Olhos insanos

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Como já tenho até o quinto capítulo escrito, postarei o que tenho logo e aos poucos vou trazendo novos capítulos ^^ Espero que gostem >

Capitulo 2

São Paulo 20 de Dezembro de 1988

Eduart nascera em uma família pobre que morava no interior de São Paulo, ele e mais dois irmãos, junto à mãe, moravam em uma pequena casa que fora arranjada pelo pai de Eduart.

Nunca chegara a conhecer o pai, mas também não tinha essa curiosidade, já que tudo que precisava estava bem diante dele, sua mãe.

Como em sua cidade não havia hospital, ambos, os três filhos, nasceram em um hospital público em SP.

Desde pequeno, trabalhava para conseguir ajudar nas despesas da casa, já que era o mais forte e robusto da família. Entrou na escola muito tarde já que não tinha tempo e condição para deixar o trabalho.

Quando completou oito anos, foi para a escola, um local desolado e deprimente. Passara dois anos naquela escola e nesse tempo, apanhou muito dos garotos de lá, já que era tímido e não fazia contato com ninguém. Tinha vergonha de si mesmo, porque via aquelas pessoas bem vestidas, mesmo que fosse somente um calçado novo, e ele usava um chinelo velho e o uniforme da escola todo abarrotado.

Nunca tivera coragem de enfrentar quem o machucava, mas cada vez que era encurralado em algum canto da escola, pensava consigo mesmo que um dia ele iria sair daquele lugar ridículo e seria alguma coisa.

Eduart era fascinado pelas aulas de historia, ele aprendera que os povos antigos não precisavam de muitas ferramentas, que hoje nós utilizamos, para construir coisas enormes e deslumbrantes.

Quando completou 10 anos, um de seus irmãos tinha 13 e o outro 8, todos estudavam, mas cada um deles tinha uma personalidade diferente. Pedro, o mais velho, era popular, todos o conheciam; Henrique, o mais novo, era muito inteligente, conseguia assimilar o que aprendia rapidamente.

Ao saírem da escola, os três irmãos se encaminhavam para o trabalho, eles carregavam sacas de sementes para plantio. Era um trabalho cansativo e doloroso, mas Eduart aguentava firmemente, pois sabia que um dia, aquilo acabaria.

Pedro e Eduart foram levados para uma escola melhor e começaram a ter aulas diferenciadas, aprendiam sobre musica, teatro, e tudo sobre a cultura brasileira.

Quando fez 15 anos, Eduart viu a morte da mãe de perto. Ela morrera de câncer e ele passou muitos dias trancado em seu quarto, chorando.

Mesmo tendo entrado atrasado para escola, Eduart conseguiu se ajeitar e estava no ano correspondente ao que era certo. Começou a fazer algumas amizades, mas fora uma coisa lenta que melhorava gradativamente.

Em certo dia de inverno, José, amigo de Eduart, o convidou para ir a uma festa que ele iria fazer em sua casa, Eduart não sabia como responder ao convite, mas disse que iria ver se haveria maneira de ele comparecer.

Sabia que poderia ir, mas tinha muita vergonha de aparecer em uma festa, pois se achava ridículo e feio. Mesmo assim, Pegou sua melhor roupa e foi ate a festa. Ao chegar, foi recebido por José e mais dois amigos da escola onde estudavam. Eduart, todo desajeitado, entrou e pegou uma latinha que o amigo oferecera. Ele não bebia, mas para não pagar o mico de recusar a bebida, abriu-a e deu um pequeno gole. Sentiu aquele liquido correndo pela sua garganta e viu que iria vomitar. Segurou, pois o que seria pior do que vomitar ao dar um pequeno gole em uma latinha de cerveja?

Começou a andar pela casa para ver se tirava um pouco daquela sensação horrível do corpo.

Passou por um corredor da casa que dava a uma varanda com uma bela vista. Lá se encontrava um pequeno grupo de garotas. Conhecia algumas, outras nunca vira, mas seus olhos percorreram uma pessoa em especial. Nunca tinha visto ela antes, tinha cabelos castanhos na altura do ombro, olhos verdes e não era muito alta. Gostaria de chegar e perguntar seu nome, mas não tinha coragem.

Nunca fora muito bom com garotas, da ultima vez que tentara, a garota dera-lha um tapa na cara e saiu rindo. Fora o dia mais vergonhoso e humilhante de sua vida, já que isso ocorrera em frente a muita gente.

Um de seus amigos, Marcos, percebeu que Eduart não tirava o olho daquela garota. Sabia que deveria dar um “empurrão” para que ele falasse com ela. Pensara por um instante e foi falar com uma das garotas que estava naquela varanda, ela se chamava Amanda e estudava na mesma escola de Eduart. Marcos dissera a ela o que estava acontecendo e ela teve uma idéia no mesmo instante.

Os dois foram até Eduart e levou-no até a sacada, ele resistira, pois tinha muita vergonha, mas fora convencido.

Quando colocaram frente a frente Eduart e Elizabeth, ele gaguejou, mas conseguiu falar, fora quase um murmúrio que ressoou pelos ouvidos de Elizabeth.

– O... Oi! Meu no... me é Eduart! E... e qual é o seu?

– Elizabeth. – Sua voz era suave como seda, ao ouvi-la, Eduart sentiu um aconchego, uma sensação tão boa que falou como se estivesse falando com outra pessoa qualquer.

– Você gostaria de dançar?

– Claro... Porque não?

Ficaram os dois juntos por um bom tempo, Eduart não acreditava no que estava acontecendo, nenhuma garota tinha aceitado fazer nada ao lado dele, mas Elizabeth quebrara esse tabu. Mais do que isso, depois de uma longa conversa, ela o beijara. Nunca na vida dele, sentira algo tão prazeroso como aquilo.

Pena que toda aquela sensação duraria por pouco tempo.