Olha por Onde Anda, Babaca !
1 Capitulo Unico
Notas iniciais
Ele nunca foi o cara certo para menina nenhuma, tinha todo aquele jeito marrento, exibido e metido a conquistador barato; e mesmo assim, desde o principio eu me encantei por ele.
Sabia que ele, nem ao menos sabia meu nome, que dirá quem eu era.
Lembro-me exatamente do dia que ele finalmente me notou ...
[°°°°°°§°°°°°]
–Droga –falei irritada quando notei a chuva forte que caia
Observei ao redor para ver se achava algum táxi para me levar pra casa, e nada.
Hoje definitivamente não é o meu dia de sorte.
Continuei andando, sob meus saltos, e procurei segurar ao máximo meu vestido, que o vento estava fazendo o trabalho de levantar a cada lenta passada que eu dava.
Parei e acenei para um taxi que passou, más ele nem ao menos deu algum sinal.
Quando voltei a andar, só deu tempo de ouvir o desculpa em alto e bom som, quando percebi já estava completamente encharcada, depois de ser atingida por uma poça d’agua.
–Não olha por onde anda não seu babaca ?! –gritei para o cara da moto, que já estava mais distante.
Por estar afastado de mim, não imaginei que ele iria ouvir e muito menos que iria...
–Ai meu Deus –sussurrei vendo a moto parar ao meu lado
–Do que você me chamou mesmo ? –o rapaz perguntou ainda com o capacete na cabeça
–Ér... você foi um babaca, mesmo –falei com uma coragem que não sei de onde tirei
–E porque eu seria uma babaca, se é que posso saber princesinha ? –perguntou com a voz carregada de ironia
–Você fica ai andando, sem ao menos olhar se não tem ninguém na sua frente, e acabou me deixando nesse estado, toda molhada –falei irritada
Ele ficou me olhando, ou melhor o “capacete” me encarou, até eu ouvir uma sonora risada.
–Olha só princesa, como eu sou uma boa pessoa, que tal eu te levar até sua casa ?- perguntou
Ele estava mesmo pensando que eu iria aceitar simplesmente pegar uma carona com ele assim do nada, sem ao menos o conhecer ? Idiota
Passou mais um vento, e novamente tive que segurar meu vestido.
Olhei ao redor, pensando seriamente na proposta, por incrível que pareça, e quando voltei meu olhar para o cara de capacete, foi impossível não corar.
–T-tyson ?- perguntei receosa para o rapaz, que venho admirando durante o ultimo ano, sem ele saber.
–Ah então a princesa revoltada me conhece ? E olha que nem moro nessa cidade–Tyson perguntou de um jeito debochado que não condizia com a imagem que eu tinha dele.
–Você estuda na mesma faculdade que eu- falei tentando explicar.
Por incrível que pareça, mesmo estudando na mesma faculdade, foi só em outra cidade que consegui falar com ele.
Eu simplesmente me frustrei com esse jeito arrogante dele, eu tinha uma ideia sim de que ele era desta forma, já que todas as peguetes dele, falava a mesma coisa : “Tyson é um arrogante, metidinho a play boy”
Voltei de meu devaneio quando senti um tapa na minha cara, de leve mas mesmo assim um tapa.
–Você me bateu ? –perguntei exasperada
–Você estava ai toda lerda, e não me respondia –respondeu como se aquilo fosse uma explicação logica a ação dele.
–Você definitivamente é um idiota –falei e logo voltei a andar, dessa vez a passos rápidos.
Péssima ideia, já que eu estava de salto.
Quando achei que meteria a cara no chão, sinto braços me circulando.
–Acho que você precisa de uma ajudinha, princesa –ouvi aquela voz debochadamente linda falar no meu ouvido, enviando arrepios por todo meu corpo.
Foco Mabelle, foco.
–N-não, eu não preciso de ajuda. Muito menos da sua –respondi grosseira, tentando me livrar do aperto que seus braços exerciam sobre mim.
Quando achei que ele me soltaria, me senti sendo erguida, e me botando sobre seu ombro, ele me carregou de volta até a moto.
