Olhos Insanos
5 Fim
Notas iniciais
Dois anos haviam se passado desde então. Paciência era algo que Shin não podia mais pedir a Kayko e mais uma vez ela estava no limite. Ela havia aceitado ficar com ele, mantendo um relacionamento meio escondido, já que várias pessoas desconfiavam que havia algo entre eles. Agora ele só não esperava que o ídolo dela aparecesse na escola e se encantasse por ela a ponto de chamá — la para sair.
Kayko estava radiante, sorria o tempo todo e as poucas vezes que ele a viu, ela estava ao celular conversando de uma maneira bem diferente do que ele estava acostumado a ver e aquilo já estava o enlouquecendo de ciúmes, mas não tinha como ele ir contra aquele acontecimento. Lá estava ela aguardando ele e Maya para encontrarem o tal Sephiroth,isso depois de Kayko ter marcado um encontro na frente deles. Sephiroth era um homem famoso por ter saído como herói de uma importannte guerra, sem falar que suas habilidades de luta eram únicas.
O trio andou até o outro lado da rua, onde Sephiroth os aguardava com um urso de pelúcia nas mãos, objeto que logo entregou a Kayko:
—Como sabia que eu gostava de bichos de pelúcia? — Kayko pergunta com um doce sorriso.
—Quando o vi, achei que ele ficaria muito bem em seus braços. — Respondeu Sephiroth.
Era possível ver o quanto ele estava encantado com Kayko, Sephiroth a queria e ela deixaria se levar porque ele não tinha conseguido a liberdade para ficar com ela, o que o deixava cada vez mais desesperado. Já estava passando por problemas com Maya, que do nada resolveu matar todos os membros do time katana e para protegê — la ele havia feito várias besteiras. Para piorar Maya estava apaixonada por Mitsuomi, que estava de caso com Mana, que fazia questão de espalhar isso para toda escola para denegrir sua imagem.
Estava enlouquecendo. E agora Kayko, a sua amada Kayko estava se deixando se levar por outro homem ali na sua frente, tudo porque ele estava sendo covarde demais para assumir uma posição em tudo aquilo. A voz de Sephiroth faz ele sair de seus devaneios:
—Me lembro de ter convidado apenas a Kayko, o que fazem aqui? — Sephiroth pergunta olhando para Shin e Maya.
—Somos amigos dela, e como também sou amigo dos tutores dela, tenho a obrigação de zelar por sua segurança. — respondeu Shin.
—Hum...De qualquer forma eu só vim vê — la antes de viajar. — Sephiroth puxa Kayko levemente para si e a beija, deixando Shin e Maya pasmos. — Vamos nos encontrar outra hora?
—Claro. — Kayko fala com um doce sorriso. — Me ligue quando quiser me ver.
—Certo.
Shin havia percebido que eles haviam trocado algumas palavras baixas assim que se abraçaram e ele iria atrás de Kayko para saber o que eles iriam fazer. Logo ele viu Sephiroth partir, deixando uma irada Maya para trás e Kayko cada vez mais encantada:
—Vou pra casa. — Anuncia Kayko.
—Eu vou com você. — Shin fala.
—Não precisa. Saga e Kanon já chegaram, o que você quer não terá hoje. — ela falou mal — humorada, não queria e nem poderia mais ter o presidente por perto.
—Não preciso de motivos para te acompanhar. — Shin insistiu.
—Ih...vou embora para o casal discutir com mais privacidade. — Fala Maya se afastando deles.
—Já disse, eu vou embora para casa Shin, não precisa me seguir.
—Por que o beijou? E na minha frente?
—Ele é meu ídolo, é uma oportunidade única e outra, foi ele que me beijou e não o contrário.
—Mas você correspondeu. Por quê?
—Porque eu quis. E outra, você não é nada meu para me questionar, a sua namorada se chama Kuzunoha Mana.
—Droga Kayko, eu já deixei claro que eu quero você!
Shin se aproxima dela e lhe segura o braço em um pedido mudo para que ela ficasse mas ela apenas impediu que ele a tocasse por muito tempo o olhando em seguida. Eles ficaram por alguns segundos se encarando, uma leve brisa agitou os cabelos de ambos e por alguns instantes um medo enorme invadiu Shin:
—É uma missão. — Ela baixou o olhar e falou baixo, mas ele pode ouvir.
