Notas iniciais
E agora começa a verdadeira aventura, mas algo realmente inesperado acontece com nossos heróis, mantenham-se determinados!

— Você! – Eu preparei um daqueles canhões em forma de crânio que, aliás, se chamam gasterblasters. Mas antes de disparar, a Bella, segurou meu braço, fazendo com que o tiro errasse, deixando Flowey pálido. – Por que você fez isso amor?!

— Amor, o que houve...? Desde o momento antes daquele treinamento você ficou assim... Parece que você está com um olhar envelhecido por anos... Está tudo bem? Você quase matou o Flowey... Sei que ele pode ser irritante no começo–

— Hey, eu ainda estou aqui.

— Mas ele não é puramente mal, lembra? – Ela me olhou de forma triste, e aquilo realmente doía meu coração. Aquela dor de tristeza que eu sentia ao olha-la nos olhos também me deixava feliz. Independente de quantas vezes eu vi e senti “aquilo” durante o período entre o mundo voltar ao ponto de SAVE, eu ainda podia sentir.

— Desculpa... Eu... Vou com calma, okay? Eu tive err... Alguns momentos difíceis pra pensar. – Invoquei um osso grande o suficiente para ser usado de bastão, e girei-o com maestria, bloqueando alguns projéteis disparados por aquela flor desprezível. – Eu estava falando, seu merdinha. – Estendi minha destra, cercando-o de gasterblasters. – Me interrompa de novo e você morre. E eu não brinco em serviço. Você sabe disso.

— Quantas vezes já fazem? Foram quinze? Dezoito? Eu acho que já foram mais de vinte. – Flowey gargalhava conforme seu rosto se deformava de uma forma monstruosa. – Em breve ela acordará de novo, e você vai morrer de novo. Exatamente como o papel que você está substituindo. – Flowey gargalhava novamente, entrando no solo e desaparecendo.

Perfeito. Agora serei perguntado “O que houve” e se “Sei de algo que não contei” e terei que explicar para ela, e o medo de fazer algo que desperte a Chara vai desenrolar um problema ainda maior, forçando-a a usar magia, fazendo a Chara despertar, me matar e destruir o Underground... Perfeito...

— Amor...

— Eu sei o que você vai per– – Ela me abraçou apertado, apoiando a cabeça em meu peito, preenchendo meus pulmões com aquele doce cheiro que ela carregava. De todas as vezes que aquele “filme” se passou na minha cabeça, isso nunca tinha acontecido...

— Eu entendi o que ele quis dizer... Eu estou aqui por ti, tá? Eu vou estar ao seu lado pra sempre. – As palavras dela enchiam meus olhos de lágrimas, e eu a apertei em um abraço desesperado. Os deuses sabem como eu queria que aquele momento durasse para sempre, que o tempo parasse e nós ficássemos para sempre abraçados ali. Mas precisávamos prosseguir.

Eu a soltei delicadamente e sorri em silêncio, piscando meu olho direito para ela. – Vai ficar tudo bem okay? – Continuei andando pela entrada, e eles me seguiram. Não, espera... Apenas a Bella estava me seguindo. Onde diabos foi meu irmão?!

— Ele estava atrapalhando muito. Não conseguiríamos cumprir o plano se tivéssemos que lidar com vocês voltando o tempo todo. Não se preocupe, meu irmão cuidará dele pessoalmente. – Virei para ver de onde raios estava vindo aquela voz, e era um garoto de cabelos brancos, aproximadamente uns 1,64 de altura, feições delicadas como as de uma criança e as roupas eram como as de um ninja. – Nem tente avançar, isso é apenas uma cópia minha. Você deveria prestar mais atenção em seu irmãozinho “querido”. Quantas vezes você precisou mata-lo por causa dess– – Um osso pontiagudo atravessou a cabeça da cópia, fazendo-a desaparecer em uma pequena cortina de fumaça. – Você precisa aprender a ter mais paciência, então que tal isso?

Ele fez uma série de selos com a mão e desapareceu pouco antes d’eu sentir uma dor de cabeça. Antes que eu me desse conta, estávamos em um lugar que parecia um corredor com as paredes e teto em pedra preta, o chão de mármore branco e tochas nas pareces e colunas cinza juntando o teto escuro com o chão claro. Um cenário perfeito pra enfrentar um inimigo importante pra história, se me permite comentar.

— Eu não te vi antes. Por que dar o ar da graça agora? – Perguntei.

— Eu não te devo respostas. Você vai morrer aqui. – Ele avançou contra mim, mas foquei meu olhar contra o peito dele, conseguindo enxergar-lhe a alma. Fechei meu olho direito, fazendo o esquerdo brilhar em ciano, arremessando o garoto contra a parede, que fazia um baque surdo antes de ele cair no chão. – Droga! Isso dói de verdade seu maldito!

