Old Feelings

4 Capítulo 3 - A Rainha E Seu Príncipe


Notas iniciais
Hey! Lamento a demora! Eu fui escrevendo este capítulo aos pouquinhos... Bem, lamento mesmo demorar tanto tempo pra escrever um capítulo tão curto, mas espero que gostem. Aproveitem momentos do nosso querido casal Helsa!

Pelo visto, eu tinha cumprido minha promessa. A festa de aniversário de Nikolas foi, inegavelmente, um sucesso. Ele até aceitou dançar com Lynae, apesar de estar visivelmente nervoso. Todos os convidados pareciam satisfeitos com a festa, inclusive os irmãos de Hans. A música também era muito convidativa; ninguém estava parado. Quer dizer, exceto eu.

– Vamos, Elsa! Quando teremos a chance de dançar de novo? – insistia Hans.

– Não adianta, Hans. Vou passar a maior vergonha. Tenho dois pés esquerdos quando se trata de dançar – argumentei.

– Eu passo vergonha com você, querida. – Ele abriu um sorriso que dizia ainda mais que as palavras.

Revirei os olhos.

– Certo, mas espero que essa dança valha pelos próximos dez anos, porque não pretendo pôr os pés num salão outra vez tão cedo.

– Como quiser, minha Rainha.

Ele me levou para o centro do salão e começamos a valsar calmamente. Eu fazia um verdadeiro esforço para não pisar em seus pés e seguir o ritmo.

– E desde quando você é tão ruim assim em dançar? – indagou ele.

– Desde que parei de praticar.

– Ah, então a culpa disso é minha! Esqueci os modos cavalheirescos.

– O quê? – perguntei, confusa.

– Que tipo de cavalheiro deixa sua dama se sobrecarregar de afazeres? – Apesar de estar sorrindo, ele parecia falar sério.

– Um cavalheiro não muito bom? – arrisquei.

– Exatamente. Acho que você precisa se divertir um pouco, Elsa.

– Não gosto nada quando você faz isso.

– Isso o quê? – perguntou ele, inocentemente.

– Esse... Esse charme.

Hans abriu um sorriso ainda maior.

– Charme, é? Eu nem percebi.

– Claro que não percebeu...

Ele me rodopiou e sussurrou em meu ouvido:

– É algo que se torna natural com o tempo.

O tempo podia passar, mas Hans não mudava. Ele continuava praticamente o mesmo de vinte anos atrás, e eu suspeitava que fosse continuar assim para sempre. Apesar de muito mais maduro e certamente mais sábio, Hans ainda era jovial, charmoso e encantador.

Olhei rapidamente para Louise. Ela parecia estar se divertindo conversando com alguém na sacada. Então foi por isso que não a vi mais no salão, pensei. Sorri comigo mesma ao pensar que ela estava fazendo amigos, como queria. Hans seguiu meu olhar e ergueu uma sobrancelha.

– Só espero que ele a trate bem – disse ele.

– Ou?

– Ou ele vai se ver comigo – respondeu calmamente.

– E desde quando você é um pai superprotetor? – perguntei.

– Não sou superprotetor. Só não posso permitir que um abusado se aproxime da minha filha com segundas intenções.

– Sei. E ela por acaso já não é adulta? Já não sabe se virar sozinha?

– Ela ainda é tão inocente... Como a sua irmã era.

– Ah, então você tem medo de que alguém faça com a Louise o que você fez com a Anna?

– Claro que tenho, Elsa, mas não é só isso.

– O que é então?

– São esses jovens de hoje em dia. Não tem mais caráter, não tem pudor... Eu não quero nossa filha nas mãos de um pervertido, Elsa.

– Eu também não, mas não acha que está exagerando? Nenhum membro da realeza seria... – Hans me interrompeu.

– Você não sabe do que as pessoas são capazes de fazer para terem o que querem. – Ele me lançou um olhar sombrio.

A dança terminou e Hans piscou, como se estivesse saindo de um transe. De repente ele só tinha olhos para mim. Sorriu e beijou minha mão.

– Podemos continuar nossa “conversa” mais tarde, Majestade?

– Claro – sorri, percebendo que não era exatamente à última conversa que ele se referia.

A festa terminou pouco tempo depois. Como anfitriões, Hans e eu esperamos até que o último convidado saísse cambaleante do salão. Então ele me olhou de esguelha e sorriu.

– Vamos subindo?

Hans não esperou resposta. Pegou minha mão e correu para a escada. Antes que chegássemos ao nosso quarto, ele me prensou contra a parede do corredor e me beijou com urgência.

– Pelo amor de Deus, Hans! Estamos no meio do corredor – sussurrei, ofegante.

– Correndo risco é melhor. – Ele pôs um sorriso despudorado no rosto e voltou a me beijar.

Me senti flutuando por uns três segundos, até que ouvimos ruídos no corredor paralelo, como se alguém andasse mancando. Nos viramos imediatamente para o local de onde vinha o ruído. Patrick apareceu no corredor, pulando encolhido e resmungando. Ele olhou para a nossa direção e ficou completamente vermelho.

– Ah, Elsa, Hans! N-não sabia que estavam aí! Será que poderiam me dizer onde fica o banheiro? E então eu prometo que não vou... Atrapalhar mais.

– Primeira porta à sua esquerda – respondeu Hans.

– O-obrigado. – Patrick foi pulando até o banheiro indicado, abriu a porta e entrou.

– Então, onde estávamos? – perguntou Hans, como se nada demais houvesse acontecido.

– Nunca mais nos faça passar por isso – respondi, séria e assustada.

– Pode deixar. – Ele sorriu e me beijou novamente, enquanto tateava a maçaneta da porta do nosso quarto, ao meu lado.

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– Elsa, Elsa. Acorde. Elsa!

Acordei num salto, assustada. Hans estava em pé ao lado da cama, terminando de calçar as luvas.

– O que houve?

– Nada demais. Mas se não se arrumar agora, vai se atrasar.

– Me atrasar para o quê? – perguntei.

– Requisitaram uma reunião com “Vossa Majestade, a Rainha Elsa, e Vossa Alteza Real, o príncipe consorte”, ou seja, eu. – Ele suspirou.

– Requisitaram? Quem?

Hans deu de ombros.

– Melhor se apressar – disse ele, e saiu.

As criadas já estavam me esperando do lado de fora do quarto, ansiosas para fazerem seu trabalho.

Saí para o corredor meia hora depois, Hans disse que não havia tempo para fazer o desjejum e me acompanhou até a sala do trono. Um criado terminava de limpar meu trono; ele fez uma reverência no instante em que nos viu e se retirou.

– Majestade, podemos mandá-lo entrar? – perguntou Kai.

– Claro – respondi.

Dois guardas abriram as enormes portas duplas e um jovem adentrou a sala. Era um rapaz alto, de cabelos castanhos. Mantinha os braços cruzados atrás de si e parecia muito confiante.

– O que deseja, senhor? – perguntou Hans.

O rapaz abriu um sorriso de “príncipe encantado” e respondeu sem demora:

– É bem simples, Alteza. Eu desejo a mão de sua filha.

Notas finais
Não digo nada sobre o Patrick segurando a bexiga. Muito menos sobre o Hans cheio de ousadia. Nos vemos no próximo capítulo. Espero que tenham gostado, bjs e comentem!