Notas iniciais
Recomendado ler com a seguinte música de fundo: HIM - When Love and Death Embrace (link: https://www.youtube.com/watch?v=IPrKLqNAsSY)

Os olhos piscam, primeiro sutilmente mas logo após desesperadamente, assustados com as cenas que viam, que aos poucos tornavam-se nítidas as seu redor. A garota tinha uma asa tatuada no pulso esquerdo. Não tinha nenhum significado especial par ela, embora parecia emanar um brilho fosforescente que era ignorado pela dor que as algemas provocava em seus pulsos finos. Tentou arrebentá-las em vão. A medida que forçava, o metal gelado deixava marcas em sua pele que dificilmente sumiriam em um único dia. A menina se apavorou ainda mais ao ver que havia uma corrente enrolada em suas panturrilhas.

O ambiente era escuro, mas ainda podia enxergar onde estava. O cheiro podre era insurpotável mas não podia tampar o nariz. As algemas a deixavam incapaz. Estar incapaz significava perigo. "Oh meu Deus...". Riu baixinho, não era religiosa e nunca será. Sua concepção de vida se baseava na ação e reação, causa e consequência. Sempre disse a quem lhe questionasse que era tolo pedir ajuda ao vento, entretanto agora tinha vontade de gritar -ao vento, talvez.

Seu olhar buscava saída. Tentou se erguer e conseguiu se ajoelhar. Ao mesmo tempo um vulto correu por entre seus olhos e sua cabeça tentou acompanhar sem sucesso. Gritou ao ver o vulto na sua frente, o instinto predominantemente fez a recolher-se no canto do cômodo. O vulto se aproximou, se materializou e uma luz tomou conta do ambiente. O cheiro podre desapareceu, as paredes úmidas e descascadas deram lugar a uma pintura off-white com rabiscos dourados. Aquele lugar não se parecia em nada com o ambiente inóspido que era segundos atrás. Antes dela se dar conta, a criatura se aproximou, com centímetros de distancia de sua face, seu cabelo ondulado escorreu para a testa. Sussurrou com certa melancolia:

— Você não tem para onde correr, ou para onde se esconder. Agora você é minha.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!