Quando vi teus olhos vermelhos pela última vez

Senti como se algo me apertasse por dentro

Uma sensação de desespero

Uma dor que nunca senti

Meu corpo se enrijeceu

Nada mais se moveu

Nem chorar me permiti

Na esperança de um talvez.

De não ser ali, que eu ia me despedir,

Eu me contive forte, me mantive,

Mas era tudo fachada

Eu chorava com a boca fechada,

Nenhum som de mim saiu.

Meu corpo se esqueceu

De como era a dor física,

Pois a do coração falou mais alto

Num abismo profundo

Vi-te se despedir deste mundo

E com um salto,

Acordei da paralisia

Senti o que não sentia.

Medo, dor, solidão,

A cada dia tomavam conta do meu coração

Até que não sobrou mais espaço

Até que me senti descalço,

Com frio.

Hoje te vendo de novo eu rio,

Contido, sofrido,

Com medo, aqui no centro.

Eu vigio e espero,

Não passar por isso de novo

Não te perder em meio ao povo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!