On Your Own
1 Prólogo
Notas iniciais
“Como queria ser Julieta. Ser Isolda, ser Helena. Ser uma dessas princesas para ser amada loucamente. Sei que são tragédias, que são histórias sem sorte. Mas prefiro um amor ferido de morte, do que uma morte sem amor em vida” Tocante a frase não? Minha professora de português a recitou hoje no terceiro tempo de aula que pareceu durar décadas, quando acabou foi quase um milagre. Arrumei meus materiais e fui em direção ao meu armário.
- Ai está você! Estava te procurando!
Por falar nisso, essa daí é a Bela, ela é uma menina normal, mas é muito sonhadora. Somos amigas dês dos meus cinco anos de idade e é sempre a mesma coisa, tudo é sempre o mesmo, as mesmas conversas, os mesmos contos...
- Nossa você ouviu a professora recitando hoje? Parecia uma verdadeira princesa encubada em roupas de professora.
- Ou pode ser apenas uma professora encubada em um sonho fútil de ser uma princesa! – Eu disse enquanto seguia até o final do corredor para a aula de Francês, com os livros quase caindo em mãos.
- Vai dizer que nunca sonhou em ser uma princesa?
- Eu nunca sonhei em ser uma princesa.
Esse é o ponto fraco da história, eu nunca sonhei em ser uma princesa, prefiro os vilões de fato, mas minha mãe acha isso estranho e acha que tenho problemas mentais por conta de minhas atitudes, mas não vou mudar oque eu sou.
- Nem por um segundo? – Sacudi a cabeça – Um milésimo de segundo?
- Já disse que não, e se não entrarmos agora madame Sophie irá nos comer vivas.
Entramos na sala e nos sentamos em uma das carteiras vagas, madame Sophie chegou logo em seguida com a régua em mãos e a aula começou. Me concentrei em tudo menos na aula, olhava pela janela e lá em baixo via-se a grama verde cheia de orvalho e as flores amarelas que lá floresciam em pleno outono. Sim a minha cidade tem certa dificuldade em se adequar as variações climáticas.
- Esther! – gritou madame direcionando a régua em minha direção – Não sei oque há de tão interessante lá fora, mas presumo que não irá passar de ano observando a janela. – A classe riu, e eu revirei os olhos – Agora conjugue o verbo être.
- Je suis, Tu es, Il est, Nous sommes, Vous êtes, Ils son.
- Muito bem, mas da próxima vez o único lugar que essa falta de atenção irá te levar é para fora da sala.
O sotaque de madame não era estranho para mim, eu achava que até a conhecia antes mesmo de a conhecer, Bela diz que é loucura. Bem, sendo loucura ou não, não via a hora daquela aula terminar e o final do dia também.
Quando cheguei em casa joguei a bolsa no chão e fui até meu quarto, eu e Bela fomos a sorveteria depois da aula. Abri a porta do quarto e fui dar uma olhada para ver como estava o céu hoje, sempre fazia isso quando chegava em casa, ajustei a lente de meu telescópio e olhei para o céu. Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar. Parei de observar quando o meu celular começou a tocar.
- Alô?
- Esther! Que bom que atendeu, amanhã temos que dar um jeito de irmos comprar sapatos!
- Mas você já tem um monte de sapatos, compra toda semana. E eu não preciso de sapatos novos.
- Todos precisaram sua bobinha, um par de sapatos pode mudar uma vida inteira, aprendi isso com a Cinderela que com um único par de sapatos modificou sua vida.
Olhei para a janela a fim de ver o modo como a cortina balançava com o vento, mas vi algo muito diferente que quase deixou meu celular cair sobre a cama.
- Esther? – Estendi o celular até a orelha sem quase não fazer movimento.
- Bela, depois eu te ligo okay?
Desliguei. Nunca acreditei em contos de fadas ou coisas do tipo, mas aquele momento minha realidade havia se tornado pacata e tudo em que eu acreditava voou como um balão para um lugar onde não conseguiria nunca mais encontrar.
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