Olimpo doce Olimpo
2 Depois de tanta tristeza, uma notícia maravilhosa
Notas iniciais
Algumas semanas depois, aconteceu uma reunião da União Europeia e durante um dos intervalos, Elisabeth se encontrou com Delayoh. Mesmo tendo se passado anos, elas não se dão bem, sempre que podem, estão se alfinetando. Assim que viu a deusa alemã, Elisabeth soltou um longo e pesado suspiro, ajeitou seu blazer branco, que combinava perfeitamente com sua blusa e calças brancas, e foi até ela.
— Estou impressionada, Delayoh. Sua participação na reunião, foi bem segura. Aliás, devo lhe parabenizar pelo crescimento de Alemanha. Para um país que causou uma das piores guerras e de ser proibido de várias posses, ter um crescimento como esse, é louvável. — Provocou Elisabeth.
— Danke, Elisabeth. — Delayoh agradeceu, com certo cinismo. — Aprendemos com nossos erros e com muito esforço, eu e os alemães, reerguemos a Alemanha e a cada dia, fazemos o melhor para a nossa nação. Mudando de assunto. Já soube que se separou de Stanley, meine mutter me contou. O que seus pais acharam desta novidade?
— Eu diria que eles ficaram surpresos, mas compreenderam. Quanto ao crescimento da Alemanha, realmente é de se admirar, porém, não foi o suficiente. A Inglaterra continua soberana sobre a Europa. E eu, mesmo separada de Stanley, continuo sendo a rainha do Olimpo. Tu deves estar sentindo uma imensa inveja de mim, não é, Delayoh?
— Inveja por não ser a rainha do Olimpo? Há! Mas que bela piada, Elisabeth. Podes continuar se vangloriando com seu cargo de rainha do Olimpo, o quanto quiser. Mas um dia, tudo irá mudar, pois, soube que a economia da França está crescendo e tem — Delayoh deu uma risadinha. — Meine Deutschland, que a cada dia cresce e está se tornando mais importante na Europa e no mundo. E a Inglaterra será apenas mais uma nação do continente. Quero que a Alemanha seja uma potência maior do que a Inglaterra é.
— Quer me tirar o trono de rainha do Olimpo, Delayoh? Pois, saiba que prefiro perder o trono para a Francine do que a perder para você. Mas enquanto isso não acontece, eu continuarei como rainha do Olimpo e a Inglaterra continuará grande como sempre foi.
— Não me importo com o Olimpo. Me importo com a Alemanha. Tudo que faço é para a Alemanha e para os alemães. — Delayoh fez uma pausa. — Terei de interromper a nossa conversa, pois, ela está me dando enjoo. Com licença.
Quando Delayoh saiu, Elisabeth disse:
— Até hoje eu não entendo o motivo dos alemães terem pedido para você voltar, depois de todo o terror que causou.
Delayoh se virou, lançou um olhar indiferente para a prima e disse:
— Digo o mesmo sobre os ingleses. Não entendo como eles conseguem conviver com uma deusa tão insuportável e sem graça como você.
...
Delayoh se encontrou com Ivana. As duas, além de primas, são melhores amigas e sempre que podem, se encontram para conversar.
— Delayoh! — Cumprimentou Ivana, com empolgação. — Estás elegante como sempre. Me lembro desta roupa, usaste durante a segunda guerra.
— Fico grata com o elogio, Ivana. — Disse Delayoh, com um sorriso e mostrando sua roupa; camisa com botões vermelha de seda com mangas longas, saia preta longa e sapatos de salto. — Adoro as roupas da época da segunda guerra, combinam perfeitamente comigo, guardei cada uma delas. E você, Ivana? Como tens passado?
— Ah! Eu estou apaixonada pela minha vida de casada. — Ivana suspirava enquanto falava. — Porém, logo eu e Vincenzo não teremos muito tempo sozinhos. — Ivana passou a mão na barriga, que começava a aparecer sob o vestido amarelo.
