On Mercury
8 Capítulo 8
Notas iniciais
— Ei, Lind... Quer conversar? — Nate empurrou um pouco a porta que estava encostada do quarto da garota. Ela levantou os olhos de seu livro e sorriu como afirmação. Ele sentou-se ao lado dela e ficou por alguns minutos a fitando. Ela tinha um brilho novo nos olhos e algum motivo a mais para sorrir. — Esse lance com o Kiedis então...
— É, Nate! — sorriu fraco e olhou para o rapaz. — Me sinto bem com ele.
Desta vez, ela deitou-se no colo do ruivo, que começou a fazer carinhos em seus cabelos, mas de vez em quando os puxava fazendo a garota lhe beliscar. Fazia tempo que os garotos não viam a morena deste jeito, com este brilho no olhar e algum motivo nos lábios. Era uma garota opaca, sem sorrisos e sem brilho no olhar desde que River, seu namorado havia morrido, há alguns anos atrás. River era amigo dos garotos também, e ele era o guitarrista da banda. Antes de morrer, pediu para os amigos para que tomassem conta da garota, e não deixar que ninguém a magoasse ou algo do tipo. River era um cara legal, o primeiro namorado sério da garota. Eles haviam namorado por três anos até a trágica morte de River. Desde então, Lindsay nunca sorriu aquele sorriso verdadeiro e não brilhava mais seu olhar. Essa repentina aproximação com Anthony haviam feito todos se preocuparem, ainda mantendo a promessa com River de pé.
— Se ele não tivesse namorada, Lindsay... — começou falando em pausas e com receio.
— Ela não faz bem nenhum a ele, Nate. — retrucou rápido.
— Até pediria para dizer isso a ele, mas se os amigos dele já falarou e ele não ouviu, porque ouviria você?
— Porque ele tem um fraco por mim! — disse se gabando. Levantou-se do colo do rapaz e sentou-se frente a ele, que arqueou a sobrancelha com a resposta da moça.
— E porque ele tem um fraco por você?
— Aprenda, Nate... Tenho seios! — disse rindo e fazendo o ruivo rir junto.
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Abriu as cortinas do imenso quarto com tudo, fazendo os fortes raios de sol adentrar no cômodo e o moreno revirar na cama, colocando o travesseiro em cima de seu rosto. Ele resmungou algo, mas a loira simplesmente ignorou e abriu o guarda roupa, jogando algumas roupas por cima da cama. Ele, contrariado, vendo que não conseguiria mais dormir sentou-se e encostou suas costas na cabeceira da cama.
— Porque está tirando todas essas roupas do guarda roupa, amor? — perguntou esfregando os olhos. A claridade ainda o incomodava. — Vai doa-las?
— Vou viajar por um tempo, Tony. — disse simplesmente, não parando o que fazia.
— Quê? — perguntou alto puxando a atenção da moça para si.
— Vou viajar, Tony! Quer que eu soletre?
Ela revirou os olhos e saiu do quarto andando lentamente. Ele levantou-se rapidamente da cama e foi atrás dela.
— Para onde? Quando? Até quando? Yohanna... Volta aqui, precisa me dizer. — parou em frente à escada, ela estava em baixo. Agora o encarava.
— Preciso esfriar a cabeça. — andou para a cozinha deixando-o parado em frente a escada. Ele desceu quase correndo as escadas e chegou a cozinha, bem perto da moça, que o encarava indiferentemente.
— Porque Yo?
— Já falei. Preciso de um tempo.
— De novo? — gritou. Não podia estar acontecendo. Não de novo. Já previa uma época de abstinência e depressão. Ela não podia fazer isso novamente. Sua cabeça gritava enquanto ele segurava-a pelos ombros, olhando fixamente nos seus olhos azuis. — O que eu fiz, Yo?
— Nada, Anthony. — soltou-se das mãos dele e foi pegar um café. Ele se sentou numa cadeira da mesa e apoiou a cabeças nas mãos.
— Se não foi nada, porque vai então? — perguntou hesitante.
— Preciso saber o que eu quero. — ficou o olhando de longe.
— Porra, Yohanna... Você acabou de viajar comigo, ao redor do mundo em turnê... E nesse tempo todo ainda não sabia o que queria? — começou a falar rapidamente, atropelando as palavras. — Acabamos de passar por tanta coisa e você ainda não sabe? — suspirou, mas logo continuou. — Passamos até pelo fato de eu ter tido um caso no avião e... — suspirou novamente e colocou as mãos no rosto. Havia dito demais, ela não sabia que eles haviam passado pelo fato de ele ter tido um caso no avião.
Ela chegou bem perto dele e sussurrou em seu ouvido:
— Eu sabia.
Subiu as escadas de dois em dois degraus, se antes já queria sair de casa... Agora não queria ficar mais nem um segundo.
— Yo! Volta aqui. — ele subiu atrás dela.
— Que você quer?
— Você!
— Pé! Resposta errada. Estou indo... Talvez eu te ligue quando estiver com a cabeça mais fria!
— Promete?
— Não! Me dá um tempo para digerir isso Anthony... Depois nos falamos.
E assim ela pegou sua bolsa e a pequena mala já pronta e saiu. Sem ao menos dizer “tchau” ou “até logo”. Sem dar uma última gota de esperança para o moreno, que jogou seu corpo na cama, ainda bagunçada, pois havia acabado de acordar, e fechou os olhos. O dia não havia começado bem, não seria um bom dia, provavelmente. Acabou adormecendo antes de ser dar conta e acordou já de tarde. Ligaria para Flea assim que comesse alguma coisa, pois seu estomago doía. Não só o estomago, mas sua cabeça e seu coração. A ideia de ficar mais um tempo longe da moça o perturbava. Pensou, rapidamente, em ir para um beco qualquer, comprar drogas ou outra coisa o que anestesiaria de toda a dor, mas lutou contra esse pensamento e ficou em casa. Mesmo que a solidão e a nostalgia, de um passado não tão longe, o acompanhassem. Deitou-se no sofá e procurou alguma coisa na televisão, nada. Resolveu tomar algum remédio para dor de cabeça e voltar para o quarto. Assim, teria facilidade para dormir, e dormindo, não sentiria nada. Talvez notasse o frio que fazia não ter outro corpo consigo na cama, mas isso era uma coisa que ele iria se acostumar.
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