On Our Way, I Found You
6 Chapter 6 - I Will Go Out With You
Notas iniciais
Ok, cheesecake era a melhor comida do mundo. OFICIALMENTE.
Não digo isso porque eu e Natsu tínhamos gostos obviamente super parecidos, mas porque, realmente, realmente mesmo, cheesecake superava todas as comidas criadas pela fatídica espécie humana.
Até superava meus queridos bolinhos.
Nada contra os bolos tradicionais, of course.
Nada a favor também.
Fazer o quê.
Sou Lucy Heartfilia e sou uma pessoa extremamente sarcástica, prazer.
Minha maior cobiça atualmente é conseguir comer todos os cheesecakesexistentes em todas as filiais do Cheesecake Factory, mas como, provavelmente, eu posso morrer de alguma doença causada pela ingestão excessiva de gordura malvada para o meu sangue desnaturado, é um pouco improvável realizar esse sonho.
Sou Lucy Heartfillia e estou muito decepcionada, prazer.
Bem, se não havia a possibilidade de comer todos os cheesecakes, então eu ficaria com o meu Ultimate Red Velvet, uma criação dos deuses olímpicos. Red Velvet era servido no café da manhã das divindades.
Porque aquele cheesecakeera divino.
Feito por divindades.
Comido por divindades.
Porque ele era divino.
Com milkshake de creme, então…
Hummm.
— Ok, como vamos planejar o aniversário do Gajeel? — Levy perguntou, com um sorriso no rosto.
Estávamos no Starbucks, e eu planejava alguma maneira de chegar ao Cheesecake Factory, algumas quadras a mais, sem que ninguém percebesse.
— Não sei exatamente, senhorita Levy, você sempre faz as mesmas festas para ele — Juvia disse, olhando para Levy com uma cara de pena. E logo a expressão animada de nossa amiga deu lugar para uma raiva bem perceptível, quase tocável.
Posso te dizer que Levy não aceitava muito bem críticas.
Em qualquer estilo.
— O que você quer dizer com isso, Juvia?! — ela berrou, seu rosto ficando vermelho de raiva.
Levy era uma menina miúda, magrela e super fofa na aparência. Ela literalmente era uma fadinha. O problema era que a fada conseguia se tornar um demônio em ocasiões imprevisíveis e distintas.
— Lá vamos nós… — falei, quando percebi que Levy ia entrar numa discussão acirrada com nossa amiga samaritana, fazendo com que ela, provavelmente, começasse a chorar sem parar.
Naquele mesmo instante, Erza entrou no Starbuckscom um rosto que indicava cansaço sem medidas. Isso fez com que todas nós ficássemos quietas — eu já estava quieta. Levy que quase batia em Juvia — até ela sentar conosco.
Erza, como sempre, estava super bem arrumada, como uma mulher adulta em seus anos de glória. Seu cropped era vermelho vinho e um short branco em camadas. Sua sapatilha era simples, mas muito linda. E, como joia, ela usava apenas um brinco de rosas vermelhas.
Quando crescer, quero ser que nem ela.
— Você está um caco — Levy comentou.
— Senhorita Levy! — Juvia repreendeu, com a mão sobre o peito, horrorizada.
— É a verdade, ué — Levy analisou Erza, que até aquele momento não falou nada, mexendo no cardápio do café — O que você tem, Erza?
Erza levantou os olhos para a gente e deu um sorriso fraco.
Bem, a pergunta de Levy era bem idiota, na verdade. Nossa amiga estava um caco por causa da época do ano. Estávamos em maio e logo as respostas das universidades chegariam nas portas dos formandos ou celulares, mas é tudo a mesma coisa. Além disso, Erza era Presidente do Conselho Estudantil. Vários alunos do terceiro ano chegavam nela para perguntar todo tipo de coisa e procuravam ajuda para suas dúvidas sobre o college. Mesmo com a força que todos nós sabíamos que ela tinha, era muito difícil lidar com a época da formatura. Para qualquer um.
The University of Chicago era uma das universidades mais requisitadas de todo os Estados Unidos da América e Erza estava fazendo seu melhor para passar. Na verdade, eu não sei como não passaria. Ela obteve um dos recordes de nota no SAT, ACT, SAT II e TOEFL. Seu currículo escolar era recheado de prêmios, atividades extracurriculares, três intercâmbios, uma dúzia de colaboração voluntária e diversas outras coisas que eu nem sonhava ter em meu currículo.
