Olívia [H.S]
5 Capítulo 5 - Luzes.
Notas iniciais
Decidir tomar café da manhã em uma lanchonete próxima ao hotel, o dia estava adorável, parecia aqueles dias que terminariam perfeitos iguais aos filmes.
— Aqui está. — a garçonete colocou um prato cheio de panquecas e um suco de laranja na mesa.
— Obrigado! — a cozinheira montou o prato com tanta precisão que estava dando pena de comer.
— Sinto muito Dylan, mas você terá que babar por isso também. — tirei uma foto do meu café da manhã "intocável" e postei no instagram com a legenda "Dylan, já está babando?"
A comida estava dos Deuses, assim que pedi a conta deixei um recado para a cozinheira a elogiando pelo prato delicioso que ela preparara.
Esse final de semana seria corrido para mim, teria que me estabilizar e procurar um apartamento adequado, por mais que o hotel seja maravilhoso, não posso ficar pagando a diária todos os dias, assim acabarei sem dinheiro e morando na rua.
Observei cada pessoa que entrava na lanchonete, elas pareciam tão iguais, tão apressadas. Alguns casais também entraram, se sentavam e apenas comiam sem trocar uma palavra ou olhar, é como se estivessem sozinhos.
— Vai querer mais algo? — a garçonete perguntou enquanto limpava a mesa enfrente a minha.
— Não, obrigado. — observei como ela tirava todos os pratos rapidamente , ela pegou um jornal abandonado por algum cliente, meus olhos focaram nos anúncios.
— Talvez eu queira. — falei encarando o jornal em suas mãos. A garçonete sorriu me entregando o jornal e voltou ao trabalho.
O jornal tinha uma página cheia de anúncios, o meu foco era apartamentos. Salvei todos os números de quais me interessei, mas o que mais me chamou atenção foi um no Echo Park, esse seria o primeiro a ser visitado.
Meu celular vibrou assim que eu salvava o último contato, era uma mensagem da Susan.
"Exchange Nightclub — localizada em Downtown no coração de Los Angeles perto da Pershing Square, às 20:00. Trajes gala."
— A FESTA! — gritei e algumas pessoas me olharam, cobri meu rosto com o jornal para evitar mais olhares. Eu precisava de um vestido! Como eu tinha esquecido da festa? Guardei o jornal dentro da minha bolsa e saí da lanchonete quase correndo.
— TÁXI! — gritei e um parou em minha frente. Tem mais táxis que carros normais nessa cidade, isso é estranhamente engraçado.
— Uma loja de roupas. — falei e o taxista riu.
— O que foi?
— Aqui é Los Angels, tem uma loja de roupas em cada esquina. — ele disse em um tom debochado.
— Se eu quisesse andar não pegaria um táxi. — rolei meu olhos. A verdade é que eu não tinha reparado nisso, mas já estava cansada de ficar tão por baixo.
— Só estava te ajudando a poupar dinheiro.
— Será que pode apenas dirigir? — meu tom de voz não estava arrogante diferente do dele.
— Quer saber? Saí do táxi. — olhei confusa para ele, sua expressão nervosa e velha estava vidrada em mim.
— O que? — foram as únicas palavras que saíram da minha boca.
— Estou cansado desses caipiras na minha cidade! — caipiras?
— Eu saio com o maior prazer, já não estava aguentando o seu cheiro velho e nojento. — quase pulei para fora daquela porcaria de táxi, como pode existir pessoas tão idiotas? Tudo bem, não é a primeira vez que sou humilhada aqui, as imagens do segurança e de Maggie rondaram minha mente.
Não andei 2 metros e meus olhos foram preenchidos pela vitrina da Brandy Melville, pelo menos nisso o taxista patife acertou, tinha uma loja de roupas em cada esquina de Los Angels.
— Olá senhorita. — uma mulher loira e elegante veio até a mim com o maior sorriso do mundo, sei que na verdade o seu "olá" apenas significava "tem dinheiro para comprar?"
— Bom dia. — a cumprimentei. Meus olhos rodaram cada canto da loja e pararam em um lugar cheio de mulheres que se vestiam do mesmo jeito que a loira na minha frente.
— A Senhorita Selena está fazendo compras. — tossi freneticamente quando ouvir aquele nome.
— Selena? Selena Gomez? — perguntei e ela assentiu sorrindo. A Selena Gomez está respirando o mesmo ar que eu, isso é sério?
— Eu também tive a mesma reação, mas está nas regras que não podemos dar "pitis". — meus olhos ainda estavam arregalados, a Selena estava aqui, bem ali, metros de distâncias de mim. Quanta ironia! Ontem conheci Justin Bieber e hoje Selena Gomez, quem será o próximo? Ed Sheeran?