—Não vá, logo eu estarei livre e podemos ficar juntos. — Shin respondeu sentindo seu coração se despedaçar aos poucos.
—Não posso mais ficar com você.
“Eles haviam viajado para poder passar um tempo juntos, alegando para Saga e Kanon que iriam acompanhados com o clube. Estavam em um pequeno hotel nas montanhas com uma fonte termal dividida para cada quarto. Era um local humilde mas um tanto aconchegante:
—Onde arrumou dinheiro pra pagar isso aqui? — Kayko pergunta curiosa para Shin que estava jogando as mochilas em um canto do quarto.
—Tenho juntado há algum tempo para te trazer aqui. — Ele sorri satisfeito. — Esse é o nosso presente de um ano juntos.
—Então você lembrou? — Ela estava surpresa.
—Ei! Você é importante pra mim, como eu poderia esquecer o dia em que trocamos o nosso primeiro beijo? — Shin se aproxima dela e enlaça sua cintura, colando o corpo ao dela,que enlaça seu pescoço.
—Não sabia que era tão romântico assim. — Kayko distribui vários beijos pelo rosto dele. — Você também é muito importante pra mim Shin.
—Nesses dois dias eu serei apenas seu, só seu.
—Sem namorada de fachada, nem stalkers, nem brigas e nada de família?
—Nada disso, somente eu e você.
—Isso me surpreendeu. — Kayko fala pensativa. — Mas enfim, eu não comprei nada pra lhe dar de presente, então só posso me dar de presente pra você, mas com uma condição.
—E qual seria?
—Nada de penetração, ou Saga e Kanon te matam.
—Ah não! Definitivamente não! Eu quero você por completo. — Shin finge estar bravo e Kayko aproveita para sair dos braços dele.
—Você pode tentar se conter e ter uma amostra ou pode não se conter e não ter nada,você que sabe… — Kayko fala enquanto se livrava da blusa e do short que usava.
—É...pensando bem, é melhor ter alguma coisa do que nada, não é mesmo? — Ele sorri de canto, observando o quanto a sua Kayko era bela.
—Eu também acho isso, até porque esta difícil eu me conter, agora imagine só você.
—Não via a hora de ter você.
Shin se aproxima de Kayko, que pula no pescoço dele, envolvendo a cintura dele com as pernas enquanto ele a segurava pela cintura e a levava até a cama impecavelmente arrumada do quarto. Pela primeira vez estavam tendo um contato mais íntimo e aproveitaram cada segundo para ter um ao outro. Aquele era o mundo que eles queriam para eles.
Kayko acordou no meio da madrugada nos braços de Shin que dormia tranquilamente. Ela se ergueu um pouco e pode olhá — lo: se ele era um demônio como se intitulava, ele era o mais belo deles. Sorriu ao ver a tranquilidade com que ele respirava e o rosto tão relaxado, só tendo aquele momento que ela pode ter certeza de que ele realmente gostava dela. Ela estava perdida em pensamentos quando ela teve uma sensação estranha.
Levantou — se com cuidado para não acordar Shin e caminhou até a porta da varanda que dava para a piscina natural de águas quentes e abriu a porta devagar para não fazer barulho. Logo o ar da noite tocou seu rosto e ao olhar para o céu viu a sua constelação protetora brilhar intensamente, e logo uma solitária estrela enfraqueceu o brilho e um risco luminoso passou por essa como um corte.
Aquilo poderia não significar nada para muitas pessoas, mas para ela significava muito: A estrela próxima a constelação de gêmeos era a estrela de Shin, e aquela falta de brilho com aquela estrela cadente passando por ela só significava uma coisa: Shin deixaria aquela vida em breve. Lágrimas passaram a escorrer pelo rosto dela, Saga já havia lhe avisado que a morte rondava os dois, só que agora ela sabia quem morreria. Talvez fosse ela que o mataria, os dois sempre conversavam sobre isso e haviam feito um pacto, se um dos dois perdessem o controle, o outro o mataria, mas ela não queria fazer isso com ele, ela não teria essa coragem, porque ela o amava.
