Old Feelings

5 Capítulo 4 - Proposta


Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Hoje, inicia-se a história de verdade! Será a partir deste capítulo que todo o enredo irá se desenvolver. E também temos a primeira aparição de Daven, o gêmeo mais velho de Lynae, que até agora só foi mencionado. Nos vemos lá embaixo!

Na manhã seguinte à festa, Nikolas, Syver, Lynae, Daven e eu estávamos à mesa fazendo o desjejum de sempre. Daven lia um jornal estrangeiro que provavelmente tio Magnor trouxera de uma das suas viagens. Uma coisa que eu não entendia em Daven era seu gosto por colecionar coisas excêntricas. Enquanto eu observava o jornal em suas mãos e tentava descobrir que língua era aquela, Kai entrou na sala, se aproximou de mim e disse:

– Alteza, sua presença é requerida na sala do trono.

– Agora? – perguntei desanimada.

– O mais breve possível, Alteza. Vamos, por favor.

Kai não expressava nenhuma emoção, mas eu tinha a impressão de que o assunto devia ser sério para que ele estivesse me pedindo que o acompanhasse com tanta urgência. Levantei-me e desamassei o vestido delicadamente. Kai me acompanhou até a sala do trono e me deixou na porta.

– Vou deixá-los sozinhos, Alteza. – Ele abriu a porta para mim, e assim que passei por ela, fechou-a e foi embora.

Olhei para os presentes. Meu pai batia os dedos nervosamente no braço do trono e tinha um olhar de indignação. Minha mãe olhava para a janela. Havia ainda um rapaz que estava de costas para mim, mas assim que me viu entrar, ele virou-se, e percebi, com espanto, que era Richard.

– Alteza – disse ele fazendo uma reverência.

– Vamos logo com isso – bradou meu pai. – Louise, esse rapaz quer lhe desposar. Você aceita? – Algo em seu tom de voz sugeria que “sim” não era a resposta correta.

– Hans, seja mais paciente! – pediu minha mãe. – Louise, o Sr. Richard veio de longe para conhecê-la, e a está pedindo em casamento. Você aceita, querida? – perguntou para mim de forma amigável.

– Eu... Eu não sei. Quero dizer, eu mal conheço o Sr. Richard...

– Mal o conhece? Quer dizer que já o viu antes? – questionou meu pai, tentando manter a calma.

– Sim, eu o conheci ontem, na festa...

Meu pai resmungou e olhou para outro lado.

– Com todo o respeito, Rainha Elsa, mas eu não creio que esteja sendo abusivo de minha parte pedir em casamento uma jovem adorável como a princesa. Não sou um mau partido, também. Sou um homem honrado, e viajei de muito longe apenas para conhecê-la. Proponho uma aliança entre os nossos reinos... – explicou Richard.

– De onde você é? – perguntou minha mãe.

– Smogdain, Majestade.

– Nunca ouvi falar – retrucou meu pai.

– É um reino pequeno, e infelizmente sem grande importância. Por isso, acreditamos que uma aliança com um reino maior, como Arendelle, fará um grande bem para nós.

– E o que te faz pensar que é digno da minha filha?

– Como eu já disse, sou um homem honrado. Tenho uma boa instrução militar, sou fluente em quatro línguas, tive os melhores tutores da Dinamarca...

– Dinamarca? – Meu pai interrompeu.

– Meu reino fica na Dinamarca. – Richard fez uma pausa e depois continuou. – E também, Alteza, acredito que eu seja capaz de conquistar o coração da sua filha em trinta dias.

– Conquistar o quê? – perguntei, achando que não tinha entendido direito.

– O seu coração, princesa – respondeu ele, olhando dentro dos meus olhos por alguns segundos. – Por favor, eu apenas peço que me deixem permanecer em Arendelle por no máximo trinta dias. Se até lá eu não tiver conquistado o amor de sua filha, vou embora de vez e não volto mais. Mas, caso eu conquiste, terei a mão dela.

Meu pai pensou por alguns instantes. Ele claramente não queria aceitar o pedido de Richard, até que minha mãe disse que a decisão era minha. Surpresa, eu pensei por alguns segundos. Richard era uma boa pessoa, e era fácil me imaginar me apaixonando por ele. E afinal, por que não? Seria bom ter alguém com quem contar sempre, alguém que me entendesse e me amasse. Eu sempre admirei o relacionamento dos meus pais; era tão forte e duradouro, com tanto amor e compreensão. Talvez o destino estivesse me dando uma grande chance de ser feliz. Eu não podia recusar.

– Eu... Aceito, mãe. Deixe que o Sr. Richard fique, e então dentro de trinta dias eu decidirei se é com ele que vou casar ou não.

