Olá, eu sou a dor.
7 Um monstro, eu sou.
Notas iniciais
O lado secreto de mim
Eu nunca te deixarei ver
Eu mantenho ele enjaulado, mas eu não posso controlar
Então se afaste de mim
A fera é horrenda
Eu sinto a raiva e eu não posso controlar
Está arranhando as paredes
No armário, nas salas
Isso acorda e eu não consigo controlar
Escondendo debaixo da cama
Em meu corpo, em minha cabeça
Porque ninguém vem e me salva disso?
Faça isso acabar!
Eu sinto isso lá no fundo
Está logo debaixo da pele
Eu devo confessar que eu me sinto como um Monstro
Eu odeio o que me tornei
O pesadelo apenas começou
Eu devo confessar que eu me sinto como um Monstro
Meu lado secreto eu mantenho
Escondido atrás de chaves e cadeados
Eu mantenho ele enjaulado, mas eu não posso controlar
Porque se eu deixar ele sair
Ele vai me arrebentar, me derrubar
Porque ninguém vem e me salva disso?
Faça isso acabar!
(Skillet)
Chego em casa bufando e minha mãe percebe.
– Aconteceu de novo, né?
– Me deixa em paz.
Eu subo e me tranco no quarto. Minha mãe sobe e fica batendo, mas eu finjo não escutar.
Anoitece.
Fico olhando para o céu, tão negro e sombrio nessa noite. É incrível como as coisas mais simples parecem tão mais feias quando se está com raiva.
Decido tirar a roupa para tomar um banho. E assim, despida, percebo meu corpo tão magro, aqui em frente ao espelho percebo que a cada dia estou mais acabada. Olhos abalados, tristes, sem cor. Rosto penoso. Tudo isso me faz lembrar de um texto de Cecília Meirelles:
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
(Cecília Meireles)
O que está acontecendo comigo, meu Deus? Eu preciso mudar.
Sim, eu acredito em Deus, e mesmo que não pareça, eu tenho fé.
Decido ir à igreja. Desço e vou chamar meus pais.
– Mãe, vamos à igreja?
– Vamos, eu vou chamar seu pai.
Subo e tomo um banho rápido, separo uma calça jeans e uma blusa de manga e visto. Prendo o cabelo em um rabo de cavalo e coloco uma sapatilha nos pés e desço.
– Vamos?
Entramos todos no carro, e nos dirigimos à igreja. Durante a missa só consigo pensar em quanto tempo faz que me dirigi a Deus e dediquei um pouco do meu tempo a ele, quanto tempo faz que conversei e tentei me acalmar com ele. Quanto tempo...
Chega a hora da oferta, pego algumas moedas em minha bolsa e me dirijo ao meu irmão.
– Pega Henrique, leva lá.
Ele sorri e vai. Meus pais também.
Por fim fazemos uma oração e vamos para casa. Olho o relógio e já é hora de dormir. Tenho aula amanhã e muita coisa para enfrentar.
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