On My Way
15 Bruxa Gelada
Notas iniciais
Andamos por horas, não sei exatamente quantas, mas foi o suficiente para me deixar cansada. Porém não pedi para pararmos e nem falei que estava cansada, eu precisava encontrar essa bruxa boa o mais rápido possível e salvar minha mãe.
Merida andava na frente cortando todo tipo de mato que via pela frente, e eu seguia atrás sempre alerta a qualquer ruído. De repente ela parou e colocou o braço na minha frente, me parando.
– Silêncio — Ela falou e deu pequenos passos para frente — Tem alguém aqui — E como se a voz dela fosse um gatilho, dois bichos estranhos voadores desceram do céu numa velocidade surpreendente em nossa direção, um pela esquerda e outro pela direita. — Abaixe! — Ela gritou e eu obedeci. Suas habilidades com arco e flecha era extraordinária; Primeiro ela puxou uma de suas flechas ponta de ferro e com uma incrível mira acertou o primeiro monstro que virou pó, e com rapidez ela pegou outra flecha de aljava em sua costas e acertou o alvo sem ao menos mirar direito, fazendo a outra criatura ter o mesmo destino que a primeira.
– Que diabos era aquilo?- Ela pegou suas flechas de volta
– Acho que eram macacos com asas... Espere — Meus pensamentos foram parar nas histórias que liam para as crianças pequenas de nosso mundo, era isso. — Eu deveria saber! Minha irmã é a Wicked Witch Of The West e aquelas criaturas eram macacos voadores! — Gritei
– Eu acabei de matar um macaco voador? — Merida perguntou animada
– Parece que sim, como você aprendeu a atirar assim? — Perguntei enquanto me levantava e limpava a terra de meu vestido.
– Aprendi com Robin Hood — Ela respondeu, me deixando curiosa.
– Quando você conheceu o Robin? — Perguntei quando nós voltamos a caminhar
– Bem, eu estava em um vilarejo quando os Merry Men's chegaram
– Quem? — Eu a interrompi
– A Legião de Robin — Disse ela — Ele viu minhas habilidades e nós acabamos ficando amigos, e ele me ensinou alguns truques. Até que um dia ele me perguntou se eu queria se juntar aos Merry Men's e tentou me convencer dizendo que eu seria a primeira mulher no bando. Claro que aquilo seria uma honra para mim, mas eu recusei — Ela parou um pouco para respirar — Eu precisa me vingar de você e aquela história toda
– Isso foi tolice — Respondi sem me preocupar com o que ela iria achar
– Eu sei
Nós andamos em silêncio, até que eu vi. De longe parecia algum tipo de obra de arte moderna, mas quando nós chegamos perto, eu percebi que era uma porta.
– Então, é aqui — Falou ela
– É só entrarmos? — Perguntei analisando a porta. Não era uma coisa fabulosa de se ver, eram duas colunas douradas com raízes envoltas e no meio havia uma porta de ferro.
– "Pela porta, pise adentro. Do coração puro ela não se esconderá." – Ela falou
– Então deve ser isso! — Eu abri a porta e para minha surpresa, ela mostrava o outro lado da floresta.
– É só entrar — E foi isso que ela fez e desapareceu pela porta.
Eu sorri entendendo aquilo — Um portal com feitiço barato de disfarce. — Então eu entrei.
Estava nevando, nevando muito. Imagine a neve de dezembro, aquela neve boa que faz a gente ficar debaixo do coberto e tomar xícaras de chocolate quente o dia inteiro, aquela neve em que as crianças constroem bonecos de neve e os casais patinam de mãos dadas. Era assim que eu me sentia depois de ter passado pela porta. A neve caia em pequenos flocos no chão, que parecia mais um travesseiro fofinho, o meu cansaço era tanto que eu estava quase deitando nela.