Se ela não entrasse, alguma coisa estava errada com o mundo.
E esse era um ponto que eu nem sabia por onde começar. Todos os meus amigos já sabiam o que queriam fazer com suas vidas e se preparavam para isso. Jellal, da mesma forma que Erza, tinha um histórico escolar impecável e queria fazer businessna Universidade. Gajeel também — sim, o Gajeel queria fazer business! — para ajudar Natsu na empresa do pai dele. Levy sonhava em fazer matemática, física e todas essas matérias que ninguém entende, e trabalhar em laboratórios de pesquisa. Juvia queria fazer nutrição, Erza almejava Direito e Gray sonhava em ser engenheiro.
E Natsu? Business também. Ele teria que ser o Czar do Império dos Dragneel's, afinal de contas.
Aí, você, pessoa curiosa pergunta: Lucy, o que você quer fazer dessa sua vida maluca?
Então, eu te responderia na maior humildade e sinceridade desse planeta Terra: Eu não fazia a mínima ideia.
Futuro é uma coisa engraçada. Meus pais não queriam que eu fizesse alguma coisa que me deixasse infeliz, mas por Deus, o que o me deixa feliz? O que me faria acordar de manhã e dizer: "Hoje é mais um dia fazendo aquilo que eu mais amo!". E, o que eu mais amo? O que eu não amo?
Sempre fui uma menina simples. Simples de entender — mais ou menos —, simples de viver. Meu trauma com os meus pais nunca influenciou em meus estudos, porque eu vivia no automático: vai para escola, copia a matéria, volta para casa, estuda, dorme. Reinicie e faça a mesma coisa.
Desde que me mudei para Chicago, meus dias têm sido muito diferentes graças a Natsu e meus mais novos amigos. Isso é bom? Com certeza. Finalmente aprendi que não tinha problema me importar com as pessoas e ter pessoas que se importassem comigo.
Mas tinham dias que eu sentia falta da minha monotonia.
Monotonia te ajuda a pensar naquilo que está errado na sua existência; te ajuda a ver melhor, criticar melhor, refletir melhor. Quando tem muita agitação, a única coisa que fazemos é nãopensar e não refletir sobre qualquer coisa. O ócio também é importante.
Meu pai, sendo o adulto responsável que é, já teve várias conversas comigo ao longo das últimas semanas sobre os meus estudos, minhas notas, minha carreira, o que eu queria e tudo mais — mesmo eu ainda sendo uma junior. Todas as vezes, minha mente ficou em algum lugar distante pensando em bolinhos voadores.
Não me entenda mal. Eu era boa na escola. Não que eu fosse uma gênia como Natsu — que não abria a mochila nem para pegar um lápis e tirava notas altíssimas —, mas tinha os meus As e os meus A- ou A+, tranquilamente, com o mínimo de estudo e dedicação. Mas nada em minha escola me atraía o suficiente para eu olhar e ficar completamente vidrada naquilo pelo resto da minha vida.
Mate, eu tinha dezesseis anos, indo para dezessete e eles queriam que eu soubesse o que fazer pelo resto da minha vida.
Isso pira qualquer um.
Menos os meus amigos desnaturados, obviamente.
— Estou apenas cansada — Erza respondeu.
Cansada era pouco. Mesmo impecável como sempre, dava para notar toda a exaustão que ela emanava desde os poros de sua pele.
Meio dramático?
Talvez.
Quem seria Lucy Heartfilia sem um bom drama?
— Senhorita Erza, dê o seu melhor! Sei que vai conseguir passar por tudo isso! — Juvia, com sua doçura habitual, tentou motivar nossa amiga da melhor maneira que conseguia.
Levy soltou um bufo audível.
— Dude, seriously! A nossa Erza passa por isso de olhos fechados! — afirmou, com convicção.
Eu dei um sorriso, concordando com as duas.
— Qualquer coisa estamos aqui — falei.
Erza olhou para todas nós com uma expressão surpresa. Man, as aulas já iriam terminar. Ela tinha que dar o seu melhor e deixar a sua marca na Fairy Tail Academy como a melhor Presidente do Conselho Estudantil que nossa escola já vira.
