Notas iniciais
Hey pessoinhas! Vocês devem estar pensando: se a fanfic foi lançada em janeiro, porque os capítulos estão sendo postados agora? A história foi reescrita, galeris! O enredo continua o mesmo, porém algumas coisas foram mudadas, então sugiro que leiam novamente (ou não, vai saber). Como sempre, agradeço às minhas amigas Tainá e Joyce, por me ajudarem com as ideias e capas. Sem vocês, nada do que eu escrevo teria sentido. Omission vai ser uma trilogia sim! Eu não desisto das coisas tão fácil, porém o meu tempo está bem limitado. Espero que gostem. Beijitos!

Amélie

Duas meninas correndo no meio da rua em plena madrugada. Normal? Talvez para Lacey e eu, que sempre nos metíamos nas maiores encrencas possíveis. Bebedeiras, brigas, confusões... Tudo era bastante comum para nós.

Nossa amizade era bem... Como eu posso dizer? Complicada. Discutíamos, ficávamos sem nos falar uma com a outra, mas nunca, nunca mesmo era algo definitivo.

– Corre Amélie! – Lacey gritava para mim desesperadamente.

– Pelo amor dos deuses, menina. Eu estou morrendo! – parei de correr e coloquei as mãos no peito – Pode me dizer o que raios aconteceu lá dentro?

– Continua correndo e eu te conto depois! – ela me puxava insistentemente – É sério Méli, se você não correr, vai acabar estragando esse seu rostinho lindo...

Soltei-me dos braços dela e fiquei parada, com os braços cruzados esperando por uma resposta – Fala logo. Eu vi você com um homem lá dentro.

– Primeiro – ela levantou um dedo – não era um homem, era um babaca.

– O que não deixa de ser um homem.

– Enfim... Estávamos dançando e tudo mais, até que ele me agarrou e tentou me beijar!

– Ele não era bonito o suficiente para você, gatinha? – falei com um sorriso irônico. Eu sabia como provocá-la.

– Deixa de ser idiota, Amélie. Eu não sou as negas dele!

– Certo, certo... Mas por que esse drama todo? Posso saber o que a dondoca aprontou?

– Digamos que eu... Soquei o resto dele, sem querer – Lacey deu de ombros – E uns “caras” estavam ao redor. Provavelmente os amigos.

– Sem querer? Lacey, você tem algum tipo de deficiência? Socou um menino que estava com os amigos? — Fiquei encarando-a sem acreditar. Aquela garota nunca pensava nas ações antes de realizá-las. E acredite, isso já me causou muitos, MUITOS problemas – Você sabe que neste exato momento, eles podem estar vindo atrás da gente?

– Sei. E é por isso que eu te arrastei até aqui – ela sorriu sacana e eu revirei os olhos – Qual é Amélie. Merecemos um pouco de aventura nessa nossa vidinha monótona.

– Lacey... Você tem dezoito anos e eu, dezesseis. Não acha que estou um pouquinho nova demais?

– Que nada. Esse é o tempo perfeito.

– Falando em tempo – puxei o celular do meu bolso, desbloqueando a tela e tentando ver as horas – Santamariadocéuedaterra. São duas e quarenta da manhã, Lacey! A gente tem que ir pra casa AGORA.

– Vai com calma, ruivinha. O que pode acontecer de tão ruim? – ela disse colocando a mão no meu ombro. Fiquei olhando para o braço dela até ela tirar.

O que pode acontecer de tão ruim? Já perdi a conta de quantas vezes ouvi essa frase. E dessa vez, veio da mesma boca de sempre. Com mais um detalhe: sempre tinha alguma coisa realmente ruim que iria acontecer.

– Nem vem com essas perguntas de filme de terror. Sabe como é, minha convivência com a senhora Wright não está muito boa. Na verdade, você sabe que nunca esteve, mas só falta um pouquinho para ela me despachar na rua.

– Vem morar comigo então.

– Ah, claro. Você vai me bancar?