Ouviu o som dos lençóis se movendo e logo Shin estava ao seu lado:
—Perdeu o sono?
—Não. — Ela limpa o rosto e se vira para ele com um belo sorriso. — Vim olhar as estrelas.
—Algo bom para nós dois? — Shin a abraça por trás e a beija no topo da cabeça.
—Me prometa que nunca vai perder o controle.
—Com você nunca.”
Shin estava no limite da sanidade e ela teria de se afastar dele. O relacionamento que antes o salvava agora havia se tornado um problema grave, já que para protegê — la ele estava fazendo tudo o que o chefe das famílias queria e também havia o problema de Maya e Mitsuomi. Era muita pressão para ele aguentar, por isso ela aceitou o conselho do mestre sobre a missão com Sephiroth, talvez assim Shin continuasse vivo e bem. Era somente a vida dele que importava para ela naquele momento.
Ela suspirou e virou as costas, encontraria Sephiroth mais a frente e o que acontecesse com ele seria bem vindo, somente Sephiroth poderia afastar Shin. Seu coração doía, mas era necessário fazer isso, era a pequena luz no fim do túnel. Só assim poderia salvá — lo.
Caminhou mais alguns metros e encontrou Sephiroth mais a frente, era óbvio que ele estava louco por ela, estava os olhos dele o quanto ele a achava incrível. Ela sentiu a presença de Shin próximo, mas ela fingiu não saber e saiu com Sephiroth como haviam combinado antes.
—*-
Aquela cena deixou Shin possesso de raiva. Mesmo que ela dissesse que era uma missão ela não poderia deixar de amá — lo da noite para o dia, mas não mesmo. Ao se virar para fazer o caminho de volta ele pode ver Kuzunoha parada o encarando de maneira triste:
—Então é isso mesmo? É ela que você quer? — A voz dela saiu fraca e cheia de sentimentos.
—Achei que isso estava claro para você desde o início. — Shin respondeu sério.
—Ela não te ama. Eu sim te amo de verdade Shin! Eu estive ao seu lado todo esse tempo. Isso não é mais um jogo para mim!
—Oe Mana, não seja dramática. — Ele sorriu triste. — Você nunca poderia amar o monstro que eu sou, agora ela pode. — Ele se aproximou dela e pousou uma mão no topo da cabeça dela. — Me perdoe por não te corresponder.
—Eu fiquei sabendo que assim que se formar você vai embora. Vai levá — la com você?
—Se ela puder e quiser vir, sim, eu vou levá — la comigo.
—O mestre entrou em contato e deseja conversar com você.
—Imaginei isso. Essa deve ser a última vez mesmo, mas antes eu tenho que resolver algumas coisas.
—Não se atrase.
Antes de ir ao encontro com os chefes das famílias, Shin decidiu dar um fim no primeiro problema: Maya. Para mantê — la em segurança ele teria que extinguir o time katana e foi isso que ele fez indo de encontro aos seus antigos amigos e derrotando todos mas se segurando para não matá — los. Se o fizesse, Kayko poderia ficar chateada com ele.
Ao chegar no local de encontro com o mestre das, Kuzunoha o aguardava e ele já havia previsto que algo ruim iria acontecer. E bem, aconteceu. Ele e Buchinshi tiveram uma briga violenta, o que o levou para uma internação de alguns dias. Maya, Mitsuomi e até mesmo o próprio Buchinshi o visitou, mas nem sinal de Kayko.
O desespero já consumia Shin e ele teria de tomar o próximo passo o mais rápido possivel antes que a perdesse de vez. O barulho da porta se abrindo lhe chamou a atenção e lá estava Kuzunoha parada a frente dele. Ela vinha todos os dias visitá — lo mesmo já não tendo nenhuma ligação com ele:
—Por que veio de novo? — Shin perguntou mal humorado.
—Talvez porque o que eu sinto por você não é tão falso quanto eu achava. — Ela respondeu caminhando até a janela e olhando para fora. — Mas não é esse o motivo que me traz aqui hoje. A Kayko se transferiu da escola hoje. Sephiroth agora tem a tutela dela.
—Como assim? Do que esta falando Mana?
