava ser tão próxima de Demi para perceber que seu sorriso era falso. Não, ela não está bem.



– Você não querer parar um pouco? Deve estar cansada e... – interrompeu-me



– Eu estou bem, Selena – falou, notando pela primeira vez a minha mão em seu joelho que ainda fazia uma carícia em forma circular. Meus olhos seguiram os seus, ela tinha uma certa confusão no olhar. Corei por manter minha mão em seu corpo por mais tempo que deveria, tirando-a de lá rapidamente.



– Não precisa mentir pra mim, Demi. Por que você ficou assim após passar por aquela curva?


– Foi ali... – falou suspirando, me deixando confusa



– Do que você está falando? – perguntei



– Foi ali que eu matei o amor da minha vida – seus olhos tristes encontraram os meus, pude ver suas lágrimas retornando, mas dessa vez, Demi não parecia ter forças para contê-las.



– Demi, você não matou ninguém. Foi um acidente



– Você não sabe o que está dizendo – bufou – Você não estava lá. Foi tudo culpa minha – as lágrimas agora já corriam livremente por seu rosto pálido.



– Então me diga o que aconteceu



– Não vou falar sobre isso com você – disse voltando o seu olhar para a estrada



– Não confia em mim? – perguntei. Eu não devia me sentir dessa forma. Nos conhecemos a pouco tempo, mas ainda assim estava um pouco ferida por Demi não confiar em mim.



– Eu te conheço a o que? Uma semana? Não é tempo suficiente para confiar em você e te contar coisas tão pessoais e que me machucam – falou



– Mas é tempo suficiente para você tentar ter algo mais comigo assim que me conheceu e agora se oferecer para viajar comigo – falei irritada



– Não é assim, Selena...



– Isso tudo é uma farsa, não é? Essa viagem ainda é uma tentativa sua de me levar pra cama? – perguntei



– O que? Claro que não, Selena. – falou um pouco alto, Demi também estava um pouco alterada, mas seu nervosismo era maior que sua raiva. Os indícios de tristezas já não estavam mais ali. Qual o problema dessa garota? Não consigo entendê-la. – Eu sei que você realmente ama sua namorada, quero que você seja feliz com ela, já que eu estraguei tudo com a minha – falou a última parte em um sussurro, fazendo-me sentir mal por iniciar uma briga enquanto ela obviamente não estava bem.



– Tudo bem, Demi. Me desculpe, eu não devia ter te falado essas coisas... não posso exigir que você me fale sobre a noite do acidente. Não vou mais insistir nisso. – falei sinceramente.



– Você não precisa se desculpar. Eu errei com você quando nos conhecemos, é natural você desconfiar de mim. Eu também desconfiaria – riu



Seguimos nosso caminho em silêncio, a tensão de antes já não estava entre nós. Em alguns momentos eu podia ver pelo canto do meu olho, Demi me olhando como se quisesse me dizer algo, mas parecia não encontrar as palavras certas.



Já era quase noite, a viagem será longa, chegaremos em New York na tarde do dia seguinte, sábado.



– Selena... – Demi quebrou o silêncio



– O que? – perguntei, olhando-a



– Você é uma boa amiga – sorriu timidamente – Um dia vou te contar tudo o que aconteceu naquela noite. Apenas me dê mais um tempo, esse não é um assunto que me deixa confortável.



– Você não tem que me contar nada – falei – Mas se você quiser conversar, eu vou estar aqui pra você – Demi tirou sua mão direita do volante para tocar a minha que estava em meu colo. Seu polegar fez a famosa carícia que tanto me acalma, fazendo-me recordar do dia que pedimos permissão para minha mãe nos deixar viajar.



– Aaah não – falou aborrecida – Não acredito nisso – soltou minha mão e bateu no volante com força. O calor da sua pela quente foi substituído pela frieza vinda das árvores. O toque de Demi tem se tornado uma necessidade pra mim.



– Hey, se acalma – falei – O que está acontecendo? – perguntei ao perceber que o carro estava parando.



– Me desculpe, Selena. Eu sou uma idiota – falou com olhos suplicantes e batendo a cabeça no volante.



(...)



Notas finais
Desculpem os erros, deu preguiça de revisar D:
Reviews? ;)