E acho que ela se lembrou disso.
Fiquei até emocionada quando ela levantou a cabeça, empinando o nariz, ajeitando a postura e dando o sorriso mais confiante que eu já tinha visto em uma pessoa.
— Certo! Obrigada, meninas! — disse, melhor, gritou do nada no meio do Starbucks — Levy!
— Sim, senhora!
— Anote tudo que eu ditar! A partir do meu sinal!
— Sim, senhora, capitã!
Ok, elas piraram de vez.
— Juvia!
— Sim, senhora!
— Consiga os contatos de todas as pessoas que eu falar!
— Sim, senhora, capitã!
Tá, podemos ver uma pequena loucura presente entre minhas amigas, mas acredito que ainda dava para salvá-las.
— Lucy!
Epa… eu?
Ah, não…
— Sim? — respondi. Dava para notar a insegurança em minha voz.
— "Sim" o quê? — Erza perguntou, com um olhar ameaçador.
Erza era um amorzinho. Sério. Eu juro. Mas, havia momentos, momentos bem específicos, em que ela conseguia ser absurdamente mais assustadora que um javali com fome.
Chegava a dar arrepios até em terroristas.
— Sim, senhora?
— Mais convicção!
— Sim! Sim, senhora! — Eu sentia minhas células tremerem apenas ao som da voz de Erza. Meu Deus.
Havíamos chegado ao ponto em que todos da cafeteria nos encaravam com um ponto de interrogação em suas expressões, já que, tanto eu, quanto Levy, quanto Juvia, estávamos de pé, em posição de soldados, prontas para receber os comandos da General Erza Scarlet.
O que eu não fazia por essas meninas…
— Reserve locais ideais para as próximas programações escolares. Quero orçamento, acomodações, decoração e tudo que precisar para a melhor realização desses eventos, entendeu?!
Gosh…
— Entendeu, Lucy?! — Juro que o berro que ela deu pôde ser ouvido até a lua.
— Sim, senhora, capitã!
— Ótimo! — ela disse, com um sorrisinho — Meninas, temos um final de ano letivo para organizar. Mãos à obra!
Juvia, Levy e eu nos entreolhamos.
"Oh, man..."
Natsu
O aniversário de Gajeel era sempre uma festa escandalosa, todo ano, desde a sétima série. Consequentemente o ano em que ele e Levy começaram a namorar. Ou seja, todos nós — Erza, Jellal, Gray e Juvia — tínhamos que aturar as comemorações espalhafatosas, que exigiam um envolvimento social quase superior aos jantares de gala que meu pai me obrigava a ir desde os meus quinze anos.
Sejamos claros: Por mais lindo, gostoso e poderoso que eu possa ser, há um limite para a minha paciência em questões de sociabilidade. Nunca fui que nem Gray — uma gazela ambulante que busca atenção de maneira excessiva, principalmente das mulheres —, então, minha compostura estava dentro do que era considerado normal na moralidade coletiva.
Levy conseguia ser mais multitarefas do que qualquer mestra organizadora de eventos. Parece que todas as meninas estavam ajudando Erza em seus milhares de deveres como Prezdo Conselho Estudantil, incluindo a própria Levy, e ela conseguira criar aquela celebração — mais uma vez: exagerada —, com mais pessoas do que todos os habitantes da Finlândia, para a alegria pervertida de meu melhor amigo, Gray Fullbuster.
Se houvesse mais uma festa daquele estilo em minha casa, Virgo me mataria.
Virgo me matava de medo.
E sim, a festa grandiosa de Levy estava sendo realizada na imensa mansão Dragneel, e posso assegurá-los de que eu estava nem um pouco contente com o fato.
Além disso, o chefe estava em casa nos últimos dias. O que era sempre doloroso para os meus ouvidos mais tarde.
Lembrar do meu pai sempre causava uma enxaqueca terrível.
— Que cara é essa, mate? — Ouvi uma voz ao meu lado e me virei.
Era Lucy sorrindo abertamente em minha direção, com uma sobrancelha arqueada. Imediatamente, a tensão abandonou meu corpo e comecei a sorrir também.
— Hey — respondi.
Decidi não perguntar o que ela estava fazendo no jardim da minha casa quando uma festa maluca estava dentro da mansão, não fora. Lucy se mostrava cada dia mais parecida comigo, então sabia que ela gostava de uma festa cheia de pessoas tanto quanto eu.