—Ela foi para a escola em que o filho do Sephiroth estuda, a transferência foi solicitada por ele pessoalmente. Os mestres dela estão indo embora daqui a alguns dias e ela irá viver com Sephiroth, melhor, ela esta indo se casar com ele.
Shin socou a cama, se aquilo estava acontecendo era a ruína dele. Nunca que ele conseguiria ir em frente sem Kayko, era por ela que ele havia parado de matar pessoas, era por ela que ele estava saindo das lutas de ruas, era por ela que agora ele pensava em ter uma família:
—Mana, quando eu vou receber alta? — Shin perguntou olhando para a moça.
—Daqui a dois dias.
—Mana eu nunca te pedi nada, mas dessa vez eu te imploro, por favor me ajude a sair daqui.
—Shin, você tem a mim,não precisa ir atrás daquela mulher! — Mana fala desesperada.
—Mana, eu até gosto de você, nós passamos um bom tempo juntos nessa farsa, mas ela é a mulher que eu amo. Eu estou tentando mudar por ela e só ela pode me parar quando for preciso.
—Shin…
—Por favor Mana…
A moça sentiu seu coração despedaçar. Shin implorava por Kayko assim como implorava pela katana amaldiçoada de sua família e ela jamais poderia competir contra isso. Ela passou alguns segundos olhando para ele, ali naquela cama, tão frágil e tão exposto, demostrando todo amor que sentia por Kayko e não por ela. Sentiu — se uma fracassada por estar ali, por nutrir sentimentos por aquele homem que jamais seria dela. Por fim decidiu dar a chance dele ser feliz, já que ela o amava de verdade, ela queria vê — lo feliz mesmo que não estivesse com ela.
Ao chegar a casa de Kayko, Shin foi recebido pelos gêmeos, que tinham um ar de preocupação ao olhar para ele. O trio se reuniu na pequena sala de jantar, onde o gêmeos estavam a frente dele:
—Shin… — Kanon iniciou. — Eu sinto por tudo isso. Por mim a Kayko ficaria com você e seus amigos para sempre, mas o santuário a obrigou a cumprir essa missão.
—Kanon, eu só preciso que ela confirme que virá comigo assim que essa missão terminar. Apenas isso. — Shin falou confiante.
—Shin, ela terá de se envolver com o Sephiroth e não sabemos por quanto tempo, tem certeza de que quer isso? — Saga perguntou preocupado.
—Quando ela for minha esposa eu prometo para vocês que vou cuidar dela de tal forma que vocês nunca vão se preocupar com ela. Eu prometo fazê — la feliz e vou amá — la para sempre.
—Hey garoto, confiamos em você e bem, por nós você pode até tentar, mas a nossa ninfa bebê acha que é um problemão pra você por isso ela decidiu aceitar a missão e se afastar. — Kanon falou.
—Shin, aproveite esse tempo para colocar a sua vida em ordem, se a Kayko decidir voltar pra você, iremos apoiar com certeza mas se ela não voltar você tem que dar a volta por cima e seguir em frente. — Saga falou preocupado com a reação do rapaz a sua frente. Ele sabia que Shin havia depositado todas suas esperanças em Kayko.
—Sem ela não há vida para mim Saga. Bem, ao menos posso deixar uma coisa no quarto dela? — Shin mostra uma única rosa vermelha que havia trazido para Kayko.
—Vai lá, você sabe o caminho. — Saga observou Shin sair da mesa e ir para o quarto de Kayko. — Kanon, acha que deveriamos falar do casamento?
—Ele já deve saber a essa altura e bem, isso foi decisão da Kayko para protegê — lo. — Kanon falou preocupado.
—*-
Tudo foi muito rápido,a missão, o pedido de namoro de namoro de Sephiroth, a decisão de se afastar de vez de Shin e até mesmo seu casamento que aconteceria dali a alguns dias. Ela havia chegado da escola junto de Kadaj, o filho adotivo mais novo de Sephiroth. Depois que havia começado a conviver com Sephiroth, ele havia perguntado a possibilidade dela se transferir para a mesma escola que Kadaj frequentava, isso foi a deixa dela para se afastar de Shin de vez.
