Olhos insanos
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1
Já havia passado dois dias desde a morte de Richard e Candece e os especialistas descobriam um pouco mais sobre as vitimas e alguns investigadores foram mandados para o hotel onde a mãe de Kendece se encontrava.
Ela estava hospedada no Le Burgundy Paris na Rua Duphot. Estava viajando pela França como presente da filha.
Ao entrar no hotel, os investigadores se depararam com o enorme hall principal e foram até a recepção. Informaram-se do quarto em que Olga estava hospeda e foram até ele.
Bateram à porta. Uma figura baixa, loira de olhos verdes abriu a porta. Se não fosse o rosto abatido e os olhos vermelhos de choro, a senhora que estava na frente deles, possuía uma beleza única, que mesmo diante da situação, tinha um olhar gentil e apreensivo.
Ela estava muito nervosa, pois recebera a noticia de antemão pelos policias e temia pelo que a filha dissera: quem matara seus entes estavam sabendo da viagem que ela fez e provavelmente sabiam onde ela se encontrava, alem disso, eles poderiam estar atrás dela também.
Quando começaram a fazer as perguntas, Olga, respondia muito tristemente parando aleatoriamente para enxugar as lagrimas que percorriam seu rosto que era visivelmente abalado por chorar muitas horas à noite sem conseguir dormir.
Os investigadores foram breves na conversa, entregaram-na um pedido para depor e foram-se. Uma escolta ficaria vigiando-a durante aquele dia e a acompanharia no dia seguinte para o aeroporto para que voltasse à Inglaterra.
Era outono, fazia um frio ameno, não havia vento, mas a temperatura chegava aos 10ºC e não passava dos 18ºC. Mesmo assim, todos pareciam acostumados com o clima e aconchegados com o calor de suas roupas grossas.
O transito parava aos poucos levados pelo movimento do dia-a-dia, as lojas estavam abrindo, as lanchonetes soltando fumaça pela chaminé. Estava tudo normal na grande Paris, os eventos de moda estavam chegando e com isso, por todos os lados viam-se anúncios das grandes grifes anunciando as suas coleções, pessoas de todo mundo chegavam para ver os desfiles.
Olga passara o dia todo inquieta, dentro do hotel, afogando-se em seus pensamentos. A todo minuto olhava pela janela as pessoas passando e voltava. Passou praticamente o dia todo assim, não conseguia sequer comer direito. À tarde, se preparou para ir até o aeroporto.
O vôo aconteceu à noite para que passasse despercebido, então o dia seguinte fora tirado para que Olga descansasse e pudesse por seus pensamentos em ordem. Não dormira nada bem já que a cada cinco minutos, era acordada por uma visão de sua filha sendo morta.
O dia seguinte fora muito movimentado desde o começo, as seis da manha, Olga fora acordada pelo telefone que tocou suavemente no pequeno criado que havia ao lado da cama.
– Alô? Quem fala?
– Olga, aqui é o detetive Konor, responsável pelo caso de sua filha.
– Oh... Olá Dr. Konor como posso te ajudar? – sua voz era suave, mas carregada de cansaço – já esta na hora de depor?
– Sim... Senhora Olga. – percebera que a velha senhora acabara de acordar e se antecipou antes que ela pudesse falar qualquer coisa – Peço desculpas se acabei de acordá-la.
– Não foi nada... Eu só estou um pouco abalada, passei a noite toda delirando com alguns pesadelos...
– Entendo. Uma escolta está esperando a senhora na entrada do hotel e a levará para o devido local. Esteja pronta em 30 minutos, pois você irá depor às 7h15min.
– Vou estar. Obrigada.
Chegando ao local indicado, Olga se preparou para depor:
– O que sabe sobre os telefonemas que sua filha recebia?
– Não muito, ela dissera pouco para mim sobre o que estava ocorrendo, mas o que sei, é que ela estava ficando com muito medo e que cada dia que passava as ameaças iam se tornando mais constantes e mais perigosas.
– O que você pode nos dizer sobre Richard?
– Bem, ele era um bom homem, cuidava de minha filha muito bem, mas, era muito ocupado tinha vários negócios a tratar e muitas vezes ele tinha de viajar para longe atrás de novos clientes.
– Com o que, exatamente, ele trabalhava?
– Não sei muito bem, mas é algo relacionado com compra e venda de tecnologia de ponta, como computadores e maquinários grandes.
– O que mais sabe sobre ele?
– Me diga... O que especificamente você quer saber?
– Ele tem algum ente que more por perto?
