On My Way
2 Capítulo 2 - Sorry I'm Not Sorry
Notas iniciais
Depois tudo isso, eu passei um tempo sem ir a escola de novo, minha mãe queria ter certeza de que eu estava preparada. O que eu não disse a ela é que provavelmente eu nunca estaria, mas não queria preocupá-la. Eu tomei uma decisão depois de pensar bastante, decidi que iria lidar com essa situação de forma diferente, não iria ser a vítima, não dessa vez. Eu tinha uma tendência pra isso sabe? Parece que existe um prazer doentio em mim, quanto mais as coisas dão errado, mais atraída fico por elas. Mas eu decidi que não iria me entregar dessa vez, quando eu me entrego as coisas ficam bem complicadas, a possibilidade de voltar ao "normal" caem pra 0. Então tomei a decisão de me posicionar, esse era meu último ano na escola, já não tinha começado muito bem, mas eu iria conduzi-los agora. Só precisava aguentar mais esse ano e poderia tomar outro rumo na minha vida.
Quando cheguei na escola, todos me encararam. Parece que alguns não acreditavam que eu realmente tinha voltado depois do que tinha acontecido. Uns estavam surpresos e outros com raiva estampada, a verdade é que ninguém me queria ali. Exceto o Daniel, ele estava impassível, quando me viu, deu um sorriso tímido no canto da boca e fez que se viraria, mas parece que pensou melhor e resolveu vir em minha direção. Eu não queria isso, na verdade essa parte não estava nos meus planos, simplesmente imaginei que todos me ignorariam pra o resto da vida e tudo ficaria bem. Só que esqueci de levar em conta o fato de que o Dan é a melhor pessoa do mundo, e que ele não seria como todo mundo.
As pessoas cochichavam ao meu redor, todos estavam esperando pra ver o que aconteceria. O Daniel simplesmente chegou perto de mim e soltou um "olá", logo em seguida perguntou se poderia me abraçar. E eu devia estar com uma cara muito estranha porque ele mudou para uma expressão de preocupação e perguntou:
— Está tudo bem Sam?
Eu saí do meu transe de repente e respondi desconcertada:
— Oh, sim, desculpe...hum eu estou bem sim e você? O que você disse mesmo?
Ele riu, e falou:
— Estou sim, hum... eu perguntei se poderia te abraçar, mas acho que não é uma boa ideia, é? — Me encarou pensativo.
— Ah, sim entendi, não...hum, quer dizer, me desculpe por ter sumido. Eu sei que você apareceu lá em casa e hum obrigada pelos chocolates, eu só...quer dizer...
— Para Sam. — Ele fez um sinal com as mãos indicando que eu não precisava falar mais. — Tudo bem, você não precisa se explicar, eu não tinha intenção de ser recebido, ou algo do tipo, só queria que você soubesse que eu estava ali se precisasse. Ainda estou, na verdade. Você não precisa de explicação alguma entendeu? — Me encarou com aqueles olhos azuis profundos, sérios porém acolhedores.
Eu não sabia o que falar pra ser sincera, então simplesmente agradeci e parece ele entendeu que não devia se prolongar mais porque fez um aceno e voltou pra o seu grupinho. Ele não se importava com o que os outros pensavam, simples assim. Era uma das suas características que eu mais adorava. Ele era muito bom também, mesmo com quem não merecia. Comigo por exemplo, não que eu tivesse feito algo imperdoável, além do que aconteceu na festa (não o afetou muito porque ele não estava fazendo nada comprometedor na festa) eu apenas tinha o ignorado durante todo o tempo que passei fora antes da festa, e também o tempo em que fiquei de repouso em casa depois da festa. Ele entendia, e se não entendia, também não se importava.
Esse era o Daniel, mas o Isaac não era assim, pelo contrário. O Isaac estava literalmente puto comigo. Ele não foi preso porque eu retirei as acusações, todos relutaram perguntando se eu realmente tinha certeza, e eu garanti que sim, que só tinha ficado assustada e que o Isaac não tinha feito nada de mais. Ele não me agradeceu por isso, nem eu esperava que o fizesse, mas quando voltei para a escola, logo após falar com o Daniel ele veio querer dar um de esperto comigo, me ameaçar, não fisicamente, mas com popularidade e tudo mais. Então eu cheguei pra ele, tirei toda a coragem de dentro de mim e falei, bem próximo dele porém alto para todos ouvirem, “escuta bem cuidadosamente por que não tô afim de repetir okay?” ele riu e tentou continuar mas o interrompi “Sei que surtei sem explicação alguma, mas ainda estou tentando entender algumas coisas sobre mim, de qualquer forma, eu não dou a mínima pra o que você ou qualquer outra pessoa aqui pensa sobre isso. Só o que quero que saiba é que eu retirei as acusações porque eu exagerei e você não fez nada demais, mas eles — os policias, e minha mãe quero dizer — não acreditaram muito. Vivo aqui desde que nasci, eles me conhecem e me respeitam, ao contrário de você e seus amiguinhos que chegaram a pouco tempo e vivem causando problemas com festas e coisas do tipo. Moral da história: Posso chegar lá e falar que me arrependi de ter tirado a queixa, e posso ainda revelar coisas que vocês provavelmente vocês não queiram que a policia saiba. Porém, não farei isso. Sabe porque? porque vocês — especialmente você Zac — vão me deixar em paz, okay? Vão esquecer isso que aconteceu, porque foi tudo um mal entendido. Eu não dou a mínima se vai fingir que não lembra ou se vai simplesmente ignorar minha existência. Pra ser sincera tô pouco me fodendo pra vôce, mas não venha começar com joguinhos porque eu garanto que se você se atrever a fazer alguma merda se quer contra mim, eu vou foder com sua vida e com todo mundo que tiver a audácia de se meter comigo, entendeu?”
Eu não sei de onde tirei coragem pra falar tudo isso, mas parece que tirei 300kg das minhas costas. O Isaac tinha mudado suas expressões de raiva, pra surpresa e depois um certo receio. Depois de ouvir tudo ele se afastou junto com os amigos, todos ao redor que me encaravam desde que cheguei decidiram achar algo mais importante pra fazer. Eu suspirei aliviada e segui meu caminho pra sala de aula. "Um dia de cada vez", disse a mim mesma.
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