Olhando pelo Buraco da Fechadura
8 Brigther past
Ela estava parada na porta do hotel, pensando se teria coragem de entrar ali, a mala aos seus pés. John veio em sua direção tentando deduzir alguma coisa em sua expressão, foi quando ela sorriu.
\"John Frusciante!\" falou surpresa como uma fã ao ver seu ídolo inesperadamente pela primeira vez.
Ele segurou o queixo dela e deu um beijo.
\"Emily Frusciante...\" sussurou gentilmente no seu ouvido. Ela riu e colocou as mãos nos ombros dele.
\"Isso não combina comigo.\"
\"Eu tenho que pedir permissão ao seu pai, não é?\"
\"Seria bom se ele não tivesse me expulsado de casa.\" Ela mudou o tom animado.
\"O que aconteceu?\"
\"Depois que você foi embora naquele dia, eu fui para casa arrumar minha mala e meu pai estava me esperando na sala, ele viu você... ele gritou várias vezes comigo, queria saber como eu poderia errar duas vezes. Eu não revidei, eu só queria sair dali sem ter que gritar com meu pai. Eu fiquei ali submissa, apenas dizia que te amava muito, ele me expulsou de casa.\"
\"Emily, me desculpe...\" ele parecia arrasado, não suportava o fato de ter destruído a já destruída família de Emy. Ela colocou o dedo levemente em seus lábios.
\"Não há o quê se desculpar, mas você pode fazer uma coisa por mim...\"
\"Qualquer coisa!\"
\"Me leve pra longe desse lugar, me leve pra longe desse pesadelo.\" ela parou uma lágrima pertinente que ousava cair para estragar aquele momento.
\"Direto para Califórnia, o lugar que nós pertencemos.\" Ele respondeu prontamente.
\"Com muitas paradas no caminho...\"
\"Sim, senhora.\" Eles se beijam.
De longe Chad avista os dois apaixonados.
\"Que pouca vergonha é essa?\" Chad gritou num tom sério.
Emily virou assustada e viu Chad com sua cerveja preta na mão franzindo o cenho numa expressão que lembrava um zelador de colégio.
\"Chad!\" ela correu em sua direção e o abraçou, o que fez o baterista sorrir, algo dentro dele dizia que tudo voltaria a ser como antes, viajar pelo mundo cercado pelos seus melhores amigos. \"Cadê Anthony e Flea?\"
\"Bom, Flea foi buscar Clara no aeroporto...\" ele se serviu de um gole de seu café da manhã, a sua cerveja gelada.
\"Clara deve estar enorme...\"
\"E Anthony está lá em cima tomando seu café da manhã\" Chad falou com um risinho sarcástico, John que colocava as malas de Emy no ônibus riu.
\"Eu não entendi a piada...\" falou confusa.
\"Ele está com uma garota.\' John falou.
\"Aposto que não é a Sophie.\"
\"É, acertou.\" Chad falou antes de subir no ônibus.
\"Pau que nasce torto nunca se endireita.\" suspirou Emily.
\"Nesse caso é o pau mesmo, esse cara é inquieto!\" falou John rindo da sua própia piada.
\"E Nancy? Estou com saudades dela...\"
\"Está tentando trazer os dois pombinhos.\"
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Flea estava sentado na ala v.i.p do aeroporto, o jornal do dia nas suas mãos falava da \"apaixonante\" performance do Red Hot Chili Peppers, quando o telefone tocou:
\"Alô?\" ele atendeu.
\"Michel? Sou eu.\" a voz irritante do outro lado.
\"Quem está falando?\" Flea fingiu não saber.
\"Sou eu, Loesha.\" o nome tatuado no seu peito, a mãe de Clara, a mulher que em cinco anos havia mudado a sua vida.
\"Algum problema?\"
\"Não... a Clara já chegou?\"
\"O vôo dela atrasou um pouco, mas ela chega em alguns minutos.\"
\"E você, está bem?\"
\"Se estou bem? Me diga você!\" ele falou um pouco alterado.
\"Flea, eu não quero brigar... eu sinto sua falta.\"
\"Loesha, me dêm um tempo, ok? Procure alguma coisa para te distrair, algum trouxa para você trair.\"
\"Você nunca vai me perdoar, não é?\"
\"Não.\" sua voz seca e decidida, uma possibilidade que ele já tinha estudado, mas a solidão não é a pior coisa do mundo, que sabe a decepção?
\"Tchau.\" ela falou. Ele desligou o telefone, jogou para longe no sofá de couro, seu pensamento estava distante, tinha sido pior do que ele imaginava falar pela primeira vez depois da última e estrondosa briga do casal.
Não conseguia pensar em nada, além daquela noite em que ele voltou de uma turnê antes do planejado e encontrou a mulher da sua vida nos braços de outro, e esse, é só um eufemismo para o quê ele viu naquela noite quente de março. O que mais doeu foi que Clara dormia no quarto ao lado e Loesha não teve nenhum amor a sua pequena filha.
Clara chegou com seu cabelo ruivo e suas encantadoras sardas arrastando uma mala da Minnie ao lado da aeromoça na sala v.i.p, o colorido da sua roupa e a vida em seus olhos verdes apagaram as imagens ruins daquela noite, pai e filha eram muito ligados, Clara não perdia uma oportunidade de viajar: não para conhecer outros lugares, ou qualquer outro motivo senão passar horas e horas brincando com o seu melhor amigo.
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