Omedetou, Kiba!
1 Capítulo único
Notas iniciais
Aqueles pestinhas que, sorrateiros, invadiam o seu quarto, acompanhados do outro pai e dos dois ninkens da família, não negavam que tinham sangue Inuzuka correndo em suas veias. Sendo assim, fingir-se de morto era o gesto mais nobre que Kiba poderia fazer no momento. O Ômega não sabia se futuramente Sora e Himeko, os pestinhas em questão, ainda acreditariam naquele seu estratagema bobo, por enquanto, a adrenalina que vinha dos chakras de seus filhos, proporcionava alegria e tranquilidade ao seu coração, e isso não tinha preço.
— Chiu, silêncio! — Himeko soou autoritária a julgar que ele dormia. Kiba podia até ver a marrentinha com o indicador em riste e a mão livre apoiada no quadril, antes de ditar suas próximas ordens: — Sora fique aqui, Touchan, nesse cantinho, Akamaru e Himaru, deste lado, e não façam barulho. Entenderam?
O aniversariante segurou o riso. Jamais estragaria o esforço da princesinha em surpreendê-lo. A pequena, sem dúvidas, imaginava estar falando baixo, quando acontecia justamente o oposto.
— Eu vou acordar o tousan e quando ele abrir os olhos... — a Beta começou, mas Sora, esse, sim, aos sussurros, resmungou.
— A gente já sabe o que deve ser feito. Só anda com isso, Hime-chan.
O Inuzuka só se controlou, pois amava profundamente aquela tradição que Shino imprimiu nos filhotes desde que eram cotoquinhos de gente, ocasião em que seu marido e os pequerruchos passaram a lhe preparar as mais variadas surpresas no dia de seu aniversário.
Kiba sempre ficava curioso em relação ao que os filhotes e Shino haviam preparado para seu aniversário, além do bolo confeitado que era de lei. Ao contrário das crianças, o Alpha sempre conseguia deixá-lo no escuro quanto aos preparativos para o dia sete de julho, o que só aumentava a magia da data. Coincidentemente, este ano a data festiva caiu num domingo, além disso, também era Tanabata Matsuri, ou seja, um prato cheio para os festejos se estenderem por todo o dia.
— Por que você precisa ser sempre tão chato, garotinho? — Himeko demonstrou irritação, mas não deu muita importância para o irmão e seguiu com o plano. — Eu vou começar a contar agora, ok?
Sora revirou os olhos.
Himeko, com a ajuda dos dedinhos da canhota, iniciou a contagem regressiva em voz alta: — Cinco, quatro, três… — mas terminou a retrocessiva apenas mostrando os últimos dois dedos. Então ela gritou. — Acorda Kiba-tousan!
Para abrilhantar sua belíssima encenação dramática, Kiba espalmou a destra e sentou na beira da cama:
— O quê?!
— Surpresa! — Todos gritaram, inclusive Shino e Akamaru, que o Ômega não enganava há anos.
Sem vergonha, Himeko agarrou o pescoço de Kiba e Sora fez o mesmo.
— Omedetou, tousan! — Sora beijou por um longo tempo a bochecha do pai. Seu menininho seguia a cada dia mais tímido e discreto, o oposto da irmã.
— Parabéns, tousan! — Assanhada, Himeko, ao invés de um, deu dois beijos em Kiba.
Himaru pediu passagem, latindo e pulando sobre o assoalho. Ele esperava que a Beta o chamasse para se juntar a ela e Sora, o que aconteceu. Abusado tal qual a tutora, o cão subiu nas pernas de Kiba e lambeu a bochecha do Ômega, despertando o ciúme de Akamaru, que faria o mesmo, se pudesse. O cão ninja adulto não tinha tanta energia quanto o filhote, uma vez que já era um jovem senhor.
— Feliz aniversário, amigão. — Kiba estendeu a mão na direção do ninken assim que Himaru desceu de seu colo. Akamaru, mais lento do que costumava ser no passado, aproximou-se de seus pés. Sete de julho também era seu dia de aniversário. O Inuzuka jamais esqueceria disso. — Que possamos continuar juntos por muitos anos mais.
Akamaru agradeceu com um latido.
O Ômega não sabia se aquele desejo seria concretizado, já era um milagre o outro estar ao seu lado por tanto tempo. Sem se deixar levar pela emoção, pois não queria chorar num dia tão alegre. Kiba prosseguiu com o teatrinho.
— Seus pestinhas... — Kiba olhou para Shino — Estão pretendendo me matar do coração? — indagou, fazendo o Aburame menear a cabeça. O Alpha possuía uma caixa de tamanho considerável nos braços, sobre a qual havia outra menor e também uma bandeja contendo uma torta de chantilly enfeitadas com morangos. — Tenham piedade de mim, pois estou muito velho para tanta emoção.
Entrando na brincadeira, Shino se aproximou da cama deles. As crianças e os ninkens permitiram-lhe colocar as caixas e o bolo sobre o colo de Kiba.
Ultimamente, o Aburame se divertia muito com aquele lado resmungão de Kiba. Aos dezesseis anos, quando o Ômega estava gestante, ele costumava reclamar por ser novo demais e ter que carregar o barrigão dos gêmeos sozinho, mas recentemente em vias de completar vinte e cinco, seu foco mudou e ele começou a recorrer à cartada de ter filhos prestes a completar oito anos para seguir com seus resmungos, agora sobre o peso da idade.
