Olhos de Esmeralda

2 Capítulo 2 - "Olhos de Esmeralda."


Notas iniciais
"Minha imaginação, Faz queimar o belo amor no meu coração." Akira Nice.

"A mais bela criação do universo".

Foi o que pensei quando ela entrou, depois disso não pensei em mais nada. Só que queria passar o maior tempo possível com ela.

Porém ao quebrar meu transe, noto que professor olha para ela e diz:

–Você está meio atrasada, não é? Senhorita Dupont.
Mas tudo bem, vou apresentá-la a turma.

Ela simplesmente assente com a cabeça, fico imaginando como seria a voz dela, mas o professor me tira novamente de meu transe.

Ele diz:

–Pessoal essa é nossa nova amiga Raquel, ajudem-na a se enturmar? OK?

Ela vem passando entre as mesas, pelo que parece não encontra nenhum lugar na frente da sala, mas continua sua busca por um lugar vago, até chegar no meio da sala (que era aonde eu estava).

Ela passa por mim e dá um sorriso discreto.

Ela era tão linda, sua pele era morena e seu cabelo era negro como a noite mais linda e estrelada que os meus 18 anos puderam me proporcionar, e seus olhos eram um dos detalhes mais impactantes de sua esplendorosa beleza, eles eram tão verdes que me lembravam duas belas esmeraldas brutas.

E só estava esperando para ouvir sua voz que se fosse como a aparência, seria melodiosa e calma, pelo menos é assim que eu a imagino.

Finalmente ela encontra um lugar vago no fim da sala, hospitalidade não era o nosso ponto forte.

É interessante como ela se esforça, tudo que professor fala ela anota. Ignorando facilmente os "perebas" que tentam canta-la durante a aula.

O sinal toca, fim da aula.

Me dirijo até ela, me sinto estranho, como se houvessem várias borboletas no me estômago, parecia que minha língua havia dado um nó.

Mas minhas pernas não param, uma parte de mim fala:

"Você tem que falar com ela!"

E uma outra diz:

"Não! Você não está pronto!"

Tento esquecer estes pensamentos ridículos, estou muito próximo, não dá mais para recuar.

Imagino vários discursos decentes para se dizer para uma garota, mas o que sai é apenas isso:

–Oi, meu nome André. Bem Vinda ao colégio.

Ela olha para mim e sorri, adoro o sorriso dela, ela diz:

–Obrigado, é muito legal estar no seu colégio.

Prazer, meu nome é Raquel Dupont.

Estranho o nome, no inicio, mas logo percebo sua origem. E pergunto:

–Você é francesa?

Ela olha para mim, com uma cara, de que "como você descobriu tão rápido", mas com medo de estar errado, digo:

–Perdão, eu não deveria ser tão abusado, nós nos conhecemos a pouco tempo.

Ela sorri e diz:

–Tudo bem, você tem uma grande percepção, eu nasci aqui no Brasil, mas meus pais acabaram falecendo em um acidente de carro.

Eu digo logo:

–Sinto muito.

Ela diz com descontração:

–Tudo bem, isso já faz muito tempo.

Bom, depois disso como eu não tinha parentes de sangue que quisessem ficar comigo, minha guarda foi mandada para os meus padrinhos que são franceses, com isso quando eu completei 2 anos de idade eles me levaram para a França com eles.

Conversamos por algumas horas vagas, pelas quais não tínhamos aula. Passado-se o tempo de história estávamos liberados para ir para casa. Valquíria iria para aula de Sociologia, pois precisava dos pontos extras. Eu saí do colégio a conversar com Raquel.

Quando chegamos no portão do colégio. Eu, interessado na história perguntei a ela uma coisa:

–Por que decidiu retornar ao Brasil?

Ela me olhou com um olhar de como se ninguém nunca tivesse feito esse tipo de pergunta a ela antes.

–Por que eu queria rever minhas origens, conhecer o pais que eu nasci, a França vai ser sempre para mim uma segunda casa, pois a primeira é e sempre será o Brasil.

É o pais dos meus pais, e eu queria saber como era, até mesmo pela memória deles.

Eu disse:

–Nossa, você é muito boa com as palavras. Mas como você está me contando tudo isso, e nós só nos conhecemos a algumas horas.

Ela abaixa um pouco o rosto como sinal de que está constrangida, olha para mim novamente com seus olhos verdes e brilhantes, e diz:

–É que, você vai achar estranho, mas eu gostei de você... gostei de você desde que eu entrei naquela sala.

