Olhos insanos

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Tive que fazer algumas mudanças na história... nada de mais... apenas mudar o nome Kendece para Candece por conta do modo de se ler, ficaria estranho manter o anterior

Capítulo 3

Já se passara um ano que Eduart estava namorando Elizabeth, ambos tinham os mesmos gostos, adoravam arqueologia e as civilizações antigas. Decidiram por fazer faculdade juntos.

Estudaram muito, passaram dias e noites em claro para o tão esperado vestibular. Para felicidade deles, passaram juntos em uma faculdade federal muito importante para o país todo.

A relação deles ia bem, os pais de Elizabeth aceitaram o namorado da filha com prazer já que viram que mesmo sem ter uma família completa, era um bom garoto e amava a filha deles. Muitas vezes jantavam todos juntos, Eduart, Elizabeth e seus pais, Pedro e Henrique.

A vida econômica de Eduart não podia estar ficando melhor, arrumara um bom emprego, que fora recomendado pela escola, pagava uma parte do aluguel da casa onde morava com os irmãos, o resto, Henrique e Pedro pagavam com os “bicos” que faziam em vários lugares.

Acabou... Rapidamente.

Era um verão esplêndido, tinham ido viajar para as praias de Ubatuba com a família de Elizabeth. Foram para a praia de Trindade, um local muito belo onde pedras enormes esculpidas naturalmente e de modo tão perfeito que pareciam ter sido feitas sob encomenda. A areia era fofa e clara, com muitos bichinhos minúsculos da cor de areia que podia assustar quem não estava prestando atenção no caminho.

Bem ao lado, havia um pequeno restaurante que tinha mesas ao ar-livre dispostas sobre a areia.

Pediram uma porção de peixe, “porquinho”, beberam guaraná e ficaram sentados por um bom tempo conversando.

Foi Elizabeth quem disse para Eduart dar um mergulho, ele foi.

Correu para saltar de cima do pequeno corredor de madeira que os pescadores utilizavam para pescar. Quando chegou a ponta do píer, escorregou, caiu de cabeça em uma pedra e desmaiou.

Acordara em um hospital, ao seu lado estava Elizabeth que o vira retornar a consciência e tinha um largo sorriso no rosto.

– Desde quando eu estou dormindo?

– 3 dias.

– E o que aconteceu comigo?

– Você caiu quando foi pular no mar... – Sentiu que ia começar a chorar, mas se conteve — Bateu as costas em uma pedra que estava na areia.

Eduart não estava sentindo falta de nada, mas quando foi se levantar, não tinha controle sobre suas pernas e estranhou.

– Por que não sinto minhas pernas?

– Você quebrou uma parte de sua espinha... – Dr. Vitor entrara no quarto a tempo de ouvir que Eduart se levantara.

– Isso quer dizer que não vou mais conseguir andar?

– Não tire conclusões precipitadas, iremos o quanto antes começar um tratamento...

– Você não respondeu minha pergunta... – Interrompera Eduart que ficara nervoso – Por favor, doutor me diga.

– Não podemos te dar nenhuma certeza já que estávamos esperando você acordar para começar os exames práticos.

No dia seguinte, os médicos já tinham o resultado dos exames e comunicaram à Elizabeth e família. Pediram para não comentar nada com Eduart.

– Ele teve uma lesão muito seria, seria muito difícil de um dia ele se recuperar.

– Como vocês vão prosseguir? – Elizabeth perguntara com a voz tremula, quase caindo ao choro, o que fizera toda aquela noite.

– Vamos esperar ele se recuperar um pouco para dar a noticia e começar com sessões de fisioterapia.

Eduart estava no quarto, pensando o que tinha passado naqueles últimos anos. Em seu quarto havia mais um paciente que estava sofrendo de dengue, mas que em pouco tempo sairia daquele tormento em forma de hospital, enquanto ele teria de permanecer lá.

Uma enfermeira entrou no quarto com uma pequena bandeja, nela havia um copo com água, algumas pílulas e um pequeno papel dobrado ao meio. Ela disse para ele tomar todos os remédios e antes de sair entregou o bilhete a ele. Eduart olhou aquele pedaço de papel escrito e queria pegá-lo, mas não tinha forças em seus braços e mãos. Pediu então para que a enfermeira lesse para ele.

“Gostaria muito de estar junto com você, meu irmão, mas não tem como eu ir porque a empresa que trabalho está com muitas encomendas e não posso deixar meu emprego. Espero que melhore e possa telefonar.

Te amo meu irmão.

Pedro”

Eduart sentia-se um lixo e começara a chorar, não percebera que fazia barulho como um bebê desmamado, sabia que não podia mais fazer as coisas que sempre gostava.

Passara-se um mês que Eduart estava no hospital e ele se recuperara muito bem, já conseguia mexer os braços e mãos, mas, mesmo assim, não sentia as pernas.

O médico responsável pelo tratamento dele era o Dr. Antônio. Chegou ao lado do leito dele e ia começar a falar, mas antes que pudesse abrir a boca, Eduart perguntara:

– Doutor, eu vou conseguir andar novamente?

– Você pode chegar a andar novamente um dia, mas isso tem uma chance mínima, ou seja, terá que andar de cadeira de rodas.

Eduart ficara em silencio, pensou por um instante e perguntou:

– Onde está Elizabeth?

– Ela estava aqui até agora a pouco enquanto você dormia, disse que tinha que resolver alguns problemas, mas que já voltaria.

Alguns dias depois, Eduart fora liberado do hospital, mas com a condição de que ele voltaria três vezes por semana para fazer fisioterapia.

Elizabeth o acompanhara até sua casa onde fora recebido com muita alegria pelos irmãos, ficou pouco ali, pois estava cansado demais. Deitou em sua cama e Elizabeth sentou-se ao seu lado e começou a acariciá-lo. Eduart sentia-se feliz e culpado ao mesmo tempo. Aquela sensação de que era impotente e de seria dependente de alguém por toda sua vida, era arrasadora.

– Eliz, você vai ficar sempre ao meu lado, independentemente do que acontecer?

– Que tipo de pergunta é essa? É claro que sempre estarei ao seu lado, não importa o que acontecer, vou estar junto de você.

– Me sinto tão ridículo, não posso fazer nada, não posso nem te dar prazer, já não sou mais nada.

– Porque você diz isso? Eu te amo de qualquer jeito e nada vai mudar isso. Lembre-se que o médico disse que você pode sim voltar a andar.

– Mas as chances são pequenas...

– Vamos vencer isso, juntos – ela o interrompeu.

– Agora tenho que ir embora, meus pais estão me esperando.

Naquela noite, Elizabeth tivera um infarto e morrera.