Ela morava com Sephiroth e os três filhos adotivos dele, naquele horário apenas ela e Kadaj ficavam em casa, os dois mais velhos chegavam mais tarde e Sephiroth estava viajando devido o trabalho. A campainha tocou e ela desligou o fogão para poder ir atender, poderia ser um dos funcionários da Shinra enviando algo para Sephiroth.
Kayko caminhou pelo corredor até chegar a porta, ao abrir encontrou Maya, com um olhar vazio e o rosto manchado de lágrimas:
—Até que enfim te achei, só você pode me ajudar agora. — Fala Maya com os olhos rasos de lágrimas.
—O que houve? — Kayko pergunta preocupada.
—O Shin…
—O que houve com ele?
Nesse momento Buchishi aparece com um semblante fechado, o que preocupou Kayko mais ainda:
—Vamos sua sem coração, ao menos agora você tem que vê — lo. — Ele fala sério.
—O que houve? Me falem o que aconteceu com o Shin! — Kayko sente o desespero crescendo dentro de si. Devido os dias tão corridos ela havia se esquecido de Shin, foi então que ela lembrou que ele havia desaparecido por todo aquele tempo Para ser mais precisa, desde que ela havia ido morar com Sephiroth..
—Vamos, não temos muito tempo. — Diz Buchishi a pegando pelo braço e a guiando até um táxi que estava parado os aguardando.
O caminho se seguiu em silêncio. Kayko nunca havia sido religiosa, mesmo sendo uma amazona da deusa Athena, mas naquele momento ela pedia a Athena com todas as forças que o que ela havia previsto anos antes não tivesse acontecido mesmo que tudo indicasse que sim.
O táxi parou em frente a um local que ela sabia que pertencia a família de Mitsuomi. Algumas pessoas circulavam pelo local e aquilo estava a incomodando muito. Buchishi e Maya a guiaram até a frente do salão, onde dois caixões estavam dispostos lado a lado, em um altar havia velas e as fotos de Shin e Kuzunoha sorrindo decoravam o local.
Kayko se soltou das mãos de Buchishi e caminhou até a urna maior, ela não queria acreditar mas pela abertura podia se ver o rosto sereno de Shin, assim como ela o viu pela primeira vez que dormiram juntos. Lágrimas embaçaram sua visão e suas forças se foram, fazendo ela cair de joelhos ao lado da urna.
Milhares de coisa passaram por sua mente naquele momento, inclusive que a culpa dele estar morto era sua. Ao se virar para onde Buchishi estava, ela o viu chorar, assim como Maya e a irmã mais nova dela e de Shin. Ele não deveria ter morrido, não era para ter sido daquela maneira. Ela se afastou dele para que ele pudesse viver e não morrer e deixar ela sem o brilho daqueles olhos sem uma gota sequer de sanidade que ela tanto amava:
—Seu infeliz, eu te deixei pra você não morrer, aí você vai e morre...O dia que eu te encontrar no inferno eu juro que lhe farei pagar por isso. — Kayko fala baixo enquanto segurava a urna. Ela se levanta e chama Buchishi que se aproxima. — Tem como conseguir um tempo para eu ficar só com o corpo dele?
—Vamos levar o corpo da Mana primeiro, aproveite esse tempo. — Ele responde.
—Obrigada grandão.
—Quem é a viúva aqui é você diva, se você tivesse ficado do lado dele isso não teria acontecido. — Ele a abraça com carinho.
—Acho que temos que conversar sobre isso.
Buchishi se afastou dela e foi até os familiares de Kuzunoha para solicitar a retirada do corpo, o que foi prontamente atendido. Kayko aproveita o momento que estava acompanhada apenas por Maya e Aya para poder abrir o caixão de Shin para se despedir do corpo físico dele. Primeiro ela deixa as irmãs dele se despedirem e assim que elas se afastam ela deposita um beijo na testa do corpo sem vida de Shin:
—Eu não tive tempo de te dizer, e talvez eu não dissesse nunca, mas de verdade eu gostaria muito de ter falado isso na sua cara só pra ver a sua reação. — Kayko respira fundo. — Eu te amo seu idiota, você era meu tudo, a luz que iluminava as minhas trevas, e agora quem vai me conter se eu perder o controle? — Lágrimas pesadas desciam pelo rosto de Kayko. — Quem vai parar o meu casamento? Quem vai pilotar aquela moto velha pelo mundo comigo na garupa? Quem Shin?
