Olívia [H.S]
2 Capitulo 2 - Familia.
Notas iniciais

— Mãe...tem certeza que não quer ir? — perguntei pela milésima vez enquanto terminava a última mala.
— Tenho querida, eu não posso deixar o hospital de mão do nada, eles precisam de mim. — minha mãe era a chefe das enfermeiras no Hospital Longllat. Ela trabalhou muito para conseguir o posto, não iria deixar tão facilmente, além do mais, ela também é muito querida no hospital.
— Você não ficará lá para sempre. — ela disse, senti um pouco de preocupação e dúvida na sua voz.
— Claro que não! — sorrir e me joguei na cama quando depositei a última peça de roupa na mala.
— Vai ser estranho ficar sem você aqui. — Dylan apareceu na porta do quarto.
— Também vai ser estranho ficar sem vocês.
— Já tem quase 19 anos Liv, sempre foi tão independente. — minha mãe disse tentando me animar.
— E chata. — meu irmão completou e minha mãe lançou um olhar feio para ele.
— O Dylan poderia ir comigo...
— Ele tem a Dayse.
— É, eu tenho a Dayse, esqueceu? — Dayse é a garotinha mais linda desse mundo! A tarefa de ser pai aos 21 foi difícil no começo, mas o meu irmão assumiu isso com o maior prazer, diferente da Bárbara que mal liga para a filha e só a ver nos aniversários.
— Ela pode ir também! — disse sorrindo tentando convencê-los.
— Nada disso! — minha mãe negou rapidamente, ela não suportaria ficar longe da neta um dia se quer.
— É...talvez ela possa ir e virar uma super modelo da Victoria Secret. — Dylan falou e quase explodir de dar risada, a imagem de uma garotinha de 3 anos desfilando com asas de anjo se repetia na minha mente.
— A Dayse vai senti sua falta. — ele disse depois que me acalmei. A pequena me levava mais como mãe do que como tia, isso doía em mim e ao mesmo tempo me deixava feliz... não queria deixa-la, mas estava tão feliz por ser alguém importante na vida dela.
— Eu irei voltar o mais rápido possível, eu prometo. — nós três nos envolvemos em um abraço apertado, eu estava lutando para não deixar as lágrimas caíram.
— Tenho algo para você. — minha mãe se livrou do abraço e saiu do quarto voltando segundos depois com um envelope.
— Não é muito... — ela disse meio sem graça e me entregando. Abri o envelope devagar, tinha dinheiro nele...era as economias dela.
— Mãe, eu não posso aceitar. — falei tentando devolver o envelope sem sucesso.
— Mas vai, estava guardando para o seu carro. — meus olhos brilharam, ela iria me dar um carro?
— Você é incrível!
— Você já fez tanto por nós... — Dylan disse me dando um soquinho no braço.
— Obrigado. — abaixei minha cabeça demonstrando um pouco de vergonha, sentia o olhar dos dois em mim.
— Vamos filho, sua irmã precisa se arrumar. — minha mãe disse dando uma piscada, logo eu estava sozinha no quarto com o sorriso mais bobo do mundo nos lábios.
— Isso é um sonho. — falei enquanto sacudia minhas pernas freneticamente.
Me despi e fui tomar banho, demorei mais que o necessário no mesmo, me perdia nos pensamentos, deixava minha imaginação me guiar, estava ansiosa para o que Los Angels me aguardava.
A roupa da viagem já estava separada encima da cama, peguei algo leve, queria chegar confortável ao meu destino final. Vesti um cropped listrado e um short jeans cintura alta meio desfiado nas pontas, calcei um all star branco um pouco surrado por conta do tempo, fiz um coque bagunçado e uma maquiagem leve que só destacava meus olhos. Procurei meu celular em meio a bagunça o achando no tapete debaixo da cama, desbloqueei o ecrã e tratei de atualizar o instagram...Justin Bieber postou uma nova foto.
— Será que irei ver ele de perto? — durante os testes, Justin nos observava de longe, muito longe mesmo. Nunca nos dirigia uma palavra, a não ser no primeiro dia que desejara "boa sorte". Dei uma olhada no meu perfil e senti um aperto no peito quando vi uma foto do Sid, meu cachorro. Não acredito que não irei conseguir me despedi dele! Sid estava com a Dayse na casa dos avós, ela era tão apaixonada por ele quanto eu. Peguei algumas fotos antigas minha e do Sid e fiz uma pequena despedida para ele no instagram, postei duas fotos nossas com a legenda "Sentirei saudades pequeno garoto." (Anexo no inicio do capitulo)
— Liv? — escutei a voz do meu irmão.
— Pode entrar. — falei enquanto ajeitava meu cabelo que havia se desprendido.
— Temos que ir ou irá perder o vôo. — olhei no relógio e faltava 40 minutos para meu vôo, tínhamos que sair agora porque possivelmente iríamos ficar presos no trânsito e eu iria me atrasar.
— Vamos. — peguei duas malas e Dylan me ajudou com o resto.
— Está levando o que aqui? — ele perguntou reclamando do peso e eu rir. Minha mãe estava escorada na porta da cozinha com a maior cara de choro.
