Olhos Gélidos

3 Não Acredito em Contas de Fadas


Notas iniciais
Ai,desculpa pela demora!Sei que esse capítulo está pequeno mais prometo que o próximo vai ser maior!
Boa leitura,gente!
Dedico esse capítulo as minhas duas leitoras ice girl e AryaBlackStarkWayne que continuam lendo essa história louca.

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“Contos de fadas não dizem às crianças que dragões existem. As crianças já sabem que dragões existem. Contos de fadas dizem às crianças que dragões podem ser mortos.” —
G. K. Chesterton

–“Sabe Jack, eu nunca tive um nome...”

Jack confuso com seus pensamentos tristes, se virou para a pequena fadinha.

–O que?

Fadinha respirou fundo, tinha que distrair o Jack da sua dor, era por isso que estava ali. Para ser algo em que Jack pudesse se apoiar. Então contar uma verdade até mesmo trivial parecia uma boa ideia para mudar o olhar de Jack.

–“Todas nós éramos fadas, fadinhas...Não fazia sentido ter um nome, todas éramos uma só...Mas sempre tive esse desejo, um egoísmo de ter algo como um nome, sabe? Por algum motivo os humanos de todas as culturas tem um nome, eu queria saber como é ter um nome.”- Disse com um dedo na bochecha fofa, mas depois balançou a cabeça em negação.-“Só é curiosidade”.

–Pensei que fadinha fosse um nome...-Pensou alto o Jack sem entender, conhecia ela, era sua amiga e mesmo assim não havia nem sequer passado pela sua cabeça? Ter um nome era importante.

Fadinha balançou a cabeça mais uma vez, mas dessa vez com tristeza contida.

–E você começou esse assunto porque?-Jack deu um pequeno sorriso, já sabia a resposta .-Porque você não quer me ver triste.

Jack sorriu um pouco mais com o tom azulado que subiu nas bochechas da fadinha.

–Vou te contar uma coisa que nem o pessoal sabia.- Comentou Jack despreocupadamente, girando o cajado nas mãos, gerando uma leve brisa fria.- Meu verdadeiro nome não é Jack Frost.- Terminou de um modo dramático descendo do globo enferrujado.

Fadinha arregalou os olhinhos surpresa, depois riu, um risada que se assemelhava muito há de um canto de colibri.

–“Não sei por que estou surpresa, muitos espíritos assumem outro nomes, mas o seu nome é tão normal que achei que fosse de quando você era humano.”- Disse indo até onde Jack estava.

Jack riu, uma risada gostosa, então a fadinha achava seu nome de espírito demasiadamente normal? Isso sim era engraçado, sempre foi um nome estranho para ele.

A risada dele era congelante, mas não tinha aquela mesma felicidade, ainda estava carregada de tristeza, uma tristeza que ele conhecia muito bem.

–Não. O Homem da Lua me deu um nome como espírito das crianças, mas depois de ver minhas memórias da minha irmã, outras foram voltando, como meu verdadeiro nome, que é germânico. -Talvez por isso nunca tenha se sentido muito a vontade com o nome Jack Frost, só se acostumou com ele, porque era um novo mais fácil para as crianças lembrarem.

–“E...?”

–E o que?

–“Vai me falar o seu nome de quando você era humano ou não?”-Fadinha já estava emburrada com a curiosidade, com os bracinhos contra o peito e as bochechas inchadas como uma criança de cinco anos.

–Como é fofoqueira, essa minha fadinha. — Disse Jack tocando com o dedo na ponta do nariz da pequena.

–“Não é isso, só não gosto de histórias incompletas... Que graça tem só saber uma parte da história?”-Fadinha tinha um brilho nos olhos. -“Se começou tem que terminar!”

Jack olhou intensamente para aqueles pequenos olhos violeta.

–Jokul.- Respondeu Jack sem muito interesse.

–“Jokul? Esse sim, combina com você e na verdade é bem mais bonito. Sabe o significado?”