– Hum... Não. Mas eu posso arrumar um emprego muito bom para você – ela deu uma piscadinha.

– Quem sabe na oficina da Verônica... – segurei a risada. Sabia que ela provavelmente iria começar a falar várias coisas e depois sair bufando.

– Nem me fale dessa mulher! – não aguentei e caí na gargalhada – Para Amélie – continuei rindo, dando algumas pausas para puxar o fôlego – Vai, fica assim mesmo. Depois tem um ataque de asma aí e não sabe por que.

– Nossa. Agressiva – voltei a andar, com os fios todinhos grudados no meu rosto e um cheiro insuportável de bebida em mim – Minha mãe vai me matar. Por que você tinha que justamente ter deixado cair cerveja em mim?

– Estou planejando essa vingança desde o dia em que te conheci – ela sorriu vitoriosa – Acho que consegui.

– Idiota – dei um tapa em sua cabeça e comecei a correr novamente, sendo seguida por uma loira totalmente bêbada e estressada.

May 23th, 2013

– Opa – caí na entrada de casa – Quase. Por que tudo está rodando?

– Está vendo o estado dessa garota, Paul? Bêbada mais uma vez! – minha mãe gritava comigo e ao mesmo tempo me arrastava para dentro.

– Amélie, você não tem limites, né? – meu pai trancou a porta e ficou de frente para mim. Eu jurava que estava vendo quatro olhos – Estou falando com você!

– O que seriam – solucei – limites? Pai, eu só estava curtindo, sabe como é...

– Não, nós não sabemos! Você sabe que está de castigo, não sabe?

– Ah, cala a boca. Você nem é a minha mãe para falar desse jeito comigo! Desde criança vocês me deixam trancada nesse lugarzinho horrível sem me deixarem fazer nada!

Antes mesmo de eu conseguir pensar em outra coisa, minha mãe avançou contra mim e me deu um tapa estalado no rosto. Levei minhas mãos ao local, provavelmente vermelho – Eu posso não ser a sua mãe biológica, mas fui eu quem te criei! Eu que te alimentei, cuidei de você e te tirei daquele orfanato! O que os seus pais verdadeiros fizeram por você?

– Com certeza eles tiveram um motivo para me abandonar – senti meus olhos se encherem. Eu não gostava daquele assunto – U-um motivo muito bom. Eles ainda vão voltar e me tirar desse inferno.

– Continue com essas suas esperançazinhas ridículas e suba para o seu quarto. Aposto que seus pais deveriam ser videntes e sabiam o encosto que você seria na vida de quem ficasse – ela disse com um sorriso debochado – Satisfeita?

– Você é uma pessoa terrível! – gritei apontando o dedo para a cara dela. Ou pelo menos em uma das caras.

– Nem consigo dormir com isso à noite.

Ainda cambaleante, subi os degraus correndo, tropeçando em meus próprios pés. Entrei no banheiro, joguei as roupas no chão e fui tomar banho para tentar refrescar minha mente. Fiquei alguns bons minutos parada, apenas sentindo a água fria cair em todo o meu corpo.

Eu não podia ficar em casa naquela noite. Não mesmo. Depois de toda aquela discussão com meus pais adotivos, a última coisa que eu queria fazer era ficar presa aqui dentro.

Essa era a minha vida: sempre brigando, discutindo, debatendo, chorando. As poucas coisas que eu sabia e restavam do meu passado era que eu havia sido adotada, fato. E que nem as pessoas do próprio orfanato sabiam quem havia me largado lá. Isso sempre foi um mistério.

Três fotos, um livro e um colar, com uma pedra roxa. As fotografias estavam embaçadas, mas algumas pessoas eram visíveis. Talvez uma família, um grupo de amigos, de estudantes... Porém eu tinha esperanças de que aquela gente fosse a MINHA família.

Sem perceber, o chuveiro havia desarmado, e a água que antes estava fria, agora estava congelando. Desliguei o mesmo e me enrolei na toalha, caminhando para o meu quarto e colocando uma roupa de festa. Como eu disse, eu não ficaria em casa aquela noite.

