Omedetou, Kiba!

1 Capítulo único


Notas iniciais
Essa história não foi betada. História ambientada no mesmo universo de Retratos da família Inuzuka Aburame, fanfic de minha autoria. Em homenagem ao aniversário do Kiba que foi domingo, dia sete de julho. A fanart linda de bonita no qual a one foi inspirada é de autoria de Iara Tara (@rasqueria), Obrigada Tarinha. Espero que gostem

Aqueles pestinhas que, sorrateiros, invadiam o seu quarto, acompanhados do outro pai e dos dois ninkens da família, não negavam que tinham sangue Inuzuka correndo em suas veias. Sendo assim, fingir-se de morto era o gesto mais nobre que Kiba poderia fazer no momento. O Ômega não sabia se futuramente Sora e Himeko, os pestinhas em questão, ainda acreditariam naquele seu estratagema bobo, por enquanto, a adrenalina que vinha dos chakras de seus filhos, proporcionava alegria e tranquilidade ao seu coração, e isso não tinha preço.

— Chiu, silêncio! — Himeko soou autoritária a julgar que ele dormia. Kiba podia até ver a marrentinha com o indicador em riste e a mão livre apoiada no quadril, antes de ditar suas próximas ordens: — Sora fique aqui, Touchan, nesse cantinho, Akamaru e Himaru, deste lado, e não façam barulho. Entenderam?

O aniversariante segurou o riso. Jamais estragaria o esforço da princesinha em surpreendê-lo. A pequena, sem dúvidas, imaginava estar falando baixo, quando acontecia justamente o oposto.

— Eu vou acordar o tousan e quando ele abrir os olhos... — a Beta começou, mas Sora, esse, sim, aos sussurros, resmungou.

— A gente já sabe o que deve ser feito. Só anda com isso, Hime-chan.

O Inuzuka só se controlou, pois amava profundamente aquela tradição que Shino imprimiu nos filhotes desde que eram cotoquinhos de gente, ocasião em que seu marido e os pequerruchos passaram a lhe preparar as mais variadas surpresas no dia de seu aniversário.

Kiba sempre ficava curioso em relação ao que os filhotes e Shino haviam preparado para seu aniversário, além do bolo confeitado que era de lei. Ao contrário das crianças, o Alpha sempre conseguia deixá-lo no escuro quanto aos preparativos para o dia sete de julho, o que só aumentava a magia da data. Coincidentemente, este ano a data festiva caiu num domingo, além disso, também era Tanabata Matsuri, ou seja, um prato cheio para os festejos se estenderem por todo o dia.

— Por que você precisa ser sempre tão chato, garotinho? — Himeko demonstrou irritação, mas não deu muita importância para o irmão e seguiu com o plano. — Eu vou começar a contar agora, ok?

Sora revirou os olhos.

Himeko, com a ajuda dos dedinhos da canhota, iniciou a contagem regressiva em voz alta: — Cinco, quatro, três… — mas terminou a retrocessiva apenas mostrando os últimos dois dedos. Então ela gritou. — Acorda Kiba-tousan!

Para abrilhantar sua belíssima encenação dramática, Kiba espalmou a destra e sentou na beira da cama:

— O quê?!

— Surpresa! — Todos gritaram, inclusive Shino e Akamaru, que o Ômega não enganava há anos.

Sem vergonha, Himeko agarrou o pescoço de Kiba e Sora fez o mesmo.

— Omedetou, tousan! — Sora beijou por um longo tempo a bochecha do pai. Seu menininho seguia a cada dia mais tímido e discreto, o oposto da irmã.

— Parabéns, tousan! — Assanhada, Himeko, ao invés de um, deu dois beijos em Kiba.

Himaru pediu passagem, latindo e pulando sobre o assoalho. Ele esperava que a Beta o chamasse para se juntar a ela e Sora, o que aconteceu. Abusado tal qual a tutora, o cão subiu nas pernas de Kiba e lambeu a bochecha do Ômega, despertando o ciúme de Akamaru, que faria o mesmo, se pudesse. O cão ninja adulto não tinha tanta energia quanto o filhote, uma vez que já era um jovem senhor.

— Feliz aniversário, amigão. — Kiba estendeu a mão na direção do ninken assim que Himaru desceu de seu colo. Akamaru, mais lento do que costumava ser no passado, aproximou-se de seus pés. Sete de julho também era seu dia de aniversário. O Inuzuka jamais esqueceria disso. — Que possamos continuar juntos por muitos anos mais.

Akamaru agradeceu com um latido.

O Ômega não sabia se aquele desejo seria concretizado, já era um milagre o outro estar ao seu lado por tanto tempo. Sem se deixar levar pela emoção, pois não queria chorar num dia tão alegre. Kiba prosseguiu com o teatrinho.

— Seus pestinhas... — Kiba olhou para Shino — Estão pretendendo me matar do coração? — indagou, fazendo o Aburame menear a cabeça. O Alpha possuía uma caixa de tamanho considerável nos braços, sobre a qual havia outra menor e também uma bandeja contendo uma torta de chantilly enfeitadas com morangos. — Tenham piedade de mim, pois estou muito velho para tanta emoção.

Entrando na brincadeira, Shino se aproximou da cama deles. As crianças e os ninkens permitiram-lhe colocar as caixas e o bolo sobre o colo de Kiba.