— Nem acredito que a minha garotinha cresceu. — senti meus olhos arderem, é tão difícil deixar quem amamos.
— Você precisa prometer que irá se cuidar, não ficará até tão tarde acordada, comerá direito e me ligará todos os dias. — eu apenas assentia diversas vezes, sabia que ela estava tentando ser forte, mas também sabia que quando eu colocasse os pés para fora dessa casa ela cairia aos prantos.
— Eu te amo mãe. — falei e ela me abraçou.
— Também te amo muito querida. — ela suspirou.
— Se cuide.
— Pode deixar. — agora ela me olhava nos olhos como se tentasse gravar cada parte do meu rosto, como se eu fosse sumir a qualquer momento e nunca mais voltar.
— Mande um autógrafo da Adele para mim. — ela disse rindo revelando pequenas rugas nos olhos.
— Sentirei a sua falta.
— Sentirei mais a sua. — ela suspirou novamente e desviou o olhar.
— Vamos Liv. — Dylan lembrou, assenti e dei as costas para a mulher que cuidou de mim com tanto carinho durante anos, no momento que deixei aquela casa, deixei metade de quem eu sou.
— Pode me dar. — Dylan pegou as malas da minha mão e colocou no porta mala. Entrei no carro e liguei a rádio baixinho.
— Não precisa ficar triste, ela vai ficar bem. — Dylan falou.
— Eu sei que vai. — sorrir gentilmente como resposta e ele deu a partida no carro.
— Como você acha que será lá?
— Não faço a mínima ideia...
— Está com medo?
— Muito. — respondi e ele riu.
— Estou aqui para o que precisar. — o encarei rapidamente, era poucas vezes que Dylan era carinhoso comigo.
— Obriga...- antes que eu terminasse de falar, meu celular começou a vibrar, era uma ligação do Skype.
— Mandei os avós de Dayse entrar em contato com você antes do seu vôo.
— Sério? — perguntei animada e ele assentiu, pensei que não iria consegui me despedir na minha pequena.
— Mãe? — aquela voz fez meu coração quebrantar totalmente.
— Oi querida...- ela estava com os cabelos loiros bagunçados e os olhinhos mais azuis que o normal.
— Mamãe, está vindo me visitar? — era uma voz tão suave e um pouco embolada.
— Hoje não amor, mas irei. — respondi e ela fez um biquinho desapontada.
— Pala onde está indo? — ela perguntou e escutei um latido familiar, era o Sid.
— Estou viajando a trabalho. — ela sorriu espontaneamente.
— Irá trazer plesentes?
— Claro, quantos quiser! — ela sorriu novamente como resposta.
— Papai?
— Oi Day. — virei o celular para Dylan que dirigia sem tirar os olhos da estrada.
— Você também vai com a mamãe?
— Não querida, ela terá que ir sozinha. — Dayse abraçou a boneca mais próxima e olhou com cara feia para Dylan.
— E quem vai cuidar dela? — meus olhos se encheram de lágrimas e Dylan me olhou apreensivo. Eu amava Dayse como filha, não como sobrinha, e mesmo ela sabendo que eu não era sua mãe, ainda insistia em me tratar como uma.
— Eu sei me cuidar amor. — respondi por Dylan.
— Mamãe, você vai voltar logo? — eu não sabia responder essa pergunta.
— Sim. — respondi sem certeza.
— Eu te amo. — ela disse com uma voz fofa e envergonhada, ela tinha tanta vergonha de falar essas palavrinhas.
— Também te amo querida. — falei deixando algumas lágrimas cair e observei a tela do celular ficar escura. Chorei durante o trajeto inteiro para o aeroporto, dei conselhos para Dylan para como cuidar da Dayse na minha ausência e do Sid também, é claro.
— Calma, calma! Você vai ficar pouco tempo, não a vida inteira! — ele disse e eu rir abafado, já estávamos chegando no aeroporto.
— Cuide bem da mamãe. — falei por último.
— Sempre. — seus olhos estavam começando a ficar marejados quando estacionamos enfrente ao aeroporto.
Ele me ajudou com as malas e não olhou nos meus olhos um minuto se quer, Dylan não queria que eu o visse chorando.
— Eu te amo. — falou me dando um abraço surpresa.
— Também te amo. — o abracei com mais força, ele deu um longo suspiro e se soltou com um sorriso.
— Fique longe de encrencas. — aconselhou. Ele que é o encrenqueiro da família.
— Digo o mesmo. — pisquei descaradamente. Dylan colocou minha bagagem em um carrinho e voltou para o carro, olhou para mim uma última vez e acenou com a cabeça, retribuir o gesto com um sorriso. Em poucos segundos, o carro do meu irmão já havia desaparecido do meu campo de visão.
Entrei no aeroporto, fiz todos os procedimentos e minutos depois já estava na minha devida poltrona com meus fones de ouvido, montei uma imensa playlist para essa viagem, somente música ajudaria a relaxar. No final, adormeci ouvindo ''Little Things— One Direction.''
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