Olhe duas vezes!
8 Capítulo 8 - Convites & Espelhos Quebrados
Flynn sobrepôs à voz dizendo firmemente:
– Ela ia cair e eu a segurei, nada mais! E que ciúme bobo é esse Dove? Acha mesmo que eu te trairia?
Dove fingiu um choro e abraçou o rapaz.
– Me desculpe Flynn! Nós acabamos de sair de um treino terrível e eu quero muito ganhar a estadual. Acabei confundindo as coisas quando te vi e por que será que estou tão gorda? — Disse a garota com a voz embargada.
Briana virou os olhos demonstrando desprezo para a atuação de Dove. Flynn ficou meio perdido com tantas palavras de uma só vez e disse abraçando Dove:
– Tudo bem, fique calma! Vocês com certeza vão ganhar as estaduais, com uma capitã excelente como você, e que história é essa de estar gorda? Você é a garota mais linda que eu conheço Dove!
Flynn beijou Dove ternamente e Briana resolveu ir embora. Ainda era abismada com quem conseguia ser amigo de Dove, quanto mais namorado. Pegou sua mochila e saiu ao encontro do irmão. Tripp ainda não havia chegado. Começou a chover forte e a garota resolveu se abrigar na escola. Foi então que Aaron surgiu atrás de Briana dizendo enfurecido:
– Que história é essa de melhores amigos garota?
A garota se assustou e respondeu com um sorriso falso:
– Eu pensei que nós fôssemos, não?
Aaron deu uma risada falsa e disse com as mãos no rosto:
–Nós dois sabemos que não. Porém amo a Emma e se ela gosta de você quem sou eu para desmentir sua história. Bom, eu vou te mandar o endereço da festa por mensagem de texto, e como regra das festas VIP's da escola, você tem que levar uma bebida!
Briana se sentiu aliviada por Aaron não ter contado a verdade à Emma. Ela disse meio sem jeito e gaguejando:
– Obrigado por não ter contado a verdade. Acho que tenho refrigerante em casa, mas qualquer coisa eu faço um ponche!
Aaron deu outro riso falso e respondeu rispidamente:
– Muito engraçado! Eu quis dizer as alcóolicas...
Briana ficou sem graça e disse cortando Aaron:
– Meu irmão chegou, tchau!
A garota correu até Tripp que acabara de parar Ivy, a moto e logo estavam em casa. Briana e Tripp chegaram encharcados em casa. Arya subiu até o quarto e pegou algumas toalhas limpas e secas. Ela disse entregando uma toalha a Tripp, enquanto secava os cabelos:
– Para você se secar!
Tripp agradeceu e disse com a voz rouca:
– Vou começar a preparar o jantar! Vá se aquecer antes que se resfrie...
Após dizer isto Tripp colocou sua toalha em volta da irmã e foi para a cozinha fatiar alguns legumes. Briana subiu para o quarto e encontrou Sortudo com um ratinho na boca, um de seus novos brinquedos. Ela se abaixou e fez carinho em seus pelos. A garota foi fazer o dever de casa e ficou pensando se devia ir ou não a festa, e outra, como conseguiria a bebida se não tinha idade para comprá-la? Briana decidiu que se Emma gostava tanto dela, a ponto de fazer Aaron suportá-la deveria ir para agradar a amiga, e poderia pedir uma garrafa de uísque para Tripp, já que o irmão bebia às vezes. Após o irmão chamá-la para o jantar, ela desceu e após dar uma colherada na sopa de legumes com croutons disse:
– Tem uma festa na sexta-feira e eu fui convidada...
Tripp sorriu e respondeu:
– Que ótimo, Bri. Você deve ir!
Briana disse meio sem jeito tentando não olhar nos olhos do irmão, já que estava com vergonha:
– E como regra, todos tem que levar uma bebida, você não podia me arranjar uma?
Tripp tomou da sopa e após um momento de silêncio disse sério:
– Não posso, Briana.
A garota disse surpresa encarando o irmão:
– Como não? Toda a escola vai estar lá, será ótimo para eu fazer amizades e me divertir um pouco.
O irmão disse com a voz firme e semblante sério:
– Briana Faye Falk, você não vai à esta festa e você sabe a razão. Esse assunto se encerra aqui!
Briana levantou da cadeira e disse com os olhos marejando:
– Você não tem esse direito!
Ela correu para o quarto enquanto o irmão dizia irritado:
– Briana, volte aqui! Só estou fazendo isso porque quero seu bem...
A garota se trancou no quarto, pegou Sortudo e deitou-se na cama abraçando o bichano. A sensação de sentir o calor de seu corpo e seu pequeno coração batendo relaxaram Briana. Enquanto isso o irmão batia na porta gritando:
– Briana, abra essa porta ou eu vou arrombá-la! Precisamos conversar...
Ela gritava de volta com a voz falhando:
– Me deixe em paz, Tripp!
O irmão desistiu e a garota ficou ali abraçada a Sortudo, e acabou pegando no sono com seu ronronar. Crash! Briana acordou assustada. Sortudo estava a cochilar em sua cama marrom-chocolate. Ela ouviu o som de vidro se quebrando. Em seguida alguns passos pela escada e o som de uma porta rangendo. O coração da garota estava acelerado, seu corpo parecia congelado e seus pelos estavam arrepiados. A orfã calçou as pantufas, apanhou seu taco e abriu a porta que rangeu. Briana sussurrou tremendo de medo:
– Por que é que essa porta sempre tem que me entregar? Vou ter que comprar óleo para passar nessas velhas dobradiças...
