Old House
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura
Eu mais uma vez passava pela porta escancarada, cheio de pedaços de metal, lixo e entulhos. Nunca vi aquele quarto com uma luz ligada, ou com uma lanterna, e olha que eu venho aqui desde pequena. Essa casa é estranha, as tomadas fazem barulho e soltam faíscas, as luzes piscam as vezes, e os portões estão sempre trancados e enferrujados. Me levantei cuidadosamente e olhei para minha tia dormindo ao meu lado, levantei e fui a procura de algumas lanternas. O engraçado é que eu nunca me lembro daquele quarto quando saio da casa, mas sempre que passo por ele, eu me lembro de todas as vezes que eu passei por ali e pensei no que poderia ter ali. Verifiquei a hora no celular da minha tia e me levantei cuidadosamente, tomando cuidado para não fazer barulho no chão de madeira. Se eu estou com medo ? Não imagina, eu estou apenas me tremendo da cabeça aos pés. Sempre fui uma garota quieta, medrosa, tímida, e minhas amigas reclamam que eu nunca quero assistir a um filme de terror... Voltando a minha misteriosa aventura, a porta da casa da minha tia estava fechada, ÓTIMO. Procurei pelas chaves, peguei-as cuidadosamente, sem fazer barulho. Parei e apurei os ouvidos, silêncio. Abri cuidadosamente e parei novamente, nada. Tomei um susto com o pisca-pisca na árvore, suspirei e andei devagar e com cuidado para não pisar em alguma folha seca. Cheguei ao quarto, não era longe, era estilo aquelas casas que tem um banheiro do lado de fora. Aquilo não tinha porta, ou ela deixava aberta sempre, mas naquela noite estava trancada, droga ! Toquei a maçaneta e na mesma hora me lembrei da história que me contaram assim que desocuparam a casa vizinha.
'Estava me esgueirando do lado de fora da casa da minha tia, de pijama ainda. Fui acordada por um barulho e corri para fora, para ver o que tinha acontecido.
Era um homem que estava na tentando abrir a porta da casa vizinha, um homem muito gordo pelo o que eu percebi, e mesmo da distancia que eu estava eu sentia que ele precisava de um banho. Quando ele me viu parou imediatamente o que estava fazendo. Ele tentou falar alguma coisa, mas eu o interrompi.
–O que você está fazendo !? Quem é você !?- Eu perguntei confusa, talvez ele seja um ladrão ! Dei um passo para trás e esbarrei em alguém.
–Vitória, o que faz acordada essa hora ?- Era minha tia, respirei aliviada.
–Eu ouvi um barulho e vim ver o que estav...
–Ah, esse é o Gugu, um amigo meu.- Minha tia me interrompeu.- Vá lá para dentro, tudo bem ?
Assenti e fui andando devagar para poder ouvir alguma coisa entre os dois, o tom que minha tia usou quando falou "um amigo meu" não foi muito confiável.
–O que você estava fazendo ? Eu já disse que nos finais de semana que ela estiver aqui, você não pode nem pensar em entrar ness...- Minha tia sussurrava em um tom ameaçador, quando a voz do homem se pronunciou pela primeira vez.
–SHIIU!
Depois os dois ficaram em silêncio e eu senti que era hora de ir. Sai correndo em direção a casa da minha tia, sem antes ver um brilho na saída dos fundos.'
Assim que essa lembrança se esvaiu, automaticamente me lembrei de outra.
'-Muitas coisas aconteceram ai, Vitória- Minha tia disse pela sexagésima vez, depois de eu ter perguntado o motivo da casa ser abandonada.
A casa era velha, e parecia abandonada. Tinha uma poltrona rasgada na entrada e algumas almofadas. Eu havia visto e visitado as duas velhas senhoras que moravam ali. Eu não me recordo direito da história, ela se misturou em meio as minhas teorias de criança. Pelo que eu me lembro, uma das senhoras morreu, eu só não me lembro como, eu tenho a imagem dela morrendo esmagada por uma geladeira na minha cabeça, mas eu tenho a absoluta certeza de que não foi assim. Já a outra senhora, eu não me lembro de nada. Nada mesmo. Só sei que se eu perguntar para qualquer outra pessoa, ela diria que não havia outra senhora ali, que só existia uma velhinha naquela casa. Mas eu me lembro exatamente delas duas, de mim e minha tia levando coxinhas para elas, lembro delas fazendo café juntas. Se uma morreu ou não eu não sei. Ou se ela é coisa da minha cabeça, eu me lembro da minha mão segurando um quadro de um garotinho. Ou não. Elas existiam ! Não é possível que eu tenha simplesmente imaginado isso.'
Tirei a mão da maçaneta, ofegante. Ouvi um barulho. Não vinha da casa da minha tia, vinha da casa das velhas senhoras. A casa tinha duas portas, a da frente e a saída dos fundos, e o quarto misterioso era de frente para a saída dos fundos. É, realmente, eu estava ferrada.
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