—Kayko, se acalme. — Pede Mitsuomi aparecendo das sombras. — Se quer sentir raiva, sinta de mim, fui eu que o matei…
—Não precisa se culpar, esse idiota escolheu a morte porque era mais fácil do que aceitar o peso de seus sonhos.
—Como sabe que ele se matou? — Mitsuomi parecia surpreso.
—Eu conheço bem o homem que eu amava. Ele tinha vários motivos para se matar, mas escolheu logo o pior deles...no fim, acho que ele não me amava tanto assim já que se matou por ela e não viveu por mim.
—Errado. Ele se matou porque soube de seu casamento, foi isso que Maya me contou.
—E eu resolvi me casar para protegê — lo.
—Eu sei disso Kayko.Por isso eu resolvi me tornar presidente do grupo de execução e também tomarei posse como chefe das famílias. Não vou permitir que isso aconteça novamente.
—Faça isso por favor, eu vou seguir meu caminho bem longe disso.
—Faz bem. Boa sorte Kayko.
—Pra você também Mitsuomi.
—*-
Depois do enterro ela não teve forças para voltar para casa de Sephiroth, passou um tempo com Maya e Aya, as ajudando a arrumar as coisas de Shin, por fim ela foi para casa onde vivia com Saga e Kanon. A entrada já lembrava Shin, foi ali que se beijaram pela primeira vez. Ao entrar na casa, se deparou com os móveis cobertos por lençóis empoeirados, o único lugar limpo era o seu antigo quarto.
Sobre a cama havia uma carta com uma rosa vermelha murcha em cima. do lado de fora do envelope podia se ler “para a minha luz” escritas com a letra de Shin. Kayko pega o envelope e ao tirar a folha de dentro, um anel cai no chão a deixando surpresa:
“Bem, eu resolvi escrever porque tenho um pouco de vergonha de falar isso pessoalmente, espero que veja isso antes que vá embora. Aí esta um anel, quero que seja minha esposa assim que eu me formar, já consegui um emprego como ajudante em uma oficina mecânica e tem um apartamento pequeno que dá pra pagar com o salário que vou ganhar. Estou livre dos meus afazeres e da Mana também, então coloque esse negócio no dedo logo e venha me encontrar na praia. Eu te amo Kayko.”
Kayko recolhe o simples anel prateado e coloca no dedo em que já havia o anel de compromisso que Sephiroth havia lhe dado. O anel de Shin era tão simples que nem se destacava perto do anel de ouro com uma pedra de diamante que Sephiroth havia escolhido para ela. Mesmo sendo simples, ela imaginava o quanto Shin havia dado duro para conseguir comprar aquele simples anel e ela não iria se desfazer dele de maneira alguma, que Sephiroth a perdoasse por isso.
Ela não sabia quanto tempo havia passado ali no quarto daquela casa, mas quando resolveu sair já era noite alta. Sem rumo, acabou por parar na praia, olhando as ondas e sentindo a brisa do mar tocar seu rosto, era ali que costumavam se encontrar nos domingos onde treinavam artes marciais. Kayko ouve seu nome sendo chamado e ao se virar ela vê Sephiroth vindo a sua direção:
—Que bom que a encontrei, estavamos preocupados, tem dois dias que você desapareceu. — Ele fala preocupado.
—Desculpe Seph.
—Me conte o que aconteceu, por que desapareceu assim?
—O Shin morreu.
—Sinto muito pequena. Vamos pra casa, você precisa descansar. — Ele a ajudou se levantar.
—Sim, vamos. Mas me deixe fazer uma coisa antes. — Ela tira a carta de Shin do bolso, rasga em pequenos pedaços e os joga no mar. — Agora podemos ir.
—Me conte tudo no caminho, assim se sentirá melhor.
—Só você pra se preocupar comigo Seph. — Ela o puxa para si e o beija levemente.
—Eu vou cuidar de você em memória dele, aliás foi graças a ele que eu a conheci. Eu devo agradecê — lo também.
—Sim, nós vamos agradecê — lo corretamente algum dia.
Fale com o autor