Meu relacionamento com Lucy ainda estava sem um rótulo específico. Não pelo meu querer, obviamente. Ela era insegura e decidi não pressioná-la mais. Como nosso relacionamento seria estava em suas mãos.
E eu? Eu estava bem contanto que pudesse ficar perto da minha loirinha em todo momento.
E, claro, roubando alguns beijos também. Não sou um monge.
— Hey — disse e ofereceu uma bebida. Suco, ok, crianças? — Tangerina.
— Como que você me fez gostar disso? — perguntei, apontando para o suco.
— Humm… não sei. Acho que você é capaz de qualquer coisa para me agradar.
Ela tinha razão.
Dei um beliscão de leve em seu braço e disse:
— Espertinha.
Dando um sorriso, ela sentou ao meu lado.
O canto em que estávamos era bem mais tranquilo que o resto da festa. O barulho aparentava ter diminuído um pouco, o que era mais que um alívio para mim e, aparentemente, para Lucy também. Minha época de farrista e popular tinha permanecido em meus quatorze anos e o Natsu de dezessete possuía a vitalidade de um idoso para qualquer convenção superficial.
Além disso, os parabéns já haviam passado. Tudo certo.
— E o seu pai?
Okaaaaay.
Senti minha expressão endurecer de incômodo.
Meu pai e eu tínhamos uma relação delicada. Igneel Dragneel era um imperador, um Czar, um César e um Alexandre em todo campo dos negócios, por ser muito inteligente, dominante, negociador, estrategista e experiente. O mundo empresarial chamava-o de "The Dragon", por sempre dominar e consumir tudo que tocava. O cara era mais poderoso do que o presidente, mais rico do que um sultão e um pai que apenas conversava com seu filho se o assunto condia em ter mais dinheiro. Qualquer coisa além disso era insignificante para um dos maiores — senão "o" maior — empresário e magnata dos Estados Unidos e do mundo.
— Ele não voltou de viagem? — continuou.
— Voltou. Trabalhei com ele ontem.
Eu tinha certeza de que Lucy queria saber de tudo, já que ela sempre mencionava alguém da minha família em nossas conversas, menos meu gato, Happy. Afinal, o meu humor mudava e eu me fechava para qualquer pergunta familiar. Não era proposital, obviamente. Minha vida não era ruim, começando por todo dinheiro que eu tinha acesso em minha conta bancária e a herança de nada menos que um império, já que nem meu pai conseguiria viver mais de noventa anos, então seu reinado não duraria para sempre.
Nunca me envolvi emocionalmente com nada além dos meus amigos e o meu gato, nem mesmo os meus pais. E não me importava com isso. A realidade é o que é, então, meu pai ocupava nem 2% dos meus pensamentos habituais.
Mas, como explicar a minha indiferença paternal para uma garota que baseou sua vida nos problemas de seus pais?
Ahhh, mate…
Até eu, emocionalmente desapegado, sabia que seria extremamente difícil para Lucy entender.
Com a minha vida sendo um exemplo do clichê: "pobre menino rico", uma pessoa como ela era um frescor. Mesmo com toda a sua bagagem, sua neurose e sua insegurança, acho que nunca encontrei uma pessoa melhor para estar ao meu lado.
— Ele te tratou bem? — Ok. Era notável que ela realmente não ia parar com as perguntas.
— Humm… — murmurei, dando um sorrisinho em seguida — Será que ele me tratou.
Ela revirou os olhos, fazendo-me rir mais um pouco.
— Natsu!
— Prefiro falar de café. Você sabia…
Fui interrompido com um tapa em meus ombros.
Que falta de educação, senhorita.
— Por que você não quer falar sobre a sua família?
— Porque não tem família para falar.
Ok. O clima pesou.
Ela continuou me olhando.
— E sua mãe?
Ah, aquela pergunta. Ela sempre apareceria em algum momento. E, como sempre, a mesma resposta:
— Ela morreu.
Minha mãe era uma pessoa boa e, pelo que me lembro, uma boa mãe. Já que eu era muito novo quando ela morreu, não havia um histórico boas ou más experiências maternas ou algo do tipo.
