Oliver Di Prell E As Cinco Pérolas
3 3 - Até Breve
Notas iniciais
-Mas, Mamãe! — insisti – Não sei nem quanto tempo ficarei lá, se é que vou voltar!
Não adiantava. Eu sabia que eu queria, não só por curiosidade, mas pela chance de me tornar alguém na vida. Não adiantavam sentimentalismos. Já tinham me arrumado o malão com algumas vestes e recordações e, faltavam 10 minutos para as cinco da tarde, e todo aquele momento me parecia ser o “Adeus”, e no fundo, bem no fundo, eu sentia que eu tinha que ir. Caso contrário, no florescer dos meus 13 anos, eu seria um bruxo mais que abortado, eu seria um trouxa. Em ambos os sentidos.
-Meu querido, eu sei que você deve ir. – disse pegando minha mão e afagando meu rosto – Estaremos contigo.
Senti uma gota úmida descer por minhas pálpebras. Era mais que certo que eu sentiria saudades. Manteríamos contato por corujas. Mas, de fato, as cartas não serviriam a nada mais que fazer-nos lembrar da distância em que estaríamos. Uma dimensão paralela, certo?
Estava tudo certo. Tudo nos conformes. Até mesmo George e Tierry — com seus cachinhos ruivos e covinhas nas bochechas – vieram se despedir de mim.
Uma espécie de buraco negro de cor azul abriu-se do lado da parede da lareira. Ele faiscava feito fogo e não era possível definir qual seria sua profundidade. Era tudo muito fantástico.
-Te amo mãe! – disse dando-lhe um beijo na bochecha enquanto Tierry espiava o vórtex. – Pai! George! Tierry!- continuei enquanto todos me abraçavam.
Quando recuei, pisando na capa de risca de giz que papai me dera, tive uma breve sensação de que eu nunca os veria novamente, mesmo que não partisse para a outra dimensão, por isso senti um aperto profundo no coração.
-Vai ficar tudo bem! Eu prometo! – disse mamãe, agora desprendo suas mãos das minhas – Agora vá! Mantenha a honra de nossa família!
-Manterei, mamãe, manterei! – consenti, ainda com os olhos cheios de lágrimas ao dar um passo traseiro ao portal, de modo a desaparecer nele.
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