Não fiquei parado esperando uma reação. Uma onda de ossos começou a crescer onde quer que ele tentasse ficar de pé por mais de um segundo. O garoto então começou a saltar entre as colunas para manter-se no ar, achando que estava seguro, mas continuei com os ossos aparecendo onde ele parava. Estendi então minha outra mão, fazendo uma série de gasterblasters dispararem ao mesmo tempo, conseguindo queimar as costas dele com um disparo de raspão e um outro arrancar-lhe parte da panturrilha. O garoto então caía no chão sangrando, se retorcendo de dor.

— Honestamente, não sei o que você esperava conseguir, me prendeu por pouco menos de três minutos. Agora, morra. – Estendia a destra com meu olho se acendendo novamente.

— E-eu não tenho medo de você! N-n-nem de morrer! Meu irmãozão vai acabar com você! – Por que aquilo me fez hesitar? Eu poderia ter acabado com o moleque agora mesmo... Mas o que me impedia?

— Essa é sua primeira luta por acaso? Você não chora por estar quase sendo derrotado. Você luta até o fim, sua vida depende disso. Eu iria realmente te transformar em um dos shish kebabs menos saborosos do mundo. – Me aproximei do moleque e dei-lhe um cascudo na parte da frente da cabeça, com o punho fechado. – Chamar pelo seu irmão não vai funcionar sempre, sabia? Eu aprendi isso quando eu tive que brigar minhas próprias brigas.

— E-eu não vou ouvir conselhos de você... Meu irmãozão vai vir me proteger! Eu sei disso! – Sério, o choro desse moleque está me irritando.

— Na moral, quer parar com esse mimimi?! Aprenda a crescer! Você é um fodendo ninja, você tem técnicas e habilidades que na minha época de escola eu faria até os professores se cagarem de medo! Treine, fique mais forte, coloque sua alma em lutar ou faça algo que não envolva brigas, sacou?! Lutas são algo sério, que merda de ninja é você?! – Uffa, eu precisava tirar esse peso do peito.

— Hmm... – O garoto olhou para baixo, tentando segurar o choro, mas lacrimejando. – E-eu só quero ser um bom ninja pro meu maninho gostar de mim... Ele nunca passou tanto tempo cuidando de mim do que quando estamos treinando... Nem quando nossos pais se foram... Ele nunca me deu tanta atenção assim...

— Então continue lutando por isso! Queime o amor por seu irmão como sua determinação de treino, sacou! – Dei outro cascudo no moleque, cara, isso era realmente o que eu estava precisando pra aliviar tensão.

— Suzuki?! – Uma voz grave ecoava pelo corredor, e algo que eu poderia jurar que era um cosplayer do Ryu Hayabusa passa correndo com uma velocidade capaz até de me assustar, chutando meu rosto e me arremessando contra um dos pilares. Eu facilmente parei o impacto, mas caralho, meu rosto doía pra cacete. Limpei o sangue que escorria do meu lábio inferior com meu polegar. – O que você fez com meu irmãozinho, seu desgraçado?! Ele está sangrando e chorando... E você irá pagar por isso!

— Sério? De Undertale vim parar em clichê de anime? – O cara surgia acima de mim, girando no ar e descendo com um chute que se eu não saltasse para trás no mesmo momento eu sinto que teria aberto minha cabeça como um coco por um facão.

— P-para maninho! E-ele estava certo! – O guri estava com o rosto avermelhado, mas parou o que ia dizer. – Na verdade... Vai nessa maninho! Você não faz ideia do que ele tentou fazer comigo! Eu preferi morrer e acabei desse jeito!

“Filho da puta...” Pensei. O mais velho nem se deu o trabalho de falar mais nada, ele sacou duas ninja-to e começou a quicar pelas paredes em uma velocidade ridícula. Mas sem que eu percebesse a tempo, um corte se formava em minhas costas, mas havia apenas arranhado a pele, cortando meu casaco e minha camisa.

— M-mas o que?! – Eu olhei para trás, e o movimento que ele estava fazendo estava produzindo diversas ondas de vento cortante. Depois de perceber a próxima que vinha em minha direção, consegui me teleportar para o lado. Ele correu em minha direção e saltou novamente e eu reagi cruzando meus braços acima da minha cabeça, mas o golpe que ele havia “preparado” era apenas uma finta. Ele abaixou e tentou cravar uma das lâminas em meu quadril.