– Ela foi banida para cá? — Perguntei
Uma fumaça branca começou a sair do chão e logo uma mulher se materializou dela. Era a bruxa boa do sul
– Sim, eu fui banida para cá, Regina
– Como sabe meu nome? — Perguntei
– Ouvi histórias sobre a Evil Queen — Respondeu ela suspirando — E você Merida — Ela olhou para a ruiva — Ouvi histórias sobre a sua bravura, que foi ofuscada pelo seu desejo de vingança — Merida abaixou a cabeça
– Não viemos aqui falar sobre nosso passado — Eu disse impaciente com o abuso daquela bruxa gelada — Estamos aqui por que soubemos que sua magia pode derrotar a Wicked Witch
– Viemos pedir ajuda — Completou Merida já de cabeça levantada
– Sinto muito. Minha magia não é forte o bastante para derrotar Zelena — Respondeu ela, parecia estar lamentando mesmo. — Nunca foi
– Você a conhece — Merida falou
A expressão da bruxa mudou, agora ela olhava para algo atrás de nós, talvez o passado — Éramos amigas, há muito tempo.Quando tudo era diferente, mas ela escolheu o caminho dela e cedeu à magia negra — Merida e eu nos olhamos, nós já conhecíamos e havíamos vivenciado essa história — Tentei impedi-la, mas falhei.
Eu queria gritar. Gritar com todas as forças o quanto eu odiava o mundo o universo e toda essa droga de destino. Porém, não gritei, apenas controlei minha raiva xingando mentalmente todos os palavrões que eu conhecia
– Deve haver uma maneira de derrotá-la! — Merida insistiu
– Existe uma — A bruxa falou — Ela nasceu com um grande poder. Tempos atrás eu dei a ela um pingente para ajudá-la a concentrá-lo. A mágica dela está dentro dele desde então.
Eu me lembro do pingente, estava pendurado no pescoço dela, e era verde como ela — Então, se o retiramos, ela perde o poder e podemos derrotá-la?
– Sim, mas somente quem possuir a magia de luz mais poderosa, poderá conseguir tal feito.
– Magia de luz? — Merida perguntou
– Magia criada do amor — Ela respondeu. Pronta, agora aquela era uma espécie de missão impossível.
– Como conseguimos essa magia? — Perguntei, ela apenas riu como se fosse uma pergunta boba
– Você tem magia de luz, Regina! Você deve apenas deixar o passado para trás e concentrar todos os seus bons sentimentos — Respondeu ela como se fosse uma coisa simples.
Aquilo realmente me surpreendeu, eu não sabia que tinha magia de luz. Todos esses anos na escuridão e na solidão, nunca pensei que realmente houvesse algo bom dentro de mim, mas havia o fato de eu ter mudado, de verdade, então eu deveria ter algo de luz dentro de mim.
– Sim, você. Porém vocês tem que ir logo, o tempo está acabando — Ela disse em um tom alertante
– Nós nem sabemos seu nome! — Merida disse
– É Glinda, agora vão — Ela estava praticamente nos expulsando
– Obrigada, Glinda — Disse ela
Nós saímos, e para minha desagradável surpresa, Zelena estava lá
– Ora, Ora. Parece que minha irmãzinha encontrou uma amiga — Falou ela com aquele tom irritantemente nojento
– E você ainda não acho um vestido que combine com você — Disse no meu melhor tom Evil Queen, só para provocá-la. Ela deu um passo para mais perto de nós e Merida se preparou seu arco.
– Você é tão patética — Zelena disse e transformou Merida em um macaco voador, me deixando com mais raiva. — Pronto, agora somos só eu e você
Eu conjurei uma bola de fogo, mas ela apagou e bloqueou meus movimentos, tão rapidamente quanto eu acendi. Eu tentei fazer o que Glinda disse, pensei em todas as coisas que eu amava, mas nada aconteceu — Sempre os mesmo truques — Ela revirou os olhos — Vê se aprende algo novo. Eu não vou te matar, não agora . Porém eu vim deixar alguns "amigos" com você — Na mesma hora dois macacos voadores apareceram e Merida e minha irmã foram embora.
Eu conseguia me mover, então conjurei uma bola de fogo e atingi o primeiro macaco, conjurei outra e acertei o segundo. Porém quando virei para trás, vinha um terceiro em minha direção, não tive tempo para nada a não ser me jogar no chão. Então eu vi, uma flecha o acertando, por um segundo eu achei que fosse Merida, mas uma voz masculina soou atrás de mim:
– Você está bem? — Era Robin
Fale com o autor