– Não sei, pois ele me dissera que sua mãe havia sumido quando adolescente e ele fora morar com um primo dele.
– E o pai dele o que sabe sobre?
– A única coisa que dissera sobre ele, é que ele não o conhecia e que ele havia sumido logo após saber que iria ter um filho.
Aquilo já estava se tornando um transtorno, Olga não sabia onde o delegado queria chegar, já que pensara que havia comparecido para falar da morte de sua filha e não de seu genro.
– Aonde você quer chegar perguntando sobre Richard?
– Bem... É que para nós, policias, esse caso está tomando rumos muito estranhos, já que não há evidencias de quem foram os assassinos e porque teriam matado Richard e Candece...
– Eu gostaria muito de poder ajudar o máximo possível, mas, o que sei sobre ele, eu já relatei para vocês...
– Tudo bem... A senhora deve estar muito abalada com tudo o que vem acontecendo, então volte para o seu apartamento e descanse. Se precisarmos de mais alguma coisa ligaremos à senhora.
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Já se passara uma semana que Filipe fora fazer a denuncia sobre seu computador e nada de estranho acontecera nesses dias, mas ele não estava totalmente restaurado emocionalmente.
– Filipe, o que está acontecendo com você? Já faz três dias que você não fala nada comigo.
– Desculpe Mari, é que não consigo acreditar que meu trabalho de meses fora perdido totalmente e me sinto muito desanimado...
A conversa fora interrompida pelo telefone.
– Senhor Filipe?
– Sim?
– Aqui é o Dr. Mark, acho que temos algumas pistas do que possa ter acontecido.
– Por favor, doutor o que você pode me informar de novo?
– O senhor poderia vir ao meu escritório hoje?
– Que horas?
– Estou livre o dia todo.
– Estou me dirigindo pra ai agora mesmo.
– Estarei esperando.
Filipe foi até o local marcado. Ao chegar, foi recebido pela secretaria do Dr. Mark, Stephany, ela era linda, Filipe se perguntara por que aquela linda moça era uma secretaria, enquanto podia ser rica e famosa como modelo.
Ela o encaminhara para a primeira sala do grande corredor daquele escritório. Quando entrou, Filipe se assustou com o tamanho daquela sala, que parecia muito menor por fora do que por dentro.
Dr. Mark era um homem baixo e um pouco acima do peso, mas tinha a feição de uma pessoa que estava satisfeita com sua vida. Sua voz era seca, mas ao mesmo tempo, calma e compreensiva. Fora direto ao ponto.
– Sr. Filipe, foi feito uma pesquisa minuciosa em seu computador... Tudo aponta que foi obra de especialistas, já que nenhum dado da assinatura digital fora alterado. O mais estranho, é que não havia sinal de invasão de hackers, já que em sua maioria, deixavam alguns rastros visíveis como símbolo da gangue, ou alguma mensagem de destaque.
– Como podemos chegar às pessoas que fizeram isso?
– Estamos tentando entrar em contato com um especialista em investigação de invasões hackers. Ele fizera parte de um grande grupo de hackers especializados em fechamento de páginas na internet e desmembramento de estruturas de sites importantes, como, bancos e redes multinacionais.
– Muito bem, me informe quando descobrirem algo mais sobre o assunto...
– Fique sossegado Sr. Filipe, seu caso está em boas mãos.
Era isso Filipe gostaria de pensar...
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Eduart já estava dormindo quando foi surpreendido pelo som do telefone que tocava incessantemente. Virou-se, viu que não passava das 3h da manhã e se perguntava quem poderia ser naquela hora da noite.
Estendeu a mão para a cabeceira da cama e pegou sua câmera para gravar aquele momento oportuno.
Deixara a ligação cair na caixa-postal e quando começou a gravar, apertou o pequeno botão no aparelho e uma voz saiu. Eduart se surpreendera, conhecia a voz, mas não se lembrava de quem era. Passou então a se lembrar, ainda cambaleando por ter acabado de acordar, mas viu que a voz que falava era de seu advogado, incessante, passara a noite em claro estudando cada passo da empresa de ônibus que estava sendo processada.
“Eduart, espero que possa ver o quanto antes esse recado, seu caso foi aprovado e vamos seguir em frente, vamos ganhar esse processo!”.
Eduart nem acreditava que ouvira aquelas palavras, tão esperadas, um dia chegaram para aliviar a dor que sentia há muitos anos. Começava a se lembrar das coisas como vira antigamente, das pessoas, de seus passos rápidos sobre o asfalto quente daquele verão...
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