Nesse momento meu coração deu um pulo. Fiquei mais feliz que se tivesse ganhado na loteria, mas pensando bem eu tinha ganho, na loteria do amor.

Nossos rostos, foram ficando mais próximos, e mais próximos, e próximos...

Quando eu senti uma mão, alguém me cutuca, era Valquíria.

Parece que a aula de sociologia foi adiada devido a uma falta do professor. "Que falta de sorte!"- penso.

Ela olha para mim com um olhar questionador, ela olha para Raquel, com olhar de raiva, Raquel a encara.

Valquíria quebra o silêncio:

–Espero não estar atrapalhando...

Ela sempre foi muito sarcástica.

Sinto que Raquel está meio constrangida, mas mesmo assim ela fala:

–O que é isso, você não atrapalhou. Até por que não estávamos fazendo nada.

Não é André?

Eu olho para ela, olho para Valquíria e digo:

–É Val, não estávamos fazendo nada.

Então Valquíria fala de uma forma grosseira:

–Já que vocês não estão fazendo nada, vamos André, tenho que falar com você, e você tem que ganhar seu presente.

"Ela não me dá chance nem de me despedir."

Pensei.

Ela puxa a minha mão, e me leva para fora da escola.

Me encosta na parede e diz:

–O que é isso André?

Já tá dando em cima da garota nova.

Valquíria sempre direta, cabeça quente, e falava sem pensar, e isso constantemente me irritava.

Eu olho para ela, minha alegria havia ido embora quando deixei Raquel na situação, por isso já estava sem paciência, por isso respirei, contei até 10, e respondi:

–Eu não gosto dela, só queria conhece-la, você não confia mais em mim?

E ela olha para mim e diz:

–Confio.

Mentirosa, um dos múltiplos defeitos da Valquíria é que ela é muito ciumenta, coitada, pensa que eu me importo com isso, vou falar com Raquel, mesmo ela querendo ou não.

Mas para acalmar a fera eu disse:

–Eu não vou vê-la, fique calma.

Tenho que ir para a aula de violão, tchau.

–Beijos, tchau.- Diz Valquíria com cara de desconfiada, saio andando rápido para evitar perguntas.

Vou para a aula de violão, presente no final do quarteirão, chego lá e vejo...

...Raquel.

"É pelo visto, vou quebrar minha promessa."

Ela logo me vê e diz:

–E a sua amiga esquentadinha, ela já foi embora?

–Já, o que você faz aqui?

Ela responde:

Você não é o único que gosta de instrumentos musicais.

E ela sorri novamente, e me lembro o por que do meu dia estar alegre.

Nós conversamos muito, ela compartilhava comigo metade do caminho da minha casa.

Ela só nesse tempo já me fazia sorrir, o que era raro, quando chegamos a casa dela, eu perguntei:

–Você quer ir a minha festa de aniversário?

É daqui á cinco dias.

Ela me fala:

Ah!É seu aniversário?

Parabéns.

Então o meu corpo começou a esquentar, e eu notei que ela também sentia, parecia que estávamos conectados de alguma forma.

Novamente nossos rostos foram se aproximando, aproximando...

Até que nós nos envolvemos num beijo mágico, de uma forma como eu nunca havia sentido antes, era como se eu tivesse ido até o paraíso e tivesse voltado.

Quando retomei a consciência, ela olhava para mim, com o mesmo sorriso, mas muito mais radiante e mágico.

Quando a porta se abre, um homem branco, com pouco cabelo, e bem alto, sai pelo portal.

Sua voz era grossa, e ele diz.

–Raquel, para dentro agora!

Ouço uma voz feminina de dentro da casa, ela dizia:

–Deixe a garota!

O homem entra na casa mas deixa a porta aberta, ela diz:

–Tenho que ir.

Ela me dá um beijo na bochecha, e entra pela porta que logo se fecha.

"Adeus"

Penso eu sozinho, na porta da casa da minha amada.

Notas finais
Capitulo 2 : "Olhos de Esmeralda" - Fim. André encontra um sentimento a partir da chegada da bela francesa. Mas como será que se sairá com Valquíria, sua namorada traiçoeira? E Raquel? Ela não sabe que André namora. O que acontecerá a seguir? Veja no próximo capítulo. Akira Nice.