Um bilhete estava no chão. Ela o abriu e leu rapidamente tentando se manter alerta a qualquer ruído suspeito.
Fui ensaiar com a banda na casa do Zack e volto mais tarde. Quando voltar vamos conversar, okay?
Com amor,
Tripp.
Um ruído foi ouvido e logo as luzes da casa estavam todas apagadas. Ao tentar ligar o interruptor do corredor de seu quarto ao banheiro ela não obteve sucesso. Instantaneamente, Briana se lembrou da noite em que seu pai foi assassinado, a energia da casa fora cortada. Ela ouviu um som de água no banheiro e se dirigiu até a porta. Após aberta, revelou o espelho do banheiro quebrado, seus cacos estavam no chão e a torneira da pia estava aberta transbordando muita água. Choque. A garota ficou em estado de choque ao perceber que a água do chão do banheiro se misturava com uma grande quantidade de sangue. Um caco de vidro maior estava sujo de vermelho escuro. Briana saiu do banheiro apressada gritando esganiçada:
– Tripp? Voltou do ensaio?
Briana ouviu o som de algo pesado sendo arrastado e em seguida a porta bateu. Ela pegou o celular e ligou para a polícia rapidamente. Após a ligação, entrou no quarto e depois de trancá-lo pegou Sortudo e o abraçou o mais forte que pôde. Foi então que ela ouviu uma batida na porta e uma voz grossa de homem dizendo firmemente:
– Sra. Falk, aqui é o Xerife Johnson. Abra a porta, por favor!
A garota conseguiu ouvir o som da viatura mais abaixo e após abrir a porta o Xerife Nelson, acompanhado de uma policial de pele morena-avelã e um policial gordo e careca entrou já com arma em punho. Briana percebeu que os policias miravam a janela à suas costas que ficava ao lado de sua cama, e ao se virar, se deparou com uma frase escrita em sangue puro: A próxima é você. A garota se levantou assustada e se aproximou dos policias que perguntaram:
– Você sabe o que aconteceu aqui? Tinha mais alguém na casa com você? Está ferida, querida?
Briana tentou assimilar todas as perguntas feitas de uma só vez e após respirar fundo respondeu prontamente:
– Eu não faço a mínima ideia do que houve aqui. Acordei e ao banheiro após um barulho e encontrei um aguaceiro misturado com sangue e cacos de vidro sobre o chão. Meu irmão ainda está no ensaio da banda, presumo. Estou intacta, nem uma feridinha se quer.
A policial anotou algumas coisas em sua caderneta e perguntou à Arya:
– Será que você podia ligar para o seu irmão e amigos para termos notícias, querida?
A garota assentiu, ligou o viva voz e ficou ainda mais preocupada quando o celular do irmão caiu na caixa postal. Sem perder tempo discou o número de Melissa que logo atendeu.
– Oi Briana! Tudo bem? — Disse a loira com meiguice.
– Ainda não sei. Você sabe se o Tripp ainda está aí no ensaio? — A garota soltou rapidamente torcendo para receber uma confirmação.
– Não, ele saiu mais cedo porque não estava se sentindo muito bem e o ensaio acabou há algumas horas. Por que? — Perguntou Melissa com um quê de preocupação nas últimas duas palavras.
– Nada. Depois te explico. Tchau! — Falou Briana sentindo o corpo arrepiar de forma ruim.
Seus olhos arregalados e marejados encontraram os do Xerife que tinha semblante empático.
– Parece que seu irmão chegou em casa porque encontramos panelas acesas no fogão, escovas de dentes e toalha úmida e o laptop do seu irmão ligado.
O policial rechonchudo e com a careca branca, similar a um ovo disse tirando o chapéu:
– Sinto muito querida, infelizmente ele pode ter sido sequestrado ou algo pior, mas prometemos encontrá-lo e trazê-lo são e salvo para você. Se vista, você virá à delegacia conosco para prestar depoimento.
Briana assentiu e perguntou olhando para o gato adormecido:
– Mas quem tomará conta do Sortudo? Ele é só um bichinho...
O Xerife Johnson a interrompeu dizendo após um sorriso:
– Eu conheço um lugar onde posso deixá-lo até tudo ser resolvido, não se preocupe. Estaremos lá em baixo te aguardando, cinco minutinhos, hein?
Arya assentiu, entregou o bilhete de Tripp ao Xerife e em seguida os policiais saíram de seu quarto. Ela trocou as vestes, calçou os tênis, pegou a mochila com os livros escolares, algumas peças de roupa e ao olhar para a prateleira seus olhos encontraram o retrato da família que Tripp quebrou. Ela o colara com fita adesiva. Lá estavam Briana, seu pai, sua mãe e o irmão sorrindo em um dia de piquenique no parque. Ela pegou o objeto e após beijá-lo disse com os olhos fechados:
– Por favor, que o Tripp não seja levado também...
Uma lágrima morna brotou dos olhos da garota e em seguida ela ouviu uma batida em sua porta. Era hora de ir à delegacia mais uma vez.
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