Eu realmente não sabia como me sentir em relação à minha mãe. Não sabia se sentia falta dela ou se me sentia sozinho. Quando falava dela, mais confuso eu ficava. Acho que não tinha como não ficar.
Percebi que Lucy ficara quieta depois do que eu disse.
Here we go…
— Pergunte, Luce. — Ela me olhou surpresa.
— Como você sabia que eu queria perguntar alguma coisa? — Deu para perceber que ela ficou na defensiva de repente.
Dei um sorriso e falei:
— Por causa dessa sua cara nervosa, olhando para todos os cantos. Parece um suricato.
Acho que ela escolheu ignorar a brincadeira para não ter que bater em mim.
— Desculpa — deu uma pausa —, eu acho que eu queria… queria…
— Me conhecer — terminei —, Luce.
Percebi seu rosto vermelho e a cabeça abaixada. Nada como um suricato dessa vez.
— Sim — respondeu, por fim, me deixando surpreso.
Não posso me mentir que eu não estava mais acostumado com reações explosivas da minha garota, então uma resposta como: "Dude, sai daqui!" era bem habitual. Uma concordância não parecia nem um pouco com a maneira que Lucy lidava com as situações.
— Você está doente? — questionei.
Um silêncio entre nós se fez presente e temi que finalmente o demônio dentro Lucy fosse despertar.
— Não… — respondeu, com uma cara confusa. Ela não parecia brava, apenas… triste.
— O que foi? — perguntei.
— Eu quero te conhecer, Natsu. Isso me assusta muito — fez uma pausa, tomando fôlego —, mas eu não queria te empurrar para os problemas da sua família apenas para me deixar saber mais sobre você. Isso foi…
Eu não podia deixá-la terminar.
Não podia.
— Lucy. — Segurei seu rosto com as minhas mãos e olhei em seus olhos — Você pode saber qualquer coisa sobre mim. Se quiser saber. Pergunte e eu te conto. Eu fiz a mesma coisa com você porque quis te conhecer, então quero que me conheça também. Mesmo que… — pausei e tomei fôlego, pronto para abrir um pouco do meu coração desinteressado — mesmo que seja complicado para eu me abrir com qualquer pessoa.
— Eu não acho que você deva se sentir obrigado...
Coloquei minha mão em seus lábios, esperando silenciá-la.
— Lucy, eu te magoei daquela vez e peço perdão por isso. Mas, hoje, eu quero saber tudo sobre você e quero que saiba tudo sobre mim, mesmo que seja difícil de entender — falei. Uma das primeiras vezes que eu realmente expus exatamente como eu me sentia.
Foi bom.
E, quando o sorriso da Lucy apareceu, eu sabia que, mesmo sendo difícil, eu ainda contaria para ela tudo sobre mim.
I am sure of it.
Lucy
Natsu e eu tínhamos muitas coisas para fazer nos últimos dias. Erza, com toda certeza, deixou sua marca na Fairy Tail Academy, mesmo não sendo mais a Presidente do Conselho Estudantil há, exatamente, duas semanas. A nova eleição, realizada antes das férias, elegeu várias pessoas talentosas, como a própria Juvia, que se tornara a Vice-Presidente. Mas, o cargo principal ficou para uma menina chamada Yukino Agria e todos pareceram satisfeitos. Acredito que o conselho estava em boas mãos.
— Qual a diferença entre um triângulo equilátero e um triângulo retângulo, Lucy?
Olhei para Juvia com uma expressão confusa. Ela não tinha matemática avançada em sua grade curricular.
— Hummm — murmurei, sem saber o que dizer. O que eu sabia sobre triângulos?
— Por que você quer saber disso, Juvia? É pelo Gray de novo? — Levy, como sempre, tão cautelosa quanto um caminhão.
Por mais incrível que pareça, estávamos nos bronzeando na casa de Natsu. Quero dizer, na piscina de Natsu. Deitadas em nossas espreguiçadeiras, abraçávamos a natureza com simpatia. A piscina, que antes fora a protagonista de nossa guerra de chantilly, era nossa vista e todas nós estávamos de biquíni, em paz com a vida, enquanto os meninos cozinhavam para a gente.
O medo era nossa melhor amiga naquele momento. Um pouco mais que a paz.
