É um dia quente de quarta-feira e mais uma vez estou na cama como quem foi espancado, esfaqueado e atropelado, sem forças pra se levantar e com dor, muita dor. Há dias não vejo a luz do sol, estou presa aqui, mas não são algemas e cadeados que me prendem e sim a dor, a dor que eu sou, que eu sinto, que passo para as pessoas. É esse dor que não me permite sair daqui e é a dor que sempre estou causando que não me deixa levantar e seguir com a vida.

Sofro de TEI (Transtorno Explosivo Intermitente), o que faz com que, nos momentos de raiva, eu não consiga me controlar e acabo por machucar alguém, e em seguida me sinto completamente culpada... Foi isso que fez o pior acontecer, há exatamente 4 anos, perdi a cabeça com meu irmãozinho de 4 anos, e o empurrei no chão, ele bateu a cabeça em uma pedra e ficou em coma por 6 meses, ele quase não se recuperou e ficou com uma certa deficiência mental depois de curado. Eu me culpo até hoje e minha família também. Eu sempre tive minhas crises de raiva, mas algo tão grave nunca tinha acontecido, depois disso, minha família nunca me perdoou -e nem eu.

As pessoas têm medo de mim. Me olham torto, não me dirigem a palavra, me isolam. É o de menos, né? Quem ficaria perto de alguém que vive de escândalos? Eu não.