Já vestida, preparei-me para descer por onde eu sempre saía, bem pela janela do meu quarto. Abri a persiana e calmamente, destravei a trava. Coloquei meus pés em cima do telhado e depois todo o meu corpo. É claro que nem sempre aquela fuga dava certo. E logo hoje, não consegui me segurar e fui derrapando telha abaixo.

– Ai merda, merda, merda – segurei na madeira que sustentava, mas para uma garota fraca como eu, não consegui aguentar meu peso.

Caí de bunda no chão. Levantei rapidamente, na expectativa de que ninguém tivesse visto aquela queda. Lembrei-me de uma festa que Ceci estava dando enquanto seus pais viajavam e logo me apressei em caminhar o mais rápido possível.

Minha coordenação não estava uma das melhores. A bebida anterior ainda me causava leves tonturas, mas consegui acertar meus passos e andar sem cair. Eu não demoraria muito a chegar, pois sabia que a casa era apenas algumas quadras da minha.

De longe, as luzes piscavam freneticamente. A música alta ecoava em meus ouvidos como batidas ritmadas. Dei duas batidinhas na porta e fiquei esperando que alguém me atendesse. Missão quase impossível.

– E aí, Amélie! – a garota de cabelos negros sorria e segurava uma garrafa de vodka na mão.

– Ceci – sorri – Posso entrar?

– Mas é claro! Não precisava nem perguntar! – o barulho estava tão estridente que fui obrigada a tampar meus ouvidos – As bebidas ficam bem ali. Sinta-se a vontade

– Muito obriga...

– PESSOAL! – ela me cortou, dando um grito absurdamente alto. Futuramente um otorrinolaringologista seria uma boa – ESSA AQUI É A AMÉLIE, DÊEM OI PARA ELA!

Meu Deus do céu. Eu vou matar essa garota.

Um coro de vozes dizendo “olá” e “fala aí” foi formado. Eu estava envergonhada no início, mas logo deixei a música me envolver e nublar meus pensamentos ruins. Muitos jovens que ali estavam eram da minha escola e não tinham nem idade para beber.

Bem... Eu também não tinha, mas bebi mesmo assim. Acho que eu e eles estávamos empatados.

Perdi totalmente a noção de tempo. Dois rapazes se alternavam em dançar comigo e se beijar. Minha boca estava seca, muito seca. Fui em direção ao local indicado por Ceci e peguei uma cerveja. Eu estava sem forças, meus dedos doíam sem motivo e eu simplesmente não conseguia abrir uma merda de latinha.

Olhando para baixo e com o copo semi-aberto, não vi quando esbarrei numa garota alta e derramei todo o líquido em cima dela. As coisas realmente davam muito certo para mim, não é mesmo?

– Ai senhor – abaixei-me e tentei fazer algo. Só tentei mesmo. Minhas mãos estavam se mexendo em modo automático e eu parecia uma marionete – Desculpa, eu sou muito desastrada.

– Desastrada e cega – a menina puxou um pedaço do vestido e o torceu – Droga. Eu vou chegar fedendo a bebida.

– Desculpa mais uma vez. Eu realmente sou desajeitada – contraí os lábios – Não sei como ainda não ganhei o diploma de idiota. Ou melhor: A BABACA DO ANO – fiz uns gestos toscos com as mãos.

– Minha querida – ela riu – para de se martirizar, eu já estava de saída.

– Também estou indo embora, já causei muito tumulto aqui.

– Quer uma companhia para ir caminhando até em casa? – ela perguntou e eu levantei o cenho – Calma, eu não vou te estuprar. Você não faz o meu tipo.

Comecei a rir de uma maneira estranha, não sei se era por que eu havia a achado engraçada ou se estava assustada mesmo – Tudo bem, mas antes preciso saber seu nome. Chamo-me Amélie, e você?

– De Ravin. Lacey De Ravin – a loira falou com uma voz grossa, imitando o épico personagem de 007 – Agora vamos embarcar numa super jornada: a volta para casa de uma menina que é menor de idade e está bêbada.