— Feliz aniversário, meu querido ancião. — Shino segurou o queixo de Kiba com delicadeza, inclinou o corpo e, ao encostar o rosto do Ômega em sua direção, beijou devagar seus lábios, terminando assim sua felicitação.
O carinho demorado despertou a indignação de certa pessoinha.
— Ah não! — Himeko apoiou as mãos na cintura e fez cara de quem comeu e não gostou. Seus pais se separaram e a encararam. — Shino-touchan, o que combinamos? Beijo só após o tousan cortar o bolo e abrir os presentes!
Kiba e Shino se entreolharam, mas antes que pudessem reagir, a voz de Sora apareceu no interior do quarto:
— Por que você precisa ser sempre tão chata, garotinha?
A pergunta do menino teve um efeito engraçado. Parecia que ele tinha dito: estátua!
Depois do choque, começando por Kiba, como se fosse um efeito dominó, Shino e os filhos tiveram uma boa crise de risos. Risos deliciosos que ditariam o ritmo do quão extraordinário seria, por mais um ano, aquele tão aguardado dia sete de julho.
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Ao contrário de Shibi, pai de Shino, que preferiu o conforto do lar ao evento, os Inuzuka Aburame optaram por prestigiar o festival das estrelas no parque arborizado da Vila da Folha, fechando o domingo com chave de ouro. Assim que a família colocou os pés na entrada do parque, acompanhados de Himaru, Sora e Himeko ganharam o mundo em busca da avó e da tia, que chegaram ao local minutos antes. Shino e Kiba decidiram não se preocupar. Os gêmeos, além de bastante estimados, eram muito queridos por toda a Vila Oculta. Sempre haveria pessoas de bom coração a zelar pelos dois.
Enquanto Shino e Kiba caminhavam devagar em consideração a Akamaru, o casal, ou melhor, o Inuzuka, parecia estar num desfile de moda. Vestindo um quimono tradicional com estampas florais, presenteado por Sora, inclusive foi o próprio moleque quem pintou o tecido a mão, o Ômega também exibia no braço esquerdo uma bela pulseira de miçangas, que Himeko confeccionou e lhe deu aquela manhã.

Como era esperado, Chiyo-san foi a primeira com quem o casal se encontrou. Depois que ambos a saudaram, Shino abriu a carteira e perguntou de quanto havia sido o prejuízo que seus filhos lhe deram. Muito gentil, a senhora cobrou o valor devido e o Aburame acertou sem dificuldades. Por mais um ano, a idosa garantia seu sustento, vendendo seus deliciosos doces finos e lindos balões em forma de bichinho no parque, durante os dias de festival.
Chiyo não se esqueceu de felicitar Kiba e Akamaru por seus respectivos aniversários. O Ômega demonstrou gratidão pelos dois. Em suas memórias de infância aquela mulher sempre teria um lugarzinho especial. Em seu aniversário ela sempre era extremamente carinhosa e lhe presenteava com um docinho e um balão, ainda que ele não tivesse uma moedinha com a qual lhe pagar.
De forma sorridente, Kiba e Shino se despediram da mulher, que foi mais uma dentre tantos amigos e conhecidos a aproveitar a oportunidade de encontrá-los durante o festival para tecer elogios a respeito da qualidade da educação que o casal vinha dando aos filhos, bem como ao seu crescimento físico e intelectual de Sora e Himeko.
— Que tal sentarmos aqui, marido. — O Inuzuka escolheu um banquinho de madeira a poucos metros do palco onde acontecia uma apresentação de dança acontecia. Shino acomodou-se à sua direita. Cansado, Akamaru escolheu um lugar confortável próximo aos dois e ficou por ali também, enquanto isso, em uma barraquinha de dangos, eles avistaram os gêmeos, na companhia de Tsume e Hana. Sua mãe e sua irmã estavam indo às forras e enchendo os pestinhas de guloseimas.
Observando os filhotes ao longe, um sentimento incondicional de afeto tomou conta de Kiba e atingiu Shino através do vínculo. Há alguns anos, quando com os olhos cheios de lágrimas e certo desespero na voz, ele procurou o Alpha ao seu lado para anunciar que ambos seriam pais, ele temeu o futuro e o que a paternidade lhe reserva. O medo se intensificou após o primeiro ultrassom e a descoberta de uma gravidez gemelar.
— Né, Shino… — O Ômega permaneceu concentrado em seus filhos. Sabendo que ainda não havia agradecido seu esposo adequadamente ao longo do dia, Kiba chamou a atenção do outro e disse: — Obrigado por embarcar nessa louca aventura comigo.
Shino conseguia imaginar o que se passava na mente do Ômega, não apenas ao observar seu olhar, mas também pelo afeto que conseguia sentir através da conexão espiritual entre os dois.
— O prazer é todo meu.
A resposta de Kiba foi um sorriso imenso. Em outra situação, ele prepararia um discurso e reclamaria do quanto seu marido podia ser simplista às vezes, mas naquele momento, ele não queria reclamar, apenas contemplar. O ômega então apoiou a cabeça no ombro do marido, pegou sua mão e entrelaçou seus dedos. Em seu coração, ele fez uma breve oração, agradecendo aos deuses por todos os presentes valiosos que eles lhe deram ao longo de seus vinte e cinco anos de vida.
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