Olhos de Vidro

2 Capítulo 2 — A Bad Dream.


Notas iniciais
A quem estiver lendo peço mil perdões pela demora, estou estudando para o Enem, como muitos por ae. Aproveitem e obrigado por ler.

Estou sentada em uma cadeira com um estofado de couro preto desgastado, por onde provavelmente milhares de bundas gordas e fedidas já sentaram, era a cadeira mais desconfortável do mundo. Eu estava quase cochilando, quando percebi que minhas mãos estavam algemadas, não forcei, pois sabia que não ia adiantar, então tentei me acalmar. Ouvi a sola de um sapato amassando o chão do corredor, o detetive Heynes passa pela porta, caminha até sua cadeira atrás da mesa de mogno cheia de papéis e fotos.

— Seus pais estão lá fora — disse ele de forma sarcástica, era um homem bonito, porém medonho. Minha voz não saía e essa era uma sensação terrível, porque eu realmente queria saber o que estava acontecendo e nem ao menos podia abrir a boca para perguntar algo. — Eles insistem que não foi você Emily, mas eu tenho certeza — ele pronunciava cada palavra com convicção e eu não conseguia entender o que estava acontecendo. — Você armou tudo não foi? — pegou uma das fotos em cima da mesa.

Só consigo chorar como uma tonta, como uma criança querendo sua mãe.

— Você está presa, acusada pelo assassinato de Thomas Blake, seu próprio namorado.

Quando ouço as palavras sairem de sua boca, algo dentro de mim, há algo querendo sair, é a vontade de gritar, de dizer que tudo aquilo é um absurdo, que Thomas não está morto, que eu o amo, que eu não fiz aquilo. Encontro alguma força dentro de mim, que me faz gritar como louca.

— Não! — Nem mesmo eu sabia que podia gritar tanto assim. — Não fui eu! Eu... Eu... Eu não fiz isso! — Minha garganta arranha tanto, como se um animal com garras estivesse ali, rasgando tudo por dentro. — Não! — Sinto mãos apertarem meus braços.

— Levem ela daqui — o detetive ordena.

— Me larga, me solta — eu repetia várias vezes. Mais duas mãos me balançavam para lá e para cá.

— Acorda, Emily! — a voz do meu pai ecoava em algum lugar na minha cabeça.

— Filha, acorde... — A doce voz da minha mãe fez com que eu me acalmasse aos poucos.

Abri os olhos e já era dia. Meus pais estavam na minha cama, me abraçando e apertando minhas mãos. Abraço meu pai forte, gostava de ser sua princesinha, de sentir que estou protegida. Gostava de sentir os carinhos da minha mãe, quando ela pegava em meus cabelos como agora. Abro bem os olhos, vejo Jared em pé, na porta do quarto. Conclui que era apenas mais um dos muitos pesadelos que tive nessa última semana.

— Eu tô bem — disse rapidamente e eu não estou não, mas era o melhor a ser dito.

Às vezes fava coisas que não eram verdades, eu faço isso não porque gosto de mentiras, mas pelo motivo que todo adolescente faz, para agradar meus pais. Eles se levantaram e caminharam em direção a porta, meu pai pegou na mão de Jared e o levou, e como ele cresceu, parece que ontem mesmo eu o carreguei no colo e agora já tem dez anos.

— Se precisar de alguma coisa... — Minha mãe diz, parando na porta. Faço que sim com a cabeça e sorrio. Ela caminha em direção as escadas, ouço seus passos.

Eles já estavam acostumados com meus gritos e choros. Mas eu não, eu não parava de pensar em Thomas. Como ele sumiu? Foi sequestrado ou fugiu? São tantas as perguntas, as mesmas que o detetive me fez, eu também gostaria de respostas para elas. E eu só tinha certeza de uma coisa, eu não ia conseguir respostas deitada ali, de moletom.

Passei as mãos sob meus cabelos longos e lisos, era a única coisa perfeita em mim, perfeita mesmo, liso, sedoso, leve e brilhoso, até mesmo quando eu acabava de acordar. Caminhei até o banheiro, liguei o chuveiro, e fui enfrentar um banho frio. A luta está apenas começando.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.