— Argh..! – O som de sangue ecoava conforme as gotas pingavam no chão. – C-como? – Ele perguntava, com os braços dele perfurados do pulso ao ombro. Mas antes de responder, criei um gasterblaster e disparei em seu peito em cheio. Apesar de ser resistente, o peito dele ficou em carne viva. Certo... Usar toda essa quantia de mágica era mais cansativo do que eu imaginava.

— M-maninho! – O irmão mais novo, aparentemente chamado Suzuki mancava até o irmão. – V-você está bem?!

— Corra... Suzuki... É o fim da linha para mim, mas você ainda pode se tornar alguém grande... É jovem e habilidoso... – O mais velho segurava o rosto do mais novo. – Por favor... Sobreviva...

— E-eu não quero ir sem você! E-eu te amo Ryuken-nii! Não quero viver em um mundo sem–

— Argh, puta que o pariu, querem parar com o draminha de despedida agora?! Eu não vou matar ninguém nesse caralho! – Reclamei com um olhar sério pros dois. – Querem fazer o favor de me tirar daqui e depois arrumarem um quarto pra resolver todos esses sentimentos reprimidos antes que apareça uma amiga de infância ou alguma merda desse tipo? – Esfreguei minhas têmporas. – Se eu tiver que ouvir mais alguma frase clichê de romance shoujo de amor proibido entre irmãos que por mais que se amem são medrosos demais pra admitir o que sentem pelo outro, eu juro que eu mato uma vadia hoje!

Eles ficaram com os olhos arregalados e se entreolharam pouco em seguida. Até que o tal de Ryuken se sentou, com a mão sobre o peito.

— Podemos te levar de volta... Mas você sabe o que vai acontecer, não sabe? – Ele estava com pena de mim? Que filho da puta.

— É, eu sei bem. Mas se eu não voltar e não tentar, eu não vou ter como salvar a minha irmãzinha, não é? E você deve entender bem disso. – Estalei meu pescoço e respirei fundo, recuperando parte do fôlego que eu havia perdido durante a luta.

— Mas e quanto ao seu irmão, não está preocupado com ele? – O baixinho me perguntou, segurando firme no braço do irmão.

— Nah. Ele é o tipo de pessoa que aguenta um soco meu com força total, ele não vai ser derrubado por meras coisinhas até voltarmos a nos encontrar. E pelo que consegui sentir, já passamos no mínimo uns vinte minutos aqui. O que significa que–

— Na verdade, esta dimensão foi feita pra que você perdesse tempo... Infelizmente, já se passaram cinco horas desde que você entrou aqui... E nesse momento sua esposa... Ela...

— Eu já sei onde ela vai estar. Apenas me leve pra lá então. E agradeço a vocês dois, eu precisava me lembrar um pouco de quem eu sou antes de tomar uma decisão. – Suspirei enquanto fechei meus olhos, e sem mais questionamentos ou avisos, senti aquela leve dor de cabeça de antes e desapareci daquele lugar.

— Se ele conseguir evitar isso tudo... O chefe não vai querer matar a gente? Afinal, nos tornamos traidores com todo aquele teatrinho pra fazer ele voltar a si...

— Eu sei Suzuki... Mas teremos de enfrenta-lo juntos. Se esses garotos morrerem, será o fim de tudo o que conhecemos.

Senti a luz machucar meus olhos, e os abri lentamente. Era um lugar que eu mesmo já vim muitas vezes antes mesmo de cair neste mundo. Judgement Hall. Era quase exatamente como o lugar em que eu havia lutado, mas as paredes tinham um tom dourado e o chão era separado em pisos quadrados amarelos e alaranjados. Não pude evitar de Megalovania começar a tocar em minha cabeça, mas eu não poderia me dar ao luxo de ficar cantarolando agora, conforme eu ouvia passos se aproximando. Me apoiei em uma das colunas douradas, brincando com um pequeno osso com a ponta de meu dedo conforme ela se aproximava.

— E então, somos apenas eu e você, não é, comediante? – Bella estava com as mãos completamente empoeiradas e as íris de seus olhos estavam em um tom rubro. Seu sorriso ansioso e a faca firme em mãos, coberta de poeira e sangue me fizeram sentir um calafrio, mas consegui manter meu coração tranquilo.

— De todas as pessoas, eu não imaginava ter que julgar você. Mas, fazer o que... Então, vamos pular toda a conversa chata? – Sorri de canto, fechando meus olhos.

— Vá em frente. Eu quero ouvir de você.

— Está um dia lindo lá fora. Pássaros cantando. Flores desabrochando. Em dias assim, crianças como você... Deveriam estar queimando no inferno.

Notas finais
Afinal, quem são aquela dupla suspeita que tirou Raphagol do caminho? Seriam eles realmente aliados? E no próximo capítulo, a batalha entre Raphagol e Bella, sans e Chara! Quem sairá vitorioso?!