— A Senhorita irá escolher alguma peça? — a loira me despertou e voltei minha atenção para ela.
— Sim, sim! Um vestido de gala. — ela assentiu e me guiou até outra parte da loja.
— Fique aqui, irei trazer sugestões. — me sentei em uma poltrona bege e gelada, a Brandy Melville era tão espelhada quanto o estúdio. Enquanto esperava a loira, decidi voltar a ver os anúncios de apartamentos, nenhum ainda me interessou tanto quanto o do Echo.
— Desculpe a demora. — a loira disse colocando "centenas" de vestidos em um provador.
— Peguei cores e modelos que combinarão com você. Está com pressa? Iremos demorar um pouco. — ela sorria tanto que achei que sua boca ficaria naquela posição para sempre.
— Tudo bem! — entrei no provador e encarei meu reflexo. Meu cabelo estava rebelde e minha jaqueta suja com um pouco de calda de chocolate devido à mais cedo na lanchonete.
— Experimente o verde primeiro! — escutei a loira. Peguei o vestido verde deixando alguns caírem no chão do provador. O vestido verde era tão...
— Meu Deus, porque tem tão pouco pano?! — perguntei alto e ela riu. Era tão vulgar!
— Deixe-me ver!
— Eu não gostei muito... — coloquei meus braços envolta do meu corpo como se tentasse esconder as aberturas que o vestido tinha.
— Temos outras escolhas. — falou tentando me reconfortar.
Experimentei tantos vestidos que já estava preferindo ir nua a essa festa.
— Querida, como está aí dentro?
— Apertado. — falei enquanto tentava fechar o espartilho de um vestido amarelo ouro.
— Quer ajuda?
— Por favor! — a loira entrou no provador e riu abafado ao ver a minha situação.
— Sinto que está tendo um pouco de dificuldade. — se eu fosse asmática, já estaria no caixão.
— Vire, irei fechar para você. — cada puxada que a atendente dava no espartilho sentia meus pulmões se contraírem.
— Então, como se chama? — falei tentando quebrar o silêncio.
— Thereza. — respondeu e deu mais uma puxada no espartilho.
— E você?
— Liv, me chamo Liv. — tentei respirar fundo, mas não conseguir. Eu iria morrer no meio da festa com esse vestido.
— Você não é daqui, é?
— Não, Texas. — ela olhou para meu reflexo no mesmo estante, só que depois voltou o olhar para o vestido sufocante.
— O que uma garota do Texas faz aqui? — sorrir com dificuldade e pensei em uma boa resposta para dar.
— Um sonho. — Thereza me olhou meia surpresa e deu um nó no laço do espartilho.
— Eu também sou do Texas. — falou meio sem graça e recolhendo os vestidos já experimentados.
— E o que veio fazer aqui? — repeti a pergunta.
— Um sonho. — nós duas trocamos olhares o dela mais apreensivo que o meu.
— Sabe Liv, acho que tenho um vestido perfeito para você. — ainda olhava curiosa para a mulher que parecia ter tanto em comum comigo.
— Já volto. — ela se retirou me deixando pensativa. Demorou cerca de 7 minutos para retirar o vestido para modelos mega ultra magras.
— Acho que você irá adorar! — Thereza voltou animada e com um vestido preto aveludado nas mãos, ela me entregou e saiu novamente.
— Eu amei! — onde estava esse vestido o tempo todo? Ele é perfeito!
— Deixe-me ver! — sair do provador e Thereza me olhou contente.
— Sabia que ficaria lindo em você! Destaca os seus olhos.
— Obrigado por me ajudar! — sorrir em agradecimento. Minha mãe precisa ver esse vestido! Voltei para o provador e peguei meu celular.
— Será que poderia tirar uma foto para mim? — Thereza assentiu e tirou 2 fotos de ângulos diferentes.
— Tenho certeza que seu namorado vai adorar!
— Não, não...irei mandar para minha mãe. — respondi meia envergonhada e ela sorriu sem graça.
— Podemos guardar então? — perguntou tentando mudar de assunto.
— Claro!
Cheguei no final da tarde no hotel. Comprei mais alguns acessórios em algumas lojas pequenas, comi o melhor cachorro quente da minha vida e agora estou aqui, no quarto que continua bagunçado e pronta para falar com minha mãe pelo Skype.
— Oi, Oi! — escutei a voz da minha mãe animada.
— Mãe, o que houve com seu rosto? — estava coberto por uma tinta rosa.