— Vocês foram rápidos, se casaram ano passado e já terão um bebê.
— Pois é. Confesso que um dia, eu e Vincenzo estávamos bem empolgados. — Ivana soltou um sorriso levado.
De repente, Delayoh sentiu uma tonteira e se sentou no banco. A deusa italiana se preocupou com a amiga e perguntou se ela estava bem. A deusa alemã disse que sim, mas que já faz alguns dias que estava sentindo enjoos, tonteiras e que tem ficado indisposta.
— Será que o meu bebê terá companhia? — Perguntou Ivana.
— Do que está falando, Ivana? — Delayoh respondeu, demonstrando estranheza com a pergunta.
— Ora, Delayoh. Tu me contaste sobre a tarde de amor que teve com o Stanley. E pelo tempo que aconteceu, deu resultado. Você está grávida.
— Será? — Perguntou Delayoh, espantada. — Depois irei para Ásgard e vou me consultar com Eir, que é uma excelente médica.
— Por que não se consulta com o Apolo? Ele também é médico.
— Gosto mais do pessoal de Ásgard, me identifico com eles, — Delayoh deu de ombros. — Me consulto com o Apolo algumas vezes, apenas para reforçar o que já fico sabendo na consulta com Eir.
...
A família Olimpiano tem um ditado que sempre funciona. Quando um deus protetor se afasta, algo acontece em seu país. Este ditado foi colocado à prova diversas vezes e chegou a vez de Stanley provar dele.
Ele estava de férias e resolveu passar alguns dias na casa de Brandon, no Brasil. Os irmãos aproveitaram esse tempo e conversaram bastante, era um período tranquilo. Até o dia 11 de setembro de 2001.
Stanley acordou ouvindo as vozes dos seus americanos. Ele ficou assustado e foi para a sala, ainda de pijama. Brandon disse que um plantão jornalístico interrompeu a programação da TV, com a notícia que um avião havia se chocado contra um edifício de Nova York. Stanley ficou apavorado e quis retornar imediatamente para o seu país.
— Atacaram os Estados Unidos! Atacaram meu país! Machucaram meus americanos. — Dizia Stanley, bastante nervoso e preparando um raio. — Esta afronta não ficará impune.
— Se acalme, Stanley. Não podes sair assim, de pijama. Troque de roupa. Enquanto isso, procure se acalmar. — Disse Métis. — Do jeito que está, vais fazer uma besteira maior, de que irás se arrepender mais tarde. Como aconteceu com as bombas atômicas lançadas sobre o Japão.
Stanley atendeu ao pedido da mãe, e com um leve movimento de mãos, trocou o pijama por uma camisa polo azul com detalhes cinzas e calça jeans, também calçou um par de tênis marrom. E penteou os cabelos loiros.
— Mas é que são os meus americanos, mãe. Eles estão em perigo e eu não estou lá para os proteger. — Stanley fez uma imagem austral surgir e viu um edifício em chamas na parte superior, teve que controlar a raiva que sentiu, ao ver o prédio em chamas. Mesmo por uma imagem austral, ele segurou o incêndio no prédio, para que as pessoas pudessem sair.
Mas enquanto segurava o incêndio de uma torre, Stanley viu a segunda torre ser atingida por outro avião.
— NÃO! — Gritou Stanley.
Imediatamente, Stanley desfez a imagem e correu para o seu carro cinza fosco, com o pensamento de “Tenho que protege-los. Tenho que protege-los". Zeus e Hebe o acompanharam para evitar que fizesse alguma besteira.
— Mande notícias, Zeus. — Disse Métis, afita.
Brandon desejou o mesmo. Zeus acenou positivamente com a cabeça.
Em alta velocidade, Stanley chegou até o portal e foi para os Estados Unidos. Quando chegou, quis logo ir para Nova York, algumas vezes até acelerava.
— Vai com calma, Stanley. — Disse Zeus, mas o filho não lhe deu ouvidos.
