Notas iniciais
Comecei escrevendo essa história como algo só para mostrar entre meus amigos, mas acabei decidindo postar ela aqui. Eu simplesmente pensei "E se existisse uma fanfic de Pokémon de uma jornada do treinador, com o narrador sendo o próprio Pokémon?". Amaria receber críticas e explicações dos meus erros gramaticais que estejam nesse capítulo! (É algo que eu realmente não consigo evitar, não importa quantas vezes eu releia e repense nas palavras)

Com meu corpo frágil, dou um pequeno salto e começo a rolar na maior velocidade possível em direção à uma criatura roxa com o único intuito de feri-la, apesar de ter sido revidado com uma chicotada da sua cauda e abruptamente interrompendo meu ataque. Me levanto e fico no aguardo de outro comando do meu treinador, nosso nervosismo sincronizava naquela situação e não sabíamos o que fazer, jamais entramos em uma partida tão séria como essa.

“Lucas, escute... Se você quer realmente batalhar, então batalha direito...” A garota loira que ordenava o rato disse friamente, parecendo bastante insatisfeita com o ritmo da luta, logo continuou “Escuta aqui, não vou pegar leve dessa vez! Rattata, utilize ataque rápido agora mesmo e vamos para casa!” Seguindo as ordens da sua treinadora, ele começou a correr na minha direção, pronto para me desferir um ataque e me deixando sem reação. “Dunsparce, rápido, use proteger!” Meu treinador me fez prestar atenção no duelo novamente e me orientou, segui suas ordens no instante que a frase dele terminou e criei um escudo azul poderosíssimo ao meu redor, impedindo o ataque.

“Agora, Dunsparce, utilize o ataque rolar e acabe com aquele Rattata!” dei um pequeno salto e rolei na direção do rato outra vez, mas de forma previsível a treinadora novamente ordenou para que ele se defendesse do meu ataque com um chicote de cauda, estávamos repetindo esses passos há algumas horas. “Você quer parar de fazer movimentos tão repetitivos? Eu e meu Rattata estamos ficando cansados já, Lucas!” A garota exclamou e seu Pokémon grunhiu em acordo com ela, assim como eu e meu treinador estávamos sincronizados em desespero, eles estavam sincronizados em fúria, ela ficou quieta por alguns segundos e depois continuou “Quer saber? Realmente, cansamos, vou para a minha casa e irei pentear os pelos do meu Rattata.” Com isso, a menina e o seu Pokémon viraram de costas bufando e ela deixou o rato subir em seu ombro, caminhando em direção à sua casa.

Lucas e eu nos encaramos por alguns segundos e comemoramos, eufóricos juntos. “Dunsparce, conseguimos! Essa é a nossa segunda vitória nesse mês contra a Amanda! Conseguimos, sucesso!” Ele correu até mim e me segurou, girando comigo em seus braços loucamente gritando de alegria. Sendo bastante honesto, nunca tive tanta fé em meu potencial, eu reconhecia isso, mas o meu treinador jamais quis encarar esse fato e sempre continuou acreditando na possibilidade de me tornar um Pokémon altamente renomado. Sim, isso era uma das coisas que mais me davam felicidade nesse mundo, mas a outra também era a companhia do próprio Lucas, somente sua presença já fazia me sentir bem e disposto a qualquer desafio imposto perante nós. Foi com essa vitória que saímos correndo até a nossa casa também, precisávamos contar ao pai dele sobre essa grande conquista que conseguimos depois de tantos dias treinando e carregados de esforço.

O caminho era longo pois estávamos na Rota Hibisco, muito longe da Cidade de Luma, por minha sorte eu era carregado nos braços de Lucas enquanto ele decorria por todo o caminho empolgado, passando por perto de alguns arbustos pude ver um Sentret cheirando e dois Nickit brigando por um pedaço de pão possivelmente roubado, por nossa sorte que não esbarramos em nenhum conflito com algum Pokémon selvagem por meio desse percurso, eu estava cansado demais para conseguir lutar direito. Durante o caminho para casa, reparei que essa região não era muito diferente da região que Lucas costumava a morar, Johto, antes de seus pais se mudarem para cá, na verdade me acostumei com o novo lugar muito antes dele.

Quando finalmente abrimos a porta de casa, não havia ninguém lá dentro e apenas uma carta na mesa, Lucas me colocou no chão e foi pegar a carta para ler, tentei subir na cadeira para ler a carta junto, fracassei e esperei pelo resumo que ele faria como aconteceu nas últimas semanas. “Ah, ele disse que estava no trabalho de novo, pelo visto esse novo trabalho dele é muito puxado... Sabe, podíamos fazer uma surpresa para quando ele voltar, não? Vamos fazer um bolo comemorando sua vitória!” De início, o garoto explicou com um tom melancólico para mim, mas logo reanimou sua voz e olhou para mim com seus doces olhos que me faziam perceber que Lucas era tudo para mim. Dei alguns saltos de ânimo e saí em disparada para cozinha, meu treinador veio correndo atrás de mim rindo, estávamos separando os materiais e deixando tudo organizado para fazer um bolo de chocolate. Por eu não ter braços, não consigo ajudar muito na receita e acabo mais atrapalhando que tudo, mas com um pouco de esforço a mais conseguimos terminar a massa e colocar no forno.