— Isso se chama: Dayse. — escutei um riso no fundo e uma garotinha loira escondida atrás da cortina.
— Dayse, estou te vendo! — falei e ela saiu apressada como se fosse abracar o notebook.
— Mamãe!
— Oi amor, como você está? — Dayse estava na mesma situação que a minha mãe, talvez pior, já que algumas mechas do seu cabelo estava azul.
— Mama, fliz um desenho para você! — a pequena saiu da frente da câmera retornando segundos depois.
— Eu, você e o Sid!
— Está tão fofo! O seu pai não ficou triste por não aparecer? — ela abriu a boca parecendo que havia esquecido de algo.
— Não conte pare ele mamãe! — ela disse envergonhada e colocando o desenho na frente do rosto.
— Não irei. — mostrei o mindinho e ela riu.
— Sid, não coma a tinta! — reclamou e saiu correndo desajustada.
— Eu adorei o vestido! — minha mãe disse voltando ao assunto.
— Ele é tão lindo mãe! Estou tão ansiosa, será que a Taylor Swift estará lá? — perguntei e ela riu.
— Não esqueça...
— Autógrafo da Adele! — falei e ela assentiu risonha.
— Será a mais linda da festa. — para a mãe o filho sempre será o mais lindo, quem seria eu para disputar com todas as super modelos que estarão lá?
— Mãe, terei que desligar, preciso me arrumar. — o relógio marcava 17:12, e como sei que sou lenta para tudo precisaria começar a me arrumar agora.
— Se divirta querida!
— Irei! — desliguei mandando um beijo. Corri para o banheiro e liguei a torneira, aos poucos a banheira que eu tanto ansiava experimentar estava enchendo. Abri alguns armários e encontrei alguns sais de banho, os deixei encima da pia e voltei para o quarto, coloquei toda a roupa que usar essa noite encima da cama e avaliei, estava tudo perfeito! Abri minha bolsinha de maquiagens e a deixei perto do espelho, imaginei os tons que ficariam bons com aquele vestido.
Voltei para o banheiro e a banheira já estava quase cheia, me despi e entrei, foi a sensação mais relaxante que já sentir!
Foram os 20 minutos mais bem gastos da minha vida! Sair do banheiro envolvida em uma toalha, sequei meu rosto, sentei enfrente ao espelho e comecei a minha make, não iria fazer nada tão forte, mas que também chamasse atenção, parece que todos aqueles tutoriais de maquiagem que assistir valeram apena. Tirei uma foto para o instagram com a legenda "Me preparando para a Adele"
— Agora o vestido! — falei dando pulinhos. Eu estava tão animada com quem iria encontrar naquela festa que não reparei o quanto havia ficado bonita com o vestido, estava tudo indo tão bem que estava começando a estranhar.
— Hoje será incrível Olívia. — falei analisando minha aparência. Eu já estava pronta, peguei uma bolsa pequena preta com detalhes pratas e abandonei o quarto, o hotel já havia providenciado um táxi para mim, só aguardei alguns minutos na recepção e vi o táxi chegar na entrada do hotel.
— Aqui está no endereço. — entreguei um papel com o endereço do evento. Estava torcendo para esse taxista ser mais gentil que o outro.
— Está muito bonita. — o taxista falou e eu o olhei surpresa, com certeza ele é mais gentil.
— Obrigado. — respondi com um sorriso de canto. Ficamos presos pelo menos 6 minutos no trânsito, a noite de Los Angels é tão animada e movimentada, novos estilos e rostos em toda parte, a cidade não precisava de estrelas para ser iluminada.
— Chegamos. — olhei quase que aflita para a janela, tinha tantas luzes e pessoas, o local estava lotado de fotógrafos!
— 20 dólares.
— O que? — perguntei dispersa.
— O total é 20 dólares.
— Ah, claro! — peguei o dinheiro com um pouco de dificuldade e entreguei para o taxista, a bolsa é tão pequena que minha mão mal se movimentava.
— Boa festa. — ele desejou me olhando pelo retrovisor.
— Boa noite. — saí do carro com um pouco de dificuldade, mas fui ajudada por um homem alto vestido de terno, o reconheci do dia anterior, era um dos seguranças de Justin.
— OLÍVIA! OLÍVIA! — escutei me chamarem e de repente minha visão foi preenchida por luzes.
— UMA DAS DANÇARINAS DE JUSTIN! — estava me sentindo perdida, não sabia o que fazer, apenas fui guiada pelo homem que me puxava.
— OLÍVIA, OLHE PARA CÁ, OLÍVIA! — voltei meu olhar para o fotógrafo e sorrir para todos
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