–Meus pais falaram que é porque eu nasci num dia muito frio, onde estava tudo coberto de gelo, as árvores, as casas, o lago, tudo estava coberto com a geada. Eles me acharam tão pequeno e frágil quanto um pingente de gelo, por isso me deram esse nome.

–“Pingente...Seus pais estavam certos, porque não usa!?”-Exclamou fadinha rodeando o Jack.

Jack percebeu então algo que não tinha notado antes. Ele não era mais um guardião, nem mesmo era um espírito, mas agora percebia algumas consequências disso. Não havia o porque dele não usar o seu antigo nome, não precisava mais que nenhuma criança acreditasse nele para existir, não precisava de um nome fácil para elas gravararem. Sempre quis ser reconhecido, mas nunca tinha percebido como tinha se afastado do seu passado para fazer isso.

–Jokul? Jokul...-Testou o nome em voz alta depois de tanto tempo, séculos, sem ouvir ou falar esse nome. Sorriu significativamente.

–Vou ouvir seu conselho...Jokul é o meu nome de novo.- O nome há tanto tempo esquecido, guardado em um tempo em que todos o enxergavam.

–“Que bom Ja..Jokul.”- Rodopiou a fadinha pousando em seu ombro esquerdo.

–Já que você me ajudou, vou te dar um presente...-Sorriu Jokul pegando a fadinha de seu ombro e fazendo com que ela usasse os seus dois dedos da mão direita como banco para sentar.

Olhou diretamente para ela, seus olhos eram curiosos e apostava que se tivesse uma sobrancelha estaria com uma levantada, suas penas continuavam na mesma coloração verde e amarela, com um tom escuro azul nas pontas ,mas pareciam um pouco mais pálidas, seus olhos continuavam violeta, mas o contorno em volta em vez da cor rosa era em um tom azul claro, amava aqueles olhos. Sua magia havia modificado ela não tinha como negar. E também tinha a ligação mental que o permitia entender agora a pequena.

Tão pequena e curiosa...

–Luísa...

–“Luísa?”-Perguntou a pequena sem entender, levantando.

Os olhos de Jokul brilhavam, um sorriso nostálgico tomou conta de sua face.

–Você.

–“Eu? Não entendi.”- Disse chegando mais perto do menino gelado.

–O meu presente é um nome, o nome que tinha minha irmãzinha, Luísa...-Disse Jokul andando até os túmulos.- Você me lembra ela as vezes...-murmurou baixinho, sem que a fadinha escutasse.

–“Luísa? Luísa...”-Testou o nome como Jokul havia feito, girando como se fosse um planeta.-“Que nome fofinho!”-Exclamou divertida com o “presente”.

Depois os olhos do dois seres míticos rolaram para as lápides. Jokul podia sorrir, mas seu coração estava cheio de rachaduras.

Seu coração era como o gelo, frio, congelante, mas ao mesmo tempo batia como o de qualquer pessoa quente.

Mesmo que isso seja impossível para muitos, porém isso que o torna tão especial.

–Ei, Luísa -A pequena demorou alguns segundos para ver que era com ela.- Temos que sair daqui...Não podemos ficar aqui...-O coração se rachava mais um pouco com essa afirmação.

Luísa continuava com um olhar distante nas lápides, seus olhos marejaram a primeira vez desde que acordou.

–“Minhas irmãzinhas também foram embora. Jokul para onde vão os que são esquecidos?”-Perguntou escondendo o rosto daqueles olhos azuis-gélidos do menino.

–Eu não sei...Sabe uma vez eu conheci um garoto, Peter, um garoto muito legal,só o vi algumas vezes. Ele levava as almas das crianças, era algo como um anjo da morte para elas. Nunca tinha folga, a Fada me lembra ele nesse sentido...Bom, eu perguntei uma vez pra onde as almas iam. Peter sorriu e me disse que há certas coisas que ainda eram misteriosas para ele, aquilo me deixou confuso e continuei perguntando, como ele podia levar, sem saber o que havia lá? Lembro muito bem do sorriso bondoso que Peter me deu quando eu perguntei. Então me respondeu que ele tinha fé e me tacou uma bola de lama na cara.- Jack riu da lembrança ingênua.