– Eu não – levantei um dedo – estou bêbada. Não o suficiente para aguentar escutar o que falarão quando eu chegar.

Alguma coisa dentro de mim impulsionava-me a continuar falando com aquela menina. Por algum motivo esquisito, não consegui me distanciar dela. Parecia que eu tinha algum tipo de ligação, mesmo sem nunca tê-la visto antes.

Fomos andando lentamente. Aos poucos, adentrávamos mais naquele breu e no silêncio perturbador. Comecei a fazer algumas perguntas e calmamente ela foi me contando sobre alguns detalhes de sua vida.

Lacey morava com a tia há três anos. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas onze anos de idade e seu pai falecera há exatos dois anos. Ela recebia uma herança e como não possuía irmãos, todo o dinheiro ia para ela.

– Aqui – ela esticou o braço para me mostrar uma bijuteria – essa é a única coisa que me restou de minha mãe. Pode parecer um pouco nojento, mas eu nunca tiro esse bracelete. Parece que ele me deixa mais próxima do meu passado. Não sei.

– É muito bonito – segurei o objeto e analisei-o – Parece ser herança de sua família. Não é muito novo, tem algumas marcas de utensílios de época – terminei e ela ficou me encarando surpresa – O quê foi? Gosto de pesquisar sobre essas coisas.

– Certo – ela suspirou – Não é só isso – antes de eu poder reclamar, ela levantou a blusa até o sutiã – Eu também tenho essa cicatriz. É do acidente que minha mãe morreu. Não consigo lembrar muita coisa da minha infância. Quando eu forço minha mente, as lembranças só ficam mais embaçadas. É terrível.

– Pelo jeito, temos mais coisas em comum do que eu imaginava.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

– Está entregue, fofa – Lacey beijou minha bochecha e eu me afastei.

– Eca – fiz uma cara de nojo – Você está com bafo.

– E você não? Vai dormir Amélie. Vejo você amanhã.

– Espero que a patroa esteja de plantão – fiquei na ponta dos pés e dei um beijo na testa dela – Até amanhã.

– Baixinha.

– Babaca.

Acenei com uma mão e depois entrei em casa, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Internamente eu agradecia por não encontrar ninguém ali. Subi as escadas lentamente e me joguei na cama de meu quarto, sem nem tirar a roupa.

Peguei meu celular. Mesmo estando um pouquinho embriagada (imagina), minha vontade de perturbar certa pessoa estava aflorando. Disquei um número que estava na discagem rápida e esperei.

– Alô? – a voz soava rouca do outro lado da linha – Quem está falando e por que me ligou essa hora?

– Sou eu.

– Eu quem?

– Seu maior pesadelo – fiz uma voz grossa.

– Então deve ser a Amélie.

– Poxa vida, Emma – rendi-me – Eu sou seu pesadelo?

– Para me ligar essa hora, é sim. O que você está fazendo acordada ainda?

– Estou pensando.

– Pensando? E pra isso precisa me ligar?

– Hum... Acho que sim. Gosto quando você sabe o que estou pensando.

– E o que você está pensando?

– Adivinha, ué – joguei minha cabeça para o lado e fiquei fazendo desenhos invisíveis na luz que entrava pela janela.

– GAROTA, EU VOU MATAR VOCÊ AMANHÃ. DIZ LOGO O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO.

– Nossa. Você quer saber o que estou pensando, Emma?

– Sim – escutei ela bufar.

– Estou pensando o porquê de eu ter ligado para você essa hora.

– Vagabunda, sua imprest... – antes de ela conseguir terminar de falar, comecei a ter uma crise de risos. Nem eu sabia o motivo da ligação – Vai dormir Amélie.

– Por que todo mundo está falando isso para mim hoje?

– Porque você realmente tem que ir dormir. Tchau, sua bêbada.

Notas finais
Obrigada por lerem até o final! Deixem comentários, críticas construtivas (é claro, se vocês quiserem). Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.