Erza havia terminado suas funções como Presidente do Conselho e, finalmente tinha recebido a confirmação da sua entrada na University Of Chicago. O cansaço que emanava dela era nítido, mas mesclava muito bem com o seu orgulho e ar de "trabalho bem-sucedido". Todos sabíamos que uma presidente como Erza sempre faria muita falta, mas fazia parte da vida. Acho que ela sempre seria eternizada como uma das melhores líderes que aquele colégio já teve em todos os seus anos de funcionamento.
Mas, notando o cansaço coletivo, principalmente de Erza, e nós, suas parceiras, Levy e sua mente brilhante deu a ideia que precisávamos de um dia de "spa". Tenho certeza de que nossa amiga de cabelos ruivos quase chorou de emoção ao ouvir as palavras da baixinha.
Os meninos, e seu instinto de sobrevivência intacto, decidiram que era melhor cuidar da sanidade mental da mulher que poderia matá-los se o seu psicológico fosse afetado gravemente, mesmo de cansaço. Então, todos decidiram cozinhar para ajudar em nosso dia de relaxamento.
Jesus.
— Não, senhorita Levy. Apenas estou curiosa sobre o assunto — Juvia respondeu, em seu tom formal de sempre.
Por que ela sempre falava como a rainha Elizabeth II, dude?
— Obviamente não é isso. Provavelmente o Gray disse que matemática é legal e você decidiu que ele gostaria mais de você se seus conhecimentos sobre números fossem mais abrangente — ela tomou fôlego — Você sempre faz isso!
Eu realmente não duvidava dessa hipótese.
Juvia não era uma garota ruim. O seu amor próprio que era triste. Gray era uma pessoa legal e tudo, mas ele não gostava de Juvia da maneira que ela queria e, se gostava, aquele tipo de sentimento egoísta era dispensável. Acredito que você deve valorizar as pessoas que gosta e que estão ao seu lado, em todo momento. Juvia deveria saber disso e parar de gastar seu tempo gostando de uma pessoa que não valorizava seu carinho. E, com toda certeza, deveria parar de correr atrás de alguém que não se importava o suficiente com ela e seus sentimentos.
— Juvia.
Essa foi Erza chamando nossa amiga com o tom que transmitia tal mensagem: "Ouça com cuidado ou morre", então, todas nós preferimos ouví-la com toda atenção que competia com a que o presidente recebia em um discurso.
— Você deve ter mais amor próprio. Tente achar alguém que realmente goste de você e a valorize como merece. — Poucas palavras, grandes significados.
Eu não poderia concordar mais com a fala de Erza mesmo se quisesse, mas, vendo a expressão no rosto de Juvia, não evitei os sentimentos de pena que surgiram e apertaram meu peito.
— Eu sei disso, senhorita Erza. Mas, eu queria… eu queria tanto que ele gostasse de mim — dizendo isso, suas lágrimas começaram a cair e os soluços balançaram o seu corpo pequenininho.
Não olhei para as outras, mas sabia que todas tínhamos o mesmo semblante enquanto olhávamos para nossa amiga e percebíamos o tamanho da sua tristeza.
Gray era um homem morto.
Juvia era um amor de pessoa. Merecia o melhor romance clichê de novela mexicana, o melhor namorado, o melhor "qualquer coisa" que quisesse. Ela tinha que entender isso.
Seus soluços ainda eram escutados e parecia que não havia fim. Aquilo estava quebrando meu coração.
Com medo de que se sentisse irreversivelmente solitária, fui até ela e abracei seus ombros finos de boneca, visíveis por causa da roupa de banho. Ela me abraçou de volta com tanta intensidade que lágrimas vieram aos meus olhos, como se sua dor passasse para mim a cada tristeza que saía de seus soluços.
— Juvia, que merda é essa? — Levy disse.
Todas olhamos para nossa outra amiga. A louca, não a triste.
Levy estava irritada. Irada, seria mais adequado. A raiva dela irradiava por todos os seus mini poros e, se eu não a conhecesse, diria que ela ia matar alguém naquela tarde.
— Levy, se controle — Erza falou, seu rosto ameaçador.
— Não, Erza! A Juvia precisa parar de se deixar assim!
— Levy, a Juvia… — tentei dizer, mas fui interrompida pelo Furacão McGarden.