Idiota
–Você não tem opção –falou simplesmente
Durante todo o caminho, fui ouvindo ele cantarolar uma musica boba, e falar o quanto eu perdia meu charme com minha carrancuda. Só falou algo diferente quando precisou perguntar onde eu morava, que foi cerca de três horas depois de termos saído da cidade onde estávamos.
Logo vi a moto parando em frente a minha casa.
Desci dela como se a mesma estivesse me queimando.
–Não vai nem agradecer, princesa ? –ouvi aquela voz irritante perguntar
–Obrigado, Tyson –falei me virando para olha-lo
Ai senhor, quanto pecado em um só homem.
–Não, eu quero um beijinho também, aqui ó –falou apontando para sua bochecha
–O que ?- perguntei sem entender
–Um beijinho, vai princesa, eu te trouxe até aqui –da forma mais "fofamente" safada, ele falou isso.
E, na boa, eu não sou de ferro.
Me aproximei vagarosamente, e ficando na ponta dos pés, dei-lhe um beijo no rosto.
Só que diferente do que pensei, quando estava me distanciando, senti suas mãos em minha cintura.
E deu-se inicio a um longo beijo.
[°°°°°§°°°°°]
Logo após isso começamos a namorar.
Não vou dizer que foi fácil, ele nunca tinha assumido relacionamento com ninguém, e assumir alguma coisa comigo foi no mínimo o maior acontecimento em nossa roda de amigos.
Nosso namoro não foi o dos mais perfeitos, Tyson como falei no inicio, era um cara problema.
Por muitas vezes, chegamos a ficarmos sem nos falar, mas nunca nenhum chegou a terminar o namoro; e não era por nada, era simplesmente por causa da verdade em que ninguém ousava contestar....
Nós nos amávamos.
Isso era o bastante para assegurar que, em nenhuma briga, algum dos dois teria coragem de largar tudo.
Mas como todo cara problema, o Tyson tinha um defeito, na verdade um grande defeito...
A imaturidade
Ele era, inteligente da mesma forma com era num todo, um cara sem a mínima noção de responsabilidade. E como não seria um grande problema, levando em conta sua idade, 23 anos ?
Mesmo com tudo isso, tivemos um bom namoro, até o momento em que eu descobri o motivo para que tudo simplesmente começa-se a ruir.
Lembro-me exatamente qual foi sua reação em nossa ultima conversa ....
[°°°°°§°°°°°]
–A-amor... eu preciso falar com você –ouvi minha voz, baixinha por causa do choro pronunciar.
–Você tá me assustando, Mabelle, o que é que você quer falar comigo assim tão urgentemente ? –Tyson perguntou sentando-se ao meu lado, na cama de seu quarto.
–E-eu juro que não sei como isso aconteceu... e-eu só –parei de falar, sem saber o que dizer exatamente.
–Para de chorar, e quem sabe eu consigo entender o que você está falando, sem precisar dessa sua gagueira fora de hora –ele falou já irritado.
Eu sabia que não deveria ter vindo falar com ele, não quando ele está tão nervoso por conta de um problema financeiro que sua família está passando.
–E-eu não sei como aconteceu, juro que não sei, amor –continuei chorando
–O que você não sabe como aconteceu, princesa ? –perguntou, dessa vez mais calmamente.
Respirando fundo, falei o motivo do meu choro durante parte do meus dia, já que venho derramando lágrimas desde o momento que descobri.
–Eu estou gravida, Tyson –falei
E como reposta veio um longo silêncio.
Eu não estaria tão desesperada, se fosse em outra época.
Se fosse numa época em que ele não estivesse passando por problemas financeiros, numa época em que nós estávamos de viajem marcada para outro país , por conta de uma oportunidade oferecida pela faculdade; numa época em o pai dele tinha acabado de descobrir uma doença que o deixou de cama.
Essa definitivamente, não é uma boa época para se ter uma criança, principalmente num relacionamento em que o casal passa mais tempo brigando do que se amando, em que Tyson estivesse começando a perceber que ele precisa ter responsabilidade.
