Olhos Insanos
1 Capítulo 1 - Exílio
Ela havia sido presa depois do incidente causado por ela mesma, o que acarretou morte de algumas amazonas e o ferimento grave de outras. Seus cabelos antes loiros claríssimos agora estavam negros como ébano e no reflexo da água que haviam deixado ali ela podia contemplar os olhos vermelhos intensos. Seu ar angelical havia desaparecido com toda sua pureza.
Kayko, esse era o seu nome e naquele momento ela não se arrependia de nada, ao contrário, ela sentia prazer ao se lembrar dos corpos dilacerados e rostos agonizantes daquelas que tanto desdenhavam ela e sua irmã. Ela escutou passos se aproximando e logo o Grande Mestre do santuário surgiu a frente da cela junto da mulher que era reencarnação de Athena. Eles a observaram por alguns segundos até que a mulher falou:
—Kayko, eu fiquei sabendo de tudo o que aconteceu pelas pessoas que presenciaram o incidente, inclusive fiquei um bom tempo conversando com a Yoko, o Shaka, e com os seus mestres. — Ela faz uma breve pausa. — Acredito que mereça uma nova chance.
—Perdoe — me Athena, eu realmente não controlei meus impulsos e acabei me excedendo, mas eu admito que não me arrependo, ou seria eu e minha irmã ou elas nos matariam de alguma forma. — Kayko fala com ar arrependido.
—Eu acredito que faria o mesmo que você se alguém estivesse ameaçando minha irmã menor, Shion também partilha da mesma opinião que eu e nós decidimos uma coisa para você. — Athena termina de falar e olha para o Grande Mestre Shion.
—Kayko, você será exilada do santuário por tempo indeterminado. — Fala Shion. — Mas fique tranquila, você não estará sozinha. — Ela fala gentil como um pai para um filho que estava de castigo. — Saga e Kanon estão de mudança para o Japão com você; vocês ficarão por lá até que nós requisitamos vocês para alguma missão ou emergência, mas não creio que esses sejam os casos.
—E quanto minha irmã? — Kayko pergunta preocupada.
—Ela ficará bem com o Shaka. Ele se responsabilizou pelo ocorrido com ela e disse que manterá com ele sempre para que esse tipo de coisas não aconteçam mais.
—Isso me deixa mais tranquila Mestre. — Kayko se mantinha ajoelhada mesmo atrás das grades.
—Vou tirá — la daí, Saga e Kanon estão lhe esperando lá fora. — Shion fala amável.
—Agradeço muito a oportunidade que estão me concedendo e eu prometo que jamais cometer o mesmo erro novamente.
—Sabemos disso.
A cela foi aberta por um guarda e logo Kayko seguia pelos corredores que levariam a saída das prisões do santuário. Ao chegar à saída ela fica cega temporariamente ao ver a luz do sol, coisa que não via a alguns dias. Ao se acostumar com a claridade ela pode ver os mestres gêmeos a observando, sem cerimônias ela corre para os braços deles que a abraçam com carinho:
—Minha ninfa bebê. — Fala Saga a abraçando junto do irmão Kanon.
—Mestre Saga, Mestre Kanon. — Ela fala entre lágrimas. — Senti muita falta de vocês.
—Acalme — se pequena, agora estamos aqui. — Fala Kanon beijando o topo da cabeça dela.
—Eu não quero ficar longe de vocês, nunca mais. — Kayko fala entre lágrimas.
—E não vai ficar, minha bebê. Vamos ficar do seu lado pra sempre. — Diz Saga a pegando no colo, enquanto ela se embalava nos braços dele.
—Vamos pra casa agora Kayko, assim podemos conversar melhor sobre nossa partida para o Japão. — Kanon fala amável.
—Desde que eu esteja com vocês eu não vejo problema algum em recomeçar. — Kayko sorri o que faz os dois mestres ficarem derretidos pela discípula.
Se despediram do Grande Mestre e de Athena e caminharam de volta para a casa onde viviam, nos templos zodiacais. Durante o caminho acabaram recebendo vários olhares de reprovação, ela estava sendo vista como uma assassina sem perdão, aquelas pessoas não sabiam o que ela tinha passado para chegar aquela decisão e ter feito o que tinha feito.