— Escutem as três. Erza, seu namorado beija o chão que você pisa. Lucy, Natsu olha para você como se estivesse drogado. Fiquem quietas. — Ela ofegava como uma pessoa sedentária em dia de corrida, mas continuou seu discurso — Eu e Gajeel brigamos o tempo todo. Brigamos hoje mesmo porque ele queria vir de moto e eu de carro — deu uma pausa —, mas eu sei que ele me ama. Sei que se eu pedisse um suco nativo da Indonésia, ele faria de tudo para me dar.
"O ponto é: a gente briga porque eu não me deixo ser comandada e porque somos muito diferentes. Além disso, nenhum homem manda em mim. Nem meu pai e olha que ele tentou a vida inteira e fracassou miseravelmente. Eu não faria isso comigo mesma. Eu sei como é difícil reconhecer, porém, assim como eu, você é independente, maravilhosa e inteligente, damn it!Quem não sabe valorizar a mulher que você é, the big womanque você é, essa pessoa não vale a pena. A vida é sua, Juvia. Se posicione em sua própria vida. Eu sei o meu valor. Está na hora de você saber o seu."
Meu Deus.
Eu, Erza e Juvia olhamos para uma Levy ofegante e vermelha com uma expressão determinada em seu rosto.
Eu estava atônita.
Percebi que Juvia chorava copiosamente e fiquei um pouco admirada. Levy parecia uma criança em seu biquíni vermelho de babados, mas, na verdade, ela era uma mulher com uma mente brilhante. Acho que nunca fui tão feliz em ser sua amiga.
E percebi que ela nunca esteve tão certa: todas as mulheres deveriam saber o tamanho do seu valor.
— Obrigada, Levy — disse Juvia, depois de um tempo, com algumas lágrimas ainda caindo em seu rosto.
— Sem "senhorita"?
— Não preciso dessa formalidade para agradecer uma amiga — respondeu e Levy pareceu emocionada com suas palavras.
— Vem cá. — Senti Juvia ser tirada dos meus braços, então as duas se abraçaram forte e Erza logo se juntou a elas.
Todas me olharam, ainda abraçadas, com expectativa.
Minhas. Pensei. Essas meninas são minhas amigas.
Logo, nos abraçávamos, rindo umas para as outras. Estávamos felizes como se aquele dia fosse uma manhã de natal e o nosso presente fosse a confiança que tínhamos em nós mesmas.
L&N
Depois do momento "ame e respeite a si mesma" que Levy trouxe para o nosso pequeno grupo feminino, minha mente começou a pensar em coisas que já estavam nela, mas que nunca dei a atenção necessária. Ficar presa em nossa cabeça, em nossos problemas e em nossas tragédias podem ocasionar diversas consequências, mais especificamente, consequências ruins.
Eu continuava parada no mesmo lugar porque me deixei ser dominada por problemas que não condiziam comigo, exatamente. Eram problemas particulares da minha família, mas não meus.
Eles não deveriam ter feito o estrago que fizeram.
Mas eu deixei.
Cada dia que passava, as coisas boas que surgiram na minha vida iam embora, nada era para sempre.
E eu estava decidida a não notar e deixá-las irem embora sem aproveitar.
Lucy Heartfilia era insegura, medrosa, neurótica, cautelosa, cética, ansiosa e até um pouco deprimida, e ela até poderia continuar sendo assim, mas coisas boas estavam acontecendo; finalmente coisas boas estavam por perto e ela não valorizava.
Depois de anos de estagnação, novas coisas vieram. Amizades surgiram. Amores se descobriam.
Eu não me importava de continuar sendo a Lucy complicada, mas queria ser a Lucy complicada feliz.
Ou a que tentou ser feliz.
Mas, eu precisava começar por uma coisa.
Especificamente, uma pessoa.
Natsu
When I look into your eyes
It's like watching the night sky
Eu e Lucy estávamos sentados no jardim da minha casa, Jason Mraz ligado no celular — ela me obrigara — e de mãos dadas, observando o céu.
Todos já tinham ido embora. Mas, alguma coisa parecia diferente. Todos estavam um pouco diferentes naquele dia. Juvia, Levy, Gajeel, Erza, Gray, Jellal. Todos diferentes, de algum modo.
Or a beautiful sunrise
There's so much they hold
Me pergunto o porquê.
Lucy
And just like them old stars
I see that you've come so far
Eu sabia o que estava diferente.