Ultimamente, o Aburame se divertia muito com aquele lado resmungão de Kiba. Aos dezesseis anos, quando o Ômega estava gestante, ele costumava reclamar por ser novo demais e ter que carregar o barrigão dos gêmeos sozinho, mas recentemente em vias de completar vinte e cinco, seu foco mudou e ele começou a recorrer à cartada de ter filhos prestes a completar oito anos para seguir com seus resmungos, agora sobre o peso da idade.

— Feliz aniversário, meu querido ancião. — Shino segurou o queixo de Kiba com delicadeza, inclinou o corpo e, ao encostar o rosto do Ômega em sua direção, beijou devagar seus lábios, terminando assim sua felicitação.

O carinho demorado despertou a indignação de certa pessoinha.

— Ah não! — Himeko apoiou as mãos na cintura e fez cara de quem comeu e não gostou. Seus pais se separaram e a encararam. — Shino-touchan, o que combinamos? Beijo só após o tousan cortar o bolo e abrir os presentes!

Kiba e Shino se entreolharam, mas antes que pudessem reagir, a voz de Sora apareceu no interior do quarto:

— Por que você precisa ser sempre tão chata, garotinha?

A pergunta do menino teve um efeito engraçado. Parecia que ele tinha dito: estátua!

Depois do choque, começando por Kiba, como se fosse um efeito dominó, Shino e os filhos tiveram uma boa crise de risos. Risos deliciosos que ditariam o ritmo do quão extraordinário seria, por mais um ano, aquele tão aguardado dia sete de julho.

*******

Ao contrário de Shibi, pai de Shino, que preferiu o conforto do lar ao evento, os Inuzuka Aburame optaram por prestigiar o festival das estrelas no parque arborizado da Vila da Folha, fechando o domingo com chave de ouro. Assim que a família colocou os pés na entrada do parque, acompanhados de Himaru, Sora e Himeko ganharam o mundo em busca da avó e da tia, que chegaram ao local minutos antes. Shino e Kiba decidiram não se preocupar. Os gêmeos, além de bastante estimados, eram muito queridos por toda a Vila Oculta. Sempre haveria pessoas de bom coração a zelar pelos dois.

Enquanto Shino e Kiba caminhavam devagar em consideração a Akamaru, o casal, ou melhor, o Inuzuka, parecia estar num desfile de moda. Vestindo um quimono tradicional com estampas florais, presenteado por Sora, inclusive foi o próprio moleque quem pintou o tecido a mão, o Ômega também exibia no braço esquerdo uma bela pulseira de miçangas, que Himeko confeccionou e lhe deu aquela manhã.

Como era esperado, Chiyo-san foi a primeira com quem o casal se encontrou. Depois que ambos a saudaram, Shino abriu a carteira e perguntou de quanto havia sido o prejuízo que seus filhos lhe deram. Muito gentil, a senhora cobrou o valor devido e o Aburame acertou sem dificuldades. Por mais um ano, a idosa garantia seu sustento, vendendo seus deliciosos doces finos e lindos balões em forma de bichinho no parque, durante os dias de festival.

Chiyo não se esqueceu de felicitar Kiba e Akamaru por seus respectivos aniversários. O Ômega demonstrou gratidão pelos dois. Em suas memórias de infância aquela mulher sempre teria um lugarzinho especial. Em seu aniversário ela sempre era extremamente carinhosa e lhe presenteava com um docinho e um balão, ainda que ele não tivesse uma moedinha com a qual lhe pagar.

De forma sorridente, Kiba e Shino se despediram da mulher, que foi mais uma dentre tantos amigos e conhecidos a aproveitar a oportunidade de encontrá-los durante o festival para tecer elogios a respeito da qualidade da educação que o casal vinha dando aos filhos, bem como ao seu crescimento físico e intelectual de Sora e Himeko.

— Que tal sentarmos aqui, marido. — O Inuzuka escolheu um banquinho de madeira a poucos metros do palco onde acontecia uma apresentação de dança acontecia. Shino acomodou-se à sua direita. Cansado, Akamaru escolheu um lugar confortável próximo aos dois e ficou por ali também, enquanto isso, em uma barraquinha de dangos, eles avistaram os gêmeos, na companhia de Tsume e Hana. Sua mãe e sua irmã estavam indo às forras e enchendo os pestinhas de guloseimas.

Observando os filhotes ao longe, um sentimento incondicional de afeto tomou conta de Kiba e atingiu Shino através do vínculo. Há alguns anos, quando com os olhos cheios de lágrimas e certo desespero na voz, ele procurou o Alpha ao seu lado para anunciar que ambos seriam pais, ele temeu o futuro e o que a paternidade lhe reserva. O medo se intensificou após o primeiro ultrassom e a descoberta de uma gravidez gemelar.

— Né, Shino… — O Ômega permaneceu concentrado em seus filhos. Sabendo que ainda não havia agradecido seu esposo adequadamente ao longo do dia, Kiba chamou a atenção do outro e disse: — Obrigado por embarcar nessa louca aventura comigo.

Shino conseguia imaginar o que se passava na mente do Ômega, não apenas ao observar seu olhar, mas também pelo afeto que conseguia sentir através da conexão espiritual entre os dois.

— O prazer é todo meu.

A resposta de Kiba foi um sorriso imenso. Em outra situação, ele prepararia um discurso e reclamaria do quanto seu marido podia ser simplista às vezes, mas naquele momento, ele não queria reclamar, apenas contemplar. O ômega então apoiou a cabeça no ombro do marido, pegou sua mão e entrelaçou seus dedos. Em seu coração, ele fez uma breve oração, agradecendo aos deuses por todos os presentes valiosos que eles lhe deram ao longo de seus vinte e cinco anos de vida.



Notas finais
Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!