“E com isso...” Bateu as mãos, limpando suas mãos embora não estivessem sujas, “O bolo estará pronto, só esperar! Fizemos do sabor favorito dele, ele vai amar!” Lucas concluiu sua frase, colocando as mãos agora na cintura como se estivesse orgulhoso do resultado final, sacudi minha cabeça em afirmação com ele e depois comecei a rastejar ao seu redor. Ele achou minha atitude fofa e me segurou nos braços novamente, andando até o sofá, sentando-se lá e acariciando a minha cabeça. “Você acha que dessa vez conseguimos pedir para se aventurar no mundo igual nossa mãe? Ou você acha que meu pai não vai deixar de novo...?” Lucas disse isso olhando para uma janela ao seu lado, mantendo sua mão calorosa em minha cabeça. Grunhi em incerteza, das últimas vezes que ele tentou seu pai parecia sempre muito receoso em deixa-lo fazer uma coisa dessas, embora eles não tivessem tanta renda e a vida estivesse meio insustentável. “Vamos, não seja tão pessimista assim, vencemos a luta hoje! Talvez ele reconsidere...” O garoto disse soltando um leve e cansado suspiro, muito pensativo sobre o que poderia acontecer quando ele chegasse em casa e soubesse que conseguimos vencer nosso recorde de vitórias contra a Amanda e seu Rattata nesse mês.

Os minutos pareciam não passar nunca, olhei para o rosto preocupado do Lucas algumas vezes e queria dar algum jeito de anima-lo, mas certamente não teria nada que eu pudesse fazer em uma situação dessas. “Ei, Dunsparce...” Ele chamou minha atenção e continuou “A Amanda não vai sair em uma aventura antes da gente, vai?” Lucas frequentemente se questionava sobre esse assunto, por ela ser uma treinadora mais jovem que ele e quase sempre conseguir vencer nas lutas que tínhamos diariamente. Grunhi em negação e incrédulo, é claro que nós vamos sair mais cedo que ela, só precisamos pensar em algum jeito de convencer esse adulto do nosso poder... Então, fomos interrompidos pelo barulho do fogão ter completado seu ciclo predeterminado para assar o bolo, o garoto então gentilmente me colocou no chão e saiu em disparada por ter se esquecido completamente, rezando para Arceus no milagre do bolo não ter queimado completamente. “Ufa! O bolo não queimou, está no ponto certo...” Ele colocou o bolo no prato em cima da mesa e tirou as luvas em seguida, mas o milagre foi duplo e na hora que ele terminou de arrumar a mesa para a degustação do bolo, seu pai havia chegado em casa.

“Pai!” Lucas no mesmo instante correu na direção dele para abraça-lo e ele também retribuiu o abraço acariciando o curto cabelo castanho do seu filho, logo ele perguntou “Sentiu saudades? Você não precisa se preocupar, sempre chego em casa antes da noite.” Falou rindo e notou o bolo que Lucas fez, sentindo-se prestigiado. Os dois andaram até a mesa, fiquei rastejando ao lado do meu treinador e logo ele me acolheu, colocando-me em cima da mesa com um pequeno pratinho de ração na minha frente. Eu estava faminto, então nem fui pensando duas vezes seco para cima do meu prato, enquanto isso os dois conversavam. “Eu sei que você chega sempre antes da noite, mas é que hoje eu tenho uma ótima notícia para te dar! ... Não, não é que foi a primeira vez que não queimei o bolo, tá bom?” Ele respondeu ao seu pai, pegando uma fatia do bolo e a colocou no seu prato, fazendo seu pai pensar e perguntar “Por acaso é que você venceu outra luta contra a Amanda? Se for, agora eu entendi o motivo do bolo e de tanta empolgação.” Disse com um tom de orgulho do seu filho e falou empolgado.

“Aliás, eu tenho uma ótima notícia para você, sabia?” e isso me deixou certamente curioso e me fez parar de mastigar a ração tão freneticamente, apesar do próprio Lucas não ter prestado tanta atenção no que o seu pai disse. “Sim, isso! Eu ganhei contra a Amanda hoje, foi uma luta muito difícil! Dunsparce deu o melhor dele e além disso...” antes que ele pudesse terminar sua própria frase, percebeu o que seu pai tinha lhe dito “Espera! Você disse... Ótima notícia?” Os olhos do Lucas brilharam no momento que ele percebeu que teria uma notícia do seu pai, podia ser a tão aguardada bicicleta que ele queria pra passear comigo por perto da cidade? “Veja com seus próprios olhos” Seu pai disse, passando uma pequena caixa preta para seu filho, e no momento que ele abriu a caixa, caiu para trás da cadeira no ápice da surpresa. “U-um Po-PokéGear?! Como funciona?! Onde conseguiu?!” São diversas perguntas que Lucas soltou em menos de um segundo, fazendo seu pai rir um pouco. “Foi o presente de um amigo meu, agora não vejo mais problemas para você ir se aventurar, só lembre de me mandar um recado, tá bom?” Ele via os olhos cor de gelo e brilhantes do Lucas admirado com o PokéGear enquanto tirava seu próprio e velho PokéGear do bolso, agora sendo possível fazer ligações para ele de longe e satisfazendo parcialmente a preocupação com seu filho.

Nesse momento, eu percebi, minha jornada ao lado do Lucas estava prestes a começar.

Notas finais
Deve ser intrigante o diálogo dos Pokémon durante uma batalha, não? ... Preciso aproveitar disso em algum capítulo futuro, não só em batalhas mas situações no geral mesmo.