Ao chegar em casa a primeira coisa que ela foi fazer foi tomar um bom banho. Durante o banho ela pensava em como faria para voltar a sua forma normal, não queria aparecer à frente do amado daquela maneira, apesar que não saberia se ele iria querer vê — la após o incidente. Uma boa parte da perseguição que ela sofria era o leve relacionamento que ela mantinha com o cavaleiro de escorpião. Devido ao relacionamento com ela, ele havia parado de andar com o grupo de amazonas que atacaram ela e sua irmã dias atrás.
Kayko se vestiu e rumou para sala onde Kanon tentava fechar uma mala:
—O que está fazendo? — Pergunta Kayko se jogando no sofá.
—Arrumando as malas, vamos partir amanhã cedo. — Responde Kanon.
—Mas e como vão ser as coisas lá?
—Já temos uma casa e emprego certos, você terá de frequentar uma escola agora.
—Isso é ruim, não sei viver em sociedade apesar de ser grega.
—Não pense assim, você é uma garota muito popular, sabia?
—Agora popular por ser uma assassina… — Kayko suspira decepcionada. — Kanon, o que eu faço para voltar a minha antiga aparência?
—Se você tem o mesmo problema que o Saga, acho que isso será quase impossível, veja o Saga, até hoje o cabelo dele é mais escuro que o meu.
—Acho que terei problemas com essa aparência.
—Por causa do Milo?
—Também...mas olhe bem pra mim, pareço um demônio agora.
Kanon para o que fazia e olha para Kayko, ele se aproxima dela, afasta os cabelos das laterais do rosto dela onde visualiza as orelhas pontudas, ele pega o queixo dela e puxa os lábios dela para baixo, onde vê os caninos salientes:
—Se é um demônio, é um tanto sexy. — Fala Kanon com um sorriso sedutor.
—Quero ouvir isso do Milo. — Kayko o afasta.
—Até suas curvas se acentuaram mais.
—Eu percebi isso. Quase que esse short não passa nos meus quadris e estou usando meu maior sutiã.
—Posso verificar isso também?
—Claro que não. — Fala Saga entrando no local. — Kayko,Milo está lá em baixo e disse que quer vê — la.
—Obrigada, eu vou vê — lo. — Kayko se levanta e ia andando.
—Não se esqueça de terminar com ele, vamos embora amanhã. — Fala Saga.
—Sim senhor.
Ao descer as escadas que levaria ao andar térreo do templo ela pode ver o cavaleiro de escorpião de costas, encostado em uma das colunas da casa de gêmeos:
—Milo. — Kayko chama.
Milo se desencosta da coluna e se vira para olhá — la, porém ele parou assim que percebeu que aquela não era a sua garota:
—Onde esta a Kayko? — Ele pergunta.
—Sou eu. — Kayko responde sem graça. — Fiquei assim após o incidente.
—Hum… — Milo a olha dos pés a cabeça e assovia. — Isso ficou bom. — Ele sorri de canto, fazendo Kayko sorri também. — Então, eu senti sua falta e fiquei sabendo que havia sido liberada então vim vê — la.
—Isso foi bom porque se não me visse hoje, não me veria tão cedo.
—Como assim?
—Estou indo embora, fui exilada.
—Não! Isso não é justo, tudo aconteceu por minha culpa também. — Milo se aproxima dela e lhe segura as mãos. — Você não pode carregar esse peso sozinha.
—Vai ser melhor assim. Minha irmã estará livre de problemas e você poderá seguir com sua vida.
—Eu gostaria que você estivesse na minha vida.
—Mas não vou estar. — Kayko acaricia o rosto dele. — Adeus.
—Kayko, não, por favor…
Milo a puxa para si e a beija suavemente e a abraça em seguida, a segurando em seus braços por alguns minutos, até que se afastou para olhá — la:
—Quer que eu vá com você? — Ele pergunta.
—Não é necessário, eu vou começar uma vida nova, espero que faça o mesmo.
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