Eu não poderia ter engravidado de um cara que só de ouvir a palavra criança, começa a ter enjoos.
–Você realmente não sabe como isso aconteceu, Mabelle ? Então deixa eu te dizer como foi...-ele fez uma pausa antes de continuar –Nós transamos, Mabelle –gritou –E sabe o que mais, você, somente você, foi burra o suficiente pra não ter evitado que essa gravidez acontecesse.
Aquilo foi com um tapa na minha cara.
Um tapa que serviu para me acordar, eu não podia simplesmente ouvir ele jogar toda a culpa para cima de mim, e achar que irei aceita-la.
E foi com toda essa força, me dada pela raiva, que levantei-me e o respondi
–Minha culpa ? –gritei –Tem certeza que é minha culpa, Tyson ?... como você mesmo disse, nós transamos, nós, não eu sozinha. Eu não fiz filho nenhum sozinha, você teve tanta participação quanto eu, na formação dessa criança.
Fiz uma pausa longa, antes de voltar a falar
–Então, Tyson, se você quiser mesmo por toda a culpa sobre meus ombros, que coloque, más eu duvido que você vá aguentar a sua consciência quando for deitar tua cabeça no travesseiro.
E depois de falar, pegando minha bolsa, sai correndo de sua casa.
[°°°°°§°°°°°]
E depois disso, foi relembrando o quão sozinha eu estava nisso, que tomei um decisão que me trouxe até aqui.
–Está pronta senhorita ? –ouvi a velha mulher perguntar
–Sim, pode fazer –falei, enquanto grossas lágrimas desciam pelo meu rosto.
Meu bebe não vai nascer aqui, meu bebe não vai ficar aqui, ninguém nem ao menos saberia da existência de meu bebe.
Essa Mabelle, eu, não irei conhecer meu bebe.
[°°°°°§°°°°°]
–Cadê ela ? –perguntei apressado, a minha sogra preocupada.
Por favor, senhor, que não tenha acontecido nada a ela.
Observei minha sogra entristecer o olhar, antes de me responder.
–Ela partiu, Tyson. Mabelle partiu, e nem ao menos se despediu, ou deu tempo para cair a real de que ela não está mais aqui –depois daquilo meu mundo pareceu desabar.
Não, minha princesa não.
[°°°°°§°°°°°]
–E é isso, meu amor. Essa é a sua historia –ouvir aquela voz absurdamente linda falar.
–Más pai, como o senhor conseguiu encontrar a gente ? –minha pequena perguntou
–Eu procurei feito um louco, meu amor. Até que um dia, lembrando-me de nossas conversas, eu percebi o óbvio.
Sorri, essa, na minha opinião, sempre vai ser a melhor parte da historia.
–O que ? –minha pequena perguntou
–Sua mãe sempre estaria no meu coração, então bastou eu segui-lo, bastou eu lembrar que só existia um lugar no mundo, em que sua mãe estaria. No inicio, exatamente onde tudo começou.
–E foi assim, que numa tarde, quando eu estava saindo de casa para fazer o um exame de rotina, que seu pai apareceu.... –deixando a frase no ar, ouvi meu marido completa-la.
–E encontrei a minha princesa, já em seus sete meses de gravidez, esperando a minha princesinha. –sorrindo ele completou
–Mãe, onde foi que tudo começou ? –Suzie perguntou
–Naquela mesma cidade, onde num dia de chuva eu fui encharcada por um motoqueiro babaca–sorri beijando o homem emburrado ao meu lado
–E eu tive que socorrer uma princesa revoltada –o meu homem falou
Beije-o delicadamente até ouvir palminhas.
–Hora de dormir, filha –falei
–Tudo bem. Boa noite mamãe, boa noite papai –ouvi minha pequena falar, já sonolenta.
–Boa noite, meu amor –o pai respondeu
–Boa noite, minha pequena –respondi a ela
Saindo do quarto de nossa filha, li a placa feita por meu marido.
“Princesinha da....
Princesa revoltada e do Motoqueiro babaca”
Fale com o autor