Fechei os olhos, temendo que meu pai tivesse um ataque de raiva. No entanto, ele apenas se enrijeceu, apertou o braço do trono e tremeu levemente. Era o tipo de autocontrole que os governantes têm que aprender a ter. Até o momento, eu não era nenhuma mestra nessa arte, mas ainda me saía bem melhor que Nikolas – minha mãe lhe dava aulas desde os 10 anos –, e pelo o que eu sabia, meu pai também não dominava essa técnica quando tinha a minha idade, então eu esperava que com esforço e um pouco de tempo, eu fosse capaz de controlar e disfarçar minhas emoções.

– Está decidido, então – disse por fim minha mãe, após longos segundos de silêncio. – Louise, você pode voltar para o salão. E você, senhor, pode aguardar em seus aposentos até a hora em que o desjejum será servido para os hóspedes.

– Sim, Majestade. – Richard fez uma reverência e se retirou imediatamente.

Fiquei aliviada por alguns segundos, até me ocorrer a ideia de que provavelmente meu pai preferira conversar comigo a sós. Quando virei de costas para sair, ele me interrompeu:

– Espere aí, Louise. Quero trocar umas palavras com você.

Estaquei no lugar em que estava. Meu pai se aproximou lentamente e disse num tom sussurrado:

– Eu não vou questionar sua decisão, muito menos obrigá-la a voltar atrás. Mas espero que saiba que se eu não me agradar desse rapaz e você quiser casar com ele, seguirá por sua própria conta e risco.

Dito isso, ele saiu da sala sem me dar chance de responder. Minha mãe se aproximou de mim, tocando meu ombro e sorrindo suavemente, em seguida se retirando da sala também. Quando percebi que estava sozinha ali, me retirei também, e vi meus pais conversando com o chefe da guarda no corredor.

– ...Quero dois guardas vigiando-o, principalmente quando ele estiver em seu quarto. Avisem se houver qualquer coisa estranha acontecendo – instruiu meu pai.

– Claro, Alteza. Algo mais? – perguntou o chefe da guarda.

– Não, pode voltar para o seu trabalho – disse minha mãe com seriedade.

Não me agradou nada a ideia de Richard ser vigiado pelos guardas, mas eu sabia que era a decisão de meus pais e eu não podia – nem deveria – fazer nada. E de certa forma, talvez fosse necessário, afinal eu mal o conhecia. Passei por eles em direção à sala de música; perdera a fome depois daquela conversa inusitada e embaraçosa. Bati de frente com algo enquanto subia as escadas rapidamente, mas para a minha sorte era apenas Daven, que lia distraído um exemplar antigo do livro Otelo. Ele me segurou com um braço e agarrou o livro com o outro.

– Louise! Desculpe o mau jeito. Está tudo bem? – perguntou ele.

– Está, sim. Por que não estaria? – menti, tentando não parecer nervosa.

– Bem, não sei... Você parecia meio inquieta... Ah, deixa pra lá. Devia ser só impressão minha. Você está animada e alegre como sempre. – Ele deu um sorriso tímido.

– E você está curioso e gentil como sempre! Bom dia, Daven! – Dei um tapinha amigável no braço dele e voltei a subir a escada.

Fiz bem em ir até a sala de música. Exatamente como fazia todas as manhãs depois do desjejum, lá estava Syver, tocando piano. Nada melhor do que uma conversa com ele para botar os pensamentos no lugar. Eu confiava em Syver e confiava em seus conselhos, ele saberia o que era melhor fazer e o que era melhor não fazer agora.

– Desculpe atrapalhar. – Eu disse, interrompendo a melodia.

Syver virou-se para mim e abriu um sorriso.

– Não está atrapalhando em nada, Lou. Quer se juntar a mim?

– Adoraria.

Notas finais
Essa ideia de casamento à primeira vista tem feito alguns leitores se lembrarem de Hans e Anna e se perguntarem quais são as verdadeiras intenções de Richard, e eu só posso dizer que nem eu mesma sei, porque Richard é daqueles personagens inesperados e misteriosos, que a gente não sabe o que se passa na cabeça. Ah, tem mais! Depois de um bom tempo pensando, eu resolvi escrever um spin-off da trilogia! Serão quatro capítulos, cada um narrado por um personagem diferente. Não direi quem são, mas dou uma dica: Dois deles são das Ilhas do Sul e um deles é de Arendelle, outro tem "dupla nacionalidade". Vocês conseguem adivinhar quem são? Explico mais em breve, planejo escrever o primeiro capítulo junto com o quinto da Old Feelings. Bem, é isso! Bjs, comentem e até a próxima!