Naquele dia, Levy me mostrou que meus sentimentos ainda estavam guardados. Que eu ainda estava em meus problemas, me focando neles e esquecendo das pessoas que queriam o meu bem, que queriam me ver feliz.
Esqueci de Natsu e me deixei ser tomada pelo sentimento de comodidade e falta de compromisso.
Fiquei novamente presa em minha zona de conforto e trouxe a pessoa mais importante para ela também.
To be right where you are
How old is your soul?
Minha alma era um pouco velha. Mas, eu queria que ele a deixasse nova.
Natsu
I won't give up on us
Even if the skies get rough
Aquela música deixava minha cabeça um pouco confusa. Toda vez que eu olhava para a garota ao meu lado, ela mantinha seu rosto para o céu e algumas vezes, fechava os olhos como se fizesse uma prece.
O que estava acontecendo?
I'm giving you all my love
I'm still looking up
— Lucy?
Lucy
And when you're needing your space
To do some navigating
Naquele momento, eu pedi coragem para todas as divindades e seres superiores acima de mim. Eu queria fazer aquilo. Eu queria sair da minha zona de conforto.
Eu queria.
I'll be here patiently waiting
To see what you find
Eu sabia daquilo. Natsu sempre esperaria pacientemente por tudo que eu precisasse fazer. Ele sempre torceria por mim. Sempre ficaria ao meu lado, e, caso isso não acontecesse, o tempo que ele ficaria seria precioso demais para cair no esquecimento.
Foi com esse pensamento que me virei para ele e olhei em seus amados olhos ônix.
Natsu
Cause even the stars, they burn
Some even fall to the earth
Ela se virou para mim. Seu rosto estava com uma expressão ansiosa e suas mãos torciam-se uma com a outra. Eu realmente não conseguia entender o que estava acontecendo, mas decidi que o melhor a fazer seria esperar pelo o que ela quisesse falar.
We got a lot to learn
God knows we're worth it
Nós ainda tínhamos muitas coisas para aprender. Ainda éramos dois adolescentes, sofridos de certa forma, mimados de outra, confusos de várias, mas apaixonados um pelo o outro.
No, I won't give up
— Eu não vou desistir.
Lucy
Minha voz soou junto da música e quase fiquei impressionada com o timing. Mas, aqueles eram os meus verdadeiros sentimentos. Eu não desistiria de Natsu, assim como não desistiria de mim e da minha capacidade de construir minha própria felicidade sem precisar me esconder atrás dos meus problemas.
Deus sabia o quanto eu era medrosa, conformada, apática, insegura e neurótica. Lucy Heartfilia era uma pessoa complicada cheia de complicações intermináveis, mas ele me viu. Ele viu Lucy. Apenas eu. Somente eu.
Meus problemas não seriam resolvidos por causa de Natsu. Eu não queria ser completada. Eu queria que ele me complementasse e não me deixasse sozinha para eu buscar a coragem de me completar por mim mim mesma.
I won't give up on up
Peguei sua mão, confiante no que falaria. No passo que eu daria.
Even if the skies get rough
Beijei o torço da sua mão com todo o carinho que alguém poderia colocar em um beijo, então olhei em seus olhos. Acariciei seus cabelos róseos, senti seu cheiro e toquei sua pele.
Eu estava em casa.
I'm giving you all my love
Sussurrei aquelas palavras da música com todo o amor dentro de mim, olhando em seus olhos com o maior carinho que conseguia.
I'm still looking up
— Eu vou sair com você.
Natsu
No primeiro instante, não consegui entender suas palavras. Mas, logo o significado entrou em meu coração e eu finalmente pude sorrir de alívio depois de muito tempo.
Peguei seu rosto em minhas mãos e beijei Lucy com todo o sentimento que havia dentro de mim.
Lucy
Eu retribuí seu beijo. E soube que seria um dos muitos beijos que compartilharíamos.
Sempre juntos.
Natsu
O futuro parecia mais brilhante.
Lucy
E continuaria sendo contanto que ele estivesse ao meu lado.
Porque, eu o achei.
Natsu
Em meio ao nosso caminho, eu a achei.
E me apaixonei.
Natsu & Lucy
E continuaremos a nos apaixonar.
Porque, em nosso caminho, nós nos encontramos. E juntos, nos achamos.
Juntos, nos apaixonamos.
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