Olá, eu sou a dor.
3 O tal primeiro dia de aula
Notas iniciais
Coloco o fone no meu ouvido, vou caminhando pela calçada e olhando a rua, distraída eu tropeço numa pedra e caio.
– Caraaaaaalho, que merda.
Um garoto vindo atrás de mim corre e me pega do chão. Eu o empurro.
– Me larga, eu sei levantar só.
– Só quis ajudar. Desculpe.
– Tá.
–...
– Já pode ir embora.
– Tudo bem.
Seguimos em frente, e ele continua atrás de mim.
– Ô garoto, c tá me seguindo por acaso?
– Não, estou indo pra escola, mas bem que eu queria te acompanhar.
– Você é louco – ele é louco né? Só pode. Ele não tá percebendo que eu não o tipo de pessoa pra se acompanhar?
Atravesso pro outro lado da rua e vou sozinha.
Quem esse garoto pensa que é? Me fazer companhia? Só que não, né?
Chego à escola, e o garoto também. Subo as escadas, ele para e olha pra mim, eu passo direto. Entro na sala, faltam 10 minutos para começar a aula, então vou ler um pouco “As vantagens de ser invisível”... Eu, de verdade, não vejo vantagens nisso, não no meu caso, mas o livro é bom.
O garoto entra na mesma sala que eu estou. Droga, era o que me faltava agora.
A professora entra.
– Queridos alunos, bom dia. Estamos mais uma vez voltando às aulas depois de férias. Você se divertiram?
Em coro todo mundo responde: SIIIIIIIIIIIIIM – menos eu, claro –(imbecis).
– Quero que conheçam os novos alunos. Nicolas, que se mudou há pouco tempo pra cidade. Samanta, que é daqui, mas morava na Inglaterra.
Samanta é linda, uma pele branca e olhos bem claros, cabelo castanho e encaracolado... Totalmente diferente de mim.
Nicolas é... é... é aquele garoto idiota que encontrei mais cedo. Ele é loiro e tem olhos pequenos e verdes, boca rosada, ele é alto, magro, tem um sorriso lindo.... ai ai, ele é só uma garoto idiota.
Sejam bem vindos – todo mundo fala.
A aula começa e eu como sempre, distraída. A professora me repreende e todo mundo ri.
– Você olhando pro nada tá tão distraída, você tá vendo o que? Uma vaca voando por acaso?
Todo mundo ri.
Meu sangue ferve.
– Estou vendo uma vaca caminhando na minha frente – eu respondo e a jogo o estojo. Saio da sala.
A professora vem atrás de mim, me falando várias.
– Quem você pensa que é pra me tratar assim? Você é louca? Eu posso te suspender. Eu posso te expulsar.
– ME DEIXA EM PAAAAZ – eu grito.
Sou levada à coordenação.
Ligam para os meus pais.
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