No banco de trás, Hebe abriu uma imagem austral e viu que a segunda torre estava desabando, ela avisou para Stanley, que se enervou e pegou um atalho, a guinada foi tão forte, que seu pai e irmã precisaram se segurar nas alças de teto do carro.
Quando chegaram em Nova York, dava para ver a fumaça saindo de uma torre e a poeira da que desabou, além de ouvirem o som incessante das sirenes. Stanley estava perto, sua ideia era evitar que a torre caísse, mas ao se preparar para descer do carro, Zeus avisou que era muito tarde e aos poucos a torre caía em meio ao fogo, fumaça e a poeira de concreto.
Stanley não conseguiu mais conter as lágrimas, não conseguiu evitar que torre caísse. Ele desapareceu em uma fumaça branca e foi até o local. Quando chegou aos escombros, se ajoelhou e desabou em choro. Ele se sentia o deus mais impotente do mundo, não conseguiu evitar as mortes. Zeus e Hebe chegaram logo depois e encontraram Stanley chorando. Zeus se aproximou do filho e o consolou, Hebe fez o mesmo.
— Isso não vai ficar assim. — Disse Stanley, com os olhos azuis elétricos cheios de raiva e esmagando uma pedra com a mão. — Este ataque terrorista não ficará impune. Eu vou descobrir quem foi e seja quem for, vai pagar.
...
Alguns dias se passaram, e Stanley já sabia quem fez o ataque terrorista às Torres Gêmeas e por isso, trabalhava ao lado do governo americano em uma resposta. Mas sua tristeza não passou, vivia angustiado, ainda se sente culpado por tudo que aconteceu, até pensava, que tipo deus protetor era ele que não conseguiu evitar tantas mortes? Ou até evitado o ataque. Stanley estava bem cabisbaixo.
Delayoh fez uma visita de apoio para ele.
— Delayoh! Que surpresa boa receber a sua visita. — Disse Stanley, um pouco empolgado.
— Eu vim te dar um abraço. — Disse Delayoh. — Estais precisando.
Stanley a abraçou, começou a chorar e entre lágrimas, se lamentou.
— Eu não sou um bom deus protetor. Não consegui evitar essa tragédia. Falhei no juramento que fiz no dia em que fui coroado deus protetor dos Estados Unidos.
— Não diga isso. — Delayoh interrompeu o abraço e olhou para ele. — Tu és um excelente deus protetor, fez muito pelos americanos. Tornou e ainda mantém os Estados Unidos como maior potência do mundo. O que aconteceu foi terrível, obra de alguém que odeia toda essa supremacia americana. Não tens culpa de nada do que aconteceu, tu estavas de férias, não tinha como evitar.
— Tu tens se mostrado uma grande amiga, Delayoh. Tudo que disse está certo. Mas a tristeza é tão grande, que me faz sentir culpa.
— Pare de se sentir culpado. Pois não és assim, Stanley. Tu és forte, determinado e não permite que nada o abale. Eu pensava assim, mas pelo visto estava enganada. Te vendo assim, só sinto pena do pai do bebê que espero.
— Pai do bebê que espera? — Perguntou Stanley, confuso.
— Isso mesmo que ouviu. Não é o melhor momento para te dar essa notícia. Porém, eu precisava te contar. Aquela visita que me fez lá em Berlim teve resultado. Eu estou grávida, Stanley.
— Grávida? Eu vou ser pai? — Perguntou Stanley, emocionado.
— Sim. Foi o que eu acabei de dizer.
Stanley se ajoelhou e beijou a barriga de Delayoh.
— Um bebê nosso. Essa notícia é maravilhosa, é o momento maravilhoso. Depois de tanta tristeza, uma alegria dessas. Obrigado, Delayoh. Por me dar a melhor notícia do mundo.
Ele se levantou e os dois voltaram a se abraçar. Stanley estava bem contente, toda tristeza que estava sentindo, ia desaparecendo com a notícia de que seria pai, melhor ainda, pai do bebê da mulher que tanto ama.
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