–“Então eu nunca vou saber...”-Ela falou com a voz triste.

–Tenha fé, Luísa...Lembra o que eu disse sobre sobreviver e viver? Alguns mistérios descobertos estragariam a graça de viver.

Logo depois de falar, Jokul olhou intensamente para o cajado em suas mãos, girando o lentamente, um pensamento incômodo surgiu.

Ele não era um guardião. Ele não era um espírito.

Ele era o que?

Jack Frost?

Não.

Jokul.

Sim.

Um barulho de algo se quebrando ecoou pela fábrica. Luísa arregalou os olhos os olhos enquanto via o cajado cair no chão em duas partes. O menino gelado havia quebrado o cajado sem nem ao menos hesitar.

–“Jokul?...”

O menino sorriu, um sorriso triste, com lágrimas congeladas caindo no chão.

Não queria e nem seria mais Jack Frost. O Guardião da Diversão.

–“Porque?”-Perguntou Luísa assustada com a reação de Jokul, num instante ele estava calmo e no outro parecia...

–Eu não preciso do cajado! Esse cajado, tudo o que eu vivi não passou de uma grande mentira! Como eu pude ser tão cego,por não perceber isso?!

Todas as janelas se quebraram com o vento cortante e gelado do Polo Norte. O vento atingiu os dois seres, mas eles não se importaram para um o gelo nunca mais seria um problema e para o outro o gelo acariciava sua pele.

–“Pode ser, mas sabe? A amizade e companheirismo dos guardiões com você não era mentira!”-Gritou Luísa deixando finalmente as lágrimas caírem, escorrendo pelo seu rosto delicado.

–Eu sei.- Jokul sorriu mudando completamente seu humor.- Só queria que você chorasse.

Luísa então chorou mais ainda, sabia que Jokul se sentia daquela maneira, mas era gentil demais para admitir. Então usou aquilo para conforta-la. Não estava certo. Era ela que tinha que ajuda-lo, não o contrário.

–Calma, Luísa...Está tudo bem, eu estou aqui com você...-Sussurrou Jokul abraçando a pequena ,contra o peito com delicadeza.

Olhando a Luísa, seus pensamentos voaram para perguntas como “Um espírito era uma pessoa que fez algo especial na sua vida e morreu por ela... Não era? Então porque não era um espírito? O que me tornava tão diferente?”

Apertou a frágil Luísa ainda mais contra o peito.

Havia realmente morrido naquele dia frio? Ou será... Que apenas tinha despertado seus poderes?

A boca de Jokul se abriu num grito mudo. Luísa levantou voo quando as mãos geladas do menino pararam de pressiona-la. Olhando diretamente para aqueles olhos gélidos não podia parar de pensar no que incomodava Jokul.

“Só pode ser um espírito quem um dia já tinha sido humano. Sou um ser mágico criado a partir da Fada, nunca tinha sido humana, diferente do Jokul... Não é?”

Jokul se sentou no chão, coberto pele neve do Polo Norte.

–Humano?...-A voz de Jokul sumiu, naquela simples palavra.

Fechou os olhos com força, quanto tempo ele tinha vivido na mentira, depois de cair naquele lago? Antes de cair? Quanto antes de cair? Mordeu as bochechas por dentro.

Nós crescemos e esquecemos o “Era uma vez”, mas temos a esperança do “... E foram felizes para sempre”.

Fim.

Quem dera se a vida real fosse que nem os Contos de Fadas.

Luísa sentou no ombro de Jokul em silêncio, pegando uma mecha de seu cabelo branco como a neve.

Continua...

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Notas finais
Bom espero que tenham gostado,mas o próximo capítulo eu vou dar um pequeno salto no tempo(só falo isso,mas nada).
E então gostaram do que eu fiz com o título?

Obs: O que será que tem de especial no Jack,ops,Jokul?Gostaram do nome Luísa?Eu pesquisei e é um nome germânico e também de uma grande amiga minha.
Posso demorar a postar o próximo capítulo,minha semana está horrível,mas vou tentar postar o mais rápido possível!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.